a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Segunda visão: o carneiro e o bode

81«No terceiro ano do reinado de Baltasar8,1 A partir de 8,1 o texto original encontra-se novamente em hebraico. Ver nota a 2,4., eu, Daniel, tive uma segunda visão, depois daquela que tinha acontecido anteriormente. 2E o que vi foi o seguinte: eu encontrava-me na cidade fortificada de Susa, na província de Elam; estava em pé, na margem do rio Ulai. 3Olhei para a margem do rio e vi um carneiro que estava ali de pé com dois chifres compridos, e o último a nascer era o mais comprido dos dois8,3 Dois chifres de carneiro. Simbolizam os impérios meda e persa.. 4O carneiro dava marradas para ocidente, para o norte e para o sul. Nenhum animal podia detê-lo nem fugir ao seu domínio. Fazia o que lhe aprazia e crescia em arrogância.

5Enquanto eu procurava entender o significado disto, surgiu um bode do ocidente, a correr com tanta velocidade que os pés não tocavam no chão. Ele tinha um chifre proeminente entre os olhos8,5 Bode. Simboliza o reino grego sob Alexandre Magno.. 6Dirigiu-se para o carneiro com os dois chifres, que eu vira à beira do rio, e precipitou-se sobre ele com toda a força. 7Vi-o atacar o carneiro. Estava tão furioso que arremeteu contra ele, partindo-lhe logo os dois chifres. O carneiro era incapaz de lhe resistir, pelo que foi atirado ao chão e pisado. E não houve ninguém para o socorrer. 8O bode tornou-se cada vez mais arrogante; porém no auge da sua força, o chifre partiu-se. Em seu lugar, surgiram quatro chifres proeminentes, cada um apontando em direção aos quatro pontos cardeais8,8 Após a morte de Alexandre, com a idade de 33 anos, sucederam-lhe quatro generais..

9De um destes chifres cresceu um outro chifre pequeno, cujo poder se estendia para o sul, para o oriente, e em direção à terra querida8,9 Terra querida. Referência evidente à terra de Israel.. 10Tornou-se tão poderoso que podia atacar o exército do céu, as próprias estrelas8,10 Ver Ap 12,4.. Com efeito atirou algumas delas para o chão e pisou-as. 11Até desafiou o comandante do exército do céu, acabando com as ofertas diárias8,11 Sobre estas ofertas diárias, ver Ex 29,38–42; Nm 28,3–8. que lhe eram oferecidas e destruiu o santuário. 12O povo pecava por não apresentar as ofertas diárias devidas; a religião verdadeira estava por terra. Aquele chifre apresentava-se cada vez mais vitorioso8,12 Texto hebraico de difícil compreensão..

13Então ouvi um santo perguntar ao outro: “Estas coisas que vi em visão, por quanto tempo vão continuar? Por quanto tempo este horrível pecado substituirá as ofertas diárias? Por quanto tempo será espezinhado o exército do céu e o santuário?” 14Ouvi o outro santo responder: “Assim será por duas mil e trezentas tardes e manhãs. Depois o santuário será purificado.”»

O anjo Gabriel explica a visão

15«Procurava eu, Daniel, descobrir o significado daquela visão, quando subitamente alguém apareceu diante de mim. 16Ouvi uma voz que chamava das bandas do rio Ulai: “Gabriel, explica-lhe o significado do que ele viu.” 17Quando Gabriel se aproximou de mim, fiquei cheio de medo e caí no chão. Ele disse-me: “Procura compreender, ó homem, o significado daquilo que viste. A visão diz respeito ao fim dos tempos.” 18Enquanto ele falava comigo, adormeci profundamente com o meu rosto voltado para o chão. Mas ele segurou-me e pôs-me de pé outra vez, 19dizendo: “Vou-te mostrar as consequências da ira de Deus. A visão refere-se ao fim dos tempos. 20O carneiro que tu viste, e que tinha dois chifres, representa os reinos da Média e da Pérsia. 21O bode simboliza o reino da Grécia e o chifre proeminente entre os seus olhos representa o seu primeiro rei. 22Os quatro chifres que apareceram, quando o primeiro foi quebrado, representam os quatro reinos em que essa nação será dividida e que não serão tão fortes como o primeiro reino. 23Quando se aproximar o fim desses reinos, e a sua maldade for tão grande que devam ser castigados, surgirá um rei tirano e astuto. 24Será poderoso à custa dos outros. Sairá vitorioso em todos os seus empreendimentos e estará na origem da terrível destruição de nações poderosas e do próprio povo dos santos. 25Pela sua habilidade, terá êxito e enganará a muitos. Será cheio de orgulho e matará muita gente, sem ser provocado. Chegará mesmo a desafiar o Príncipe dos príncipes, mas será morto sem nenhuma intervenção humana. 26A visão acerca dos sacrifícios da tarde e da manhã foi-te explicada e será cumprida. Contudo, por agora, guarda-a em segredo, porque ainda falta muito tempo até que se torne realidade.”

27Fiquei deprimido e doente durante vários dias, findos os quais me levantei e voltei para o trabalho que o rei me dera a fazer, não sem ficar intrigado com a visão, cujo significado eu não compreendia.»

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Daniel ora pelo seu povo

91«Dario, filho de Xerxes, da dinastia dos medos, foi reis dos caldeus. 2No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, pus-me a estudar os livros sagrados e a meditar nos setenta anos, durante os quais Jerusalém ficaria em ruínas, segundo aquilo que o Senhor comunicou ao profeta Jeremias. 3Então jejuei, vesti roupas grosseiras e sentei-me na cinza, em sinal de penitência, orando e suplicando com fervor ao Senhor Deus. 4Orei ao Senhor, meu Deus, e confessei os pecados do meu povo dizendo:

“Senhor Deus, tu és grande e infundes respeito. Tu cumpriste a aliança que fizeste e mostraste constante amor para com os que te amam e obedecem aos teus mandamentos. 5Pecámos, procedemos mal, fomos culpados. Rejeitámos as tuas ordens e afastámo-nos dos caminhos direitos que nos mostraste. 6Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis e governantes, aos nossos antepassados e a toda a nação, em geral. 7Tu, Senhor, és justo! Mas nós que vivíamos na Judeia e em Jerusalém, nós os israelitas que espalhaste pelos países vizinhos e longínquos, estamos ainda hoje cheios de vergonha por causa da nossa infidelidade para contigo.

8Sim, ó Senhor! Estamos cheios de vergonha! Nós, os nossos reis e governantes e os nossos antepassados. Procedemos vergonhosamente e pecámos contra ti! 9Mas o Senhor nosso Deus é compassivo e quer perdoar, embora nos tenhamos revoltado contra ele. 10Não te demos ouvidos, Senhor, nosso Deus, quando nos mandaste viver segundo as leis que nos deste, por meio dos teus servos, os profetas. 11Todo o povo de Israel transgrediu as tuas leis e recusou dar ouvidos ao que disseste. Pecámos contra ti, e por isso fizeste cair sobre nós as maldições mencionadas na Lei de Moisés9,11 Ver Lv 26,14–39; Dt 28,15–68., teu servo. 12Cumpriste as tuas ameaças contra nós e contra os nossos governantes. Eles contribuíram para que esta desgraça caísse sobre nós. Castigaste Jerusalém mais do que qualquer outra cidade do mundo, 13fazendo-nos sofrer o castigo escrito na Lei de Moisés. Tudo isto caiu sobre nós. E mesmo agora, Senhor, nosso Deus, não procurámos agradar-te, arrependendo-nos dos nossos pecados e seguindo a tua verdade. 14Tu, Senhor nosso Deus, estavas pronto a castigar-nos e castigaste-nos realmente, porque sempre procedes com justiça e nós não te demos ouvidos.

15Ó Senhor, nosso Deus, tu mostraste o teu poder, quando tiraste o teu povo para fora do Egito. Sim, ainda hoje nos lembramos desse teu poder. Mas pecámos e fizemos mal. 16Ó Senhor, nós sabemos que tu és justo! Não te zangues mais com Jerusalém, que é a tua cidade, o teu monte santo. Os habitantes das terras vizinhas desprezam agora Jerusalém e o teu povo, por causa dos nossos pecados e do mal que os nossos antepassados fizeram. 17Ó Deus, ouve a oração e a súplica deste teu servo. Por favor! Olha com bondade para o teu templo, que foi destruído! 18Meu Deus, ouve-nos; olha para nós e repara na nossa aflição e no sofrimento por que está a passar a cidade que te pertence. Fazemos-te este pedido, porque tu és um Deus de misericórdia, não porque tenhamos procedido bem. 19Senhor, ouve-nos! Senhor, perdoa-nos! Senhor, escuta-nos e faz alguma coisa. Para que toda a gente saiba que tu és Deus. Não te demores, pois esta cidade e este povo são teus.”»

Interpretação da profecia de Jeremias

20«Continuei a orar, confessando os meus pecados e os pecados do meu povo, Israel, e intercedendo junto do Senhor, meu Deus, a favor do seu santo monte9,20 A colina do templo de Jerusalém.. 21Enquanto eu assim orava, o anjo Gabriel, que eu vira na visão anterior, desceu voando até onde me encontrava, à hora da oferta da tarde, 22e, em jeito de explicação disse-me:

“Daniel, eu vim para te ajudar a compreender a profecia. 23Quando começaste a dirigir a Deus a tua súplica, ele decidiu responder-te. Ele ama-te e eu vim para te dar a resposta. Presta pois atenção ao que te vou explicar sobre a visão.

24Setenta semanas9,24 O termo semana figura aqui não como um período de sete dias, mas de anos. é o espaço de tempo que Deus determinou para libertar o teu povo e a tua cidade santa do pecado e do mal, para que os pecados sejam perdoados e reine a justiça para sempre, para que a visão e a profecia se cumpram e o santuário seja de novo consagrado. 25Toma nota e compreende o seguinte: desde o momento em que foi pronunciada a mensagem sobre o fim do exílio e a reconstrução de Jerusalém, até que venha um chefe que Deus escolheu, passarão sete semanas9,25 Para comparar com a mensagem de Jeremias, ver Jr 25,11–12; 29,10.. Jerusalém será reconstruída, tanto as ruas como as muralhas, e ficará de pé durante sessenta e duas semanas; todavia, este será um tempo cheio de dificuldades. 26Depois das sessenta e duas semanas, alguém escolhido de Deus será morto, embora inocente. A cidade e o templo serão destruídos por um exército invasor, comandado por um chefe poderoso. O fim virá, qual enxurrada, trazendo consigo a guerra e a destruição, conforme foi decidido por Deus. 27Esse chefe fará um acordo, durante uma semana, com muitos dentre o povo; e durante meia semana, ele fará com que os sacrifícios e as ofertas terminem. O ídolo abominável9,27 Trata-se de uma imagem pagã colocada em Jerusalém pelos invasores. será colocado na parte mais elevada do templo, onde permanecerá, até que aquele que o colocou lá tenha o fim que Deus lhe destinou.”»

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Terceira visão: um homem vestido de linho

101No terceiro ano do reinado de Ciro, da Pérsia, foi revelada uma mensagem a Daniel, que também se chama Beltechaçar. A mensagem era verdadeira e fazia prever grandes dificuldades10,1 Literalmente: um grande exército.. Numa visão, Daniel compreendeu o seu significado, depois de profunda reflexão.

2Nessa altura, encontrava-me eu de luto de três semanas. 3Não comi manjares delicados, nem carne, nem bebi vinho, nem usei perfumes, antes de terminarem as três semanas. 4No vigésimo quarto dia do primeiro mês do ano, encontrava-me de pé na margem do imponente rio Tigre, 5quando vi uma pessoa vestida de roupa de linho, que tinha um cinto de ouro puro de Ufaz. 6O seu corpo brilhava como uma pedra preciosa. O seu rosto era tão resplandecente como um relâmpago, e os seus olhos pareciam de fogo. Tinha braços e pernas que luziam como se fossem de bronze polido, e a sua voz ressoava como o clamor duma grande multidão10,6 Ver Ap 1,13–15; 2,18; 19,12.. 7Só eu, Daniel, fui testemunha desta visão. Os que se encontravam comigo não viram nada, mas ficaram cheios de medo e fugiram para se esconder. 8Estava sozinho, a observar esta visão estranha. Senti-me sem forças; o meu rosto ficou desfigurado e eu fiquei transtornado e sem coragem. 9Quando ouvi a sua voz, caí por terra, inconsciente, de rosto para baixo.

10Em seguida, uma mão segurou-me e fez-me pôr de joelhos apoiado nas mãos, a tremer. 11O anjo disse-me: «Daniel, Deus ama-te. Levanta-te e presta atenção ao que te vou dizer. Fui enviado para vir ter contigo.» Ao ouvi-lo pronunciar estas palavras, levantei-me ainda a tremer. 12Ele disse ainda: «Daniel, não tenhas medo! Deus ouviu as tuas orações, desde o primeiro dia que tomaste a decisão de fazer penitência, a fim de obteres a explicação do que se passa. E eu vim em resposta à tua oração. 13O anjo protetor do reino da Pérsia opôs-se-me durante vinte e um dias. Então Miguel10,13 Miguel. Ver v. 21; Jd v. 9; Ap 12,7., um dos chefes dos anjos, veio em meu auxílio, porque eu ficara só na Pérsia. 14Vim para te explicar o que vai acontecer ao teu povo no futuro. Pois, esta visão tem a ver com o futuro.»

15Quando proferiu estas palavras, fiquei a olhar para o chão, sem poder abrir a boca. 16Então um outro ser que tinha o aspeto duma pessoa, estendeu a sua mão e tocou nos meus lábios. Eu consegui abrir a boca e disse-lhe: «Senhor, esta visão fez-me sentir tão fraco que não consigo deixar de tremer. 17Pareço um escravo diante do seu Senhor. Como poderei falar contigo? Sinto-me sem forças e até me falta o ar.» 18Uma vez mais, ele me amparou e senti-me com mais forças. 19Ele disse-me: «Deus ama-te, não te deixes desfalecer nem atemorizar. Fica tranquilo!» Após estas palavras, senti que as forças me voltavam e pedi: «Senhor, diz-me o que tens para me dizer. Já me sinto melhor.» 20Ele perguntou-me: «Sabes por que vim ter contigo? É que tenho de voltar a enfrentar o príncipe da Pérsia. Depois de eu sair vem o príncipe da Grécia. 21Mas quero revelar-te o que está escrito no livro da verdade. E mais ninguém está comigo para os enfrentar, a não ser Miguel, vosso príncipe.»