a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Princípio do reinado de Acaz

(2 Reis 16,1–20)

281Acaz tinha vinte e um anos, quando subiu ao trono e reinou dezasseis anos em Jerusalém. Não se comportou com retidão diante do Senhor. Em vez de seguir o exemplo de seu antepassado David, 2Acaz preferiu seguir os exemplos dos reis de Israel. Até fez imagens de metal representando o deus Baal. 3Queimou incenso no vale de Ben-Hinom e fez queimar em sacrifício os seus filhos, conforme os costumes abomináveis das nações que o Senhor tinha expulsado do seu território, quando chegaram os israelitas. 4Ofereceu sacrifícios e queimou incenso nos santuários pagãos sobre as colinas e debaixo de toda a árvore frondosa. 5Por isso, o Senhor, seu Deus, o entregou nas mãos do rei da Síria. Os arameus venceram-no e fizeram um grande número de prisioneiros, que levaram para Damasco. O próprio Acaz caiu no poder de Peca, filho de Remalias e rei de Israel, que lhe causou uma grande derrota. 6Num só dia, o rei Peca fez morrer cento e vinte mil homens de Judá, todos eles bons guerreiros, por terem abandonado o Senhor, Deus de seus antepassados. 7O guerreiro Zicri, natural de Efraim, matou Masseias, um dos filhos do rei, Azericam, que era o chefe do palácio, e também Elcaná, o mais próximo colaborador do rei. 8Os soldados de Israel fizeram entre os seus irmãos do reino de Judá duzentos mil prisioneiros, incluindo mulheres e crianças. Apoderaram-se daquilo que lhes pertencia e levaram tudo para a Samaria.

O profeta Oded

9Ora, havia na Samaria um profeta do Senhor, chamado Oded. Saiu ao encontro do exército de Israel que chegara à cidade e disse aos soldados: «O Senhor, Deus dos vossos antepassados, estava irado contra os judeus e, por isso, os entregou nas vossas mãos. Mas vocês mataram-nos com um furor tão grande que pede vingança ao céu. 10E agora querem mesmo fazer com que estas pessoas de Jerusalém e de Judá sejam vossos escravos e escravas. Não pecaram também vocês contra o Senhor, vosso Deus? 11Escutem-me, por favor! Mandem embora os prisioneiros que fizeram entre os vossos irmãos, pois o Senhor está irado convosco.»

12Então Azarias, filho de Joanan, Berequias, filho de Messilemot, Ezequias, filho de Salum e Amassá, filho de Hadlai, que eram chefes efraimitas, levantaram-se contra os que voltavam da guerra e disseram-lhes: 13«Não tragam para cá esses prisioneiros, porque isso nos tornará ainda mais culpados diante do Senhor. Não agravem mais as nossas culpas que já são tão grandes, pois o Senhor já está irado contra Israel!»

14Então os soldados soltaram os presos e abandonaram tudo aquilo que traziam na presença dos chefes e da multidão. 15E os quatro homens que acabam de mencionar-se tomaram a seu cuidado os prisioneiros. Retiraram dos seus despojos, que ali tinham deixado, roupa e calçado para os que precisavam. Deram-lhes de comer e de beber, trataram-lhes das feridas e conduziram toda essa gente a Jericó, cidade das palmeiras, transportando sobre burros os que estavam cansados. Depois voltaram para a Samaria.

Acaz pede auxílio à Assíria

16Por aquela altura, o rei Acaz mandou pedir ajuda ao rei da Assíria. 17É que os edomeus tinham ido de novo atacar o reino de Judá e tinham feito prisioneiros. 18Por outro lado, os filisteus tinham invadido as cidades da região de Chefela e do Negueve, que pertenciam a Judá e tomaram Bet-Chemes, Aialon, Guederot, Socó, Timna, Guimezô, com as povoações circunvizinhas, tendo-se lá instalado. 19O Senhor tinha deste modo humilhado o reino de Judá, por causa do rei Acaz, que tinha levado o povo de Judá a cometer graves faltas contra o Senhor.

20Mas Tiglat-Falasar, rei da Assíria, em vez de lhe dar ajuda, foi atacar Acaz, deixando-o em graves dificuldades. 21Acaz foi retirar uma parte das riquezas do templo do Senhor, do palácio real e das casas dos seus dignitários, para as enviar ao rei da Assíria, mas sem conseguir que ele o ajudasse. 22E, mesmo nessa situação aflitiva, o rei Acaz continuou a ser infiel ao Senhor. 23Oferecia sacrifícios aos deuses de Damasco, que foram a causa da sua derrota. Pensava que, se os deuses da Síria, tinham ajudado os reis desse país, também o ajudariam a ele, se lhes oferecesse sacrifícios. Mas a verdade é que esses deuses foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o povo israelita. 24Acaz juntou todos os utensílios do templo e desfê-los em bocados. Fechou as portas do templo do Senhor e mandou levantar altares pagãos em todos os cantos de Jerusalém. 25Da mesma forma, mandou erguer santuários pagãos em todas as cidades de Judá para neles oferecer incenso a outros deuses, provocando assim a ira do Senhor, Deus dos seus antepassados.

26O resto da história de Acaz, do princípio ao fim, está escrito no livro dos Reis de Judá e de Israel. 27Quando morreu, foi sepultado junto dos seus antepassados, na cidade de Jerusalém, mas não foi para os túmulos reais. E quem lhe sucedeu foi o seu filho Ezequias.

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Reinado de Ezequias

(2 Reis 18,1–3)

291Ezequias subiu ao trono, quando tinha vinte e cinco anos de idade e reinou nove anos em Jerusalém. A sua mãe era Abias e era filha de Zacarias. 2Procedeu com retidão diante do Senhor, tal como o seu antepassado David.

3Logo no primeiro ano do seu reinado, no primeiro mês do ano, reabriu as portas do templo, depois de as ter reparado. 4Em seguida, convocou os sacerdotes e os levitas para uma reunião que teve lugar junto da praça oriental 5e disse-lhes: «Ó levitas, escutem-me! Purifiquem-se agora e purifiquem também o templo do Senhor, Deus dos vossos antepassados. Retirem do santuário tudo o que seja impuro, 6porque os nossos pais foram infiéis para com o Senhor nosso Deus. Fizeram coisas que lhe desagradaram e abandonaram-no. Desviaram os olhos do seu santuário e voltaram-lhe as costas. 7Fecharam mesmo as portas do templo, apagaram as lâmpadas e deixaram de oferecer incenso e holocaustos no santuário do Deus de Israel. 8Por isso, o Senhor irritou-se com Jerusalém e com Judá e abandonou o seu povo à angústia. Fez com que se transformasse em objeto de espanto e de zombaria, como estão a ver com os vossos próprios olhos. 9Por isso, é que os nossos pais caíram mortos na guerra e as nossas mulheres e crianças foram para o cativeiro. 10Assim eu resolvi fazer uma aliança com o Senhor, Deus de Israel, para que afaste de nós a sua ira. 11Portanto, meus amigos não percam tempo, pois foi a vocês que o Senhor escolheu para estarem na sua presença, a fim de o servirem e oferecerem incenso em sua honra.»

Reforma religiosa

12Começaram imediatamente a trabalhar os seguintes levitas: Maat, filho de Amassai e Joel, filho de Azarias, que eram descendentes de Queat; Quis, filho de Abdi e Azarias, filho de Jealel, descendentes de Merari; Joá, filho de Zima e Éden, filho de Joá, descendentes de Gerson; 13Chimeri e Jeiel, descendentes de Eliçafan; Zacarias e Matanias, descendentes de Assaf; 14Jeiel e Simei, descendentes de Heman; Chemaías e Uziel, descendentes de Jedutun. 15Estes homens reuniram os seus parentes e, depois de se terem purificado, foram purificar o templo por ordem do rei e conforme a vontade do Senhor. 16Os sacerdotes dirigiram-se para o interior do templo para o purificarem. Retiraram para o átrio do templo todas as coisas impuras que lá se encontravam e os levitas, por sua vez levaram tudo aquilo para o vale do Cédron. 17Começaram a limpeza e purificação no primeiro dia do primeiro mês. No dia oito, já tinham chegado ao pórtico e, no dia dezasseis, terminaram. 18Depois foram ao palácio do rei Ezequias e disseram-lhe: «Já purificámos todo o templo do Senhor: o altar dos holocaustos com todos os seus utensílios, a mesa para os pães consagrados, com todos os seus utensílios. 19Quanto aos objetos sagrados que o rei Acaz tinha profanado, durante o seu reinado, purificámo-los e de novo os consagrámos. Pusemo-los diante do altar do Senhor

Restabelecimento do culto

20Logo de manhã o rei Ezequias reuniu as autoridades da cidade e foi para o templo do Senhor. 21Levaram sete bezerros, sete carneiros, sete cordeiros, sete bodes, para oferecerem em sacrifício, pelo pecado, em nome da família real, do povo de Judá e também pelo templo. O rei deu ordem aos sacerdotes descendentes de Aarão para oferecerem todos esses sacrifícios sobre o altar do Senhor. 22Os sacerdotes mataram os bezerros, recolheram o sangue e salpicaram com ele o altar. Depois fizeram o mesmo com os carneiros e com os cordeiros. 23Quanto aos bodes que iam oferecer pelo perdão dos pecados, conduziram-nos diante do rei e da assembleia e tanto o rei como as outras pessoas, puseram as mãos sobre eles. 24Em seguida os sacerdotes mataram-nos e derramaram o sangue sobre o altar, para obterem o perdão dos pecados de todo o povo de Israel, pois o rei tinha dado ordem para se oferecer o holocausto e o sacrifício pelo pecado, em nome de todo o povo.

25O rei também colocou os levitas no templo com címbalos, liras e harpas, de acordo com as normas estabelecidas por David e pelos profetas do rei, Gad e Natan. Eram normas que vinham do Senhor, por meio dos profetas. 26Os levitas ocuparam o seu lugar, com os instrumentos musicais de David e os sacerdotes com os seus cornetins. 27Ezequias mandou oferecer o holocausto sobre o altar. No momento em que ia começar o holocausto, principiaram os cânticos em honra do Senhor, acompanhados pelo toque dos cornetins e pelos instrumentos musicais estabelecidos por David, rei de Israel. 28A assembleia estava inclinada, em atitude de oração, enquanto os cantores entoavam o cântico e os sacerdotes tocavam os cornetins, isto até terminar a oferta do holocausto. 29Quando terminou, o rei e todos os que o acompanhavam, inclinaram-se profundamente em adoração. 30O rei e as autoridades ordenaram aos levitas que louvassem o Senhor com os cânticos de David e do profeta Assaf. Cantaram com alegria e inclinaram-se também em adoração.

31O rei Ezequias tomou a palavra para dizer: «Agora que têm as mãos cheias de ofertas para o Senhor aproximem-se e ofereçam sacrifícios de comunhão e de ação de graças pelo templo.» A multidão apresentou então as suas ofertas para os diversos sacrifícios e aqueles que puderam ofereceram igualmente holocaustos. 32Ofereceram ao todo, para holocaustos, setenta bois, cem carneiros e duzentos cordeiros. 33Além disso, ofereceram seiscentos bois e três mil ovelhas para outros sacrifícios. 34Os sacerdotes presentes eram poucos e não bastavam para tirar a pele a todos os animais destinados ao holocausto. Por isso, os seus companheiros levitas deram-lhes ajuda até terminarem a sua tarefa e até que os outros sacerdotes se purificassem. De facto os levitas mostraram-se mais interessados em se purificarem do que os sacerdotes. 35Além dos numerosos holocaustos, acompanhados das respetivas ofertas de vinho, ofereceram ainda a parte das gorduras dos sacrifícios.

Foi assim restabelecido o culto no templo do Senhor. 36Ezequias e todo o povo tiveram muita alegria por tudo aquilo que Deus lhes tinha permitido fazer em tão pouco tempo.

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Ezequias celebra a Páscoa

301Ezequias mandou avisar em todo o território de Israel e de Judá e, com o mesmo fim, enviou também cartas para Efraim e Manassés, a convidar o povo para ir celebrar a Páscoa em honra do Senhor, Deus de Israel, no templo do Senhor, em Jerusalém. 2O rei, depois de ter consultado as autoridades e a comunidade de Jerusalém, resolveu celebrar a Páscoa, no segundo mês, 3visto que não puderam celebrá-la, na altura devida. E não o puderam fazer por não haver número suficiente de sacerdotespurificados e também porque o povo não se tinha reunido em Jerusalém. 4A proposta agradou ao rei e à comunidade 5e assim, decidiram avisar todo o povo de Israel, desde Bercheba até Dan, convidando para a celebração da Páscoa do Senhor, Deus de Israel, em Jerusalém. De facto, não havia muitos que a celebrassem conforme estava estabelecido.

6Dessa forma partiram os enviados com as cartas do rei e dos seus funcionários para percorrer o território de Israel e de Judá, proclamando a ordem do rei: «Ó israelitas, o resto que escapou das mãos do rei da Assíria. Convertam-se ao Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel e ele se voltará para vós. 7Não façam como os vossos antepassados e como os vossos irmãos que foram infiéis ao Senhor, seu Deus. Por isso, os entregou à ruína, como vocês veem. 8Não sejam rebeldes, como os vossos antepassados, mas estendam a mão para o Senhor e venham ao seu santuário que ele consagrou para sempre. Sirvam ao vosso Deus e ele deixará de estar irado convosco. 9Se se converterem ao Senhor, aqueles que levaram para o cativeiro os vossos irmãos e os vossos filhos hão de tratá-los com bondade e hão de deixá-los voltar a este país, pois o Senhor, vosso Deus, é generoso e misericordioso e não se afastará de vocês, se se voltarem para ele.»

10Os mensageiros percorreram o território de Efraim e de Manassés, passando de cidade em cidade, até chegarem à tribo de Zabulão. Mas as pessoas zombavam e faziam pouco deles. 11Apesar disso, algumas pessoas da tribo de Asser, de Manassés e de Zabulão mostraram-se humildes e foram a Jerusalém. 12No reino de Judá, Deus fez com que a população fosse unânime em aceitar a ordem do rei e das autoridades, conforme a palavra do Senhor. 13Desta forma, reuniu-se em Jerusalém, no segundo mês, uma enorme multidão para celebrar a festa dos Pães sem Fermento. 14Começaram por destruir os altares que encontraram em Jerusalém, incluindo os altares para queimar incenso e deitaram-nos no vale do Cédron. 15No dia catorze do segundo mês, mataram o cordeiro da Páscoa. Os sacerdotes e os levitas, sujeitaram-se, arrependidos, à cerimónia da purificação, a fim de poderem oferecer os holocaustos no templo do Senhor. 16Ocuparam os seus lugares, conforme estava estabelecido na Lei de Moisés, homem de Deus. Os levitas levavam o sangue dos animais sacrificados aos sacerdotes e estes derramavam-no sobre o altar.

17No meio da assembleia, havia muitas pessoas que não se tinham purificado e, por isso, não puderam matar os cordeiros da Páscoa. Tiveram de ser os levitas a fazer isso e a oferecê-los ao Senhor. 18De facto, muitas pessoas vindas das tribos de Efraim, de Manassés, de Issacar e de Zabulão, não tinham realizado o ritual da purificação e, apesar disso, tomaram parte na refeição pascal, contrariamente ao que estava determinado. Ezequias orou então por eles dizendo: «Ó Senhor, que és bondoso, 19perdoa aos que se esforçam de todo o coração por conhecerem a tua vontade, mesmo se não estão purificados, como exige a santidade do templo.» 20O Senhor ouviu a oração de Ezequias e perdoou ao povo.

21Durante sete dias, os israelitas presentes em Jerusalém celebraram a festa dos Pães sem Fermento, com grande alegria. Diariamente os levitas e os sacerdotes louvavam o Senhor com entusiasmo, ao som dos seus instrumentos de música. 22Ezequias dirigiu palavras cordiais a todos os levitas, pela sua boa vontade em realizarem o serviço do Senhor.

Durante sete dias, participaram da comida da festa, ofereceram sacrifícios de comunhão e cantaram louvores ao Senhor, Deus dos seus antepassados. 23Em seguida, toda a assembleia resolveu prolongar por mais sete dias a festa, que celebraram com grande alegria. 24O rei Ezequias contribuiu para isso, ao dar à assembleia mil bois e sete mil ovelhas e contribuíram também as autoridades, que ofereceram mil bois e dez mil ovelhas. Além disso, muitos sacerdotes purificaram-se. 25Era grande a alegria em toda a assembleia das pessoas de Judá, nos sacerdotes e levitas e naqueles que tinham ido do reino do Norte, bem como entre os próprios estrangeiros que tinham ido do território de Israel ou habitavam em Judá. 26Em Jerusalém, houve de facto muita alegria porque desde o tempo de Salomão, filho de David, rei de Israel, nunca se tinha visto uma festa semelhante na cidade. 27No fim, os sacerdotes e levitas, levantaram-se e abençoaram o povo. A sua voz foi ouvida por Deus. A sua oração chegou até ao céu, onde Deus tem a sua morada santa.