a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
20

Leis sobre a guerra

201«Quando tiveres que entrar em guerra contra os teus inimigos e vires uma quantidade de carros e cavalos muito superior à tua, não tenhas medo deles. O Senhor, teu Deus, está contigo; ele é que te fez sair do Egito.

2Quando estiver mesmo a começar a batalha, o sacerdote deve aproximar-se para falar ao povo. 3Então diz-lhes: “Escuta Israel, hoje vais entrar em guerra contra os vossos inimigos. Não se acobardem, nem tenham medo; não tremam, nem se perturbem diante deles. 4O Senhor, vosso Deus, vai ao vosso lado e vai combater contra os vossos inimigos, para vos dar a vitória.”

5Por sua vez, os oficiais falarão também ao povo deste modo: “Se alguém construiu uma casa nova e não a inaugurou volte para sua casa, pois pode morrer na batalha e outro é que a iria inaugurar. 6Se alguém plantou uma vinha e ainda não a vindimou, volte para sua casa, pois pode morrer na batalha e outro é que iria vindimá-la. 7Se alguém está noivo de uma mulher e ainda não casou com ela, volte para sua casa, que pode morrer na batalha e outro é que casaria com ela.”

8Os oficiais voltarão ainda a falar ao povo nestes termos: “Se alguém está com medo ou não sente coragem volte para sua casa, para não fazer perder a coragem também aos colegas.” 9E, depois de assim falarem ao povo, devem escolher os chefes militares que irão comandar o exército.

10Quando te aproximares duma cidade para lhe dares batalha deves primeiro propor-lhe negociações de paz. 11Se os seus habitantes aceitam a paz e te abrem as portas, todos os que lá se encontram serão teus escravos, para trabalhos forçados. 12Mas se não quiserem a paz contigo e oferecerem resistência, então pões cerco à cidade. 13O Senhor, teu Deus, coloca-a à tua disposição e deves passar todos os seus homens a fio de espada. 14Mas podes ficar com as mulheres, as crianças e os animais, e recolher todos os despojos que nela tiverem ficado. Podes dispor dos despojos do teu inimigo que o Senhor, teu Deus, te entregou.

15É assim que deves fazer com todas as cidades que estiverem longe da tua terra e que não pertencem a estes povos aqui à volta. 16Mas não deves deixar nada com vida nas cidades destes povos daqui, que o Senhor te vai dar em propriedade. 17Deves condená-los à destruição completa20,17 Ver 2,34 e nota.: os hititas, os amorreus, os cananeus, os perizeus, os heveus e os jebuseus, tal como o Senhor, teu Deus, te ordenou.

18Isto é um aviso para não aprenderem com eles a praticar aquelas coisas abomináveis que eles fazem em honra dos seus deuses, pois com isso cometeriam um pecado contra o Senhor, vosso Deus.

19Quando tiveres de pôr cerco a uma cidade durante muito tempo, para a combater e a conquistar, não destruas todas as suas árvores à machadada. É delas que tens de comer, não as cortes. Será que as árvores são como as pessoas, que podem oferecer resistência ao teu cerco? 20Só as árvores que saibas que não dão fruto é que podes cortar, para com elas cercar a cidade que está em guerra convosco, até conseguir que ela se renda.»

21

Assassínio cometido por um desconhecido

211«Se na terra que o Senhor, teu Deus, te vai dar em propriedade aparecer, abandonado no campo, o cadáver de alguém que foi assassinado, sem que se saiba quem o matou, 2os anciãos e juízes devem calcular a distância que vai a cada uma das cidades das redondezas. 3Os anciãos da cidade que estiver mais próxima arranjarão uma bezerra que ainda não trabalhou, nem ainda levou o jugo. 4Devem levar essa bezerra para uma torrente que tenha sempre água a correr, para um sítio que nunca foi lavrado nem semeado e aí, junto dessa torrente, quebrarão a nuca à bezerra. 5Depois devem aproximar-se os sacerdotes, descendentes de Levi, que o Senhor escolheu para estarem ao seu serviço e para cantarem os seus louvores. Eles é que têm a sentença final em qualquer questão ou crime. 6Os anciãos da cidade mais próxima do lugar do crime lavarão as mãos na torrente, sobre a bezerra morta, 7e dirão, ao mesmo tempo: “Não fomos nós que cometemos este crime, nem fomos testemunhas dele. 8Senhor, perdoa ao teu povo de Israel, que tu libertaste. Não nos atribuas as culpas pela morte dum inocente.” E ninguém mais vos pedirá contas daquela morte. 9Assim libertarás o teu povo de Israel da responsabilidade pela morte dum inocente e cumprirás o que é justo, aos olhos do Senhor

Casamento com prisioneiras de guerra

10«Quando fizeres guerra contra os teus inimigos e o Senhor, teu Deus, os puser à tua disposição, se entre os prisioneiros que fizeres 11vires uma mulher bonita, que te agrade e quiseres casar com ela, 12podes levá-la para tua casa. Ela rapará a cabeça, cortará as unhas, 13trocará os vestidos de prisioneira21,13 Por estes gestos simbólicos, ela corta com a sua vida passada e começa uma vida nova, integrando-se no povo de Israel. e ficará em tua casa. Durante um mês pode fazer luto pelo seu pai e pela sua mãe. Depois disso, podes casar com ela. Serás o seu marido e ela será tua mulher.

14Se depois ela deixar de te agradar, podes mandá-la embora em liberdade, mas não podes vendê-la, nem tentar ganhar dinheiro com ela, pois foi à força que a levaste para tua casa.»

Os direitos do filho mais velho

15«Se um homem tiver duas mulheres, uma de quem ele gosta muito e outra de quem gosta menos e tiver filhos de ambas, ainda que o filho mais velho21,15 Ver Gn 25,31. seja daquela de quem ele gosta menos, 16no dia em que repartir a herança pelos filhos, não pode dar os direitos de mais velho ao filho da mulher preferida, com prejuízo do filho da outra, porque este é que é o mais velho. 17Tem que respeitar esses direitos apesar de ele ser filho da mulher de quem gosta menos. Tem de lhe dar dois terços da herança, porque aquele filho é o primeiro fruto da sua força e é ele que tem os direitos de filho mais velho.»

Os filhos rebeldes

18«Se alguém tiver um filho desobediente e rebelde, que não faz caso daquilo que o pai e a mãe lhe dizem e, mesmo quando o castigam continua a não fazer caso, 19os pais devem levá-lo à presença dos anciãos daquela cidade 20para lhes dizerem: “Este nosso filho é desobediente e rebelde e não faz caso das nossas ordens. Só quer comer e beber.” 21Ele será então condenado à morte e apedrejado pelos habitantes daquela cidade. Dessa forma, acabas com aquele escândalo do meio do teu povo. Todo o povo ouvirá contar isso e ficará com medo.»

Enterro dos condenados

22«Quando um homem for condenado à morte por algum crime e a sentença for executada por enforcamento, 23não deves deixar que o seu corpo fique pendurado na forca. Deves enterrá-lo no mesmo dia, porque um enforcado é uma maldição de Deus21,23 Esta expressão pode significar que o enforcado é amaldiçoado ou atrai maldição. Comparar com Gl 3,13. e não deves correr o risco de tornar impura a terra que o Senhor, teu Deus, te vai dar em propriedade.»

22

Objetos perdidos

(Êxodo 23,4–5)

221«Se encontrares perdido um boi ou outro animal de um teu compatriota não passes de lado sem te importar. O teu dever é fazer com que esses animais voltem para casa do dono. 2E se a sua casa for muito longe da tua ou se não conheces o dono, então leva o animal para o teu curral, até que o dono o venha procurar. E nessa altura restituis-lho.

3O mesmo deves fazer com o seu burro, com uma peça de roupa ou com qualquer objeto que um teu compatriota tiver perdido. Se os encontrares, não deves passar de lado. 4E se vires um burro ou um boi dum teu compatriota caído no chão também não deves passar de lado. Mas deves ajudá-lo a pô-los de pé.»

Leis diversas

5«Uma mulher não deve vestir roupas de homem, nem um homem deve usar roupas de mulher. Na verdade, o Senhor detesta quem faz dessas coisas.

6Se por acaso encontrares um ninho de pássaro no teu caminho, seja numa árvore seja no chão, com passarinhos ou com ovos, e se a mãe estiver lá com os filhotes ou com os ovos, não deves apanhar a mãe juntamente com os filhotes. 7Podes apanhar os filhotes mas deves deixar fugir a mãe. Assim terás prosperidade e longa vida.

8Se alguém construir uma casa nova deve fazer um muro à volta do terraço, para não ser culpado, nem a sua família, da morte de alguém, que cair dali abaixo.

9Não deves semear na tua vinha semente de duas qualidades, pois assim farias com que tudo ficasse consagrado ao Senhor, tanto o que tu semeaste como a produção da vinha22,9 O que era consagrado ao Senhor não podia ser usado como alimento..

10Não deves lavrar com um boi e um burro juntos.

11Não deves usar roupa feita de lã e de linho juntamente22,11 Sobre os v. 9–11, ver Lv 19,19..

12Deves usar franjas nas quatro pontas do manto com que te cobrires22,12 Comparar com Nm 15,37–41.

Casos de vida matrimonial

13«Pode acontecer que um homem case com uma mulher e, depois de ter vivido com ela, deixe de gostar dela, 14ou fale mal dela e a calunie dizendo: “Casei com esta mulher, mas depois de ir viver com ela verifiquei que ela não era virgem.” 15Os pais da jovem devem levar os sinais de virgindade aos anciãos da cidade, reunidos em tribunal. 16O pai da jovem dirá então aos anciãos: “Casei a minha filha com este homem, mas ele não gosta dela. 17E andou a caluniá-la, dizendo que a minha filha já não era virgem. Porém está aqui o sinal de que ela era virgem.” Apresentam então aos anciãos o lençol 18e eles devem mandar prender aquele homem e castigá-lo. 19Deverão ainda aplicar-lhe uma multa de cem moedas de prata, a pagar ao pai da jovem, porque difamou uma jovem do povo de Israel. Ela continuará a ser sua mulher e, durante toda a sua vida nunca mais se poderá separar dela.

20Mas se realmente não se encontrarem provas da virgindade da jovem, 21então devem levá-la à porta da casa do seu pai e ali será apedrejada e morta pelos homens da sua cidade. É que ela cometeu no meio do povo de Israel a infâmia de se prostituir, desonrando a casa do seu pai. Dessa maneira, acabarás com este escândalo no meio do teu povo.

22Se um homem for apanhado em adultério com uma mulher casada devem morrer tanto ele como ela. Assim acabarás com este escândalo em Israel22,22 Ver Lv 20,10..

23Se um homem encontrar numa povoação uma rapariga virgem, que está noiva de outro, e tiver relações com ela, 24devem levá-los a ambos a tribunal22,24 Ver 17,5 e nota. e condená-los a morrer apedrejados, ela porque não gritou por socorro, estando na povoação, e ele porque violentou uma mulher já comprometida com outro. Assim acabarás com este escândalo no teu povo.

25Mas se é fora da povoação que esse homem encontra a dita rapariga e, violentando-a, tiver relações com ela, só ele é que deve morrer. 26Não deves castigar a rapariga, porque não cometeu nenhum crime que mereça a morte. O que lhe aconteceu foi como o caso de um homem que se atira a outro e o mata. 27Ele encontrou-a fora da povoação e ainda que a rapariga tivesse gritado, não havia ninguém para lhe acudir.

28Se um homem encontrar uma rapariga virgem, ainda não comprometida, e a leva a ter relações com ele e forem descobertos, 29esse homem tem que dar cinquenta moedas de prata ao pai dela e ela será sua mulher. E não se pode separar dela, durante toda a sua vida, por causa de a ter violentado22,29 Sobre os v. 28–29, ver Ex 22,15–16.