a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Reinado de Josias

(2 Reis 22,1–2)

341Josias tinha oito anos quando subiu ao trono e reinou trinta e um anos em Jerusalém. 2O procedimento de Josias agradou ao Senhor, pois seguiu o exemplo de seu antepassado David, sem se afastar em nada, nem para a direita nem para a esquerda.

3No oitavo ano do seu reinado, quando era ainda jovem, começou a procurar saber melhor qual era a vontade do Deus do seu antepassado David, e no décimo segundo ano do seu reinado começou a limpar Jerusalém e Judá dos santuários pagãos, dos símbolos da deusa Achera, dos ídolos e de toda a espécie de imagens. 4Foram destruídos na presença do rei, os altares dedicados ao deus Baal, os ídolos que estavam colocados por cima dos altares, as imagens à deusa Achera, os ídolos e toda a espécie de imagens. Tudo foi reduzido a pó que depois se espalhou sobre os túmulos daqueles que tinham oferecido sacrifícios a esses falsos deuses. 5Queimaram-se mesmo os ossos dos sacerdotes pagãos sobre esses altares e assim se purificou a cidade e o reino de Judá. 6Fez-se o mesmo nas cidades de Manassés, de Efraim, de Simeão, de Neftali e nas suas aldeias. 7Destruíram-se as imagens da deusa Achera, os ídolos e deitaram-se abaixo os altares que eram destinados ao incenso, em todo o território das tribos do norte. Depois disto, o rei Josias voltou para Jerusalém.

Descoberta do livro da lei

(2 Reis 22,3—23,3)

8No ano dezoito do seu reinado, depois de ter purificado o país e o templo, Josias deu ordens a Chafan, filho de Açalias, a Masseias governador da cidade e a Joá, filho de Joacaz, porta-voz do rei, para tratarem de restaurar o templo do Senhor, seu Deus. 9Eles foram ter com o sumo sacerdote Hilquias e entregaram-lhe o dinheiro que os levitas porteiros tinham recolhido das ofertas das tribos de Manassés e de Efraim, bem como das restantes populações de Israel e de Judá, de Benjamim e dos habitantes de Jerusalém. 10Entregaram esse dinheiro aos empreiteiros e encarregados das obras de consolidação e restauração do templo, 11para que os artesãos e construtores pudessem comprar as pedras de cantaria e a madeira para as traves e vigamento dos edifícios que os reis de Judá deixaram cair em ruínas. 12Esses homens desempenharam fielmente a sua missão. Eram dirigidos por Jaat e Obadias, descendentes de Merari, e por Zacarias e Mechulam descendentes de Queat. Todos eles eram levitas e sabiam tocar instrumentos de música. 13Vigiavam o trabalho dos que transportavam os materiais, bem como todos os outros trabalhadores, qualquer que fosse a sua profissão. Também havia levitas que desempenhavam as funções de secretários, de administradores e de porteiros.

14Quando estavam a retirar o dinheiro que tinha sido levado para o templo, o sacerdote Hilquias encontrou o livro da lei do Senhor, dada por Moisés34,14 Trata-se do Pentateuco, constituído pelos cinco primeiros livros da Bíblia.. 15Hilquias anunciou então ao secretário Chafan, que tinha encontrado o livro da lei no templo do Senhor e entregou-lho. 16Este, por sua vez, levou o livro ao rei, quando lhe foi dar contas do seu trabalho e disse-lhe: «Os teus servos têm estado a fazer tudo o que tu mandaste. 17Fundiram a prata do cofre do templo e deram-na aos empreiteiros e encarregados das obras.» 18Acrescentou ainda: «O sacerdote Hilquias entregou-me este livro.» E começou a lê-lo ao rei.

Consulta à profetisa Hulda

19Quando o rei tomou conhecimento do que dizia o livro, rasgou a roupa em sinal de tristeza 20e deu as seguintes ordens a Hilquias, a Aicam, filho de Chafan, a Abdon, filho de Miqueias, ao secretário Chafan, e a Assaías, um dos seus funcionários: 21«Vão consultar o Senhor, em meu nome e em nome dos que restam do povo de Israel e de Judá, a respeito do que está escrito neste livro que acaba de se encontrar. É que o Senhor deve estar muito irado contra nós, visto que os nossos antepassados não prestaram atenção ao que diz o Senhor, nem puseram em prática o que está escrito neste livro.»

22Então Hilquias e outros enviados do rei foram ter com a profetisa Hulda, que vivia na parte nova da cidade de Jerusalém. Era casada com Salum, filho de Toqueat e neto de Hasra, encarregado do guarda-roupa do templo. Contaram-lhe o que tinha acontecido 23e ela deu-lhes esta resposta, para eles a levarem ao rei: 24«É isto o que diz o Senhor, Deus de Israel: “Vou enviar contra Jerusalém e contra os seus habitantes todas as desgraças e maldições escritas neste livro, que foi lido diante do rei de Judá. 25Eles abandonaram-me e ofereceram incenso a outros deuses, e tudo isso me irritou. Por tal razão, a minha irritação contra este lugar é grande e não se acalmará. 26Digam, pois, ao rei, que vos mandou ter comigo, aquilo que diz o Senhor, Deus de Israel: Tu escutaste o que está escrito nesse livro, 27e ouviste com atenção o que eu disse, a respeito de Jerusalém e dos seus habitantes. Tu arrependeste-te, rasgaste as tuas roupas em sinal de tristeza e choraste. Por isso, eu escutei a tua oração 28e vou deixar-te morrer em paz e juntar-te aos teus antepassados, no sepulcro, sem que os teus olhos vejam a desgraça que hei de enviar contra Jerusalém e contra os seus habitantes.”» Os enviados voltaram para contar tudo ao rei. 29O rei mandou então reunir todos os anciãos de Jerusalém e de Judá. 30Ele próprio subiu ao templo acompanhado dos homens de Judá e dos habitantes de Jerusalém, juntamente com os sacerdotes e levitas e todo o povo, desde o maior até ao mais pequeno. E ali o rei leu-lhes o livro da aliança, descoberto no templo. 31O rei pôs-se de pé no lugar que lhe estava reservado e comprometeu-se diante do Senhor a observar com todo o coração e com toda a alma os seus mandamentos, as suas ordens e preceitos, segundo o que estava escrito no livro. 32E fez com que toda a gente de Jerusalém e de Benjamim, que ali se encontrava se comprometesse a fazer o mesmo. Desta forma os habitantes de Jerusalém passaram a observar a aliança feita com o Deus dos seus antepassados. 33O rei Josias acabou com todas as práticas abomináveis que havia em todo o território de Israel e obrigou todos os habitantes a adorarem o Senhor, seu Deus. Enquanto viveu o rei, ninguém se afastou do Senhor, Deus dos seus antepassados.

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Celebração da Páscoa

(2 Reis 23,21–23)

351O rei Josias celebrou em Jerusalém a Páscoa do Senhor. Foi no dia catorze do primeiro mês que se mataram os cordeiros para a festa. 2Restabeleceu os sacerdotes nas suas funções e encorajou-os a dedicar-se ao serviço do templo. 3Deu também instruções aos levitas encarregados de ensinar o povo e que estão consagrados ao Senhor. Falou-lhes deste modo: «Coloquem a arca da aliança do Senhor no templo que construiu Salomão, filho de David, rei de Israel. Doravante já não terão de a levar aos ombros. Agora dediquem-se ao serviço do Senhor, vosso Deus, e de Israel, seu povo. 4Ocupem os devidos lugares no templo e organizem-se por famílias e por turnos, de acordo com as determinações de David, rei de Israel e de seu filho Salomão. 5Cada grupo de levitas deve estar no templo, ao serviço dos outros israelitas, segundo as suas divisões por famílias. 6Ofereçam o sacrifício do cordeiro pascal, façam a cerimónia ritual da purificação e tudo o que for necessário para os vossos irmãos, conforme as instruções que deu o Senhor, por meio de Moisés.»

7Dos seus próprios animais, Josias ofereceu ao povo, a todos os que estavam presentes, trinta mil cordeiros e cabritos e três mil bois para a celebração da Páscoa. 8Os funcionários do rei ofereceram também espontaneamente animais para o povo, para os sacerdotes e para os levitas. Da mesma forma, Hilquias, Zacarias e Jeiel, encarregados do templo de Deus, deram aos sacerdotes dois mil e seiscentos cordeiros e cabritos e, além disso, trezentos bois para a celebração da Páscoa. 9Conanias e os seus chefes Chemaías e Nataniel, bem como Hassabias, Jeiel e Jozabad, chefes dos levitas, ofereceram-lhes cinco mil cordeiros e quinhentos bois para o mesmo fim.

10Quando tudo estava preparado para a Páscoa, os sacerdotes ocuparam os seus lugares e os levitas organizaram-se pelos seus turnos, conforme as ordens do rei. 11Mataram os animais para os sacrifícios; deram aos sacerdotes o sangue desses animais e os sacerdotes derramavam-no sobre o altar. Os levitas por sua vez esfolaram os animais. 12Foram postos de parte os animais destinados ao holocausto, de acordo com os clãs do povo de Israel, para os oferecerem ao Senhor, como está escrito no livro de Moisés. 13Assaram o cordeiro pascal sobre o fogo, como está determinado e cozeram as ofertas sagradas em panelas, caldeirões e sertãs e, sem demora, fizeram a distribuição pelo povo. 14Depois os levitas prepararam o que era preciso para os sacerdotes e para eles mesmos, porque os sacerdotes descendentes de Aarão estiveram ocupados até à noite com a oferta dos holocaustos e gorduras dos outros sacrifícios. Por isso, os levitas tiveram de preparar a parte que lhes pertencia a eles e aos sacerdotes, descendentes de Aarão. 15Os cantores, descendentes de Assaf, ocuparam também os seus lugares, de acordo com as instruções dadas por David, Assaf, Heman e Jedutun, conselheiro do rei. Os porteiros permaneceram igualmente junto das portas de que estavam encarregados, sem abandonar os seus postos, pois os outros levitas prepararam para eles o que lhes era necessário. 16Desta forma se organizou, naquele dia, todo o serviço do Senhor, para a celebração da Páscoa e para a oferta dos holocaustos sobre o altar, conforme as ordens do rei Josias.

17Os israelitas que estavam presentes celebraram a Páscoa e a seguir a festa dos Pães sem Fermento, durante sete dias. 18Desde o tempo do profeta Samuel que não se tinha celebrado em Israel nenhuma festa da Páscoa como esta que celebrou o rei Josias, acompanhado dos sacerdotes e levitas, e acompanhado dos habitantes de Jerusalém, dos judeus e israelitas ali presentes. 19Foi no ano dezoito do seu reinado que se celebrou esta Páscoa.

Morte de Josias

(2 Reis 23,28–30)

20Depois de tudo isto que Josias fez pelo templo, Neco, rei do Egito, avançou com o seu exército contra a cidade de Carquémis na região do Eufrates. Josias saiu-lhe ao encontro, 21mas Neco enviou-lhe os seus delegados, para lhe dizerem: «Ó rei de Judá, isto não é nada contigo. Não venho contra ti, mas contra uma outra nação com quem estou em guerra. Deus deu-me ordem para me apressar. Por isso, deixa de te opor a Deus, que está do meu lado, para não te destruir.» 22Mas Josias não voltou atrás nem deu ouvidos às palavras de Neco, que vinham da parte de Deus. Disfarçou-se e dirigiu-se à planície de Meguido para combater contra ele. 23Durante a batalha, os arqueiros atiraram contra Josias. O rei disse aos seus homens: «Levem-me daqui para fora, porque estou gravemente ferido!» 24Tiraram-no então do seu carro e colocaram-no noutro que ali estava e levaram-no para Jerusalém, onde morreu. Foi sepultado no túmulo dos seus antepassados e todos os habitantes de Jerusalém e de Judá choraram a sua morte.

25O profeta Jeremias compôs uma oração fúnebre sobre Josias. Desde então até ao presente todos os cantores recordam o rei Josias nas suas lamentações. Tornou-se mesmo um costume em Israel. Esses cantos fúnebres encontram-se no livro das Lamentações35,25 É possível que o livro bíblico das Lamentações tivesse outrora um maior número de textos. O que atualmente conhecemos não contém nenhuma referência à morte de Josias..

26O resto da história de Josias, as suas obras e tudo aquilo que fez, de acordo com o livro da lei do Senhor, 27tudo o que fez, desde o princípio até ao fim, tudo isso está escrito no livro dos Reis de Israel e de Judá.

36

Reinado de Joacaz

(2 Reis 23,31–35)

361O povo escolheu Joacaz, filho de Josias, como sucessor de seu pai. 2Joacaz tinha vinte e três anos quando subiu ao trono e reinou três meses em Jerusalém. 3O rei do Egito afastou-o do trono e obrigou o país a pagar um tributo de cerca de três mil quilos de prata e trinta quilos de ouro. 4Em sua substituição, colocou no trono de Jerusalém Eliaquim, irmão de Joacaz, mudando-lhe o nome para Joaquim. Quanto a Joacaz, levou-o para o Egito.

Reinado de Joaquim

(2 Reis 23,36—24,7)

5Joaquim tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono e reinou onze anos em Jerusalém. O seu comportamento desagradou ao Senhor, seu Deus. 6O rei Nabucodonosor, da Babilónia, atacou-o. Invadiu o país, amarrou-o com cadeias de bronze e levou-o para a Babilónia. 7Nabucodonosor levou igualmente vários objetos do templo do Senhor para o seu palácio, na Babilónia.

8O resto da história de Joaquim, incluindo as coisas abomináveis que fez e tudo o que lhe aconteceu, está escrito no livro dos Reis de Israel e de Judá. Sucedeu-lhe como rei o seu filho Jeconias.

Jeconias é desterrado para a Babilónia

(2 Reis 24,8–17)

9Jeconias tinha oito anos quando subiu ao trono e reinou em Jerusalém três meses e dez dias. Também ele desagradou ao Senhor com o seu comportamento. 10Quando chegou a primavera, o rei Nabucodonosor levou Jeconias como prisioneiro para a Babilónia e levou vários objetos de valor que pertenciam ao templo do Senhor e nomeou Sedecias, parente de Jeconias, como rei de Jerusalém e de Judá.

Reinado de Sedecias

(2 Reis 24,18—25,21; Jeremias 39,1–10; 52,1–27)

11Sedecias tinha vinte e um anos, quando subiu ao trono e reinou onze anos em Jerusalém. 12O seu comportamento desagradou ao Senhor, seu Deus. Não se humilhou diante do profeta Jeremias, quando lhe foi falar da parte do Senhor. 13Revoltou-se contra Nabucodonosor a quem tinha jurado fidelidade em nome de Deus e teimosamente recusou converter-se ao Senhor, Deus de Israel. 14Também os chefes dos sacerdotes e o povo aumentaram cada vez mais as suas transgressões, seguindo as mesmas práticas das nações pagãs e profanando o templo que o Senhor tinha consagrado em Jerusalém. 15O Senhor, Deus dos seus antepassados, enviou-lhes constantemente advertências pelos seus profetas, porque tinha amor ao seu povo e ao seu santuário. 16Mas eles escarneceram dos mensageiros, rejeitaram as suas palavras e fizeram pouco dos seus profetas, até que a ira do Senhor se manifestou contra o seu povo, de tal maneira que já não teve remédio. 17Fez com que avançasse contra eles o rei dos caldeus, que mandou matar os seus jovens à espada, no templo. Não poupou nem rapazes nem raparigas, nem adultos nem velhos. 18Apoderou-se dos objetos do templo, grandes e pequenos, assim como dos tesouros do templo, do rei e dos seus funcionários e levou tudo para a Babilónia. 19Incendiaram o templo e destruíram as muralhas de Jerusalém. Puseram fogo aos seus palácios e destruíram tudo o que havia de valor. 20Nabucodonosor levou para o cativeiro os que tinham escapado à espada, onde se tornaram escravos dele e dos seus descendentes até à época do império persa. 21Desta forma se cumpriu aquilo que o Senhor tinha anunciado pelo profeta Jeremias. O país ficaria abandonado, durante setenta anos, até que se acabou o tempo de repouso, para recompensar os períodos de repouso que não tinham sido observados36,21 Em Israel, segundo Lv 25,1–7, a terra devia ser deixada em repouso, durante um ano, de sete em sete anos. Mas esta lei nem sempre foi respeitada. Esta citação junta elementos tirados de Lv 26,34–35 e de Jr 25,11..

Édito de Ciro

(Esdras 1,1–11)

22No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, o Senhor fez com que se cumprisse a profecia do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias. E assim levou Ciro a promulgar em todo o seu império de viva voz e por escrito, o seguinte édito: 23«Assim fala Ciro, rei da Pérsia: “O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, no país de Judá. Todos vocês que pertencem a esse povo são convidados a irem para lá e que o Senhor, vosso Deus, vos ajude.”»