a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Vida conjugal

71Quanto aos problemas de que falavam na vossa carta, é preferível não ter relações sexuais. 2Mas, para evitar o perigo da imoralidade, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher tenha o seu marido. 3Que o marido cumpra os seus deveres para com a mulher e, do mesmo modo, a mulher para com o marido. 4Não é a mulher que é dona do seu próprio corpo, mas sim o marido. De igual modo, não é o marido que é dono do seu próprio corpo, mas sim a mulher. 5Não se privem um do outro, a não ser de comum acordo e para se dedicarem durante algum tempo à oração. Depois voltem outra vez à vossa vida conjugal, para que Satanás vos não faça cair na tentação por não se saberem dominar.

6Isto que vos digo é uma concessão, mas não é uma ordem. 7O que eu queria era que todos fossem como eu. Mas cada um procede conforme os dons que Deus lhe concedeu, uns duma maneira, outros doutra.

8Aos solteiros e às viúvas tenho a dizer que era melhor para eles continuarem a viver como estão, tal como eu. 9Mas se não sentem forças para isso, casem-se. É melhor casar-se do que arder em desejos. 10Aos que estão casados ordeno, não em meu nome mas em nome do Senhor, que a mulher não se separe do marido7,10 Sobre os v. 10–11, ver Mt 5,32; 19,9; Mc 10,2–12; Lc 16,18., 11nem o marido se separe da mulher. E se a mulher se separar, não volte a casar-se ou então faça as pazes com o marido.

12Aos outros tenho a dizer, em meu nome e não em nome do Senhor, que se algum crente estiver casado com uma mulher não-crente e ela consentir em viver com ele, não se separe dela. 13E do mesmo modo, se a mulher tiver um marido não-crente e ele estiver de acordo em viver com ela, não se separe dele. 14Pois Deus abençoa o marido não-crente por causa da fé da mulher e a mulher não-crente por causa da fé do marido. Se não fosse assim, também os vossos filhos seriam impuros, mas eles são santos. 15Contudo, se a parte não-crente quiser separar-se, pode fazê-lo. Neste caso, ou o marido ou a mulher crente fica livre do compromisso, pois Deus chamou-nos para vivermos em paz. 16Sabes lá tu, mulher crente, se poderás ou não salvar o teu marido? Ou sabes lá tu, homem crente, se poderás ou não salvar a tua mulher?

A liberdade vem por Cristo

17De resto, proceda cada um conforme o que o Senhor lhe deu e continue a fazer o que fazia, quando Deus o chamou. É isto que eu ensino em todas as igrejas.

18Se alguém era judeu quando foi chamado à fé, não procure desfazer o sinal da circuncisão7,18 Paulo alude ao costume seguido e condenado entre os judeus de camuflarem, por meio de uma operação plástica, os sinais da circuncisão, de modo a não se distinguirem dos pagãos.. Se não era judeu, não faça a circuncisão. 19Não é o ser ou não circuncidado que conta, mas sim o cumprimento da vontade de Deus. 20Continue cada um na condição em que se encontrava quando foi chamado à fé. 21Eras escravo de alguém? Se for possível passares a ser uma pessoa livre, melhor7,21 Outra tradução: Ainda que possas tornar-te uma pessoa livre, procura antes aproveitar da tua condição. Paulo poderia estar a pensar na possibilidade de anunciar a boa nova entre os escravos.. Mas não te preocupes muito com isso. 22Pois aquele que era escravo de alguém e foi chamado à fé em Cristo é já livre, porque pertence ao Senhor. Do mesmo modo, o que era livre e foi chamado à fé passou a servir o Senhor. 23Deus pagou um preço para vos resgatar. Não se tornem escravos de ninguém. 24Irmãos, procurem viver como Deus quer, dentro da condição em que se encontravam ao serem chamados à fé.

Casar ou não casar

25Quanto aos solteiros, não tenho nenhuma ordem do Senhor. Mas dou a minha opinião, como alguém que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança. 26Penso concretamente que é melhor continuarem como estão, por causa das dificuldades do tempo presente. 27Estás casado? Não procures libertar-te da tua mulher. Estás livre? Não te cases. 28Mas se te casares não fazes mal nenhum. E se uma mulher solteira se casar também não faz mal nenhum. Simplesmente ficam sujeitos às dificuldades da vida de casados. E eu queria poupá-los a isso.

29Irmãos, o que eu quero dizer é isto: o tempo já é pouco. Por isso os que têm mulher vivam como se a não tivessem; 30os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem o que compraram; 31e os que se servem dos bens deste mundo, como se o não fizessem. É que este mundo, tal como é, vai desaparecer. 32Eu gostaria que não tivessem preocupações. O que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor e em fazer o que lhe agrada. 33O que é casado preocupa-se com as coisas do mundo e como agradar à sua mulher. 34Deste modo, anda dividido. Por seu lado, a mulher que não se casou, ou a jovem que está solteira, preocupa-se com as coisas de Deus e procura agradar-lhe de corpo e alma. A mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo e como agradar ao marido. 35Digo-vos isto para vosso bem e não para vos impor limitações. Apenas vos mostro o que é mais útil e o que vos daria a possibilidade de se dedicarem inteiramente ao Senhor.

36Se alguém sente que está a faltar ao respeito para com a sua jovem7,36 A jovem de que se fala nos v. 36–38 pode ser a filha que um pai hesita em casar ou a noiva com quem o seu noivo não sabe se deve casar ou se deve optar pelo celibato. As traduções variam, conforme a perspetiva que se tomar., por causa da força da paixão e porque acha necessário casar, resolva como lhe parecer melhor. Se casarem, não há pecado nisso. 37Mas se ele se sente seguro, porque é capaz de dominar os próprios desejos e não vê necessidade de casar, e se assim o decidir, faz bem em não casar com ela. 38Deste modo, aquele que casa com a sua jovem faz bem. E aquele que não casa faz ainda melhor.

39Uma mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele viver. Se ele morrer, ela fica livre e pode casar com quem quiser. Mas que seja com um crente. 40Contudo, na minha opinião, ela será mais feliz se não se voltar a casar. E parece-me que também eu falo com a ajuda do Espírito de Deus.

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Respeito pela consciência dos outros

81Quanto ao problema da carne oferecida aos falsos deuses8,1 Comparar com At 15,20.29. Ver 10,23–31., sabemos que todos nós temos conhecimento. Mas o nosso conhecimento pode envaidecer-nos, ao passo que o amor edifica. 2Quem pensa que conhece bem alguma coisa, ainda não conhece como deve conhecer. 3Mas se alguém ama a Deus, é conhecido por ele.

4Quanto ao comer a carne oferecida em templos de falsos deuses, sabemos que «falsos deuses não representam absolutamente nada», pois «Deus há só um». 5Embora se fale em deuses do céu e deuses da terra, como se existissem vários deuses e vários senhores8,5 Alusão aos muitos deuses da religião grega conhecida e seguida pela população de Corinto., 6para nós existe um só Deus, o Pai. É dele que vêm todas as coisas e é para ele que nós existimos. E há igualmente um só Senhor, Jesus Cristo, por quem tudo existe e por quem nós vivemos também8,6 Um só Deus. Ver Dt 4,35.39; 6,4; 1 Co 12,6; Ef 4,6. Um só Senhor. Ver 1 Co 12,5; Ef 4,5..

7Mas nem todos têm conhecimento destas coisas. Pela força do hábito, alguns têm ainda tendência para pensar no falso deus, quando comem dessa carne. E com essa insegurança de consciência vão pensar que cometem pecado. 8A verdade é que a comida não tem importância nenhuma diante de Deus. Lá por deixarmos de comer não vamos perder nada. Nem vamos ganhar nada, se comermos8,8 Ver Rm 14,17.. 9Mas tenham cuidado! Que esta liberdade a que têm direito não seja ocasião de pecado para os mais fracos. 10Se algum deles te vir a ti, que és um homem consciente, sentado à mesa no templo dum falso deus, não poderá ele, de consciência pouco esclarecida, ser levado a comer dessa carne oferecida aos falsos deuses? 11E assim, pela tua atitude consciente, perdia-se um irmão mais fraco pelo qual Cristo morreu. 12Ofendendo estes irmãos e ferindo a sua consciência pouco esclarecida é Cristo que ofendem. 13Portanto, se o facto de comer dessa carne leva o meu irmão a pecar, nunca mais volto a comê-la, para não ferir a sua consciência8,13 A liberdade individual não deve causar escândalo aos mais fracos. Ver Rm 14,15.20–21..

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Direitos e deveres de um apóstolo

91Não sou eu um homem livre? Não sou um apóstolo? Não vi também eu Jesus, nosso Senhor9,1 Ver At 22,17–18; 26,16; 1 Co 15,8.? Não é a vossa comunidade de fé fruto do meu trabalho? 2Se para outros eu não sou apóstolo, sou-o com toda a certeza para a vossa comunidade. A vossa fé é o selo que dá garantia ao meu apostolado.

3Com isto quero defender-me contra aqueles que me criticam. 4Não tenho eu o direito de comer e beber? 5Não tenho também o direito de levar comigo uma mulher crente, como fazem os outros apóstolos9,5 Sobre os direitos dos apóstolos, ver Lc 10,8; 1 Co 9,13–14., os irmãos do Senhor e Pedro9,5 Ver 1,12 e nota.? 6Ou só eu e Barnabé9,6 Ver At 9,27; 11,22–25.30. é que temos de trabalhar para viver? 7Quem é que vai para a guerra à sua própria custa? Quem é que planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem é que anda a guardar um rebanho e não se alimenta do leite desse rebanho? 8E isto que eu digo não é apenas uma opinião pessoal. Não é o que diz a Sagrada Escritura? 9Está escrito na Lei de Moisés: Não tapes a boca ao boi que faz a debulha9,9 Ver Dt 25,4. Comparar com 1 Tm 5,18. Será mesmo com os bois que Deus se está a preocupar aqui? 10Não é antes a nosso respeito que ele fala? Sim, isto foi escrito para nós. E significa que aquele que faz a sementeira tem o direito de esperar alguma coisa do que semeou e o que faz a debulha espera participar do produto da colheita. 11Se nós fizemos, para vosso benefício, a sementeira das coisas espirituais, que haveria de extraordinário se recolhêssemos daí alguns bens materiais9,11 Comparar com Rm 15,27.? 12Se outros têm o direito de participar dos vossos bens, não temos nós ainda mais direito do que eles?

Mas nunca quisemos fazer uso desse direito9,12 Ver At 20,34–35; 2 Co 11,9.. Pelo contrário, suportámos tudo para não criar dificuldades à pregação da boa nova de Cristo.

13Não sabem que os que trabalham para o templo comem à custa do templo e os que vão apresentar as ofertas sobre o altar recebem uma parte dessas ofertas9,13 Ver Lv 6,9.19; Dt 18,1–3.? 14Do mesmo modo, o Senhor determinou que aqueles que anunciam a boa nova vivam à custa desse trabalho9,14 Ver Mt 10,10; Lc 10,7.. 15Mas eu nunca exigi isto a ninguém. Nem vos escrevo estas coisas com esse objetivo. Preferia morrer. Não quero que ninguém me tire este motivo de orgulho. 16E não é por anunciar o evangelho que eu me sinto orgulhoso. Isso é uma obrigação que eu tenho. Ai de mim se eu não anunciar a boa nova! 17Se o fizesse por minha iniciativa, podia ter um salário. Mas se não é por minha iniciativa é porque me sujeito a uma missão que me foi confiada, 18qual será então o meu salário? O meu salário é a satisfação de anunciar o evangelho sem exigir nada em troca, renunciando aos direitos que eu tenho.

19Sendo completamente livre diante de todos, fiz-me servo de todos, para poder converter para Cristo o maior número possível. 20Com os judeus portei-me como judeu, para os converter. Sujeitei-me à Lei de Moisés com aqueles que a cumprem, para os converter, mesmo sabendo que não estou obrigado a isso. 21Com gentios vivi como gentio para os converter. Mas não sou livre da lei de Deus; antes cumpro a lei de Cristo. 22Fiz-me fraco com os que são ainda fracos na fé, para os converter. Fiz-me tudo para todos, de modo que por todos os meios pudesse salvar alguns. 23Faço tudo isto por amor do evangelho, esperando ter parte nas suas promessas.

24Não sabem que no estádio todos os corredores tomam parte na corrida, mas só um é que recebe o prémio? Corram, portanto, de maneira a poderem recebê-lo. 25Aqueles que se preparam para uma competição privam-se de tudo. E fazem-no só para ver se conseguem um prémio9,25 Para exprimir a ideia de prémio, Paulo usa a palavra coroa, que é o prémio dos atletas e guerreiros vitoriosos. A coroa é um sinal de vitória (1 Ts 2,19; Ap 3,11) e um motivo de orgulho (Fp 4,1); pode significar igualmente o dom da vida eterna (Tg 1,12; 1 Pe 5,4; 2 Tm 4,8; Ap 2,10). que, afinal, dura pouco. Mas nós trabalhamos por um prémio que dura para sempre. 26É desta maneira que eu corro e não como quem corre sem saber para onde. É assim que eu luto e não como quem dá socos à toa. 27Mas eu luto contra o meu corpo, para o dominar, a fim de não acontecer que, andando a pregar aos outros, seja rejeitado por Deus.