a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Motivos para ser generoso

91Sobre esta ajuda aos santos de Jerusalém9,1 Ver 8,4.20., já não é preciso dizer-vos mais nada. 2Conheço bem a vossa boa vontade. Até já tenho mostrado a minha satisfação para convosco diante dos da Macedónia, dizendo: «Os da Acaia9,2 Paulo estimula os cristãos das duas províncias romanas da Grécia a rivalizarem entre si em generosidade. estão dispostos desde o ano passado a dar a sua ajuda.» O entusiasmo que a vossa comunidade mostrou foi um estímulo para muitos. 3Mesmo assim, resolvi enviar-vos estes irmãos para que a satisfação que tenho a vosso respeito não seja, neste caso, uma desilusão. Estejam portanto preparados, como eu vos disse. 4Se alguns da Macedónia forem comigo, não gostava de me sentir envergonhado por ver que a vossa contribuição não estava pronta. E já não falo na vergonha que a vossa comunidade ia sentir se isso acontecesse. 5Por conseguinte, achei que era necessário mandar primeiro estes irmãos para vos ajudarem a pôr em prática a generosidade prometida. Deem pois com generosidade e não com avareza.

6Com efeito, quem pouco semeia pouco poderá recolher. Mas quem semear muito há de recolher muito. 7Que cada um dê conforme julgar bem na sua consciência. E não chorem aquilo que dão, nem deem de má vontade. Pois quem dá com alegria agrada a Deus9,7 Ver Pv 22,8.. 8Deus pode recompensar com abundância todo o bem que fizerem, para terem sempre aquilo de que precisam e poderem fazer bem aos outros. 9É como diz a Sagrada Escritura:

Ele deu generosamente aos pobres.

A sua justiça permanece para sempre9,9 Ver Sl 112,9..

10Deus, que dá a semente ao semeador e o pão para comer9,10 Ver Is 55,10., também há de multiplicar a semente das vossas boas ações e há de fazer crescer os frutos da vossa justiça. 11Assim poderão mostrar-se sempre ricos em generosidade. E os que experimentam a vossa generosidade hão de dar graças a Deus. 12Pois aquele que colabora neste serviço de ajuda não socorre apenas as necessidades dos crentes, mas dá ainda motivo para muitas graças a Deus. 13Ao verem a vossa ajuda, eles hão de louvar a Deus pela vossa fidelidade ao evangelho de Cristo e pela generosidade com que põem tudo à disposição deles e de todos. 14E pedindo a Deus a vosso favor, eles mostrarão quanto vos estimam, por causa da extraordinária graça que Deus vos concedeu. 15Graças a Deus pelo seu dom maravilhoso.

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Autoridade de Paulo como apóstolo

101Eu, Paulo, que quando estou presente costumo ser delicado, mas que de longe vos trato com dureza, tenho um pedido a fazer-vos em nome de Cristo, que foi manso e humilde. 2Façam com que, quando eu estiver convosco, não me veja obrigado a tomar uma atitude dura contra alguns que dizem que nos guiamos por critérios humanos. 3Somos humanos, é certo. Mas não são humanos os nossos critérios de ação. 4As armas que utilizamos no combate não são apenas humanas, porque a sua força vem de Deus e deita por terra todas as fortalezas. Deitamos abaixo as ideias erradas 5e toda a espécie de arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus. E fazemos com que o pensamento humano obedeça a Cristo. 6Estamos prontos a castigar qualquer espécie de desobediência, até que a vossa obediência a Cristo seja completa.

7Vocês veem as coisas pela aparência. Se alguém estiver convencido de que pertence a Cristo, esse que pense bem, porque assim como ele pertence a Cristo também nós a ele pertencemos. 8Se eu me gloriar excessivamente na autoridade que o Senhor nos deu para vossa edificação, e não para vossa ruína, não me envergonharei. 9Mas não quero dar a impressão de estar a meter-vos medo com as minhas cartas. 10Alguns dizem: «As cartas dele são pesadas e duras, mas quando ele cá está é fraco de corpo e a sua linguagem não vale nada.» 11Esses que fiquem a saber que eu sou a mesma pessoa, tanto no que digo de longe, por carta, tanto no que faço quando estou presente.

12Claro que não ousamos comparar-nos ou a igualar-nos com aqueles que se apresentam como pessoas muito importantes, porque esses são insensatos, pois medem-se com a sua própria medida e comparam-se consigo mesmos. 13Não queremos orgulhar-nos desmedidamente do nosso trabalho, mas apenas na medida que Deus nos destinou, e que era a de chegar até vós. 14Se não tivéssemos chegado até aí, então não teríamos respeitado essa medida. Mas pelo contrário, chegámos até vós com o evangelho de Cristo. 15Não nos orgulhamos exageradamente do nosso trabalho, aproveitando-nos das fadigas dos outros. O que esperamos é que a vossa fé vá crescendo, e com ela a nossa influência no vosso meio, segundo a medida que Deus nos marcou10,15 Sobre os v, 13–15, ver Rm 15,17–21.. 16Esperamos ainda poder levar a boa nova a outras terras, para além da vossa10,16 Ver At 19,21.. Assim não precisaremos de nos orgulhar do trabalho já feito por outros segundo a medida que lhes foi destinada. 17Aquele que quiser orgulhar-se que se orgulhe no Senhor10,17 Ver Jr 9,23; 1 Co 1,31.. 18Pois não é aquele que se apresenta a si mesmo como muito importante que fica aprovado, mas aquele que o Senhor apresentar como tal.

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Paulo contra os falsos apóstolos

111Gostava que me suportassem um pouco mais, mesmo que eu vos pareça insensato. Tenham paciência! 2O interesse que tenho pelo vosso bem-estar é tal que chego a ter ciúmes, em nome de Deus. São como uma noiva pura que dei em casamento a um único homem, que é Cristo. 3Mas tenho receio que se corrompam no entendimento e abandonem a simplicidade e a pureza da fé em Cristo, assim como Eva foi seduzida pela astúcia da serpente11,3 A expressão e a pureza não se encontra em alguns manuscritos antigos. Sobre Eva e a serpente, ver Gn 3,1–6.13.. 4Pois são capazes de aceitar alguém que vos vá falar de um Jesus diferente daquele que vos anunciámos; e são capazes de dar acolhimento a um espírito diferente daquele que já receberam ou a um evangelho diferente do que já aceitaram. 5Ora eu acho que não sou nada inferior a esses tais grandes apóstolos11,5 Ver 1 Co 15,10; 2 Co 12,11; Gl 2,6.9.. 6Talvez eu seja pobre em palavras, mas não em sabedoria. Em todas as coisas vos tenho dado provas disso.

7Anunciei-vos o evangelho de Deus, sem exigir nenhum salário. Rebaixei-me para que pudessem elevar-se. Acham que fiz mal? 8Enquanto estive a trabalhar no vosso meio, outras igrejas pagaram o meu sustento. Quase se podia dizer que as explorei para poder servir-vos. 9Mas enquanto aí estive, mesmo se me faltava alguma coisa, nunca incomodei ninguém. Os crentes que vieram da Macedónia é que me socorreram dando-me o que faltava11,9 Ver Fp 4,15–18.. Não vos quis ser pesado, nem o quero vir a ser. 10Pela verdade de Cristo que está em mim, não quero perder essa honra em nenhuma região da Acaia. 11E por quê? Porque não vos tenho amor? Deus bem sabe!

12Mas procedo assim e hei de continuar a proceder. Não quero dar ocasião para se orgulharem aqueles que julgam ter as mesmas razões que eu tenho. 13Esses tais são falsos apóstolos, trabalhadores mentirosos, e disfarçados11,13 Comparar com Mt 7,15. em apóstolos de Cristo. 14Não é de admirar, pois até o próprio Diabo se disfarça de anjo de luz! 15Por isso não é nada de extraordinário que eles, que na realidade estão ao serviço do Diabo, se disfarcem em pessoas que trabalham na realização da vontade de Deus. Mas eles terão o fim que as suas obras merecem.

Sofrimentos do apóstolo

16Volto a dizer: não pensem que sou insensato. Mas se pensam que o sou, então permitam que me glorie um pouco mais. 17Aquilo que vos digo não será de acordo com o que o Senhor quer, mas falo como se de facto fosse insensato, gloriando-me. 18Já que muitos se andam a gloriar por motivos humanos, também eu o vou fazer. 19Parece que na vossa sensatez aceitam bem os insensatos. 20Aceitam bem os que vos escravizam, vos exploram, vos desprezam e vos batem. 21Não tivemos coragem para fazer isso. Para minha vergonha o digo!

Mas se alguém tem motivos de orgulho — e aqui volto a falar como insensato — também eu os tenho. 22São hebreus de nascimento? Também eu11,22 Comparar com Fp 3,5.! Pertencem ao povo de Israel? Também eu! São descendentes de Abraão? Também eu! 23São servos de Cristo? Falando como insensato, posso dizer que o sou muito mais do que eles. Passei por muito mais trabalhos, prisões, perseguições e perigos de morte, muitas vezes. 24Fui cinco vezes castigado pelos judeus com trinta e nove chicotadas11,24 A lei prescrevia quarenta chicotadas. Ver Dt 25,3. Para não correrem o risco de ultrapassar este número, os hebreus davam só trinta e nove, continuando a chamar-lhe as quarenta chicotadas.. 25Fui três vezes espancado e uma vez apedrejado11,25 Ver At 16,22; 14,19.. Naufraguei três vezes e passei uma noite e um dia perdido no mar. 26Tive de fazer viagens sem conta, sofrendo perigos nos rios; com ladrões, com os compatriotas, com os estrangeiros11,26 Ver At 9,23; 14,5.; perigos na cidade, no deserto, no mar e mesmo entre os falsos irmãos. 27Tive de suportar trabalhos e canseiras, muitas noites sem dormir, fome e sede, muitos dias sem comer, frio e falta de roupa. 28E, além do mais, tenho de carregar diariamente com o peso das preocupações de todas as igrejas. 29Haverá alguém que esteja fraco que eu não me sinta fraco com ele? Haverá alguém que tropece sem que eu sofra também?

30Se é permitido a alguém orgulhar-se, eu também me orgulho naquilo que sofro. 31Deus, Pai do Senhor Jesus — bendito seja ele para sempre — bem sabe que não estou a mentir. 32Em Damasco, o representante do rei Aretas11,32 Rei da Nabateia, território a sul e a oriente da Palestina. mandou fechar as portas da cidade para me apanhar. 33Tiveram que me descer num cesto, por uma janela aberta no muro da cidade, e só assim consegui escapar das suas mãos11,33 Sobre os v. 32–33, ver At 9,23–25. O rei Aretas é Aretas IV, rei dos Nabateus, desde 9 antes de Cristo. O reino dos Nabateus era uma região situada a sudoeste da Palestina..