a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Vagueando pelo deserto

21«Fomos então de novo para o deserto, em direção do Mar Vermelho2,1 Ver Nm 21,4., tal como o Senhor me tinha mandado, e passámos muito tempo à volta das montanhas de Seir. 2Um dia o Senhor disse-me: 3“Já chega de andar à volta destas montanhas! Dirijam-se para norte, 4e avisa o povo de que vão passar pelo território dos vossos parentes, os descendentes de Esaú, que habitam na região de Seir2,4 Sobre Seir, ver 1,2 e nota; sobre os descendentes de Esaú, ver Gn 36,8.. Ainda que eles vos temam, tenham muito cuidado. 5Não entrem em luta com eles, pois eu não vos dou nem um palmo da sua terra, porque dei as montanhas de Seir à família de Esaú. 6Comprem-lhes com dinheiro o que precisarem para comer e a água de que precisarem para beber. 7O Senhor, teu Deus, abençoou todos os teus empreendimentos e tem acompanhado o teu caminhar por este deserto interminável. Há quarenta anos que ele está contigo e nada te faltou ainda.”

8Depois de atravessarmos o território dos nossos parentes, os descendentes de Esaú que habitavam em Seir, seguimos pelo caminho de Elat e Ecion-Guéber e virámos em direção ao deserto de Moab2,8 Ver 1,1 e nota. Elat encontrava-se na extremidade sul de Arabá. Ecion-Guéber era uma cidade vizinha de Elat. O deserto de Moab estava situado a leste da região de Moab.. 9O Senhor disse-me então: “Não provoques os moabitas, que são descendentes de Lot, nem faças guerra contra eles, pois fui eu que lhes dei a região de Ar e não te vou dar a ti nenhuma parcela do seu território2,9 Descendentes de Lot. Ver Gn 19,37–38. Ar. Cidade de Moab, talvez a capital; serve aqui para designar todo o território..”

10Antigamente viviam em Ar os emitas, povo forte, numeroso e de alta estatura como os descendentes do gigante Anac2,10 Ver Nm 13,22 e nota.. 11Pensava-se que eles eram refaítas2,11 Sobre esta população lendária de Canaã, ver os v. 20–21., mas afinal eram descendentes de Anac e os moabitas chamavam-lhes emitas. 12Na região de Seir habitavam antigamente os horritas, mas os descendentes de Esaú apoderaram-se das suas terras. Destruíram-nos e instalaram-se lá, tal como fez Israel na terra que o Senhor lhe destinou para sua propriedade.

13“E agora vamos! Atravessem o vale do Zéred2,13 Zéred. Ribeira que desagua na extremidade sudoeste do mar Morto.” — disse o Senhor. E assim fizemos. 14Desde que saímos de Cadés Barneia até atravessarmos o vale de Zéred, passaram-se trinta e oito anos, o tempo suficiente para desaparecer a geração de homens de guerra que existia no acampamento, tal como o Senhor tinha jurado que aconteceria2,14 Ver Nm 14,28–35..

15O próprio Senhor foi fazendo com que eles desaparecessem até não ficar um único.

16Depois de terem desaparecido todos os homens de que o povo podia dispor para a guerra, 17o Senhor disse-me: 18“Vais hoje mesmo atravessar a fronteira de Moab e a região de Ar. 19Vais chegar até ao território dos descendentes de Amon, mas não os provoques nem faças guerra contra eles, porque também são descendentes de Lot2,19 Ver Gn 19,30–38. e eu dei-lhes a posse desse território. Já não te vou dar nenhuma parte dele a ti.”

20Também esse era considerado território dos refaítas, que lá viviam antigamente, e os descendentes de Amon chamavam-lhes zamezumeus. 21Era também um povo forte, numeroso e de alta estatura, como os descendentes do gigante Anac. Mas o Senhor destruiu-os e os descendentes de Amon desalojaram-nos e tomaram posse do território, em lugar deles. 22Foi o mesmo que aconteceu com os descendentes de Esaú, que agora habitam em Seir. O Senhor destruiu os horritas e os descendentes de Esaú vieram desalojá-los e instalaram-se no seu lugar e é lá que agora vivem. 23O mesmo aconteceu aos heveus que viviam nas aldeias próximas de Gaza2,23 Gaza. Cidade junto do Mediterrâneo, no sul da Palestina, habitada por filisteus, na época dos reis de Israel.. Vieram os filisteus, originários de Creta, destruíram-nos e instalaram-se lá.

24“Vamos!” — disse o Senhor: “Ponham-se a caminho e atravessem o vale do rio Arnon2,24 Arnon. Ribeira que desagua no mar Morto, na sua costa oriental. Ver Nm 21,13.. Nas tuas mãos entrego o amorreu Seon, rei de Hesbon, e o seu território. Declara guerra contra ele e toma posse do seu território. 25De hoje em diante, vou fazer com que todos os povos da terra vos temam e vos respeitem. Quando tiverem conhecimento da vossa fama, hão de tremer e ficarão cheios de angústia.”»

Vitória de Israel sobre Seon

(Números 21,21–30)

26«Desde o deserto de Quedemot2,26 O deserto de Quedemot fica a norte de Arnon., enviei mensageiros a Seon, rei de Hesbon, com a seguinte proposta de paz: 27“Vou ter de atravessar o teu território, mas não sairei do caminho principal, nem para um lado nem para o outro. 28Deixa-me comprar aquilo de que precisarmos para comer e água para beber. Só queremos que nos deixes passar, 29até atravessarmos o rio Jordão, a fim de irmos para a terra que o Senhor, nosso Deus, nos vai dar. Os descendentes de Esaú, que vivem em Seir e os moabitas que vivem na região de Ar também nos deixaram atravessar os seus territórios2,29 Sobre Seir, ver 1,2; sobre Ar, ver 2,9..”

30Mas Seon, rei de Hesbon, não consentiu que passássemos. Foi o Senhor, vosso Deus, que endureceu a sua mente e o seu coração, para assim o entregar nas vossas mãos, e assim continua ainda hoje.

31O Senhor disse-me: “A partir de agora, vou entregar-te Seon e o seu país. Entra no seu território e toma posse dele.”

32Seon saiu ao nosso encontro com todo o seu exército, para nos dar batalha em Jaás. 33Mas o Senhor, nosso Deus, colocou-o nas nossas mãos e nós derrotámo-lo a ele, aos seus filhos e ao seu exército. 34Conquistámos naquela mesma altura todas as cidades e as condenámos à total destruição2,34 Entre os antigos, parte dos despojos de guerra era para o comandante. O comandante do povo de Israel é o Senhor, particularmente na guerra de conquista da terra prometida (ver 20,4). A parte reservada ao Senhor devia ser destruída. Isto podia aplicar-se a coisas, cidades, homens, mulheres e crianças. Ver Js 6,17–19. Ver Dt 7,1–6; 20,16–18.. Não deixámos escapar ninguém.

35Só ficámos com os animais e com os despojos das cidades conquistadas. 36Desde Aroer, que está na encosta do vale de Arnon, e da cidade que está mesmo no vale até Guilead, não houve povoação que nos resistisse. O Senhor entregou tudo nas nossas mãos.

37Só no território dos descendentes de Amon é que não entrámos, tal como não entrámos na região do rio Jaboc e nas cidades da montanha, nem nos outros lugares que o Senhor, nosso Deus, nos tinha proibido de atacar.»

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Vitória sobre o rei de Basã

(Números 21,31–35)

31«Mudámos então de rumo e subimos em direção a Basã. Og, rei de Basã, saiu ao nosso encontro, ele e todo o seu exército, para nos fazer guerra em Edrei. 2Mas o Senhor disse-me: “Não tenham medo dele. Eu ponho-o nas tuas mãos, a ele e a todo o seu povo e território. Faz com ele o que fizeste com Seon, rei dos amorreus, que vivia em Hesbon.”

3E o Senhor, nosso Deus, entregou também Og, rei de Basã, nas nossas mãos, com todo o seu exército. Infligimos-lhe tamanha derrota que não ficou ninguém. 4Na mesma altura, conquistámos todas as suas cidades e não houve povoação que nós lhes não tomássemos. Foram sessenta cidades, em toda a região de Argob, que pertencia aos domínios de Og, em Basã. 5Todas estas eram cidades fortificadas, com altas muralhas, portas e ferrolhos, sem contar as povoações não fortificadas, que eram muitas mais. 6Condenámos tudo à destruição, tal como fizemos com Seon, rei de Hesbon: destruímos cidades, homens, mulheres e crianças. 7Mas os animais e os despojos das cidades recolhemo-los para nós. 8Foi nessa altura que conquistámos aos dois reis amorreus, que havia do outro lado do Jordão, o território que vai desde o vale do rio Arnon até ao monte Hermon3,8 Monte Hermon. Situado no norte da Palestina é ali que nasce o rio Jordão.. 9Os fenícios de Sídon chamavam ao Hermon o Sírion e os amorreus chamavam-lhe Senir.

10Todas as cidades do planalto e toda a região de Guilead e de Basã até Salca e Edrei eram cidades do reino de Og. 11Og, rei de Basã, era o único descendente que restava dos gigantes refaítas. Imaginem que tinha uma cama de ferro com cerca de quatro metros de comprimento e dois de largura, que ainda se pode ver em Rabá, capital dos descendentes de Amon.»

Território de Rúben, Gad e Manassés

12«O território conquistado naquela altura, desde Aroer até ao vale do rio Arnon e metade das montanhas de Guilead, com as suas cidades, dei-o aos descendentes de Rúben e de Gad. 13A parte restante de Guilead, toda a região de Basã, que tinha pertencido ao antigo reino de Og, e toda a região de Argob, conhecida como terra dos refaítas, dei-as à meia tribo de Manassés. 14Jair, descendente de Manassés, ficou com toda essa região de Argob até à fronteira de Guechur e de Macá e deu o seu nome àquelas regiões e a Basã, chamando-lhe Havot-Jair ou Aldeias de Jair, nome que ainda hoje conserva. 15À família Maquir3,15 Maquir é igualmente filho de Manassés; ver Gn 50,23; Nm 26,29. dei a região de Guilead. 16Aos descendentes de Rúben e de Gad dei ainda parte de Guilead até ao vale do rio Arnon, tendo o centro do rio como limite, e até ao rio Jaboc, que faz fronteira com os descendentes de Amon. 17Dei-lhes ainda a região da Arabá e o vale do Jordão, para oriente das encostas do monte Pisga, com limite no rio Jordão, desde o lago de Genesaré até ao Mar do Sal, isto é o mar Morto.

18Nessa altura, eu ordenei: “O Senhor, vosso Deus, deu-vos este território como propriedade, mas todos os vossos homens aptos para a guerra devem ir à frente dos outros israelitas, vossos compatriotas. 19Só as mulheres e as crianças é que ficarão nas cidades que vos dei, bem como o vosso gado. E eu sei que têm muitos animais.

20Quando o Senhor conceder descanso também aos vossos irmãos das outras tribos, dando-lhes a posse da terra que lhes prometeu do outro lado do Jordão, então cada um de vós poderá voltar para a propriedade que vos dei3,20 Sobre os v. 18–20, ver Js 1,12–15.”.

21Nessa altura, fiz as seguintes recomendações a Josué: “Tu foste testemunha de tudo o que o Senhor, vosso Deus, fez àqueles dois reis. Pois o Senhor fará o mesmo a todos os reinos por onde irás passar. 22Não tenhas medo deles, porque o Senhor, vosso Deus, combaterá por vós.”»

Moisés não entrará em Canaã

(Deuteronómio 32,48–52; Números 27,12–14)

23«Naquela ocasião, orei assim ao Senhor: 24Senhor, meu Deus, começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e o teu poder. Não existe outro Deus, no céu ou na terra, que realize os prodígios e maravilhas que tu fazes. 25Deixa-me passar para o outro lado do Jordão, para poder ver aquela terra maravilhosa, aquelas belas montanhas e o Líbano.” 26Mas o Senhor tinha-se indignado contra mim, por vossa causa, não escutou o meu pedido e respondeu: “Basta! Não quero que me voltes a falar nesse assunto. 27Sobe ao cimo do monte Pisga e olha para ocidente, para norte, para sul e para oriente. Observa bem tudo, pois para o outro lado do Jordão tu não passarás. 28Dá instruções a Josué, encoraja-o e anima-o, porque ele irá à frente deste povo e ele lhes há de distribuir a terra que tu vais ver.”

29E continuámos acampados no vale, em frente de Bet-Peor3,29 Bet-Peor. Localidade situada junto do monte Pisga, a nordeste do mar Morto.

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Exortação à obediência

41«Ó povo de Israel, presta atenção às leis e preceitos que eu te ensino. Se os cumprirem, terão vida e poderão ir tomar posse da terra que o Senhor, Deus dos vossos antepassados, vos dá. 2Não modifiquem as leis do Senhor, vosso Deus, que eu vos dou, nem para mais nem para menos. Observem-nas integralmente4,2 Ver Dt 13,1; Ap 22,18–19.. 3Com os vossos próprios olhos viram aquilo que o Senhor fez em Baal-Peor4,3 Ver Nm 25,1–9.. O Senhor, vosso Deus, fez desaparecer todos os israelitas que seguiram o deus de Baal-Peor, 4ao passo que vós, que permanecestes fiéis ao Senhor, continuais todos vivos hoje. 5Não se esqueçam que as leis e os preceitos que vos ensino, tal como o Senhor, meu Deus, me mandou fazer, são para se cumprir, quando estiverem na terra, de que vão tomar posse. 6Aceitem-nos e ponham-nos em prática e os outros povos hão de ver nisso um sinal de sabedoria e de inteligência. Quando eles ouvirem falar destas leis poderão dizer: “Só este grande povo possui uma tal sabedoria e inteligência!” 7Que nação, mesmo das grandes, tem deuses tão próximos como nós temos o Senhor, nosso Deus? De facto, ele está sempre próximo dos que chamam por ele. 8E que nação, mesmo das grandes, tem leis e preceitos tão justos como esta lei, que eu hoje vos apresento? 9Mas tenham cuidado e prestem muita atenção para não esquecerem as coisas que viram com os vossos próprios olhos. Tenham-nas sempre presentes e deem-nas a conhecer aos vossos filhos e netos.»

Deus falou no monte Horeb

10«No dia em que estiveram diante do Senhor, vosso Deus, no monte Horeb4,10 Ver Ex 3,1 e nota., o Senhor tinha-me dito: “Reúne o povo diante de mim, porque eu quero dirigir-lhes a palavra, para aprenderem a respeitar-me, durante todo o tempo em que viverem na terra, e para que ensinem os filhos a fazer o mesmo.”

11Vocês aproximaram-se e ficaram ao fundo da montanha. A montanha ardia em chamas, que subiam para o céu envolto em trevas, nuvens e escuridão. 12Então o Senhor falou-vos do meio do fogo e ouviram a sua voz, mas não viam ninguém4,12 Sobre os v. 10–12, ver Ex 19,10–25; Hb 12,18–19.. 13Deu-vos a conhecer a sua aliança, mandou-vos cumprir os dez mandamentos, que ele tinha escrito em duas placas de pedra4,13 Literalmente: as dez palavras. Ver Ex 20,1; ver ainda Ex 31,18; 34,28; Dt 9,10..

14A mim, o Senhor mandou-me, nessa altura, que vos ensinasse leis e preceitos que deviam cumprir na terra, de que iam tomar posse.»

Avisos contra os falsos deuses

15«Lembrem-se bem que não viram nenhuma representação de Deus, quando, do meio do fogo, o Senhor vos falou, no monte Horeb. 16Não se deixem, portanto, corromper até ao ponto de fazerem imagens ou representações de qualquer espécie, de homem ou de mulher4,16 Ver Ex 20,4; Lv 26,1; Dt 5,8; 27,15., 17nem de qualquer dos animais que existem, ou de qualquer das aves que voam pelo céu, 18nem de répteis da terra ou peixes do mar4,18 Sobre os v. 16–18, ver Rm 1,23..

19Ao olharem para o céu e ao verem o Sol, a Lua, as estrelas e todo o conjunto dos astros, não se inclinem diante deles em adoração. De facto, o Senhor, vosso Deus deu-os para serem úteis a todos os povos que existem na terra. 20Quanto a vós, o Senhor escolheu-vos especialmente e fez-vos sair do Egito, que era para vós como uma fornalha de ferreiro, e vos transformou naquilo que sois ainda hoje: um povo que pertence ao Senhor de maneira especial4,20 Ver Ex 19,5; Tt 2,14; 1 Pe 2,9..

21Mas o Senhor irritou-se contra mim, por vossa causa, e jurou que eu não atravessaria o Jordão nem entraria na terra maravilhosa que o Senhor, vosso Deus, vos vai dar como herança4,21 Ver Nm 20,12.. 22Eu vou morrer aqui. Já não atravesso o Jordão, mas vocês hão de atravessá-lo e hão de tomar posse daquela terra maravilhosa. 23Tenham cuidado e não se esqueçam da aliança que o Senhor fez convosco. Não façam imagens de falsos deuses de nada daquilo que o Senhor, vosso Deus, vos proibiu. 24Pois o Senhor, vosso Deus, é como um fogo devorador e não tolera que tenham outros deuses4,24 Ver Hb 12,29; Ex 20,5..

25Quando tiverem filhos e netos e já estiverem há muito tempo na vossa terra, se se rebaixarem ao ponto de fazerem imagens de falsos deuses seja do que for, estão a praticar o mal diante do Senhor e a ofendê-lo. 26Por isso, hoje mesmo ponho o céu e a terra como testemunhas contra vós. Se tal acontecer, depressa desaparecerão dessa terra de que agora vão tomar posse, ao atravessarem o Jordão. Dessa forma, não viverão nela muito tempo e serão, de certeza, destruídos. 27O Senhor há de espalhar-vos por entre os povos; e, no meio dos povos, para onde ele vos atirará, ficarão a ser apenas um pequeno grupo. 28Por lá irão adorar deuses feitos pelos homens, deuses de madeira e pedra, que nem veem, nem ouvem, nem comem, nem respiram4,28 Sobre os v. 27–28, ver 28,36..

29Mas se, mesmo ali, procurarem o Senhor, vosso Deus, com todo o coração e com toda a alma, de certo que o encontrarão. 30Quando finalmente todas estas desgraças acontecerem, hão de voltar para o Senhor, vosso Deus, para de novo lhe obedecerem4,30 Ver Jr 29,13–14.. 31Pois o Senhor, vosso Deus, é cheio de bondade e não vos abandonará nem consentirá que sejam destruídos, porque ele não se esquece da aliança que fez com os vossos antepassados e que jurou cumprir.

32Podes averiguar através dos tempos que já passaram antes de ti, desde o dia em que Deus criou a Humanidade e podes procurar desde uma ponta do céu até à outra, para ver se há alguma coisa igual a esta ou se já se ouviu falar de coisa semelhante. 33Já algum povo ouviu a voz de Deus falar-lhe do meio do fogo, como vocês ouviram, podendo depois continuar a viver4,33 Ver Dt 5,24–26; Ex 33,20.? 34Já algum deus tentou desta maneira libertar um povo, perdido no meio de outro, com tantos milagres, prodígios e lutas, e com tamanha força e poder que enchia de terror os inimigos4,34 Alusão às pragas descritas em Ex 7,14—12,36.? Ora, o Senhor, vosso Deus, fez tudo isso por vós no Egito, como viram com os vossos próprios olhos.

35Foi-vos dado ver isso, para que saibam que o Senhor é o único Deus e não há mais nenhum fora dele4,35 Nos v. 34–35 resume-se o que aconteceu no Egito e sublinha-se a razão pela qual tudo aquilo aconteceu; ver Ex 10,2. Ver ainda Is 45,21; Mc 12,32.. 36Fez-vos ouvir do céu a sua voz, para vos instruir; fez-vos ver na terra o seu fogo grandioso e puderam ouvir as suas palavras no meio do fogo. 37E tudo isto porque ele teve amor pelos teus antepassados e escolheu especialmente os seus descendentes, livrando-vos do Egito com o seu imenso poder. 38Desalojou em vosso proveito povos mais numerosos e mais fortes, para vos conduzir à terra que era deles e vo-la entregar por herança, como continua a ser ainda hoje.

39Fiquem pois a saber e fixem bem na memória que o Senhor é o único Deus que existe, tanto no céu como na terra e não há outro. 40Por isso, cumpram as suas leis e mandamentos que eu hoje vos apresento. Assim sereis felizes e felizes serão os vossos filhos, mais tarde, e viverão longos anos na terra que o Senhor, vosso Deus, vai dar-vos para sempre.»

Cidades de refúgio na Transjordânia

41«Moisés designou então três cidades de refúgio4,41 Ver Dt 19,1–13; Nm 35,9–34; Js 20,1–9., no território situado a oriente do rio Jordão. 42Todo aquele que matasse alguém sem querer, sem lhe querer mal antes disso, fugia para uma dessas cidades e salvava a vida. 43Eram elas: Becer, no deserto, na zona do planalto, para os descendentes de Rúben; Ramot, em Guilead, para os descendentes de Gad; e Golã, em Basã, para os de Manassés.»

Introdução à entrega da lei

44«Esta é a lei que Moisés entregou aos israelitas. 45São instruções, leis e preceitos que Moisés lhes transmitiu, depois de terem saído do Egito. 46Foi a oriente do Jordão, no vale que fica em frente de Bet-Peor4,46 Ver 3,29 e nota., no território de Seon, rei dos amorreus, que vivia em Hesbon, e que Moisés e os israelitas derrotaram, depois de saírem do Egito. 47Tomaram então posse do seu território e do território de Og, rei de Basã, que eram os dois reis amorreus existentes a oriente do Jordão. 48Esses territórios iam desde Aroer, na margem do rio Arnon4,48 Ver nota a 2,24., até ao monte Sírion4,48 Em hebraico Sion. Palavra diferente daquela que em português se traduz por Sião., que é o Hermon, 49e incluíam toda a região a oriente do rio Jordão até ao mar Morto, junto das encostas do monte Pisga.»