a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Festa no palácio de Xerxes

11Isto aconteceu no tempo de Xerxes1,1 Ver Ed 4,6. Xerxes. Trata-se provavelmente de Xerxes I, que reinou sobre o império persa de 486 a 464 a.C. Este rei é também conhecido pelo nome de Assuero. que reinou sobre cento e vinte e sete províncias, desde a Índia até à Etiópia. 2O rei tinha então o seu trono na fortaleza de Susa1,2 Fortaleza de Susa. Situada junto à cidade com o mesmo nome. O palácio real ficava na fortaleza e era a residência de inverno dos reis persas, e uma das três capitais do império., a capital.

3No terceiro ano de reinado, Xerxes preparou uma festa para todos os seus ministros e funcionários. Nela estiveram presentes os oficiais do exército da Pérsia e da Média e os nobres e governadores das províncias. 4A festa, que durou seis meses, pretendia mostrar a enorme riqueza do rei e a sua grande pompa e esplendor.

5Passados os seis meses, o rei deu outra festa, desta vez de uma semana, para toda a população da cidade de Susa, ricos e pobres. A festa foi nos jardins do palácio real. 6Havia finas tapeçarias de algodão, brancas e azuis, debruadas a linho fino e púrpura. As tapeçarias estavam suspensas por argolas de prata a colunas de mármore; havia divãs de ouro e prata sobre pavimentos de mármore verde e branco com incrustações de madrepérola e ónix. 7Bebia-se em taças de ouro, todas elas diferentes, e havia vinho em abundância como era próprio de um rei. 8Todos podiam beber sem restrições. O rei tinha dado ordens aos seus servos para deixarem os convidados beber à vontade.

9Ao mesmo tempo, a rainha Vasti dava uma festa para as senhoras no interior do palácio de Xerxes.

10Ao chegar o último dia, o rei, já alegre com o vinho, deu ordens aos sete eunucos que estavam ao seu serviço — Meuman, Bizeta, Harbona, Bigta, Abagta, Zetar e Carcas, 11para que trouxessem à sua presença a rainha Vasti, de coroa na cabeça, para que os seus súbditos e nobres pudessem admirar a sua beleza, pois ela era muito formosa. 12Mas quando os eunucos lhe transmitiram a ordem do rei, a rainha recusou-se a comparecer e o rei ficou profundamente irritado.

13Mandou chamar então os conselheiros, porque era seu costume discutir as questões com os que conheciam a ordem e a justiça1,13 A ordem e a justiça. Texto provável. Em hebraico: tempos.. 14Apresentaram-se Carsena, Chetar, Admata, Társis, Meres, Marsena e Memucan, os sete cortesãos da Pérsia e da Média que ocupavam os primeiros lugares da corte e tinham acesso direto ao rei. 15Estes foram consultados sobre o procedimento legal a tomar para com Vasti, por ela não ter obedecido à ordem que o rei lhe transmitira por intermédio dos eunucos.

16Memucan usou da palavra diante do rei e do conselho e disse: «A atitude da rainha Vasti não só ofendeu Vossa Majestade, mas também todos os ministros e súbditos do reino. 17O que ela fez passará de boca em boca entre as mulheres, levando-as a desprezar os seus maridos e a dizer: “O rei Xerxes ordenou que trouxessem à sua presença a rainha Vasti, mas ela recusou-se a comparecer.” 18Quando as senhoras nobres da Pérsia e da Média ouvirem o que a rainha fez, vão proceder da mesma maneira para com os seus maridos e isso originará muitas faltas de respeito e indignação. 19Se Vossa Majestade achar bem, promulgue-se um decreto real, que seja incluído nas leis dos persas e dos medos e não se possa revogar1,19 Ver Et 8,8; Dn 6,8.. Nele se ordene que Vasti fique proibida de entrar nos aposentos reais e que outra melhor do que ela tome o seu lugar de rainha. 20E quando o decreto real for divulgado até aos confins deste grande império, todas as esposas terão respeito aos seus maridos, seja qual for a sua condição social.»

21O conselho de Memucan agradou ao rei e aos outros conselheiros, e o rei assim fez. 22Foram então enviadas cópias do decreto a todas as províncias do reino, de acordo com a escrita e a língua de cada província e de cada povo, dizendo que os maridos deviam ser senhores da sua casa e dar ordens como lhes parecesse1,22 Texto provável. Literalmente: e falar a língua do seu povo..

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Ester escolhida como rainha

21Depois destes acontecimentos e de a ira do rei Xerxes se ter já acalmado, ele ainda se lembrava do que Vasti tinha feito e da decisão que fora tomada contra ela. 2Então os conselheiros do rei sugeriram que se procurassem jovens formosas e virgens para Sua Majestade. 3Disseram também que se nomeassem comissários em todas as províncias do império, para selecionarem e levarem as mais lindas jovens ao harém de Susa, que está sob a autoridade de Hegai, o eunuco responsável pelas mulheres do rei. Lá, essas jovens receberiam tratamentos de beleza, 4e a que agradasse mais a Sua Majestade substituiria Vasti como rainha.

O rei aprovou este parecer e mandou-o pôr em prática.

5Ora, naquele tempo, vivia em Susa um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, da tribo de Benjamim e descendente de Simei e de Quis2,5 Quis era pai de Saul.. 6Mardoqueu tinha sido deportado de Jerusalém juntamente com outros prisioneiros, quando o rei Nabucodonosor da Babilónia levou para o exílio o rei Jeconias de Judá2,6 Jeconias de Judá foi deportado por Nabucodonosor em 597 a.C.. 7Mardoqueu tinha uma sobrinha chamada Hadassa, em hebraico Ester, que ele tinha criado, porque ela não tinha pai nem mãe. Considerava-a como filha, desde que ficou órfã. Ester era muito bela, de corpo e de feições.

8Quando a ordem do rei foi tornada pública, numerosas jovens foram levadas a Susa e reunidas no harém à guarda de Hegai. Ester encontrava-se entre elas. 9Hegai gostou muito daquela jovem e por isso lhe destinou imediatamente os produtos de beleza e alimentação especial e lhe deu sete das melhores empregadas da casa real, para a assistirem. Foram-lhe ainda dados os melhores aposentos do harém, para ela e para as suas empregadas.

10Mas Ester, por conselho de Mardoqueu, não revelou que era judia. 11Todos os dias Mardoqueu rondava o pátio do harém, para saber notícias de Ester e o que lhe ia acontecendo.

12O tratamento de beleza devia prolongar-se por um ano, incluindo seis meses de massagens com óleo de mirra e seis meses com óleo de bálsamo e outros produtos apropriados. Depois quando chegava a sua vez, cada jovem era conduzida à presença do rei. 13Nesse dia, ao passar do harém ao palácio, podia levar consigo tudo o que ela desejasse. 14Era admitida à noite, e na manhã seguinte era conduzida a um segundo harém, à guarda de Chasgaz, eunuco real, que era o responsável pelas esposas secundárias. E não voltava mais à presença do rei, a não ser que este a desejasse e a mandasse chamar.

15Chegou a vez de Ester ser levada à presença do rei. Ester era filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a adotara por filha e era admirada por todos os que a podiam ver. Ela não pediu nada de especial, além do que Hegai lhe tinha recomendado que usasse. 16Assim Ester foi conduzida ao palácio, à presença do rei Xerxes, no sétimo ano do seu reinado, no décimo mês que é o mês de Tebet2,16 Tebet. Corresponde a Dezembro-Janeiro.. 17O rei gostou mais de Ester do que de todas as outras mulheres, e concedeu-lhe mais favores e dedicou-lhe mais afeição do que às restantes jovens. Mandou colocar a coroa real sobre a sua cabeça e fê-la proclamar rainha em lugar de Vasti. 18Então o rei deu um grande banquete, em honra de Ester, a todos os seus ministros e cortesãos. Foi também concedida às províncias uma redução de impostos e foram distribuídos ricos presentes.

Mardoqueu salva a vida do rei

19Quando as jovens se reuniram pela segunda vez, Mardoqueu estava em serviço à porta do rei. 20Ester, porém, ainda não tinha dado a conhecer que era judia, pois Mardoqueu tinha-lho proibido e ela obedecia, tal como sempre fizera enquanto estava ao seu cuidado. 21Certo dia, estando Mardoqueu de serviço à porta do rei, dois eunucos, que guardavam o acesso aos aposentos reais, revoltaram-se e tentaram tirar a vida ao monarca. 22Mardoqueu descobriu a conjura e fê-lo saber à rainha Ester, que por sua vez o contou ao rei, em nome do tio. 23A questão foi investigada e foi confirmada a culpa. Os dois foram enforcados e o caso foi escrito no livro das Crónicas, na presença do rei.