a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Saber arriscar

111Lança o teu trigo sobre o mar, que passado algum tempo o recolherás11,1 Este provérbio pode ser um conselho a investir no comércio marítimo, ou simplesmente uma metáfora para aconselhar coragem no aventurar-se num empreendimento, mesmo que implique riscos..

2Partilha o que é teu com todos os que puderes; nunca sabes as desgraças que podem cair sobre o país.

3Se as nuvens estiverem carregadas, deixam cair chuva sobre a terra. Uma árvore qualquer tanto pode cair para Sul como para Norte. E onde cair lá ficará.

4O que anda a observar o vento nunca faz a sementeira e o que só olha para as nuvens nunca faz a colheita.

5Assim como não sabes como entra o sopro da vida no feto que está no ventre da mãe, assim também não compreendes aquilo que Deus faz, ele que tudo pode fazer.

6De manhã lança a semente à terra e de tarde não cruzes os braços, pois não sabes qual das sementeiras é que vai dar melhor resultado, ou se ambas são igualmente boas.

Juventude e velhice

7É bom e agradável que os olhos consigam ver a luz e contemplar o Sol. 8Mas ainda que o homem viva muitos anos e seja muito feliz, deve recordar-se que os dias de escuridão também serão muitos e que tudo o que está para vir é ilusão.

9Jovem, goza a tua mocidade e alegra-te na tua juventude. Segue os desejos do teu coração e aquilo que atrai o teu olhar. Mas fica sabendo que Deus te há de pedir contas de tudo isso11,9 Em algumas versões, o cap. 12 começa neste v. 9, que fica assim com mais dois versículos do que a contagem presente do texto hebraico..

10Afasta de ti as preocupações e deita fora os teus problemas, porque a mocidade e a meninice são passageiras.

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121Lembra-te do teu Criador, enquanto fores jovem, enquanto não vierem os tempos difíceis e os anos em que vais dizer: «Não sinto gosto em viver.» 2Lembra-te dele enquanto não escurecer o Sol, a luz do dia, a Lua e as estrelas e enquanto não voltarem as nuvens, que hão de vir depois das chuvas12,2 Os v. 2–5 evocam o final da vida com imagens que podem ser interpretadas de várias maneiras, mas que representam o enfraquecimento e as doenças, de modo geral..

3Há de chegar o tempo em que terão medo aqueles que agora guardam o palácio, em que ficarão curvados os que agora são fortes; o tempo em que as mós do moinho serão poucas e param, e aqueles que agora olham pela janela vão perder a vista. 4Fecham-se as portas que dão para a rua, apaga-se o ruído das mós e, embora as aves cantem, já não se ouve o seu cantar. 5A altura começa a causar vertigens e os caminhos ficam cheios de perigos, enquanto a amendoeira começa a florir, o gafanhoto a engordar e a alcaparra a dar fruto. Mas o homem vai para a sua morada eterna. Os que acompanham o seu funeral já se juntaram na rua.

6Lembra-te do teu Criador, antes que se quebre o fio de prata, se despedace a taça de ouro, antes que o cântaro se quebre na fonte ou que a roda do engenho caia dentro do poço.

7Então o que é pó volta para a terra donde veio. E o sopro da vida volta para Deus, que a tinha dado.

8Eu, o sábio Qohelet, repito: «Tudo é ilusão, pura ilusão!»

Conclusão

9Quanto mais o sábio Qohelet crescia em sabedoria, mais ensinava. Além de ser um sábio, ensinava também o povo e conservou, estudou e inventou muitos provérbios. 10Tentou encontrar palavras apropriadas e escreveu a verdade com acerto.

11As palavras dos sábios são como um aguilhão e, reunidas num livro, são como estacas bem espetadas por um só pastor12,11 Ou: pelo único pastor (Deus)..

12Mas acima de tudo, meu filho, pensa bem nisto: escrever muitos livros é coisa que nunca mais tem fim e o muito estudo desgasta as forças.

13É tempo de concluir; já tudo foi dito. Respeita a Deus e guarda os seus preceitos. Isto é tudo para o homem. 14De facto Deus pedirá contas de todas as ações, mesmo quando feitas às ocultas, sejam boas, sejam más.