a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Ester escolhida como rainha

21Depois destes acontecimentos e de a ira do rei Xerxes se ter já acalmado, ele ainda se lembrava do que Vasti tinha feito e da decisão que fora tomada contra ela. 2Então os conselheiros do rei sugeriram que se procurassem jovens formosas e virgens para Sua Majestade. 3Disseram também que se nomeassem comissários em todas as províncias do império, para selecionarem e levarem as mais lindas jovens ao harém de Susa, que está sob a autoridade de Hegai, o eunuco responsável pelas mulheres do rei. Lá, essas jovens receberiam tratamentos de beleza, 4e a que agradasse mais a Sua Majestade substituiria Vasti como rainha.

O rei aprovou este parecer e mandou-o pôr em prática.

5Ora, naquele tempo, vivia em Susa um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, da tribo de Benjamim e descendente de Simei e de Quis2,5 Quis era pai de Saul.. 6Mardoqueu tinha sido deportado de Jerusalém juntamente com outros prisioneiros, quando o rei Nabucodonosor da Babilónia levou para o exílio o rei Jeconias de Judá2,6 Jeconias de Judá foi deportado por Nabucodonosor em 597 a.C.. 7Mardoqueu tinha uma sobrinha chamada Hadassa, em hebraico Ester, que ele tinha criado, porque ela não tinha pai nem mãe. Considerava-a como filha, desde que ficou órfã. Ester era muito bela, de corpo e de feições.

8Quando a ordem do rei foi tornada pública, numerosas jovens foram levadas a Susa e reunidas no harém à guarda de Hegai. Ester encontrava-se entre elas. 9Hegai gostou muito daquela jovem e por isso lhe destinou imediatamente os produtos de beleza e alimentação especial e lhe deu sete das melhores empregadas da casa real, para a assistirem. Foram-lhe ainda dados os melhores aposentos do harém, para ela e para as suas empregadas.

10Mas Ester, por conselho de Mardoqueu, não revelou que era judia. 11Todos os dias Mardoqueu rondava o pátio do harém, para saber notícias de Ester e o que lhe ia acontecendo.

12O tratamento de beleza devia prolongar-se por um ano, incluindo seis meses de massagens com óleo de mirra e seis meses com óleo de bálsamo e outros produtos apropriados. Depois quando chegava a sua vez, cada jovem era conduzida à presença do rei. 13Nesse dia, ao passar do harém ao palácio, podia levar consigo tudo o que ela desejasse. 14Era admitida à noite, e na manhã seguinte era conduzida a um segundo harém, à guarda de Chasgaz, eunuco real, que era o responsável pelas esposas secundárias. E não voltava mais à presença do rei, a não ser que este a desejasse e a mandasse chamar.

15Chegou a vez de Ester ser levada à presença do rei. Ester era filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a adotara por filha e era admirada por todos os que a podiam ver. Ela não pediu nada de especial, além do que Hegai lhe tinha recomendado que usasse. 16Assim Ester foi conduzida ao palácio, à presença do rei Xerxes, no sétimo ano do seu reinado, no décimo mês que é o mês de Tebet2,16 Tebet. Corresponde a Dezembro-Janeiro.. 17O rei gostou mais de Ester do que de todas as outras mulheres, e concedeu-lhe mais favores e dedicou-lhe mais afeição do que às restantes jovens. Mandou colocar a coroa real sobre a sua cabeça e fê-la proclamar rainha em lugar de Vasti. 18Então o rei deu um grande banquete, em honra de Ester, a todos os seus ministros e cortesãos. Foi também concedida às províncias uma redução de impostos e foram distribuídos ricos presentes.

Mardoqueu salva a vida do rei

19Quando as jovens se reuniram pela segunda vez, Mardoqueu estava em serviço à porta do rei. 20Ester, porém, ainda não tinha dado a conhecer que era judia, pois Mardoqueu tinha-lho proibido e ela obedecia, tal como sempre fizera enquanto estava ao seu cuidado. 21Certo dia, estando Mardoqueu de serviço à porta do rei, dois eunucos, que guardavam o acesso aos aposentos reais, revoltaram-se e tentaram tirar a vida ao monarca. 22Mardoqueu descobriu a conjura e fê-lo saber à rainha Ester, que por sua vez o contou ao rei, em nome do tio. 23A questão foi investigada e foi confirmada a culpa. Os dois foram enforcados e o caso foi escrito no livro das Crónicas, na presença do rei.

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Plano de Haman para destruir os judeus

31Passado algum tempo, o rei Xerxes nomeou Haman, filho de Hamedata, descendente de Agag3,1 Agag. Rei dos amalecitas e inimigo de Saul. Cf. 1 Sm 15., seu primeiro-ministro, colocando-o acima dos outros ministros. 2Todos os oficiais de serviço no palácio real lhe prestavam homenagem, dobrando o joelho e inclinando-se diante dele, pois assim tinha ordenado o rei. Só Mardoqueu não dobrava o joelho nem se inclinava.

3Então os outros oficiais ao serviço do palácio real perguntaram-lhe: «Por que desobedeces à ordem do rei?» 4E todos os dias lhe diziam o mesmo, mas ele não lhes dava ouvidos e só respondia: «Eu sou judeu.» Denunciaram-no então a Haman, para ver se era verdade ou não o que Mardoqueu tinha dito.

5Haman ficou furioso, quando viu que Mardoqueu não dobrava o joelho nem se inclinava à sua passagem. 6E quando soube que ele era judeu, achou que seria pouco castigá-lo somente a ele, mas planeou destruir todos os judeus do império de Xerxes, por serem do mesmo povo de Mardoqueu. 7No primeiro mês, que é o mês de Nisan3,7 Nisan. Corresponde a Março-Abril., no décimo segundo ano do reinado de Xerxes, foi lançado o pur, isto é, a sorte, diante de Haman, para escolher o dia e o mês em que devia levar a cabo os seus intentos. Caiu a escolha no décimo segundo mês, que é o mês de Adar3,7 Adar. Corresponde a Fevereiro-Março..

8Então Haman disse ao rei: «Entre os povos que compõem as províncias do reino de Vossa Majestade, há um que vive separado dos demais, tem leis diferentes das dos outros povos e não obedece às leis do reino. E não há interesse em tolerá-lo. 9Se parecer bem a Vossa Majestade, decrete-se o seu extermínio; e eu comprometo-me a entregar aos funcionários da fazenda mais de trezentas toneladas de prata, para darem entrada nos tesouros reais.»

10Então o rei tirou do dedo o anel usado para selar os decretos imperiais e entregou-o a Haman, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agag, 11e disse-lhe: «O povo e o seu dinheiro são teus; faz o que quiseres deles.»

12Então Haman convocou os secretários do rei, no décimo terceiro dia do primeiro mês, e ditou-lhes o decreto para que fosse traduzido e escrito nas diversas línguas existentes no império e enviado aos sátrapas do rei, aos governadores e aos chefes locais. E o documento foi escrito e selado com o selo do rei Xerxes.

13Então estafetas levaram cópias para todas as províncias. Aí se davam instruções para que num só dia, que era o dia treze de Adar, todos os judeus, novos e velhos, mulheres e crianças, fossem mortos. Deviam destruí-los todos e apoderar-se dos seus bens.

14A cópia daquele documento devia ser dada a conhecer a toda a gente, para que se preparassem para esse dia.

15Por ordem real, os estafetas partiram a toda a pressa e o decreto foi publicado em Susa. E enquanto o rei e Haman se banqueteavam, a cidade estava consternada.

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Mardoqueu pede a intervenção de Ester

41Quando Mardoqueu soube o que se tinha passado, rasgou as suas vestes em sinal de dor, vestiu-se com roupas de luto, pôs cinza na cabeça e percorreu a cidade soltando gritos de amargura. 2Assim chegou à porta do palácio, mas não entrou, porque ninguém podia lá entrar vestido daquela maneira.

3Em todas as províncias a que chegou a ordem e o decreto real, em cada uma delas houve grande desolação entre os judeus, que manifestavam a sua tristeza com jejuns, prantos e lamentos. Muitos vestiam roupas de luto e deitavam-se sobre cinza.

4Quando as damas da rainha Ester e os seus eunucos lhe contaram o que se passava, ela ficou muito perturbada. Mandou roupas para que Mardoqueu se vestisse, e despisse aquelas que trazia. Mas ele não aceitou. 5Então Ester chamou Hatac, um dos eunucos do palácio, que o rei pusera ao seu serviço, e mandou-lhe perguntar a Mardoqueu qual a razão da sua atitude. 6Assim Hatac foi ao encontro de Mardoqueu, que estava na praça da cidade, à entrada do palácio. 7E Mardoqueu contou-lhe o sucedido e quanto dinheiro Haman prometera depositar nos cofres do império, em troca do extermínio dos judeus. 8Entregou-lhe também uma cópia do decreto dado em Susa, que ordenava a destruição dos judeus. Mardoqueu pediu-lhe que o mostrasse a Ester, pondo-a ao corrente de tudo, e que insistisse com ela para interceder junto do rei em favor do seu povo. 9Hatac foi ter com Ester e transmitiu-lhe aquele pedido. 10A rainha enviou novamente Hatac com a seguinte mensagem: 11«Toda a gente sabe, desde os cortesãos ao povo espalhado pelo império, que ninguém, homem ou mulher, se pode apresentar no interior do palácio, sem ser chamado. E se o fizer é condenado à morte. A única maneira de escapar com vida é o rei estender-lhe o seu cetro de ouro. Mas já há mais de um mês que ele não me manda chamar.»

12Quando Mardoqueu recebeu a mensagem de Ester, 13enviou-lhe o seguinte aviso: «Não penses que estás mais segura do que os outros judeus, só porque vives no palácio real. 14Se agora te calares e o socorro e libertação dos judeus vierem de outra parte, morrerás, tu e a tua família. Mas quem sabe se não foi para resolver esta situação que tu chegaste a rainha.»

15Então Ester mandou a seguinte resposta a Mardoqueu: 16«Vai e reúne todos os judeus de Susa; jejuem por mim, não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu farei o mesmo com as minhas damas. Depois irei ter com o rei, embora seja contra a lei; e, se tiver que morrer, morrerei.»

17Mardoqueu retirou-se então e fez o que Ester lhe pediu.