a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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O machado recuperado

61Um dia o grupo de profetas disse a Eliseu: «Olha que o lugar onde vivemos sob a tua direção é demasiado apertado para nós. 2Permite-nos que vamos até ao vale do Jordão, para cada um de nós trazer um tronco e construirmos ali um lugar para habitarmos.» Eliseu respondeu-lhes que estava de acordo. 3Mas um deles disse: «Por favor, vem com os teus servos.» E ele respondeu: «Irei.»

4Pôs-se a caminho com eles e, mal chegaram ao Jordão, começaram a cortar árvores. 5Quando um deles cortava um tronco, caiu-lhe o machado à água e exclamou: «Ó mestre, o machado era emprestado!» 6O profeta perguntou-lhe: «Onde caiu ele?» O outro apontou para o lugar; então Eliseu cortou um pau, atirou-o à água e o machado ficou a flutuar. 7Eliseu ordenou-lhe: «Apanha-o!» O outro estendeu a mão e apanhou o machado.

Eliseu capturou os soldados arameus

8O rei da Síria estava em guerra com Israel. Consultando os seus oficiais, escolheu o lugar onde ia montar o acampamento. 9Mas Eliseu mandou avisar o rei de Israel, para evitar passar por aquele lugar, porque os arameus estavam lá emboscados. 10Então o rei de Israel enviou os seus homens para ali para estarem de guarda conforme o profeta o tinha informado e avisado. Isto aconteceu várias vezes.

11O rei da Síria ficou muito preocupado com aquilo, chamou os seus oficiais e disse-lhes: «Descubram qual dos nossos está do lado do rei de Israel.» 12Um deles respondeu: «Não é ninguém dos nossos, Majestade! É o profeta Eliseu que conta ao rei de Israel os planos que fazes até no teu próprio quarto.»

13Então o rei da Síria disse: «Descubram onde ele está, para o mandar prender.» Quando lhe disseram que Eliseu estava em Dotan6,13 Dotan. Localidade situada 45 km a norte de Jerusalém e 10 km a norte de Samaria. Ver Gn 37,17., 14o rei enviou um destacamento de cavalaria e carros de combate e muita infantaria, que chegaram à noite a Dotan e cercaram a cidade. 15O criado de Eliseu levantou-se muito cedo e, quando saiu de casa, viu o exército que cercava a cidade, com cavalos e carros de combate, foi perguntar a Eliseu: «E agora mestre, que vamos fazer?» 16Eliseu respondeu: «Não tenhas medo, porque são mais os que estão connosco do que os que estão com eles.» 17Depois orou ao Senhor: «Rogo-te, Senhor, que lhe abras os olhos para que veja.» O Senhor abriu os olhos do criado e ele viu que a montanha estava cheia de cavalos e carros de fogo em volta de Eliseu.

18Quando os arameus se aproximavam para o capturar, Eliseu rogou ao Senhor: «Peço-te que cegues estes homens.» O Senhor cegou-os, como Eliseu tinha pedido. 19Então Eliseu foi ter com eles e disse-lhes: «Não é este o caminho, nem é esta a cidade. Sigam-me, que eu vos levo até ao homem que procuram.» E levou-os até Samaria.

20Quando entraram na cidade, Eliseu rogou ao Senhor: «Peço-te que lhes abras de novo os olhos para que vejam.» O Senhor abriu-lhes os olhos e eles viram que estavam dentro de Samaria.

21Quando o rei de Israel os viu, perguntou a Eliseu: «Meu pai, devo matá-los?» 22Mas ele respondeu: «Não! Não os mates! Não costumas matar os prisioneiros que os teus soldados trazem da guerra. Dá-lhes de comer e beber e deixa-os voltar para o seu rei.» 23O rei de Israel mandou preparar-lhes um grande banquete e eles comeram e beberam. Depois mandou-os embora e eles voltaram para o seu rei. Desde então os arameus deixaram de fazer incursões em território israelita.

Cerco de Samaria

24Algum tempo depois, Ben-Hadad, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército contra Israel e pôs cerco à cidade de Samaria. 25Como resultado do cerco, a falta de comida na cidade era tão grande que uma cabeça de jumento custava oitenta moedas de prata e um quarto de litro de esterco de pomba6,25 Expressão hebraica de difícil compreensão. Nome de uma planta não identificada ou então uma espécie de combustível feito de esterco seco, ou ainda uma expressão popular para significar alguma outra coisa., cinco moedas de prata.

26Um dia em que o rei passeava pela muralha, uma mulher gritou: «Socorro, Majestade!» 27O rei respondeu: «Se o Senhor não te ajuda, como queres que eu o faça? Já não há reservas, nem de trigo, nem de vinho. 28Que te aconteceu?» Ela respondeu: «Esta mulher que aqui está disse-me que nós comíamos o meu filho e no dia seguinte comíamos o dela. 29Cozinhámos então o meu filho e comemo-lo. No outro dia, eu disse-lhe para comermos o filho dela, mas ela escondeu-o.»

30Ao ouvir isto, o rei rasgou as suas vestes de indignação e os que estavam perto da muralha viram que, por baixo das vestes, ele trazia um tecido áspero junto ao corpo6,30 Este tecido áspero junto à pele era um sinal de penitência.. 31O rei então exclamou: «Que Deus me castigue severamente, se eu não cortar hoje a cabeça a Eliseu, filho de Chafat!»

Eliseu anuncia o fim da fome

32Eliseu estava em sua casa, e os anciãos do lugar estavam lá com ele. O rei mandou à frente um mensageiro, mas, antes que o mensageiro lá chegasse, Eliseu disse aos anciãos: «Vejam isto! Aquele assassino enviou aqui alguém para me cortar a cabeça. Mas prestem atenção! Quando esse homem chegar, fechem a porta e impeçam-no de entrar, pois ouvem-se já os passos do rei, que vem atrás dele.»

33Estava Eliseu ainda a falar com eles, quando o mensageiro6,33 Ou: rei. As palavras para rei e mensageiro são idênticas em hebraico. se apresentou e disse: «Já que esta desgraça nos foi enviada pelo Senhor, que mais posso esperar dele?»

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71Eliseu respondeu: «Escutem o que o Senhor diz: “Amanhã, por esta hora, à entrada de Samaria, poder-se-ão comprar, com uma só moeda de prata, sete litros de farinha e catorze de cevada. É o Senhor quem o declara!”»

2O ajudante de campo do rei de Israel, seu íntimo colaborador, respondeu ao profeta: «Isso não seria possível, mesmo que o Senhor nos enviasse chuva em abundância7,2 Em hebraico: mesmo que o Senhor abrisse as janelas do céu.!» Eliseu respondeu: «Tu vais ver isso com os teus próprios olhos, mas não hás de comer dessa comida.»

Retirada do exército arameu

3Havia quatro leprosos instalados fora da cidade, junto da porta principal. Eles disseram uns aos outros: «Que fazemos nós aqui sentados, esperando a morte? 4Se entrarmos na cidade, morreremos, porque ali reina a fome; se ficarmos aqui, morreremos da mesma maneira. Vamos mas é para o acampamento dos arameus. Se eles nos pouparem a vida, viveremos; se nos matarem, paciência!»

5Assim ao anoitecer, dirigiram-se para o acampamento dos arameus; mas quando já estavam perto, repararam que não havia lá ninguém. 6É que o Senhor tinha feito com que os arameus ouvissem ruídos de carros de combate e de cavalos dum poderoso exército. Disseram então uns para os outros: «O rei de Israel pagou aos reis dos hititas e dos egípcios, para enviarem os seus exércitos contra nós!» 7Por isso, ao cair da noite, fugiram todos, abandonando as tendas, os cavalos e os jumentos, deixando o acampamento como estava, para escaparem com vida.

8Quando os quatro leprosos chegaram ao limite do acampamento, entraram numa tenda, comeram e beberam do que lá havia, apoderaram-se da prata, do ouro e das roupas que encontraram e foram esconder tudo. Em seguida voltaram, entraram noutra tenda e foram esconder também o que nela tinham encontrado.

Fim do cerco e da fome

9Eles disseram então uns aos outros: «Não estamos a proceder bem! Temos hoje boas notícias e ficámos calados. Se esperarmos pela manhã para dar a notícia, Deus vai castigar-nos. Vamos informar o palácio real.»

10Voltaram para a cidade de Samaria e gritaram para as sentinelas da porta principal: «Fomos ao acampamento dos arameus e não vimos nem ouvimos lá ninguém; os cavalos e os jumentos estavam presos e as tendas estavam como as instalaram.»

11As sentinelas da entrada da cidade fizeram chegar a notícia ao palácio real. 12Era de noite, mas o rei levantou-se da cama e disse aos seus oficiais: «Vou explicar-vos o que os arameus estão a preparar! Como sabem que estamos cheios de fome, deixaram o acampamento e foram esconder-se no campo, pensando que nós sairemos da cidade, para nos apanharem vivos e depois poderem entrar nela.»

13Mas um dos oficiais propôs ao rei: «Com cinco dos cavalos que nos restam, enviemos alguns homens para fazerem um reconhecimento. De qualquer modo, eles correm o risco de morrer, como todos os habitantes da cidade7,13 Texto hebraico de difícil compreensão: tradução provável.14Escolheram os homens e o rei enviou-os em dois carros para seguirem as pisadas do exército arameu, para irem ver o que se passava. 15Eles seguiram o rasto dos arameus até ao rio Jordão, e por todo o caminho viram roupas e objetos de equipamento que os arameus tinham abandonado na fuga. Voltaram, então, para a cidade e contaram tudo ao rei. 16Em seguida, o povo saiu e saqueou o acampamento aramaico. E, conforme tinha sido anunciado pelo Senhor, a farinha vendeu-se à razão de sete litros por uma moeda de prata; e a cevada, à razão de catorze litros por uma moeda de prata.

17O rei ordenou ao ajudante de campo, seu íntimo colaborador, que se encarregasse de vigiar o mercado da porta principal da cidade, mas foi espezinhado pelo povo e ali morreu, conforme o que tinha sido anunciado pelo profeta, quando o rei o foi ver. 18Eliseu tinha prevenido o rei de que, por aquelas horas, no dia seguinte, se poderiam comprar, à entrada de Samaria, com uma só moeda de prata, sete litros de farinha de trigo ou catorze litros de cevada. 19O ajudante de campo do rei tinha respondido ao profeta que isso não seria possível, mesmo que o Senhor nos enviasse chuva com abundância. E Eliseu tinha respondido que ele veria isso com os seus próprios olhos, mas que nunca comeria dessa comida. 20De facto, assim aconteceu, porque o povo o espezinhou à entrada da cidade e ele morreu.

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Fim da história da mulher de Suném

81Um dia, Eliseu disse à mulher cujo filho ele tinha ressuscitado: «Leva a tua família e vai viver para outro país, porque o Senhor anunciou uma grande fome neste país, a qual durará sete anos.» 2A mulher preparou-se e fez o que o profeta lhe tinha aconselhado: foi com a família, durante sete anos, para o país dos filisteus. 3Passado esse tempo, regressou a Israel e foi falar com o rei, para reclamar a sua casa e as suas terras. 4O rei estava a falar com Gueázi, o criado do profeta Eliseu, e tinha-lhe pedido que contasse todos os prodígios que Eliseu tinha realizado. 5Gueázi estava precisamente a contar-lhe como Eliseu tinha ressuscitado um morto, e, nesse momento, a mulher, cujo filho ressuscitara, chegou junto do rei para reclamar a sua casa e as suas terras. Então Gueázi exclamou: «Majestade, é esta a mulher e este é o seu filho, que Eliseu ressuscitou.» 6O rei fez perguntas à mulher e ela contou-lhe tudo o que aconteceu. Então o rei mandou com ela um oficial da sua confiança, a quem recomendou: «Quero que restituam a esta mulher todas as suas propriedades e lhe restituam tudo o que as suas terras produziram, desde o dia em que as deixou até agora.»

Eliseu em Damasco

7Noutra ocasião, Eliseu foi a Damasco e Ben-Hadad, o rei da Síria, estava então doente. Quando o rei soube que o profeta tinha chegado, 8disse a Hazael8,8 Hazael trabalhava provavelmente no palácio real de Damasco. Ver 1 Rs 19,15.: «Leva um presente e vai ao encontro do profeta e pede-lhe que consulte o Senhor, para saber se sobreviverei a esta doença.»

9Hazael foi ter com o profeta, levando-lhe de presente os melhores produtos de Damasco, com que carregou quarenta camelos. Apresentou-se diante de Eliseu e disse-lhe: «Ben-Hadad, rei da Síria, que te considera como um pai8,9 Em hebraico: Ben-Hadad, rei da Síria, teu filho., enviou-me para te perguntar se ele vai sobreviver da sua doença.» 10Eliseu respondeu-lhe: «Vai dizer-lhe que ele se curará desta doença, mas que o Senhor me revelou que, de qualquer modo, vai morrer.» 11De repente, Eliseu olhou fixamente para Hazael, até que este ficou perturbado e se pôs a chorar. 12Hazael perguntou: «Por que choras, meu senhor?» Eliseu respondeu: «Choro porque sei o mal que tu vais fazer aos israelitas; vais incendiar as suas cidades fortificadas, matar à espada os seus jovens, esmagar as suas criancinhas e abrir o ventre das suas mulheres grávidas.»

13Hazael perguntou: «Será este teu servo um cão, para fazer tais coisas?» Eliseu respondeu: «O Senhor revelou-me que tu vais ser rei da Síria.»

14Hazael despediu-se de Eliseu e voltou para junto do rei, seu amo, que lhe perguntou: «Que te disse Eliseu?» Hazael respondeu: «Disse-me que vais sobreviver da tua doença.» 15No dia seguinte, Hazael pegou num cobertor, ensopou-o em água, aplicou-o no rosto do rei e sufocou-o. Por morte de Ben-Hadad, rei da Síria, sucedeu-lhe no trono Hazael.

Jorão, rei de Judá

16No quinto ano do reinado de Jorão, filho de Acab, rei de Israel8,16 O texto hebraico acrescenta: reinando Josafat em Judá. As antigas traduções não incluem esta frase., subiu ao trono em Judá o filho de Josafat, chamado também Jorão. 17Tinha trinta e dois anos quando subiu ao trono e reinou oito anos, em Jerusalém. 18Seguiu os exemplos dos reis de Israel, tal como tinha feito a família de Acab, pois ele tinha casado com uma filha de Acab. O seu procedimento desagradou ao Senhor. 19Mas o Senhor não quis destruir o reino de Judá, em atenção a David, seu servo, a quem tinha prometido que lhe daria sempre um descendente para lhe suceder como rei8,19 Literalmente: tinha prometido que lhe daria para sempre uma lâmpada a seus filhos. Ver 2 Sm 7,12.16 e nota; 1 Rs 2,2 e 11,12..

20Foi durante o reinado de Jorão que o povo de Edom se revoltou contra o domínio de Judá e elegeu o seu próprio rei. 21Jorão dirigiu-se então a Seir8,21 Provavelmente uma localidade no território dos edomeus a sueste do mar Morto. O hebraico dos v. 21–22 é de difícil compreensão. com todos os seus carros de combate. Durante a noite, atacou os edomeus, que o tinham cercado na cidade, e conseguiu romper o cerco e sair, tendo todos os seus soldados regressado a casa. 22Edom tornou-se desde então independente de Judá. Na mesma ocasião, tornou-se também independente a cidade de Libna.

23O resto da história de Jorão com os seus feitos está tudo escrito no livro das Crónicas dos Reis de Judá. 24Quando Jorão morreu, foi sepultado junto dos seus antepassados na cidade de David. Por morte de Jorão, sucedeu-lhe no trono o seu filho Acazias.

Acazias, rei de Judá

25No décimo segundo ano do reinado de Jorão, filho de Acab, rei de Israel, Acazias, filho de Jorão, tornou-se rei em Judá. 26Tinha vinte e dois anos quando subiu ao trono. Reinou um ano, em Jerusalém. A sua mãe chamava-se Atália e era neta do rei Omeri, de Israel. 27Acazias fez coisas que desagradavam ao Senhor, seguindo os maus caminhos da família de Acab, pois estava ligado àquela família pelo casamento.

28O rei Acazias aliou-se ao rei Jorão, filho do rei Acab, e foram combater Hazael, rei da Síria. Os exércitos confrontaram-se em Ramot de Guilead. Jorão foi ferido em combate pelos arameus 29e regressou a Jezrael8,29 Cidade importante do reino de Israel. para se curar dos ferimentos que os arameus lhe tinham causado na guerra. Enquanto Jorão estava doente, Acazias foi a Jezrael visitá-lo.