a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Guerra entre Acab e o rei da Síria

201Ben-Hadad, rei da Síria, reuniu todo o seu exército; e, apoiado por trinta e dois outros reis, com os seus cavalos e carros de combate, marchou sobre Samaria, atacou-a e cercou-a. 2Enviou mensageiros à cidade, com a seguinte mensagem para Acab, rei de Israel: 3«Ben-Hadad manda dizer: Entrega-me a tua prata e o teu ouro, bem como as tuas mulheres e os teus filhos mais robustos.» 4O rei Acab respondeu-lhe: «Obedeço às ordens de Sua Majestade e entrego-me a mim próprio, com tudo o que me pertence.»

5Mais tarde, os mensageiros voltaram junto de Acab e disseram: «Ben-Hadad manda dizer: Conforme já te mandei dizer, quero que me entregues a tua prata e o teu ouro, bem como as tuas mulheres e os teus filhos. 6Amanhã, a estas horas, enviarei os meus oficiais, para revistarem o teu palácio e as casas dos teus ministros e para me trazerem tudo o que eles considerarem de valor.»

7Então o rei de Israel convocou todos os anciãos do país e disse-lhes: «Como estão a ver, este homem quer a nossa ruína. Quando me mandou pedir as minhas mulheres, os meus filhos, a minha prata e o meu ouro, eu não consegui recusar.» 8Os anciãos e todo o povo responderam: «Não lhe dês ouvidos, nem cedas em nada.»

9Assim Acab respondeu aos mensageiros de Ben-Hadad: «Digam a Sua Majestade que concordei com o primeiro pedido, mas que não concordo com o segundo.» Os mensageiros levaram a resposta ao rei 10e Ben-Hadad mandou nova mensagem: «Que os deuses me castiguem severamente, se em Samaria houver pó suficiente para dar um punhado a cada um dos guerreiros que me seguem.» 11O rei de Israel respondeu: «Digam ao rei Ben-Hadad que não cante vitórias antes de acabar a guerra.» 12Quando Ben-Hadad recebeu esta resposta, estava a beber com os outros reis nas tendas. Disse então aos seus oficiais: «Ao ataque!» E começaram a atacar a cidade!

13Neste momento, aproximou-se de Acab, rei de Israel, um profeta, que lhe disse: «O Senhor mandou-me dizer-te que, ainda que vejas um grande exército, fica sabendo que vou entregá-lo nas tuas mãos, para que saibas que eu sou o Senhor14E Acab perguntou: «Quem conduzirá o ataque?» O profeta respondeu: «O Senhor diz que serão os jovens soldados dos governadores de província.» — «E quem atacará primeiro?» — insistiu Acab. «Tu!» — respondeu o profeta.

15Acab passou revista aos jovens soldados dos governadores de província, que eram duzentos e trinta e dois, e a todo o exército israelita, composto de sete mil homens. 16Saíram ao meio-dia, enquanto Ben-Hadad e os trinta e dois reis seus aliados se embriagavam nas tendas, 17e avançaram em primeiro lugar os jovens soldados dos governadores. Ben-Hadad procurou informar-se e avisaram-no de que tinham saído alguns soldados de Samaria; 18ele ordenou então: «Quer eles venham para pedir paz, quer venham para combater, apanhem-mos vivos!»

19Os jovens soldados dos governadores saíram da cidade, seguidos pelo exército, 20e cada soldado matou um soldado inimigo. Os arameus fugiram, perseguidos pelos israelitas, e Ben-Hadad, rei da Síria, escapou a cavalo com alguns dos seus cavaleiros. 21O rei Acab avançou e apoderou-se de cavalos e carros de combate e infligiu aos arameus uma tremenda derrota.

22Então o profeta foi ter com o rei Acab e disse-lhe: «Procura reforçar o teu exército e pensa bem no que deves fazer, porque no próximo ano o rei da Síria voltará a atacar-te.»

Os arameus atacam de novo

23Os oficiais do rei Ben-Hadad disseram-lhe: «Os deuses dos israelitas são deuses das montanhas, por isso nos venceram. Mas se os atacarmos na planície, venceremos nós. 24O que Sua Majestade deve fazer agora é substituir os reis por governadores, 25organizar depois um exército semelhante ao que foi derrotado, com o mesmo número de cavalos e carros de combate. Depois combateremos os israelitas na planície, onde, com certeza, os venceremos.» Ben-Hadad concordou e seguiu o seu conselho.

26No ano seguinte, o rei Ben-Hadad passou revista às tropas e marchou até Afec, para combater os israelitas.

27Também os israelitas, depois de terem passado revista às suas tropas, se abasteceram de provisões e saíram ao encontro do inimigo; os israelitas, acampados em frente dos arameus, pareciam dois pequenos rebanhos de cabras, comparados com o exército dos inimigos, que ocupavam todo o terreno.

28Nisto apresentou-se um profeta diante do rei Acab e disse: «O Senhor mandou-me dizer-te isto: “Como os arameus disseram que eu sou um deus das montanhas e não das planícies, dar-te-ei a vitória sobre o seu grande exército, assim vos farei saber que eu sou realmente o Senhor.”»

29Durante sete dias, estiveram os dois exércitos acampados um em frente do outro. No sétimo dia começou a batalha; os israelitas mataram num só dia cem mil arameus; 30os restantes refugiaram-se na cidade de Afec, mas as muralhas da cidade caíram sobre vinte e sete mil dos sobreviventes.

Acab poupa a vida do rei da Síria

Ben-Hadad fugiu também para a cidade e ia-se escondendo de casa em casa. 31Os seus oficiais disseram-lhe: «Já ouvimos dizer que os reis de Israel são misericordiosos. Por isso, vamos ter com o rei de Israel, vestidos de roupas grosseiras e com uma corda ao pescoço, a ver se ele te poupa a vida.» 32Puseram então roupas grosseiras e uma corda ao pescoço, apresentaram-se diante do rei de Israel e disseram: «O teu servo Ben-Hadad roga-te que lhe poupes a vida.» Acab respondeu: «Ele ainda está vivo? Para mim é como um irmão!» 33Tomando estas palavras como um bom sinal, os emissários do rei da Síria, aproveitaram a frase e disseram: «Como dizes, Ben-Hadad é teu irmão!» — «Tragam-mo cá.» — Disse Acab. Quando Ben-Hadad chegou, Acab fê-lo subir para o seu carro. 34Disse-lhe Ben-Hadad: «Vou restituir-te as cidades que o meu pai conquistou ao teu. Podes ter os teus negócios em Damasco, como o meu pai os tinha em Samaria.» Acab disse-lhe então: «Pela minha parte, concluirei uma aliança contigo e depois deixo-te partir livremente.» Depois de concluírem a aliança, Acab deu-lhe a liberdade.

Um profeta condena Acab

35Por ordem do Senhor, um membro do grupo de profetas disse a um outro membro para o ferir. Mas o segundo recusou-se 36e o primeiro disse-lhe então: «Por teres desobedecido a uma ordem do Senhor, serás morto por um leão, logo que saíres de junto de mim.» De facto, ele afastou-se, e apareceu um leão que o matou.

37Depois este mesmo profeta foi ter com outro homem e pediu-lhe também que o ferisse. O homem feriu-o e deixou-o magoado. 38Então o profeta tapou os olhos com um pano, para não o reconhecerem, e foi pôr-se no caminho por onde o rei de Israel devia passar. 39Quando o rei passou, o profeta chamou-o aos gritos e disse: «Eu estava na frente de batalha, quando um soldado me trouxe um inimigo que capturou e disse: “Guarda este homem! Se ele fugir, pagarás com a tua vida ou então uma multa de trezentas peças de prata.” 40Mas como estava ocupado com outras coisas, o prisioneiro fugiu.»

O rei de Israel respondeu-lhe: «Tu mesmo te declaraste culpado e pronunciaste a tua sentença.» 41O profeta tirou rapidamente a venda dos olhos e o rei reconheceu-o como sendo um dos profetas20,41 Estes profetas, vivendo em comunidade, traziam provavelmente um sinal na testa ou usavam tonsura. O profeta tinha escondido o sinal distintivo debaixo do carapuço.. 42Ele disse ao rei: «O Senhor mandou-me dizer-te o seguinte: “Como tu deixaste escapar o homem que eu tinha destinado à destruição, pagarás por isso com a tua vida, e o teu exército será destruído por ter deixado escapar o dele.”»

43O rei de Israel voltou para sua casa em Samaria preocupado e enfurecido.

21

Acab e a vinha de Nabot

211Depois disto, aconteceu que um homem de Jezrael, chamado Nabot, tinha uma vinha junto do palácio de Acab, rei de Samaria. 2Acab disse um dia a Nabot: «Cede-me a tua vinha, para eu a transformar numa horta, porque está perto do meu palácio. Dou-te em troca uma vinha melhor ou, se preferires, pagar-te-ei por ela o justo valor.» 3Mas Nabot respondeu a Acab: «O Senhor me livre de te ceder a herança dos meus antepassados.»

4Acab voltou para casa triste e irritado, por Nabot de Jezrael não lhe ter cedido o que era herança de seus antepassados. Deitou-se na cama com o rosto voltado para a parede e não quis comer nada. 5Então Jezabel, sua mulher, aproximou-se dele e perguntou-lhe: «Por que estás tão deprimido e não queres comer?» 6Acab respondeu: «Falei com Nabot de Jezrael, propondo-lhe que me vendesse a sua vinha ou, se ele preferisse, que a trocasse comigo por outra melhor, mas ele disse-me que não me cederia a vinha.» 7Então Jezabel, sua mulher, disse-lhe: «Não és tu agora o rei de Israel? Anda, vem comer e não te aflijas. Eu vou conseguir entregar-te a vinha de Nabot!»

8Ela então escreveu cartas em nome de Acab, pôs-lhes o selo real e enviou-as aos anciãos e aos magistrados da cidade em que Nabot vivia. 9As cartas diziam: «Anunciem um dia de jejum, tragam Nabot diante do povo 10e arranjem duas testemunhas falsas para o acusarem, na sua presença, e façam-nas declarar que ele amaldiçoou Deus e o rei21,10 Aquele que for achado culpado de amaldiçoar Deus (Lv 24,10) ou o rei (2 Sm 19,22) deve ser condenado à morte.. Depois levem-no para fora da cidade e apedrejem-no até morrer.»

11Os concidadãos de Nabot, os anciãos e os magistrados locais fizeram como Jezabel lhes tinha ordenado nas cartas que lhes enviou. 12Promulgaram um dia de jejum e puseram Nabot diante do povo; 13apareceram então as duas falsas testemunhas que, na presença de Nabot e diante do povo, depuseram contra ele, dizendo que Nabot tinha amaldiçoado Deus e o rei. Levaram-no imediatamente para fora da cidade, onde o apedrejaram até morrer. 14Mandaram logo dizer a Jezabel que Nabot tinha morrido apedrejado. 15Ao receber a notícia de que Nabot tinha sido apedrejado e tinha morrido, Jezabel disse ao rei Acab: «Vai apoderar-te da vinha que Nabot de Jezrael se tinha recusado a vender-te. Nabot já não está vivo: foi morto.»

16Ao ouvir a notícia de que Nabot estava morto, Acab foi logo para a sua vinha, para se apoderar dela.

Deus condena o procedimento de Acab e Jezabel

17Então o Senhor dirigiu-se a Elias, profeta de Tisbé, e disse-lhe: 18«Vai ter com o rei Acab de Samaria, que se encontra neste momento na vinha de Nabot, de que se vai apoderar. 19Diz-lhe que eu, o Senhor, te mando dizer o seguinte: “Depois de assassinares Nabot ainda estás a apoderar-te da sua vinha?” Diz-lhe também isto da minha parte: “No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu!”»

20Acab exclamou, dirigindo-se a Elias: «Tu, meu inimigo, apanhaste-me de novo!» Elias respondeu-lhe: «Sim, apanhei-te, porque tu te vendeste e praticaste o mal diante do Senhor. 21Por isso, o Senhor te manda dizer o seguinte: “Trarei sobre ti a desgraça, exterminarei toda a tua descendência masculina em Israel, sejam escravos ou livres. 22Farei com a tua família o mesmo que fiz com a família de Jeroboão, filho de Nebat, e com a família de Bacha, filho de Aías, porque provocaste a minha ira e levaste Israel a pecar.” 23Quanto a Jezabel, o Senhor mandou-me dizer: “Os cães devorarão o seu corpo na cidade de Jezrael, fora da muralha. 24Todos os da família de Acab que morrerem dentro da cidade serão devorados pelos cães e, os que morrerem no campo serão comidos pelos abutres.”»

25Não houve ninguém que praticasse tanto mal diante do Senhor como Acab, incitado por sua mulher, Jezabel. 26Cometeu os mais horríveis pecados, adorando os ídolos, como faziam os amorreus, a quem o Senhor tinha expulsado para dar lugar aos israelitas.

27Ao ouvir estas palavras, Acab rasgou, desolado, as suas vestes, pôs roupa grosseira de penitência e jejuou. Dormia com essa roupa e andava muito triste. 28Então o Senhor disse a Elias: 29«Reparaste como Acab se humilhou diante de mim? Já que ele assim procedeu, não farei cair a desgraça sobre ele, enquanto for vivo; fá-la-ei cair, durante a vida do seu filho, sobre toda a família de Acab.»

22

Aliança de Acab com Josafat

221Passaram-se dois anos sem haver guerras entre a Síria e Israel. 2Porém no terceiro ano, o rei Josafat, de Judá, foi visitar o rei Acab, de Israel 3e este tinha perguntado aos seus ministros: «Por que é que ainda não fizemos nada para recuperar Ramot de Guilead22,3 Cidade fronteiriça a sueste do lago de Genesaré, longamente disputada por israelitas e arameus., que nos pertence, tirando-a ao rei da Síria?» 4Então perguntou ao rei Josafat: «Queres acompanhar-me no ataque a Ramot de Guilead?» Josafat respondeu: «Tu e eu, os teus soldados e os meus, a tua cavalaria e a minha somos o mesmo exército.» 5Entretanto Josafat disse ao rei de Israel: «Peço-te que procures primeiro saber qual é a vontade do Senhor

6O rei de Israel reuniu então os seus profetas, em número de quatrocentos, e perguntou-lhes: «Devemos atacar Ramot de Guilead ou não?» E eles responderam: «Vai, porque o Senhor colocará a cidade nas tuas mãos!» 7Apesar disso, Josafat perguntou: «Não há por aqui um profeta do Senhor a quem possamos consultar?» 8O rei de Israel respondeu a Josafat: «Há mais um por meio de quem se pode consultar o Senhor. É Miqueias, filho de Jímela, mas eu não gosto dele, porque nunca me anuncia coisas boas, mas só desgraças.» Josafat replicou a Acab: «Não fales dessa maneira!»

9O rei de Israel chamou então um funcionário do palácio e disse-lhe para ir rapidamente chamar Miqueias de Jímela.

10O rei de Israel e rei de Judá, Josafat, estavam sentados cada um no seu trono, revestidos das suas insígnias reais, na esplanada, em frente da porta de Samaria, enquanto os profetas proclamavam a sua mensagem à frente deles. 11Sedecias, filho de Canaana, tinha feito uns chifres de ferro e proclamava: «É isto que diz o Senhor: “Com estes chifres atacarás os arameus até os destruíres!”» 12E todos os outros profetas anunciavam o mesmo, dizendo ao rei: «Ataca Ramot de Guilead que hás de vencer, pois o Senhor vai entregar-te a cidade!»

13Aquele homem que tinha ido chamar Miqueias deu-lhe a seguinte informação: «Todos os profetas, sem exceção, anunciam a vitória ao rei. Vê lá se as tuas palavras são como as deles. Anuncia-lhes também tu a vitória.» 14Mas Miqueias respondeu: «Juro-te, pelo Senhor, que só anunciarei aquilo que o Senhor me mandar.»

15Apresentou-se ao rei e este perguntou-lhe: «Miqueias, devemos atacar Ramot de Guilead ou não?» E Miqueias respondeu: «Vai e vencerás; o Senhor entregará a cidade nas tuas mãos.» 16Mas o rei replicou: «Quantas vezes te hei de pedir para me jurares que só me dizes a verdade, em nome do Senhor

17Então Miqueias exclamou:

«Vejo o povo de Israel

disperso pelos montes,

como um rebanho sem pastor

E o Senhor disse:

«Eles não têm chefe.

Que voltem tranquilamente,

cada um para a sua casa.»

18O rei de Israel disse então a Josafat: «Eu não te disse que este homem nunca me anuncia coisas boas, mas apenas desgraças?»

19Miqueias retorquiu: «Escuta o que diz o Senhor: “Eu vi o Senhor sentado no seu trono, tendo em pé à sua direita e à sua esquerda a multidão dos moradores celestes.” 20Então o Senhor perguntou: “Há alguém que queira ir enganar Acab, rei de Israel, para ele atacar Ramot de Guilead e encontrar lá a sua ruína?” Uns diziam uma coisa, outros diziam outra, 21Então um espírito apresentou-se diante do Senhor e disse: “Eu irei enganá-lo.” O Senhor perguntou-lhe como é que iria fazer. 22E o espírito respondeu que iria inspirar mentiras a todos os profetas do rei. O Senhor replicou: “É boa ideia! Vai e faz isso mesmo!” 23“Ora bem”, comentou Miqueias, “o Senhor deixou que um espírito mau inspirasse a mentira aos teus profetas e já decidiu a tua desgraça.”»

24Então o profeta Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miqueias, deu-lhe uma bofetada e disse-lhe: «Por onde é que saiu de mim o Espírito do Senhor para te falar?» 25Miqueias deu-lhe esta resposta: «hás de saber isso no dia em que andares à procura de um lugar em casa para te esconderes.»

26O rei de Israel deu então a seguinte ordem aos seus servidores: «Prendam Miqueias e levem-no a Amon, o governador da cidade, e ao príncipe Joás. 27Digam-lhes que eu mando meter na cadeia este indivíduo. Alimentem-no apenas com um pouco de pão e de água, sem mais nada, até que eu volte são e salvo da guerra.»

28Miqueias comentou: «Se tu voltares são e salvo é porque o Senhor não falou por meu intermédio. Que todos os povos ouçam isto22,28 Esta frase é tirada de Miqueias 1,2.

Acab morre em combate

29Acab, rei de Israel e Josafat, rei de Judá, foram pois atacar Ramot de Guilead. 30O rei de Israel disse a Josafat: «Vou disfarçar-me para entrar no combate; mas tu vai com traje real.» Assim o rei de Israel entrou na batalha disfarçado.

31Ora, o rei da Síria tinha dado ordem aos seus trinta e dois capitães dos carros de combate para não atacarem nem soldados nem oficiais, mas apenas o rei de Israel. 32Os encarregados dos carros ao verem Josafat pensaram que era o rei de Israel e cercaram-no para o atacar. Mas Josafat gritou22,32 Josafat foi reconhecido pelo seu grito de guerra particular ou então pelo sotaque judaico.. 33Quando os encarregados dos carros se deram conta de que não era ele o rei de Israel deixaram de o perseguir.

34Mas um soldado arameu atirou o arco e, sem querer, atingiu o rei de Israel entre as juntas da couraça. O rei disse então ao condutor do seu carro: «Volta a rédea e leva-me para fora do combate, porque estou muito ferido.»

35Naquele dia o combate foi muito violento. O rei de Israel teve de ficar de pé, até à tarde, no seu carro, a fazer frente aos arameus. Morreu ao cair da tarde. 36Quando o Sol se pôs, foi mandado um pregão, por entre as fileiras do exército, dizendo: «Volte cada qual para a sua terra e para a sua cidade!» 37Depois da morte do rei, o seu corpo foi levado para a Samaria e ali o sepultaram. 38O seu carro foi lavado num tanque de Samaria. Os cães lamberam o sangue do rei Acab e as prostitutas costumavam banhar-se ali, conforme o Senhor tinha anunciado.

39O resto da história de Acab, com os seus feitos, o palácio de marfim que construiu e as cidades que edificou, está tudo escrito no livro das Crónicas dos Reis de Israel. 40Acab morreu e sucedeu-lhe no trono o seu filho Acazias.

Reinado de Josafat em Judá

41No quarto ano do reinado de Acab, rei de Israel, Josafat, filho de Asa, tornou-se rei em Judá. 42Tinha então trinta e cinco anos de idade e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. A sua mãe chamava-se Azuba e era filha de Chili.

43Josafat seguiu as pisadas de Asa, seu pai, e todos os seus atos foram também retos aos olhos do Senhor. 44No entanto, não destruiu os santuários pagãos e o povo continuava a oferecer sacrifícios e a queimar incenso neles. 45Josafat viveu em paz com o rei de Israel.

46O resto da história de Josafat, os seus feitos e as suas batalhas, está tudo escrito no livro das Crónicas dos Reis de Judá. 47Josafat foi quem desterrou do país os homens e as mulheres que praticavam a prostituição nos santuários pagãos e que tinham ficado desde o tempo de Asa, seu pai.

48Nessa época, não havia rei em Edom, mas sim um governador nomeado pelo rei de Judá.

49Josafat mandou construir grandes navios para navegarem até Ofir e trazerem de lá ouro, mas não foram, porque naufragaram em Ecion-Guéber. 50Então Acazias, filho de Acab, perguntou a Josafat se queria que os seus marinheiros seguissem viagem com os marinheiros de Josafat, mas Josafat recusou a oferta.

51Josafat morreu e foi sepultado com os seus antepassados na cidade de David, seu antepassado. Sucedeu-lhe no trono o seu filho Jorão.

Reinado de Acazias em Israel

52No décimo sétimo ano do reinado de Josafat, rei de Judá, Acazias, filho de Acab, tornou-se rei em Israel. Reinou dois anos em Samaria. 53O seu procedimento foi mau aos olhos do Senhor, porque seguiu as pisadas de Acab, seu pai, de Jezabel, sua mãe, de Jeroboão, filho de Nebat, que fez pecar o povo de Israel. 54Além disso, prestou culto e serviu o deus Baal e, tal como antes fizera o seu pai, provocou com isso a ira do Senhor, Deus de Israel.