a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Dons espirituais

121Irmãos, no que diz respeito aos dons espirituais, não quero que andem na ignorância. 2Sabem que, quando eram pagãos, eram levados a adorar falsos deuses que não falam. 3Ficam, por isso, a saber que ninguém inspirado pelo Espírito de Deus pode dizer: «Jesus é maldito.» E do mesmo modo, ninguém pode dizer: «Jesus é o Senhor», se não for pelo Espírito Santo.

4Os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo. 5Há funções diferentes, mas o Senhor é o mesmo. 6Há trabalhos diferentes, mas é o mesmo Deus que dá a todos força para agirem. 7O Espírito manifesta-se em cada um para o bem comum. 8A um é concedido o dom de falar com sabedoria, a outro o de falar com conhecimento. E tudo segundo o mesmo Espírito. 9É ainda o único e mesmo Espírito que concede a um a fé e a outro o poder de curar. 10A um dá o poder de fazer milagres, a outro o de declarar a palavra de Deus, a outro o de perceber quando fala o Espírito de Deus. A um dá o poder de falar em línguas desconhecidas e a outro ainda o dom de as interpretar. 11Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto e que distribui dons a cada um, conforme lhe parece12,11 Sobre a diversidade dos dons de Deus tratado nos v. 4–11, ver Rm 12,6–8..

Formamos todos um só corpo

12Assim como o corpo é um só e tem muitas partes e todas elas, apesar de muitas, formam um só corpo, assim acontece também com Cristo12,12 Comparar com Rm 12,4–5.. 13Todos nós, judeus ou não-judeus, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo. E todos recebemos o mesmo Espírito.

14Realmente, o corpo não tem só uma parte, mas muitas. 15Se o pé disser: «Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo», não é por isso que deixa de fazer parte dele. 16E se o ouvido disser: «Uma vez que não sou olho, não faço parte do corpo», não é por isso que deixa de fazer parte dele. 17Se todo o corpo fosse somente olhos, como é que poderia ouvir? Se fosse apenas ouvidos, como é que poderia sentir o cheiro? 18Ora, a verdade é que Deus colocou todas as partes do corpo, cada uma no lugar que lhe pareceu melhor. 19Se todo o corpo fosse apenas uma parte, onde estaria o corpo? 20Ora, o corpo tem muitas partes, mas é um só.

21Os olhos não podem dizer à mão: «Não precisamos de ti.» A cabeça não pode dizer aos pés: «Não preciso da vossa ajuda.» 22Pelo contrário, o que parece mais fraco no corpo é, por vezes, o mais preciso. 23No corpo, as partes que nos parecem menos dignas são as que rodeamos de maiores cuidados. As que nos parecem mais vergonhosas são as que tratamos com mais respeito; 24pois as outras já não precisam tanto disso. Mas Deus dispôs o corpo humano de tal maneira que as partes mais humildes são as que rodeamos de maiores cuidados. 25Isto foi para não haver divisão entre elas, mas sim para que cada parte se preocupasse tanto com as outras como consigo mesma. 26Se uma sofre, todas sofrem com ela; se outra é elogiada, todas se alegram com isso.

27Todos juntos constituem o corpo de Cristo e cada um por si é uma parte dele. 28Deus deu a cada um o seu próprio lugar na igreja: primeiro, os apóstolos; em seguida, os profetas; e depois, os que ensinam12,28 Sobre estas funções de ensino na igreja, ver Ef 4,11; At 13,1.. Seguem-se os que têm o poder de fazer milagres, de curar, de dar assistência aos que precisam, de governar e de falar línguas desconhecidas. 29Será que todos podem ser apóstolos, profetas ou professores? Será que todos podem fazer milagres? 30O poder de curar é porventura dado a todos? Todos poderão falar línguas desconhecidas? Todos poderão interpretá-las? Claro que não. 31Por conseguinte, procurem os dons mais importantes. E o caminho melhor é aquele que agora vos vou mostrar.

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O mais importante é o amor

131Se eu for capaz de falar todas as línguas dos homens e dos anjos e não tiver amor, as minhas palavras são como o badalar de um sino ou o barulho de um chocalho. 2Se eu tiver o dom de declarar a palavra de Deus, de conhecer os seus mistérios e souber tudo; e se eu tiver uma fé capaz de transportar montanhas13,2 Comparar com Mt 17,20; 21,21; Mc 11,23. e não tiver amor, não valho nada. 3Ainda que eu dê em esmolas tudo o que é meu13,3 Ver Mt 6,2., se me deixar queimar vivo13,3 Por semelhança fonética das palavras. e não tiver amor, de nada me serve.

4O amor é paciente e prestável. Não é invejoso. Não se envaidece nem é orgulhoso. 5O amor não tem maus modos nem é egoísta. Não se irrita nem pensa mal. 6O amor não se alegra com uma injustiça causada a alguém, mas alegra-se com a verdade. 7O amor suporta tudo13,7 Ver Pv 10,12; Tg 5,20; 1 Pe 4,8., acredita sempre, espera sempre e sofre com paciência. 8O amor é eterno. As profecias desaparecem; as línguas acabam-se; o conhecimento passa. 9Pois tanto as nossas profecias como o nosso conhecimento são imperfeitos. 10Quando chegar aquilo que é perfeito, tudo o que é imperfeito desaparece. 11Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Depois tornei-me adulto e deixei o modo de ser de criança.

12Agora vemos as coisas como num espelho13,12 Na antiguidade os espelhos eram feitos de metal polido, oferecendo uma imagem pouco nítida. e de maneira confusa. Naquele dia, iremos vê-las frente a frente. Agora o meu conhecimento é imperfeito, mas naquele dia vou conhecer como Deus me conhece a mim. 13Agora existem três coisas: fé, esperança e amor. Mas a mais importante é o amor.

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Anunciar a palavra de Deus

141Portanto, esforcem-se por viver o amor e procurem também alcançar os dons espirituais, sobretudo o dom de declarar a palavra de Deus. 2Pois o que fala em línguas desconhecidas não fala para os homens, fala para Deus, uma vez que ninguém entende as coisas misteriosas que o Espírito lhe inspira. 3Mas o que declara a palavra de Deus fala para os homens, a fim de os edificar, de os ajudar e encorajar. 4Aquele que fala em línguas desconhecidas só se edifica a si mesmo. Mas o que declara a palavra de Deus esse edifica a igreja. 5Gostaria que todos fossem capazes de falar em línguas desconhecidas, mas ainda gostaria mais que fossem capazes de declarar a palavra de Deus. De facto, declarar a palavra de Deus vale mais do que falar em línguas desconhecidas, a não ser que haja alguém que as explique, para que a igreja seja edificada.

6Imaginem agora, irmãos, que eu me apresento no vosso meio a falar em línguas desconhecidas. Que proveito é que isso vos traria, se eu não falasse de modo a poder-vos comunicar alguma revelação, algum conhecimento, alguma mensagem ou doutrina? 7É como os instrumentos musicais, objetos sem vida, por exemplo, a flauta ou a guitarra. Se os sons não saírem com toda a clareza, como é que se pode saber o que o tocador está a tocar? 8Se alguém tocar a trombeta a chamar para a guerra, e o som não sair claro, quem é que se vai preparar para a batalha? 9O mesmo vos acontece quando falam línguas desconhecidas. Se não disserem palavras que se entendam, quem é que percebe o que vocês querem dizer? Era como se estivessem a falar para o ar. 10Existem não sei quantas línguas no mundo e todas têm o seu significado. 11Mas se alguém me fala numa língua que eu não percebo, sou um estranho para essa pessoa e ela é um estranho para mim. 12É isso que acontece convosco.

Uma vez que estão tão interessados nos dons espirituais, ponham-nos ao serviço da igreja. Assim, darão fruto em abundância. 13Portanto, o que fala em línguas desconhecidas peça a Deus que o ajude a explicar o sentido do que disse. 14Com efeito, quando eu faço oração numa língua desconhecida, só o meu espírito ora, mas o meu entendimento nada aproveita. 15Que fazer então? Devo orar com o espírito e também com o entendimento. Devo cantar louvores a Deus com o espírito e também com o entendimento. 16Portanto, se tu fazes a tua oração numa língua inspirada pelo Espírito Santo, como é que alguém que esteja a assistir pode dizer «Ámen» no fim da tua ação de graças, se não percebe nada do que tu dizes? 17A tua ação de graças pode ser muito bonita, mas os outros não são edificados por ela.

18Graças a Deus, eu sou capaz de falar em línguas desconhecidas muito mais do que todos vós. 19Mas diante da igreja, antes quero dizer cinco palavras tiradas da minha cabeça, mas que os outros possam aproveitar, do que milhares de palavras em línguas desconhecidas.

20Irmãos, não pensem como crianças. Quanto à maldade sim, sejam inocentes como crianças. Mas no pensamento sejam adultos. 21Diz a Sagrada Escritura:

É por meio de homens que falam outra língua

e pela boca de pessoas estranhas

que eu vou falar a este povo.

E nem mesmo assim eles me vão prestar atenção14,21 Citação de algumas palavras de Is 28,11–12 citadas, segundo a antiga tradução grega..

22Portanto, o falar línguas desconhecidas pode ser um sinal de Deus, mas é para os que não creem, não é para os crentes. Ao contrário, o declarar a palavra de Deus não é para os descrentes, mas para os que creem. 23Se toda a igreja se reunisse e todos começassem a orar em línguas desconhecidas e chegasse uma pessoa qualquer ou algum não-crente, diria que estão doidos. 24Mas se todos declararem a palavra de Deus e chegar alguém não-crente ou uma pessoa qualquer, será levado pelas palavras de todos a refletir e a reconhecer os seus erros. 25Os seus pensamentos secretos virão à luz do dia e, inclinando-se, adorará a Deus e confessará que Deus está realmente presente no vosso meio.

Normas para as reuniões de oração

26Que é que acontece, afinal, irmãos? Quando se reúnem, um entoa um cântico, outro ensina alguma coisa, outro compartilha algo que Deus lhe revelou, outro faz oração numa língua desconhecida e outro dá a explicação. Procurem fazer tudo isto de modo que os edifique. 27Se houver um ou dois ou, no máximo, três que queiram orar numa língua desconhecida, podem fazê-lo, cada um por sua vez. Mas que haja um outro que explique o que eles querem dizer. 28Se não houver quem explique, que eles fiquem em silêncio naquela reunião e falem só para si e para Deus. 29Que dois ou três profetas declarem a palavra de Deus e os outros deem a sua avaliação do que foi dito. 30Mas se Deus revelar qualquer coisa a um que estava sentado, o que estava a falar cale-se. 31Com efeito, todos podem falar como profetas, cada um por sua vez, para que todos aprendam e aproveitem com as palavras uns dos outros. 32Além disso, o dom de declarar a palavra de Deus está sujeito à apreciação dos outros profetas. 33Pois Deus não é um Deus de desordem, mas sim de paz.

Tal como acontece em todas as igrejas dos santos, 34as mulheres não devem tomar a palavra nas reuniões da igreja. Não lhes é permitido falar, mas devem ser submissas, como diz a Lei de Moisés. 35Se quiserem saber mais alguma coisa, perguntem em casa ao marido. Pois fica mal uma mulher levantar a voz numa reunião da comunidade.

36Porventura a palavra de Deus começou convosco ou são os únicos a possuí-la? 37Se um dos vossos acha que tem o dom de declarar a palavra de Deus ou outro dom qualquer, ele deve verificar que o que vos escrevo é uma ordem do Senhor. 38E se alguém não der atenção a isto, também Deus lhe não dará atenção a ele14,38 Segundo alguns manuscritos: se alguém não quiser dar atenção a isto, não dê.. 39Portanto, meus irmãos, procurem alcançar o dom de declarar a palavra de Deus e não impeçam a ninguém de orar em línguas desconhecidas. 40Mas façam tudo isso com dignidade e na devida ordem.