a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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71Eliseu respondeu: «Escutem o que o Senhor diz: “Amanhã, por esta hora, à entrada de Samaria, poder-se-ão comprar, com uma só moeda de prata, sete litros de farinha e catorze de cevada. É o Senhor quem o declara!”»

2O ajudante de campo do rei de Israel, seu íntimo colaborador, respondeu ao profeta: «Isso não seria possível, mesmo que o Senhor nos enviasse chuva em abundância7,2 Em hebraico: mesmo que o Senhor abrisse as janelas do céu.!» Eliseu respondeu: «Tu vais ver isso com os teus próprios olhos, mas não hás de comer dessa comida.»

Retirada do exército arameu

3Havia quatro leprosos instalados fora da cidade, junto da porta principal. Eles disseram uns aos outros: «Que fazemos nós aqui sentados, esperando a morte? 4Se entrarmos na cidade, morreremos, porque ali reina a fome; se ficarmos aqui, morreremos da mesma maneira. Vamos mas é para o acampamento dos arameus. Se eles nos pouparem a vida, viveremos; se nos matarem, paciência!»

5Assim ao anoitecer, dirigiram-se para o acampamento dos arameus; mas quando já estavam perto, repararam que não havia lá ninguém. 6É que o Senhor tinha feito com que os arameus ouvissem ruídos de carros de combate e de cavalos dum poderoso exército. Disseram então uns para os outros: «O rei de Israel pagou aos reis dos hititas e dos egípcios, para enviarem os seus exércitos contra nós!» 7Por isso, ao cair da noite, fugiram todos, abandonando as tendas, os cavalos e os jumentos, deixando o acampamento como estava, para escaparem com vida.

8Quando os quatro leprosos chegaram ao limite do acampamento, entraram numa tenda, comeram e beberam do que lá havia, apoderaram-se da prata, do ouro e das roupas que encontraram e foram esconder tudo. Em seguida voltaram, entraram noutra tenda e foram esconder também o que nela tinham encontrado.

Fim do cerco e da fome

9Eles disseram então uns aos outros: «Não estamos a proceder bem! Temos hoje boas notícias e ficámos calados. Se esperarmos pela manhã para dar a notícia, Deus vai castigar-nos. Vamos informar o palácio real.»

10Voltaram para a cidade de Samaria e gritaram para as sentinelas da porta principal: «Fomos ao acampamento dos arameus e não vimos nem ouvimos lá ninguém; os cavalos e os jumentos estavam presos e as tendas estavam como as instalaram.»

11As sentinelas da entrada da cidade fizeram chegar a notícia ao palácio real. 12Era de noite, mas o rei levantou-se da cama e disse aos seus oficiais: «Vou explicar-vos o que os arameus estão a preparar! Como sabem que estamos cheios de fome, deixaram o acampamento e foram esconder-se no campo, pensando que nós sairemos da cidade, para nos apanharem vivos e depois poderem entrar nela.»

13Mas um dos oficiais propôs ao rei: «Com cinco dos cavalos que nos restam, enviemos alguns homens para fazerem um reconhecimento. De qualquer modo, eles correm o risco de morrer, como todos os habitantes da cidade7,13 Texto hebraico de difícil compreensão: tradução provável.14Escolheram os homens e o rei enviou-os em dois carros para seguirem as pisadas do exército arameu, para irem ver o que se passava. 15Eles seguiram o rasto dos arameus até ao rio Jordão, e por todo o caminho viram roupas e objetos de equipamento que os arameus tinham abandonado na fuga. Voltaram, então, para a cidade e contaram tudo ao rei. 16Em seguida, o povo saiu e saqueou o acampamento aramaico. E, conforme tinha sido anunciado pelo Senhor, a farinha vendeu-se à razão de sete litros por uma moeda de prata; e a cevada, à razão de catorze litros por uma moeda de prata.

17O rei ordenou ao ajudante de campo, seu íntimo colaborador, que se encarregasse de vigiar o mercado da porta principal da cidade, mas foi espezinhado pelo povo e ali morreu, conforme o que tinha sido anunciado pelo profeta, quando o rei o foi ver. 18Eliseu tinha prevenido o rei de que, por aquelas horas, no dia seguinte, se poderiam comprar, à entrada de Samaria, com uma só moeda de prata, sete litros de farinha de trigo ou catorze litros de cevada. 19O ajudante de campo do rei tinha respondido ao profeta que isso não seria possível, mesmo que o Senhor nos enviasse chuva com abundância. E Eliseu tinha respondido que ele veria isso com os seus próprios olhos, mas que nunca comeria dessa comida. 20De facto, assim aconteceu, porque o povo o espezinhou à entrada da cidade e ele morreu.

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Fim da história da mulher de Suném

81Um dia, Eliseu disse à mulher cujo filho ele tinha ressuscitado: «Leva a tua família e vai viver para outro país, porque o Senhor anunciou uma grande fome neste país, a qual durará sete anos.» 2A mulher preparou-se e fez o que o profeta lhe tinha aconselhado: foi com a família, durante sete anos, para o país dos filisteus. 3Passado esse tempo, regressou a Israel e foi falar com o rei, para reclamar a sua casa e as suas terras. 4O rei estava a falar com Gueázi, o criado do profeta Eliseu, e tinha-lhe pedido que contasse todos os prodígios que Eliseu tinha realizado. 5Gueázi estava precisamente a contar-lhe como Eliseu tinha ressuscitado um morto, e, nesse momento, a mulher, cujo filho ressuscitara, chegou junto do rei para reclamar a sua casa e as suas terras. Então Gueázi exclamou: «Majestade, é esta a mulher e este é o seu filho, que Eliseu ressuscitou.» 6O rei fez perguntas à mulher e ela contou-lhe tudo o que aconteceu. Então o rei mandou com ela um oficial da sua confiança, a quem recomendou: «Quero que restituam a esta mulher todas as suas propriedades e lhe restituam tudo o que as suas terras produziram, desde o dia em que as deixou até agora.»

Eliseu em Damasco

7Noutra ocasião, Eliseu foi a Damasco e Ben-Hadad, o rei da Síria, estava então doente. Quando o rei soube que o profeta tinha chegado, 8disse a Hazael8,8 Hazael trabalhava provavelmente no palácio real de Damasco. Ver 1 Rs 19,15.: «Leva um presente e vai ao encontro do profeta e pede-lhe que consulte o Senhor, para saber se sobreviverei a esta doença.»

9Hazael foi ter com o profeta, levando-lhe de presente os melhores produtos de Damasco, com que carregou quarenta camelos. Apresentou-se diante de Eliseu e disse-lhe: «Ben-Hadad, rei da Síria, que te considera como um pai8,9 Em hebraico: Ben-Hadad, rei da Síria, teu filho., enviou-me para te perguntar se ele vai sobreviver da sua doença.» 10Eliseu respondeu-lhe: «Vai dizer-lhe que ele se curará desta doença, mas que o Senhor me revelou que, de qualquer modo, vai morrer.» 11De repente, Eliseu olhou fixamente para Hazael, até que este ficou perturbado e se pôs a chorar. 12Hazael perguntou: «Por que choras, meu senhor?» Eliseu respondeu: «Choro porque sei o mal que tu vais fazer aos israelitas; vais incendiar as suas cidades fortificadas, matar à espada os seus jovens, esmagar as suas criancinhas e abrir o ventre das suas mulheres grávidas.»

13Hazael perguntou: «Será este teu servo um cão, para fazer tais coisas?» Eliseu respondeu: «O Senhor revelou-me que tu vais ser rei da Síria.»

14Hazael despediu-se de Eliseu e voltou para junto do rei, seu amo, que lhe perguntou: «Que te disse Eliseu?» Hazael respondeu: «Disse-me que vais sobreviver da tua doença.» 15No dia seguinte, Hazael pegou num cobertor, ensopou-o em água, aplicou-o no rosto do rei e sufocou-o. Por morte de Ben-Hadad, rei da Síria, sucedeu-lhe no trono Hazael.

Jorão, rei de Judá

16No quinto ano do reinado de Jorão, filho de Acab, rei de Israel8,16 O texto hebraico acrescenta: reinando Josafat em Judá. As antigas traduções não incluem esta frase., subiu ao trono em Judá o filho de Josafat, chamado também Jorão. 17Tinha trinta e dois anos quando subiu ao trono e reinou oito anos, em Jerusalém. 18Seguiu os exemplos dos reis de Israel, tal como tinha feito a família de Acab, pois ele tinha casado com uma filha de Acab. O seu procedimento desagradou ao Senhor. 19Mas o Senhor não quis destruir o reino de Judá, em atenção a David, seu servo, a quem tinha prometido que lhe daria sempre um descendente para lhe suceder como rei8,19 Literalmente: tinha prometido que lhe daria para sempre uma lâmpada a seus filhos. Ver 2 Sm 7,12.16 e nota; 1 Rs 2,2 e 11,12..

20Foi durante o reinado de Jorão que o povo de Edom se revoltou contra o domínio de Judá e elegeu o seu próprio rei. 21Jorão dirigiu-se então a Seir8,21 Provavelmente uma localidade no território dos edomeus a sueste do mar Morto. O hebraico dos v. 21–22 é de difícil compreensão. com todos os seus carros de combate. Durante a noite, atacou os edomeus, que o tinham cercado na cidade, e conseguiu romper o cerco e sair, tendo todos os seus soldados regressado a casa. 22Edom tornou-se desde então independente de Judá. Na mesma ocasião, tornou-se também independente a cidade de Libna.

23O resto da história de Jorão com os seus feitos está tudo escrito no livro das Crónicas dos Reis de Judá. 24Quando Jorão morreu, foi sepultado junto dos seus antepassados na cidade de David. Por morte de Jorão, sucedeu-lhe no trono o seu filho Acazias.

Acazias, rei de Judá

25No décimo segundo ano do reinado de Jorão, filho de Acab, rei de Israel, Acazias, filho de Jorão, tornou-se rei em Judá. 26Tinha vinte e dois anos quando subiu ao trono. Reinou um ano, em Jerusalém. A sua mãe chamava-se Atália e era neta do rei Omeri, de Israel. 27Acazias fez coisas que desagradavam ao Senhor, seguindo os maus caminhos da família de Acab, pois estava ligado àquela família pelo casamento.

28O rei Acazias aliou-se ao rei Jorão, filho do rei Acab, e foram combater Hazael, rei da Síria. Os exércitos confrontaram-se em Ramot de Guilead. Jorão foi ferido em combate pelos arameus 29e regressou a Jezrael8,29 Cidade importante do reino de Israel. para se curar dos ferimentos que os arameus lhe tinham causado na guerra. Enquanto Jorão estava doente, Acazias foi a Jezrael visitá-lo.

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Jeú é consagrado rei de Israel

91O profeta Eliseu chamou um dia um jovem do grupo de profetas e disse-lhe: «Prepara-te para partir. Levas este frasco de óleo e vais a Ramot de Guilead. 2Quando lá chegares, procura Jeú, filho de Josafat e neto de Nimechi. Entra onde ele se encontrar, separa-o dos seus companheiros e leva-o para outra sala. 3Pega então no frasco, derrama o óleo sobre a sua cabeça e diz: “Isto declara o Senhor: Eu te consagro como rei de Israel.” Depois abres a porta e foges logo.»

4Aquele jovem profeta foi então a Ramot de Guilead. 5Quando lá chegou, encontrou reunidos os capitães do exército e disse: «Tenho uma mensagem para ti, capitão!» E Jeú perguntou: «Qual de nós?» O profeta respondeu: «Para ti mesmo, capitão!»

6Jeú levantou-se e seguiu-o até à outra sala. Então o profeta derramou o óleo na cabeça de Jeú e disse-lhe: «Isto declara o Senhor, Deus de Israel: Eu te consagro rei do meu povo de Israel. 7Serás tu quem acabará com a descendência de Acab, teu antigo soberano; assim farei vingança pelos meus profetas e todos os meus servos, que Jezabel mandou assassinar. 8Toda a família de Acab morrerá; exterminarei de Israel todos os homens9,8 Ver nota de 1 Rs 14,10. dessa família, sejam novos ou velhos. 9Tratarei essa família como tratei a de Jeroboão, filho de Nebat, e a de Bacha, filho de Aías. 10Quanto a Jezabel, ninguém lhe dará sepultura; o seu corpo será comido pelos cães no campo de Jezrael.» Dizendo isto, o jovem profeta abriu a porta e fugiu.

11Jeú saiu e voltou para junto dos outros oficiais do rei, que lhe perguntaram: «Está tudo bem? Que te queria aquele louco?» Jeú respondeu: «Sabem bem como ele é e como fala.» 12E eles insistiram: «Não mintas, conta-nos o que foi que ele te disse!» Então Jeú respondeu: «Pois o que ele me disse foi o seguinte: “Isto declara o Senhor: Eu te consagro rei de Israel!”»

13Então os outros oficiais estenderam imediatamente as suas capas aos pés de Jeú, formando um degrau para ele se sentar e, ao toque da trombeta, gritaram: «Viva o rei Jeú!»

Jeú mata Jorão, rei de Israel

14Por essa ocasião, o exército de Israel protegia a cidade de Ramot de Guilead contra Hazael, rei da Síria. 15Mas o rei Jorão foi ferido em combate pelos arameus e regressou a Jezrael, para se curar dos ferimentos, encontrando-se de cama.

Jeú, filho de Josafat e neto de Nimechi conspirou contra Jorão e disse aos outros oficiais: «Se estão prontos a apoiar-me, assegurem-se de que ninguém saia de Ramot para ir avisar o povo de Jezrael do que se passou aqui.» 16Então Jeú subiu para o seu carro de combate e partiu para Jezrael, onde Jorão se encontrava doente na cama e recebia a visita de Acazias, rei de Judá. 17A sentinela da torre de Jezrael, vendo aproximar-se a escolta de Jeú, bradou: «Vêm lá homens a cavalo!» Então o rei Jorão ordenou: «Enviem alguém a cavalo para lhes perguntar se vêm em paz.»

18Um cavaleiro saiu ao encontro deles e disse: «O rei manda perguntar se vêm com intuitos de paz.» Jeú respondeu: «Isso não é da tua conta! Segue atrás de mim!»

Então a sentinela anunciou: «O mensageiro chegou junto deles, mas não voltou!» 19Jorão enviou um segundo cavaleiro, que chegou junto deles e disse: «O rei manda perguntar se vêm com intuitos de paz!» Jeú respondeu: «Isso não é da tua conta! Segue atrás de mim!»

20A sentinela informou de novo: «O segundo mensageiro chegou junto deles, mas não voltou! Pelo modo de conduzir o carro, parece ser Jeú, neto de Nimechi; ele conduz como um louco!»

21O rei Jorão ordenou então: «Preparem o meu carro!» Atrelaram os cavalos ao carro do rei de Israel e ele partiu com Acazias, rei de Judá, cada um no seu carro, ao encontro de Jeú. Encontraram-no no campo de Nabot de Jezrael. 22Ao ver Jeú, o rei Jorão perguntou-lhe: «Vens em paz, Jeú?» Jeú respondeu: «Como pode haver paz, enquanto a tua mãe, Jezabel, continuar com as suas práticas de feitiçaria e idolatria?»

23Jorão deu meia-volta e fugiu, gritando a Acazias: «É uma traição, Acazias!» 24Jeú pegou no arco e disparou uma flecha contra Jorão, atingiu-o nas costas e atravessou-lhe o coração. O rei caiu logo morto no seu carro 25e Jeú disse a Bidcar, seu ajudante de campo: «Tira o corpo daí e lança-o no campo que era de Nabot de Jezrael. Lembra-te de que, quando tu e eu cavalgávamos juntos atrás do rei Acab, pai do rei Jorão, o Senhor pronunciou contra Acab a seguinte ameaça: 26“Assim como ontem vi o assassínio de Nabot e dos seus filhos, assim te castigarei por isso, neste mesmo campo. Palavra do Senhor!”» Por isso, ordenou Jeú ao seu ajudante de campo: «Pega no corpo de Jorão e atira-o para o campo que pertencia a Nabot, para que se cumpra a palavra do Senhor

Jeú mata Acazias, rei de Judá

27O rei Acazias, quando viu o que aconteceu, fugiu no seu carro para a cidade de Bet-Gan. Jeú perseguiu-o, gritando: «Matem-no também!» Os homens de Jeú feriram-no no seu carro, na subida de Gur, perto de Jiblam9,27 Bet-Gan e Jiblam são duas localidades vizinhas, 12 km a sul de Jezrael. A estrada de Jezrael para Meguido passava por Bet-Gan., mas ele conseguiu fugir para Meguido e ali mesmo morreu. 28Os seus oficiais levaram o corpo para Jerusalém, no seu carro, e sepultaram-no junto dos seus antepassados, na cidade de David.

29Acazias tinha subido ao trono em Judá no décimo primeiro ano do reinado de Jorão, filho de Acab, rei de Israel9,29 Este versículo repete a informação já dada em 8,25..

Morte de Jezabel

30Jeú dirigiu-se então para a cidade de Jezrael. Jezabel, informada do que tinha acontecido, pintou sombras em volta dos olhos, arranjou o cabelo e pôs-se à janela do palácio. 31Quando Jeú entrou na porta principal, ela disse-lhe: «Como vais, Zimeri, assassino do teu senhor9,31 Chamando Jimeri a Jeú, Jezabel alude ironicamente à personagem mencionada em 1 Rs 16,9–15, que assassinou o rei Elá e os seus descendentes, para reinar em seu lugar.32Jeú olhou para a janela e perguntou: «Quem está do meu lado?» Dois ou três oficiais do palácio olharam para ele da janela 33e Jeú ordenou-lhes: «Atirem-na daí abaixo!» Eles atiraram então Jezabel pela janela. Ela caiu e o seu sangue salpicou a muralha e os cavalos, e Jeú passou por cima do corpo dela. 34Jeú entrou no palácio, comeu e bebeu e disse aos seus companheiros: «Vão lá sepultar essa maldita mulher, porque é de sangue real.»

35Eles saíram para a ir enterrar, mas dela só encontraram o crânio, as mãos e os pés. 36Foram dar a notícia a Jeú e ele disse: «Já o Senhor tinha anunciado, por meio do seu servo Elias de Tisbé, que assim iria acontecer. Ele disse que no campo de Jezrael os cães devorariam a carne de Jezabel9,36 Ver 1 Rs 21,23. 37e o seu cadáver seria espalhado como esterco, de modo que ninguém conseguiria reconhecer os seus restos mortais.»