a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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41Quando observo o que se passa com os oprimidos deste mundo, dou conta de que eles choram, mas ninguém os consola; os seus opressores tratam-nos com violência, mas ninguém os ajuda.

2Acho que são mais felizes os que já morreram do que aqueles que ainda estão vivos. 3E melhor do que uns e outros estão aqueles que ainda não existem, que não conhecem todo o mal que se pratica neste mundo4,3 Sobre os v. 2–3, ver Ec 6,3–5; Jb 3,11–16; 10,18–19..

A união faz a força

4Vejo também que todo o esforço que se faz e o resultado do trabalho se devem à inveja de uns para com os outros. Também isto é ilusão. É correr atrás do vento! 5Costuma dizer-se: «O insensato cruza os braços e come-se a si mesmo.» 6Mas eu digo: «Mais vale uma mão-cheia de sossego do que as duas mãos cheias de canseiras.» É correr atrás do vento!

7Vejo ainda outra ilusão neste mundo: 8Há quem viva sozinho, sem ninguém: sem filhos nem irmãos. E mesmo assim nunca para de trabalhar nem se cansa de contemplar a riqueza que tem. Nem sequer pergunta: «Para quem é que eu trabalho e para que renuncio eu a tantas coisas boas?» Também isto é uma ilusão e uma tarefa muito ingrata.

9Valem mais dois juntos do que um sozinho, pois o esforço de dois consegue melhores resultados. 10Se caírem, um ajuda a levantar o outro, ao passo que, se cai o que está só, não tem ninguém para o levantar. 11Se dois dormirem juntos, aquecem-se, mas se for um sozinho, como é que pode aquecer-se? 12Num ataque, um sozinho é vencido, ao passo que dois juntos conseguem resistir, pois o fio dobrado não se quebra com facilidade.

Ilusão do poder temporal

13Mais vale um jovem pobre mas sábio do que um rei velho e insensato que nem sequer sabe ouvir conselhos. 14Até pode ter saído da prisão para ser rei; apesar da sua atual realeza, pode ter nascido pobre. 15Verifico que todas as pessoas deste mundo preferem seguir o jovem que há de suceder ao rei. 16Ainda que o rei tenha poder sobre um povo numeroso, os seus sucessores não se mostrarão contentes com ele. Também isto é ilusão. É correr atrás do vento!

Cumprir as promessas

17Tem cuidado com o que fazes, quando fores à casa de Deus. É melhor estar pronto a obedecer do que apresentar ofertas, como fazem as pessoas insensatas, que nem sabem que estão a proceder mal4,17 Algumas traduções começam o cap. 5 no v. 17, o que aumenta um versículo ao capítulo 5..

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51Quando tiveres que te dirigir a Deus, escusas de te preocupar muito ou de dizer muitas palavras, pois Deus está no céu e tu aqui na terra. Por isso, usa poucas palavras. 2Olha que o sonho nasce das demasiadas preocupações e pelo muito palavreado se conhece o insensato5,2 Sobre os v. 2–3, ver Pv 10,19; 13,3; Tg 3,1–12..

3Quando fizeres uma promessa a Deus, não te demores a cumpri-la. A Deus não agradam os irresponsáveis. Cumpre o que prometes. 4É melhor não prometeres, do que prometer e não cumprir. 5Não permitas que os teus lábios te façam pecar e não digas diante do enviado de Deus que foi sem querer, pois Deus pode irritar-se com o que tu dizes e fazer fracassar os teus planos. 6Os muitos sonhos trazem ilusões e as muitas palavras também. Procura mas é respeitar a Deus.

Contradições da vida

7Não fiques surpreendido, se vires que, num país qualquer, se oprime o pobre ou se desrespeita a justiça e o direito. Um grande protege outro grande e há outros ainda acima deles. 8A terra é para proveito de todos; o próprio rei se serve do que vem do campo.

9O avarento não se farta de dinheiro e quem deseja a abundância nunca acha que a alcançou. Também isto é uma ilusão. 10Quando aumenta a riqueza, também aumentam os que comem dela. E que proveito têm os seus donos? É só o gosto de olharem para ela.

11Coma pouco ou coma muito, aquele que trabalha dorme sempre tranquilo; mas aquele que está cheio de riquezas não consegue dormir descansado. 12Existe um mal terrível, que eu observo neste mundo: a riqueza aferrolhada, que é a desgraça dos que a possuem. 13Aquela riqueza perde-se num mau negócio e um filho que lhe venha a nascer fica de mãos vazias. 14Saiu nu do ventre da mãe e tão nu como veio se irá de novo embora. Do seu trabalho não tirou nenhum proveito que possa levar consigo. 15Também isto é um mal terrível: da mesma maneira que veio, assim se vai embora. E que vantagem tem aquele que trabalha inutilmente5,15 Sobre os v. 14–15, ver Jb 1,21; Sl 49,17–18; 1 Tm 6,7. 16e passa os seus dias nas trevas a suportar desgostos, doenças e irritações?

17Chego a esta conclusão: o que é melhor e vale a pena é comer e beber, e cada qual gozar o resultado do trabalho que se tem neste mundo, durante o pouco tempo de vida que Deus nos dá. Esta é a sorte que nos cabe. 18Se Deus concede a alguém riquezas e bens e lhe permite que coma deles, que sinta nisso a sua recompensa e goze do fruto do seu trabalho. Isso é um dom de Deus. 19E assim nem se preocupa muito com os dias da sua vida, pois Deus enche-lhe de alegria o coração.

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61Vejo ainda neste mundo outro grande mal para os homens. 2Há pessoas a quem Deus deu riquezas, bens e poder e não precisam de renunciar a nenhum desejo, mas não lhes permitiu que comessem daquilo que têm. Um estranho é que lho come. Isto é uma ilusão e um grande mal.

3Um homem pode ter cem filhos e viver muitos anos, mas se nunca goza do que possui nem sepultura chega a ter, acho que uma criança abortada tem melhor sorte do que esse homem. 4O aborto veio para nada e vai para a escuridão para ficar no esquecimento. 5Nem viu o Sol nem aprendeu nada, mas deve ter mais descanso do que o primeiro. 6Ainda que tal homem vivesse dois mil anos, não teria alcançado a felicidade. Afinal, não vão todos para o mesmo lugar?

7Todo o homem trabalha para comer e, contudo, o seu desejo nunca se satisfaz. 8Que vantagem tem então o sábio sobre o ignorante, ou que vantagem tem o pobre em saber comportar-se diante dos outros6,8 Ou: em saber comportar-se na vida?? 9Mais vale aquilo que se vê do que aquilo que se imagina. Também isso é ilusão. É correr atrás do vento!

10Aquilo que agora acontece já antes acontecia; sabe-se que uma pessoa simples não pode discutir com quem é mais importante. 11Quanto mais palavras, mais ilusão. E nada ganha com isso. 12Quem sabe o que é melhor para o homem nesta sua vida breve e inútil, vida que passa como uma sombra? Quem lhe poderá explicar o que vai acontecer neste mundo, depois dele morrer?