a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Em Icónio

141Na cidade de Icónio, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga e falaram de tal maneira que muitos dos judeus e dos que não eram judeus creram no Senhor. 2Mas os judeus que não acreditaram fizeram com que os não-judeus se voltassem contra os irmãos. 3Paulo e Barnabé ficaram muito tempo em Icónio e falavam corajosamente a respeito do Senhor. E o Senhor confirmava o que eles diziam sobre a graça de Deus, dando-lhes poder para fazerem sinais milagrosos e prodígios. 4O povo da cidade estava dividido. Uns eram a favor dos judeus e outros a favor dos apóstolos. 5Então judeus e não-judeus, juntamente com os seus chefes, resolveram maltratar e apedrejar os apóstolos. 6Quando Paulo e Barnabé se aperceberam disso, refugiaram-se em Listra e Derbe, cidades da região de Licaónia, e nos seus arredores. 7Ali pregavam a boa nova.

Em Listra e Derbe

8Havia em Listra um homem que estava sempre sentado, porque era coxo de nascença, e nunca tinha andado. 9Este homem estava a ouvir as palavras de Paulo. Então Paulo olhou bem para ele, viu que tinha fé para ser curado, 10e disse em voz alta: «Levanta-te e põe-te direito sobre os teus pés!» De um salto o homem começou a andar. 11Ao ver o que Paulo tinha feito, o povo pôs-se a gritar, na língua de Licaónia: «São deuses em forma de homem, que nos vieram visitar!» 12Diziam que Barnabé era o deus Zeus e Paulo o deus Hermes14,12 Zeus. Júpiter para os romanos, era o pai dos deuses. Hermes. Mercúrio para os romanos, era o mensageiro dos deuses., porque era Paulo quem falava. 13O templo de Zeus era em frente da cidade. Por isso, o sacerdote desse deus trouxe bois e grinaldas de flores para a porta da cidade. Queriam adorá-los com um sacrifício de animais. 14Mas quando os apóstolos souberam disto, rasgaram as suas roupas, em sinal de indignação, correram para o meio da multidão e gritaram: 15«Amigos! O que é que estão a fazer? Nós somos apenas homens, gente como vós! Estamos aqui para vos anunciar o evangelho, a fim de que deixem essas coisas que não servem para nada e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16Noutro tempo, Deus deixou que todos os povos vivessem cada um à sua maneira, 17embora sempre lhes mostrasse quem ele é por meio do bem que lhes fazia. É ele quem manda as chuvas e as colheitas no tempo próprio, e vos dá aquilo de que precisam para comer e para se alegrarem.»

18Mesmo depois de dizerem isto, tiveram dificuldade em impedir que o povo sacrificasse os animais em sua honra.

19Entretanto, chegaram alguns judeus de Antioquia e de Icónio que convenceram a multidão. Apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que já estava morto. 20Mas quando os discípulos se juntaram à sua volta, ele levantou-se e entrou outra vez na cidade. No dia seguinte, Paulo foi com Barnabé para Derbe.

Regresso a Antioquia da Síria

21Pregaram o evangelho na cidade de Derbe e conseguiram fazer lá muitos discípulos. Depois voltaram para Listra, Icónio e Antioquia da Pisídia, 22onde animavam os crentes e lhes recomendavam que continuassem firmes na fé, ensinando-lhes que era preciso passar muitos sofrimentos até entrar no reino de Deus. 23Também elegeram presbíteros em cada igreja. Depois de orarem e jejuarem, pediram para eles a proteção do Senhor, em quem tinham posto a sua fé.

24Mais tarde atravessaram a região da Pisídia e chegaram à Panfília. 25Pregaram a mensagem de Deus na cidade de Perga e foram para o porto de Atália. 26Dali embarcaram para Antioquia da Síria, cidade onde tinham sido confiados à graça de Deus, para a obra que agora tinham terminado. 27Quando lá chegaram, reuniram os membros da igreja e contaram tudo o que Deus tinha feito por meio deles e como ele abriu aos pagãos as portas da fé. 28E ficaram ali muito tempo com os irmãos.

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Assembleia de Jerusalém

151Então alguns homens, que foram da Judeia para Antioquia, começaram a ensinar isto aos irmãos: «Se não receberem a circuncisão, como manda a Lei de Moisés, não podem ser salvos.» 2Paulo e Barnabé não estavam de acordo e estabeleceu-se uma grande discussão entre eles. Ficou então resolvido que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém tratar do assunto com os apóstolos e os presbíteros da igreja nessa cidade. 3E assim foram enviados pela igreja de Antioquia. Ao passarem pelas regiões da Fenícia e da Samaria, contaram como os pagãos se tinham tornado crentes em Deus. Esta notícia deu muita alegria a todos os irmãos.

4Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros. Então Paulo e Barnabé contaram-lhes tudo o que Deus tinha feito por meio deles. 5Porém, alguns membros do grupo dos fariseus, que se tinham tornado crentes, levantaram-se e disseram: «É necessário circuncidar os crentes que não são judeus e fazê-los obedecer à Lei de Moisés.» 6Os apóstolos e os anciãos reuniram-se para estudarem o assunto. 7Após grande debate, Pedro levantou-se e disse: «Sabem muito bem, irmãos, que desde os primeiros dias Deus me escolheu de entre vós para que os não-judeus ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e também eles pudessem receber a fé. 8E Deus, que conhece o coração de todos, mostrou-se favorável para com eles dando-lhes o Espírito Santo, assim como o tinha dado a nós. 9Deus não fez nenhuma diferença entre nós e eles pois perdoou-lhes também os pecados, por meio da fé. 10Sendo assim, por que é que querem provocar Deus, obrigando agora estes discípulos a fazerem uma coisa que nem nós nem os nossos antepassados conseguimos suportar? 11Ora nós cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, tal como eles.»

12Todos se calaram, e assim ouviram Paulo e Barnabé contar todos os sinais milagrosos e prodígios que Deus tinha feito por meio deles, entre os que não eram judeus. 13Quando acabaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: «Meus irmãos, escutem: 14Simão Pedro acabou de nos explicar como Deus, desde o princípio, mostrou o seu cuidado em escolher entre as nações um povo para si mesmo. 15Isto está de acordo com o que os profetas escreveram. A Sagrada Escritura diz:

16Depois disto, voltarei

para levantar outra vez a casa de David, que está caída;

levantarei as suas ruínas e hei de pô-la de pé,

17para que os outros povos procurem o Senhor,

bem como todas as nações que eu chamei para serem minhas.

Assim diz o Senhor,

18que deu a conhecer estas coisas

desde os tempos antigos15,18 Ver Am 9,11–12 segundo a antiga tradução grega..

19Por isso, a minha opinião é que não devemos causar dificuldades aos crentes não-judeus. 20Basta escrever-lhes para que não comam carne de animais oferecidos aos ídolos, nem de animais estrangulados, nem o seu sangue, nem pratiquem a imoralidade. 21Porque a Lei de Moisés é anunciada em todas as cidades desde os tempos antigos, e é lida todos os sábados nas sinagogas

Carta às igrejas

22Então os apóstolos e presbíteros, com toda a igreja de Jerusalém, resolveram eleger de entre eles alguns homens e mandá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia. Foram eleitos Judas, também chamado Barsabás, e Silas15,22 Silas. Companheiro de missão de Paulo (15,40—18,5), é identificado com Silvano e referido em 1 Ts 1,1; 2 Ts 1,1; 2 Co 1,19; 1 Pe 5,12., homens com responsabilidade na vida da igreja. 23Mandaram por eles uma carta que dizia:

«Nós os apóstolos e os irmãos presbíteros enviamos saudações aos nossos irmãos não-judeus, que vivem em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia.

24Soubemos que alguns que daqui foram criaram-vos problemas com o que disseram. Eles porém não tinham a nossa autorização para fazer isso. 25Por esse motivo, juntámo-nos todos e resolvemos escolher alguns representantes e mandá-los ter convosco. Eles vão com os nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26homens que têm arriscado as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27Enviamos, pois, Judas e Silas que vos confirmarão pessoalmente aquilo que estamos a escrever-vos. 28Porque ao Espírito Santo e nós pareceu-nos bem não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são mesmo necessárias: 29não comam carne de animais oferecidos aos ídolos, nem sangue, nem carne de animais estrangulados, nem pratiquem a imoralidade. Se evitarem essas coisas, fazem bem. Saudações!»

30Então os representantes despediram-se e partiram para Antioquia. Reuniram-se lá com os crentes e entregaram a carta. 31Estes, depois de a lerem, ficaram muito contentes com as suas palavras de exortação. 32Judas e Silas, que também eram profetas, falaram aos crentes durante muito tempo, dirigindo-lhes palavras de exortação e encorajamento. 33Após terem passado com eles algum tempo, despediram-se dos irmãos, que lhes desejaram boa viagem, e partiram para junto dos que os tinham enviado. 34[Mas Silas resolveu lá ficar15,34 Estas palavras não se encontram em alguns manuscritos antigos..] 35Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia e, juntamente com muitos outros, continuaram a ensinar e a pregar a boa nova da palavra do Senhor.

Paulo e Barnabé separam-se

36Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: «Vamos outra vez visitar os irmãos em todas as cidades onde anunciámos a palavra do Senhor. Vamos ver como é que eles estão.» 37Barnabé queria que João Marcos fosse com eles. 38Mas Paulo era de opinião de que não deviam levar por companheiro aquele que os tinha abandonado na região da Panfília, em vez de continuar com eles até ao fim da viagem. 39Tiveram uma discussão tal que se separaram cada um para o seu lado. Barnabé levou João Marcos e embarcou com ele para a ilha de Chipre. 40Paulo escolheu Silas e partiu com ele, depois de os irmãos o terem confiado à graça do Senhor. 41Percorrendo a Síria e a Cilícia, Paulo fortalecia a fé das igrejas.

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Timóteo acompanha Paulo e Silas

161Paulo chegou às cidades de Derbe e Listra. Havia lá um crente chamado Timóteo, filho duma judia cristã, mas de pai grego. 2Todos os crentes de Listra e de Icónio diziam muito bem dele. 3Paulo queria levar Timóteo e por isso mandou-o circuncidar. Fez isto por causa dos judeus que viviam naquela região, e todos sabiam que o pai de Timóteo era grego. 4Por todos os lugares por onde passavam, comunicavam aos crentes as decisões que os apóstolos e os presbíteros de Jerusalém tinham tomado, e aconselhavam-nos a cumpri-las. 5Assim, as igrejas iam-se tornando mais firmes na fé e o número de cristãos aumentava de dia para dia.

Paulo sente-se chamado à Europa

6Paulo e Silas percorreram a região da Frígia e Galácia, uma vez que o Espírito Santo não os deixou pregar a palavra de Deus na província da Ásia. 7Quando chegaram à fronteira de Mísia, tentaram ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não os deixou. 8Atravessaram então a Mísia e foram até ao porto de Tróade. 9Durante a noite, Paulo teve uma visão. Viu um homem da Macedónia, de pé, que lhe pedia: «Vem à Macedónia ajudar-nos!» 10Logo a seguir à visão de Paulo, preparámo-nos para partir imediatamente para a Macedónia, convencidos de que Deus nos estava a chamar para lá irmos anunciar o evangelho.

Em Filipos

11Embarcámos, por isso, em Tróade e fomos diretamente até à ilha de Samotrácia. No outro dia, chegámos ao porto de Neápoles. 12Dali seguimos para Filipos, que é uma colónia romana e a cidade mais importante desta parte da Macedónia. Passámos lá alguns dias. 13No sábado, saímos da cidade e fomos para a beira do rio, a um lugar onde pensávamos que os judeus costumavam ir orar. Sentámo-nos ali e começámos a conversar com as mulheres que ali estavam reunidas. 14Uma delas, chamada Lídia, ouvia-nos com muita atenção. Era comerciante de tecidos finos e natural da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e o Senhor abriu-lhe o entendimento para compreender o que Paulo dizia. 15Ela e as pessoas da sua família foram batizadas. Então Lídia fez-nos este pedido: «Se acham que eu realmente creio no Senhor, venham ficar a minha casa.» E insistiu para lá ficarmos.

Paulo e Silas na prisão

16Certo dia, quando íamos a caminho do lugar de oração, veio ao nosso encontro uma rapariga que tinha um espírito mau que adivinhava. Como era escrava, os donos ganhavam muito dinheiro com as suas adivinhações. 17A rapariga começou a seguir atrás de Paulo e de nós, gritando: «Estes homens são servos do Deus altíssimo e vêm mostrar-vos o caminho da salvação.» 18Fez isto durante vários dias. Então Paulo, já irritado, virou-se para ela e disse àquele espírito: «Em nome de Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela!» E no mesmo instante, o espírito saiu. 19Quando os donos da escrava viram que já não podiam fazer mais negócio com as adivinhações, agarraram Paulo e Silas e levaram-nos à praça pública, à presença das autoridades. 20Quando os apresentaram aos oficiais romanos, disseram: «Estes homens andam a perturbar a nossa cidade. 21Como são judeus, ensinam costumes que nós, romanos, não podemos aceitar nem praticar.» 22Então a multidão levantou-se contra eles e os oficiais deram ordens para lhes tirarem as roupas e os castigarem. 23Bateram-lhes muito e depois meteram-nos na cadeia, dando ordens ao carcereiro para os guardarem com toda a segurança. 24O carcereiro, quando recebeu esta ordem, levou-os para o fundo da cadeia e prendeu-lhes os pés a um cepo de madeira. 25Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, enquanto os outros presos os escutavam. 26De repente, o chão tremeu tanto que abalou os alicerces da prisão. Nisto, todas as portas se abriram e as correntes que prendiam os presos soltaram-se. 27O carcereiro acordou e, quando viu que as portas da prisão estavam abertas, puxou da espada para se matar, porque pensou que os presos tinham fugido. 28Mas Paulo gritou-lhe bem alto: «Não faças isso! Estamos todos aqui!» 29Então o carcereiro pediu uma luz, entrou a correr e, todo a tremer, curvou-se aos pés de Paulo e de Silas. 30Depois levou-os para fora e perguntou: «Senhores, o que é que eu devo fazer para ser salvo?» 31«Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua família», responderam eles. 32E anunciaram então a palavra do Senhor ao carcereiro e a todos os que estavam em sua casa. 33Mesmo àquela hora da noite, o carcereiro levou-os da cadeia para lhes tratar das feridas. Logo a seguir, ele e toda a sua família foram batizados. 34Levou por fim Paulo e Silas para sua casa e deu-lhes de comer. Tanto o carcereiro como a sua família ficaram muito contentes por terem crido em Deus.

Libertação de Paulo e Silas

35Quando amanheceu, os oficiais romanos mandaram os seus guardas dizer ao carcereiro para os soltar. 36O carcereiro disse a Paulo: «Os oficiais mandaram-me soltar-vos. Por isso, podem sair em paz.» 37Mas Paulo respondeu aos guardas: «Mandaram castigar-nos em público, sem sermos julgados — nós que somos cidadãos romanos! Depois meteram-nos na cadeia e agora querem soltar-nos às escondidas? Isso não! Que venham os próprios oficiais romanos tirar-nos daqui16,37 O direito romano (lex Porcia) proibia aos magistrados submeter um cidadão romano à flagelação. Sobre a cidadania romana de Paulo, ver 22,25–29; 23,27.» 38Os guardas foram dizer isso aos oficiais. E quando estes souberam que Paulo e Silas eram cidadãos romanos, ficaram assustados. 39Foram pessoalmente pedir-lhes desculpa, puseram-nos em liberdade e rogaram-lhes que saíssem da cidade. 40Paulo e Silas saíram da prisão e foram a casa de Lídia. Depois de verem os irmãos e de os encorajarem, foram-se embora.