a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Oseias, rei de Israel

171No décimo segundo ano do reinado de Acaz, rei de Judá, Oseias, filho de Elá, tornou-se rei em Israel. Reinou durante nove anos, em Samaria. 2Fez aquilo que desagrada ao Senhor, mas não tanto como os seus antecessores no trono de Israel.

3Salmanasar, rei da Assíria, fez guerra contra Oseias e este rendeu-se ao rei assírio e passou a pagar-lhe um tributo anual. 4Mais tarde o rei Oseias preparou uma conspiração contra o rei da Assíria: enviou mensageiros a So, rei do Egito17,4 Não é conhecido nenhum faraó com o nome de So. É possível que se trate do nome de um lugar ou de um representante de faraó., que estava em Saís17,4 Saís, no delta do Nilo, era nessa época a capital do Egito., e recusou-se a pagar o tributo ao rei da Assíria. Quando Salmanasar descobriu, mandou-o prender e meter na cadeia. 5Depois invadiu Israel e pôs cerco à Samaria. No terceiro ano de cerco, 6que era o nono ano do reinado de Oseias, o rei assírio conquistou Samaria e levou prisioneiros para a Assíria os israelitas. Colocou alguns na cidade de Hala, outros nas margens do rio Habor, no distrito de Gozan, e outros nas cidades da Média17,6 Em 722 ou 721 a.C., o rei Sargão II, irmão e sucessor de Salmanasar V, conquistou Samaria. Hala. Localidade no norte da Mesopotâmia, não identificada. Gozan. Outra localidade da mesma região; Harbor. Karbur, nos nossos dias, é um afluente na margem esquerda do Eufrates. Média. Região situada a leste da Assíria e a sul do Mar Cáspio..

Causas da ruína de Israel

7Samaria caiu, porque os israelitas tinham pecado contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do faraó, rei do Egito; adoravam outros deuses, 8e seguiam as práticas das nações que o Senhor tinha expulsado da sua frente bem como as práticas introduzidas pelos reis de Israel17,8 A última parte do v. 8 é de difícil compreensão no hebraico.. 9Além disso, os israelitas ofenderam o Senhor, seu Deus, com más ações; construíram santuários pagãos em todas as suas cidades, desde a simples torre de vigia à cidade fortificada. 10Erigiram monumentos e imagens da deusa Achera em todas as colinas um pouco mais altas e debaixo de todas as árvores frondosas; 11aí queimavam incenso em todos os santuários pagãos, seguindo a prática das nações que o Senhor expulsara da frente dos israelitas. Provocaram a ira do Senhor com as suas práticas abomináveis 12e desobedeceram à ordem do Senhor para não adorarem ídolos.

13O Senhor tinha enviado os seus mensageiros e profetas para avisar Israel e Judá: «Deixem os vossos maus caminhos17,13 Cerca de 150 anos mais tarde, Jeremias (18,11) e Ezequiel (33,11) exprimiam-se em termos semelhantes. e obedeçam aos meus mandamentos e preceitos, contidos na lei que dei aos vossos antepassados e que vos transmiti pelos profetas, meus servos14Mas eles não o quiseram ouvir; fizeram-se teimosos como os seus antepassados, que não confiaram no Senhor, seu Deus. 15Desprezaram os seus preceitos e não cumpriram as exigências da aliança estabelecida com os seus antepassados, nem fizeram caso das suas advertências. Adoraram deuses falsos, tornando-se eles também falsos; e seguiram as práticas das nações vizinhas, apesar de o Senhor lhes ter proibido que o fizessem. 16Deixaram de cumprir todos os mandamentos do Senhor, seu Deus, e fabricaram dois bezerros de metal fundido, que adoraram; fizeram também uma imagem da deusa Achera, adoraram os astros e prestaram culto ao deus Baal. 17Sacrificaram os seus filhos e filhas, queimando-os no fogo; consultaram feiticeiros e adivinhos e dedicaram-se completamente a fazer tudo o que era mau e desagradava ao Senhor, provocando com isso a sua ira.

18Por isso, o Senhor ficou profundamente irado contra os israelitas e os baniu da sua vista. Só ficou a tribo de Judá. 19Mas nem mesmo o povo de Judá obedeceu aos mandamentos do Senhor, seu Deus, pois imitaram os costumes adotados pelo povo de Israel. 20O Senhor rejeitou assim todos os israelitas e castigou-os, entregando-os nas mãos de inimigos cruéis, e, por fim, baniu-os da sua vista.

21Depois de o Senhor ter separado Israel do reino de David, os israelitas proclamaram seu rei Jeroboão, filho de Nebat. Jeroboão levou-os a abandonar o Senhor e fê-los cometer pecados terríveis. 22Os israelitas imitaram todos os pecados de Jeroboão e continuaram a cometê-los, 23até ao dia em que o Senhor os baniu da sua vista, como já os tinha prevenido por meio dos profetas, seus servos. Por isso, o povo de Israel foi exilado para a Assíria, onde ainda hoje está.

Origem dos samaritanos

24O rei da Assíria mandou vir gente da Babilónia, de Cuta, de Ava, de Hamat e de Sefarvaim e instalou-a nas cidades do território de Samaria, em substituição dos israelitas. Tomaram posse de toda a Samaria e passaram a viver nas suas cidades. 25Quando os novos habitantes se instalaram, não prestavam culto ao Senhor e ele enviou-lhes leões, que mataram alguns deles. 26Informaram então o rei da Assíria de que as populações deslocadas e instaladas nas cidades de Samaria não sabiam como deviam prestar culto ao deus daquela terra e que, por isso, ele lhes tinha mandado leões, que estavam a matá-los. 27Então o rei da Assíria ordenou: «Mandem para lá um dos sacerdotes que vieram exilados, para que passe a viver lá e lhes ensine o modo de prestar culto ao deus daquela terra.» 28Assim um dos sacerdotes israelitas exilados de Samaria foi viver para Betel, onde ensinou o povo como se devia adorar o Senhor.

29No entanto, cada uma das populações estrangeiras fabricava as imagens dos seus deuses e instalavam-nas nos santuários construídos pelos anteriores habitantes de Samaria. Cada população colocou os seus deuses no lugar onde vivia: 30os que eram da Babilónia fizeram ídolos do deus Sucot-Benot; os de Cuta, ídolos de Nergal; os de Hamat, ídolos de Achimá; 31os de Ava, ídolos de Nibeaz e de Tartac; e os de Sefarvaim sacrificavam pelo fogo os seus próprios filhos aos deuses Adramelec e Anamelec17,31 Nesta lista de deuses estrangeiros, apenas Nergal é conhecido como um deus adorado na Mesopotâmia.. 32Adoravam também o Senhor, mas nomearam sacerdotes de entre eles para que prestassem serviço nos santuários pagãos. 33Desse modo, adoravam o Senhor e, ao mesmo tempo, prestavam culto aos seus próprios deuses, segundo o costume de cada nação donde tinham vindo.

34Ainda hoje os seus descendentes seguem esses antigos costumes. Não adoram verdadeiramente o Senhor, nem cumprem as suas leis e os seus preceitos, nem a lei e os mandamentos que o Senhor transmitiu aos descendentes de Jacob, a quem deu o nome de Israel. 35O Senhor tinha feito uma aliança com os descendentes de Jacob e deu-lhes, entre outros, os seguintes mandamentos: «Não adorem outros deuses, nem se inclinem diante deles; não lhes prestem culto, nem lhes ofereçam sacrifícios; 36só me devem adorar a mim, o Senhor, que vos tirei do Egito com toda a minha força e imenso poder; é diante de mim que devem inclinar-se e oferecer sacrifícios. 37Devem obedecer dia após dia às regras e preceitos, à lei e aos mandamentos, que vos dei por escrito; e não devem adorar outros deuses, 38nem esquecer a aliança que fiz convosco. Repito: não devem adorar outros deuses, 39mas só a mim, o Senhor, vosso Deus, que vos livro das mãos dos vossos inimigos.»

40Esses povos, porém, não fizeram caso e continuaram a seguir os seus antigos costumes. 41Assim eles adoravam o Senhor, mas adoravam também os seus ídolos; e até ao dia de hoje os seus descendentes continuaram a fazer o mesmo, de geração em geração.

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Ezequias, rei de Judá

181No terceiro ano do reinado de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, tornou-se rei em Judá. 2Tinha vinte e cinco anos de idade quando subiu ao trono, e reinou vinte e nove anos, em Jerusalém. A sua mãe chamava-se Abi e era filha de Zacarias. 3Seguindo o exemplo do seu antepassado, o rei David, Ezequias procedeu com retidão e agradou ao Senhor. 4Destruiu os santuários pagãos, derrubou os monumentos pagãos e destruiu as imagens da deusa Achera. Também despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque, até então, os israelitas costumavam queimar incenso diante dela e chamavam-lhe Neustan.

5O rei Ezequias pôs a sua confiança no Senhor, Deus de Israel; não houve outro como ele entre os reis de Judá, nem antes, nem depois. 6Manteve-se fiel ao Senhor e nunca lhe desobedeceu, cumprindo cuidadosamente todos os mandamentos que o Senhor deu a Moisés. 7O Senhor esteve sempre com ele, por isso Ezequias foi bem sucedido em todos os seus empreendimentos. Revoltou-se contra o rei da Assíria e recusou-se a aceitar o seu domínio. 8Derrotou os filisteus, devastou o seu território, até à cidade de Gaza18,8 Cidade dos filisteus, na costa mediterrânica., desde a simples torre de vigia até à cidade fortificada.

Queda de Samaria

9No quarto ano do reinado de Ezequias, que era o sétimo do reinado de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, invadiu Israel e cercou a cidade de Samaria. 10Samaria capitulou ao fim de três anos, sendo o sexto do reinado de Ezequias e o nono do reinado de Oseias, rei de Israel. 11O rei da Assíria levou os israelitas exilados para a Assíria, instalando alguns na cidade de Hala, outros nas margens do rio Habor, no distrito de Gozan, e outros nas cidades da Média.

12Samaria caiu, porque os israelitas não obedeceram ao Senhor, seu Deus, transgredindo as obrigações da aliança que Deus fez com eles e desobedecendo a todas as leis dadas por Moisés, não as escutando, nem cumprindo.

Senaquerib invade Judá

13No décimo quarto ano do reinado de Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortificadas de Judá e conquistou-as. 14Então Ezequias, rei de Judá, mandou dizer ao rei da Assíria, em Láquis: «Cometi um erro; não me ataques mais, que eu comprometo-me a pagar o que me exigires.» O rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, um tributo de dez toneladas de prata e uma tonelada de ouro. 15Ezequias entregou toda a prata que havia no templo e nos tesouros do palácio real; 16arrancou também o revestimento de ouro que ele tinha posto nas portas e pilares do templo e enviou tudo ao rei da Assíria.

Mensagem de Senaquerib

17Entretanto o rei da Assíria, que se encontrava em Láquis, enviou ao rei Ezequias, em Jerusalém, o general do seu exército, o chefe do pessoal da sua casa e o seu próprio ajudante de campo, à frente de um poderoso exército. Quando chegaram a Jerusalém, colocaram-se junto do canal da piscina superior, na calçada que conduz ao Campo do Lavadouro. 18Mandaram chamar o rei e este enviou-lhes Eliaquim, filho de Hilquias, chefe do palácio real, que saiu da cidade ao encontro dos assírios, acompanhado de Chebna, secretário do rei, e Joá, filho de Assaf, porta-voz do rei. 19O oficial do rei assírio disse-lhe: «Vão transmitir a Ezequias esta mensagem do grande rei, o rei da Assíria: “Donde te vem essa confiança? 20Pensas que a estratégia e a valentia militares são apenas uma questão de palavras? Em quem confias para te revoltares contra mim? 21Confias nessa cana rachada que é o Egito? Se alguém se apoiar nessa cana, ela espeta-se-lhe na mão e corta-lha. Assim é o faraó para os que nele confiam. 22Se me dizes: ‘Confio no Senhor, nosso Deus’, eu pergunto: ‘Não é esse o Deus cujos lugares sagrados e altares foram suprimidos por Ezequias, ordenando às populações de Judá e de Jerusalém que prestassem culto apenas diantes do altar de Jerusalém? 23Pois bem, entra em acordo com o meu senhor, o rei da Assíria, e dar-te-ei dois mil cavalos, se é que arranjas cavaleiros para os montar. 24Como te atreves a repelir um oficial do meu senhor, mesmo que seja um dos menores, confiante que o Egito te fornecerá carros e cavaleiros? 25Além disso, crês que o meu senhor veio atacar este país para o destruir sem que o Senhor, vosso Deus, o tenha querido? Foi o próprio Senhor quem ordenou que atacasse este país e o destruísse.”»

26Então Eliaquim, filho de Hilquias, Chebna e Joá disseram ao oficial assírio: «Fala-nos em aramaico, porque nós compreendemos18,26 O aramaico era a língua internacional do Médio Oriente.. Não nos fales em hebraico, porque os que estão por cima da muralha podem ouvir-nos.»

27Mas o oficial respondeu: «Pensas que esta mensagem que o meu senhor me deu é apenas para o teu senhor e para ti? Ela é dirigida também aos que estão em cima da muralha, que vão ser reduzidos, como vós, a comer os seus excrementos e a beber a sua urina!»

28Nisto o ajudante de campo levantou-se e gritou com toda a força em hebraico: «Ouçam a mensagem do grande rei, o rei da Assíria: 29“Não se deixem enganar por Ezequias, porque ele não vos poderá libertar. 30Que Ezequias não vos leve a confiar no Senhor, quando vos diz: O Senhor há de libertar-nos com toda a certeza e nunca entregará esta cidade ao rei da Assíria. 31Não façam caso de Ezequias. Escutem aquilo que o rei da Assíria vos propõe. Façam as pazes comigo e rendam-se. Só assim é que podereis tirar proveito das vossas vinhas, das vossas figueiras e da água das vossas cisternas. 32Depois virei buscar-vos para vos levar a um país como o vosso, rico em trigo para dar pão e em vinhas para dar vinho, um país de azeite e mel. Deste modo, salvarão as vossas vidas e não morrerão. Mas não façam caso de Ezequias, porque ele engana-vos, ao dizer que o Senhor vos vai salvar! 33Porventura os deuses das outras nações livraram os seus países das mãos do rei da Assíria? 34Onde estão os deuses de Hamat e de Arpad? E os de Sefarvaim, de Hena e de Ava? Alguém conseguiu livrar Samaria do meu poder? 35Entre todos estes deuses houve algum que conseguisse livrar os seus países das minhas mãos? Como é que o Senhor, vosso Deus, me poderá impedir de tomar Jerusalém?”»

36O povo que lá estava manteve-se silencioso, porque assim lhes tinha ordenado o rei Ezequias. 37No fim de tudo, Eliaquim, filho de Hilquias, chefe do palácio real, Chebna, secretário do rei, e Joá, filho de Assaf, porta-voz do rei, depois de terem rasgado as vestes, foram ter com o rei Ezequias e comunicaram-lhe tudo o que o oficial do rei da Assíria tinha dito.

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Ezequias consulta o profeta Isaías

191Quando o rei Ezequias ouviu o relato do acontecido, rasgou também as suas roupas, vestiu-se de roupas grosseiras, em sinal de tristeza, e dirigiu-se ao templo do Senhor. 2Depois enviou Eliaquim, chefe do palácio real, Chebna, o secretário, e os sacerdotes mais idosos, para irem ter com o profeta Isaías, filho de Amós. Deviam ir todos vestidos de roupas grosseiras, em sinal de tristeza, 3e dizer ao profeta: «Vimos da parte do rei Ezequias com a seguinte mensagem: “Hoje é um dia de aflição, de castigo e humilhação. Como se costuma dizer, a criança devia nascer, mas a mãe não tem força para a dar à luz. 4O rei da Assíria enviou o seu oficial para insultar o Deus vivo. Oxalá o Senhor, teu Deus, tenha ouvido semelhantes insultos e o castigue por ter falado daquele modo. Intercede, pois, junto do Senhor, em favor do que resta do seu povo.”»

5Os enviados de Ezequias foram ter com Isaías; 6este respondeu-lhes: «Vão transmitir ao vosso soberano esta mensagem do Senhor: “Ouviste os insultos que os oficiais do rei da Assíria me dirigiram. Não tenhas medo do que eles disseram. 7Vou fazer com que o rei da Assíria receba uma certa notícia que o obrigará a regressar ao seu país, onde morrerá assassinado.”»

Novas ameaças de Senaquerib

8O oficial do rei da Assíria soube entretanto que o seu senhor tinha deixado Láquis para combater contra Libna, e foi lá que o encontrou. 9Senaquerib foi informado de que o faraó Tiraca, rei da Etiópia, estava a caminho para o atacar. Por isso, o rei da Assíria enviou de novo mensageiros ao rei Ezequias e disse-lhes: 10«Não te deixes enganar pelo teu Deus, em quem confias, pensando que Jerusalém não será entregue nas minhas mãos. 11Sabes muito bem como é que os reis da Assíria trataram todos os outros países e os destruíram! Pensas que serias poupado? 12Porventura os deuses de Gozan, Haran e Recef e da capital dos edenitas, Telassar, conseguiram impedir que os meus predecessores destruíssem as suas cidades? 13Pensa no que aconteceu aos reis de Hamat, Arpad, Lair, Sefarvaim, Hena e Ava!»

Oração de Ezequias

14Ezequias pegou na carta que os mensageiros lhe entregaram e leu-a. Depois subiu ao templo, abriu-a diante do Senhor 15e dirigiu-lhe a seguinte oração: «Senhor do Universo, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, tu és o único Deus de todos os reinos do mundo, e fizeste o céu e a terra. 16Presta atenção, Senhor, e escuta! Abre os olhos e vê! Repara nos insultos que os mensageiros de Senaquerib disseram contra ti, o Deus vivo! 17É verdade, Senhor! Os reis da Assíria destruíram todas as nações, todas as terras. 18Queimaram e destruíram os deuses dessas nações, porque não eram verdadeiros deuses, mas apenas estátuas de madeira e de pedra fabricadas pelos homens. 19Agora, Senhor, nosso Deus, salva-nos das mãos de Senaquerib, para que todos os reinos do mundo saibam que só tu, Senhor, és Deus.»

Mensagem de Isaías para o rei

20Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer ao rei Ezequias: «Esta é a mensagem do Senhor, Deus de Israel! Ouvi a oração que me fizeste acerca de Senaquerib, rei da Assíria. 21Esta é a sentença que o Senhor pronuncia contra ele:

“A jovem filha de Sião despreza-te e faz pouco de ti19,21 Ou: A virgem, filha de Sião, despreza-te e zomba de ti; a filha de Jerusalém meneia a cabeça atrás de ti.,

a cidade de Jerusalém meneia a cabeça atrás de ti.

22A quem insultaste e ultrajaste?

Contra quem levantaste a voz e o teu olhar arrogante?

Foi contra mim, o Deus Santo de Israel19,22 A expressão Santo de Israel, com referência a Deus, é característica do livro de Isaías.

23Por meio dos teus mensageiros, ultrajaste o meu Senhor.

Tu disseste: Eu, Senaquerib,

com os meus carros sem conta,

subi aos cimos dos montes,

até ao coração do Líbano,

cortei os seus belos cedros e os melhores ciprestes.

Cheguei até ao seu refúgio mais distante,

e entrei na sua densa floresta.

24Eu escavei poços e bebi a água dos outros povos.

Consegui secar todos os canais do Egito,

só pisando o seu solo.

25Não percebeste, Senaquerib que, desde há muito,

fui eu que preparei este plano

e que, desde tempos antigos, fiz este projeto,

que agora estou realizando?

Destinei-te a reduzires a montões de escombros

as cidades fortificadas.

26Os seus habitantes, de braços caídos,

estão consternados e humilhados.

São como a erva dos campos e o verde dos prados,

como as plantas dos telhados

que murcham, antes de crescer.

27Conheço toda a tua vida:

quando te sentas, quando sais e quando entras

e quando te enfureces contra mim.

28Eu bem percebi quando te enfureceste

e te mostraste insolente.

Por isso, vou prender-te com uma argola no nariz19,28 Era o que se fazia a um animal para o domesticar. Há esculturas antigas que mostram prisioneiros com uma argola no nariz.

e um freio na boca

e vou conduzir-te pelo caminho por onde vieste.

29Quanto a ti, eis o sinal que te dou: Este ano comereis do que ficar no restolho do trigo e, no próximo, do que crescer espontaneamente. Mas no ano seguinte já haveis de semear e ceifar o vosso trigo, já podereis plantar vinhas e fazer a vindima. 30Os sobreviventes do reino de Judá serão novamente como uma árvore que lança as suas raízes debaixo da terra e se cobre de frutos por cima. 31Na verdade, de Jerusalém e do monte Sião, ficará um resto de sobreviventes. É isto que o zelo do Senhor vai realizar.”

32E agora eis o que o Senhor diz acerca do rei da Assíria: “Ele não entrará nesta cidade, nem atirará flechas contra ela, não se aproximará dela ao abrigo dos escudos, nem levantará contra ela baluartes.

33Pelo caminho por onde vier, será forçado a partir. E nesta cidade não entrará. Palavra do Senhor! 34Hei de proteger Jerusalém e salvá-la; afirmo-o por quem sou e pela fidelidade a David, meu servo.”»

Morte de Senaquerib

35Naquela mesma noite, o anjo do Senhor interveio no acampamento assírio e matou cento e oitenta e cinco mil homens. No dia seguinte, pela manhã, os sobreviventes descobriram todos estes cadáveres. 36Então Senaquerib, rei da Assíria, levantou o acampamento, regressou a Nínive, e por lá ficou. 37Um dia encontrava-se ele em oração no templo do seu deus Nisseroc e Adramelec e Sarécer, assassinaram-no à espada e fugiram para a região de Ararat19,37 A região de Ararat corresponde à atual Arménia. Ver Gn 8,4.. Um outro dos seus filhos, Assaradon, sucedeu-lhe no trono.