a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Plano de Haman para destruir os judeus

31Passado algum tempo, o rei Xerxes nomeou Haman, filho de Hamedata, descendente de Agag3,1 Agag. Rei dos amalecitas e inimigo de Saul. Cf. 1 Sm 15., seu primeiro-ministro, colocando-o acima dos outros ministros. 2Todos os oficiais de serviço no palácio real lhe prestavam homenagem, dobrando o joelho e inclinando-se diante dele, pois assim tinha ordenado o rei. Só Mardoqueu não dobrava o joelho nem se inclinava.

3Então os outros oficiais ao serviço do palácio real perguntaram-lhe: «Por que desobedeces à ordem do rei?» 4E todos os dias lhe diziam o mesmo, mas ele não lhes dava ouvidos e só respondia: «Eu sou judeu.» Denunciaram-no então a Haman, para ver se era verdade ou não o que Mardoqueu tinha dito.

5Haman ficou furioso, quando viu que Mardoqueu não dobrava o joelho nem se inclinava à sua passagem. 6E quando soube que ele era judeu, achou que seria pouco castigá-lo somente a ele, mas planeou destruir todos os judeus do império de Xerxes, por serem do mesmo povo de Mardoqueu. 7No primeiro mês, que é o mês de Nisan3,7 Nisan. Corresponde a Março-Abril., no décimo segundo ano do reinado de Xerxes, foi lançado o pur, isto é, a sorte, diante de Haman, para escolher o dia e o mês em que devia levar a cabo os seus intentos. Caiu a escolha no décimo segundo mês, que é o mês de Adar3,7 Adar. Corresponde a Fevereiro-Março..

8Então Haman disse ao rei: «Entre os povos que compõem as províncias do reino de Vossa Majestade, há um que vive separado dos demais, tem leis diferentes das dos outros povos e não obedece às leis do reino. E não há interesse em tolerá-lo. 9Se parecer bem a Vossa Majestade, decrete-se o seu extermínio; e eu comprometo-me a entregar aos funcionários da fazenda mais de trezentas toneladas de prata, para darem entrada nos tesouros reais.»

10Então o rei tirou do dedo o anel usado para selar os decretos imperiais e entregou-o a Haman, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agag, 11e disse-lhe: «O povo e o seu dinheiro são teus; faz o que quiseres deles.»

12Então Haman convocou os secretários do rei, no décimo terceiro dia do primeiro mês, e ditou-lhes o decreto para que fosse traduzido e escrito nas diversas línguas existentes no império e enviado aos sátrapas do rei, aos governadores e aos chefes locais. E o documento foi escrito e selado com o selo do rei Xerxes.

13Então estafetas levaram cópias para todas as províncias. Aí se davam instruções para que num só dia, que era o dia treze de Adar, todos os judeus, novos e velhos, mulheres e crianças, fossem mortos. Deviam destruí-los todos e apoderar-se dos seus bens.

14A cópia daquele documento devia ser dada a conhecer a toda a gente, para que se preparassem para esse dia.

15Por ordem real, os estafetas partiram a toda a pressa e o decreto foi publicado em Susa. E enquanto o rei e Haman se banqueteavam, a cidade estava consternada.

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Mardoqueu pede a intervenção de Ester

41Quando Mardoqueu soube o que se tinha passado, rasgou as suas vestes em sinal de dor, vestiu-se com roupas de luto, pôs cinza na cabeça e percorreu a cidade soltando gritos de amargura. 2Assim chegou à porta do palácio, mas não entrou, porque ninguém podia lá entrar vestido daquela maneira.

3Em todas as províncias a que chegou a ordem e o decreto real, em cada uma delas houve grande desolação entre os judeus, que manifestavam a sua tristeza com jejuns, prantos e lamentos. Muitos vestiam roupas de luto e deitavam-se sobre cinza.

4Quando as damas da rainha Ester e os seus eunucos lhe contaram o que se passava, ela ficou muito perturbada. Mandou roupas para que Mardoqueu se vestisse, e despisse aquelas que trazia. Mas ele não aceitou. 5Então Ester chamou Hatac, um dos eunucos do palácio, que o rei pusera ao seu serviço, e mandou-lhe perguntar a Mardoqueu qual a razão da sua atitude. 6Assim Hatac foi ao encontro de Mardoqueu, que estava na praça da cidade, à entrada do palácio. 7E Mardoqueu contou-lhe o sucedido e quanto dinheiro Haman prometera depositar nos cofres do império, em troca do extermínio dos judeus. 8Entregou-lhe também uma cópia do decreto dado em Susa, que ordenava a destruição dos judeus. Mardoqueu pediu-lhe que o mostrasse a Ester, pondo-a ao corrente de tudo, e que insistisse com ela para interceder junto do rei em favor do seu povo. 9Hatac foi ter com Ester e transmitiu-lhe aquele pedido. 10A rainha enviou novamente Hatac com a seguinte mensagem: 11«Toda a gente sabe, desde os cortesãos ao povo espalhado pelo império, que ninguém, homem ou mulher, se pode apresentar no interior do palácio, sem ser chamado. E se o fizer é condenado à morte. A única maneira de escapar com vida é o rei estender-lhe o seu cetro de ouro. Mas já há mais de um mês que ele não me manda chamar.»

12Quando Mardoqueu recebeu a mensagem de Ester, 13enviou-lhe o seguinte aviso: «Não penses que estás mais segura do que os outros judeus, só porque vives no palácio real. 14Se agora te calares e o socorro e libertação dos judeus vierem de outra parte, morrerás, tu e a tua família. Mas quem sabe se não foi para resolver esta situação que tu chegaste a rainha.»

15Então Ester mandou a seguinte resposta a Mardoqueu: 16«Vai e reúne todos os judeus de Susa; jejuem por mim, não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu farei o mesmo com as minhas damas. Depois irei ter com o rei, embora seja contra a lei; e, se tiver que morrer, morrerei.»

17Mardoqueu retirou-se então e fez o que Ester lhe pediu.

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Xerxes e Haman convidados de Ester

51No terceiro dia do seu jejum, Ester vestiu-se com os seus trajes reais e apresentou-se no átrio interior do palácio, diante da sala do trono. O rei estava sentado no trono, virado para a entrada. 2Logo que ele viu a rainha Ester no átrio, olhou-a com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro, que tinha na mão. Ela aproximou-se e tocou na ponta do cetro. 3O rei perguntou-lhe: «Que é que tens, rainha Ester? Diz-me o que pretendes e eu to darei, ainda que seja metade do meu império.»

4Ester respondeu: «Se é do agrado de Vossa Majestade, gostaria que viesse hoje, juntamente com Haman, a um banquete, que eu preparei.»

5O rei então disse: «Previnam depressa Haman, para que o desejo da rainha seja satisfeito.» Assim o rei e Haman foram ao banquete de Ester. 6Durante o banquete, o rei dirigiu-se à rainha nestes termos: «Diz-me o que desejas e eu to darei, ainda que seja metade do meu império.»

7Ester respondeu-lhe então: 8«Se mereço a estima de Vossa Majestade e lhe agrada aceder ao meu pedido e satisfazer o meu desejo, gostaria de o convidar juntamente com Haman para outro banquete que vou preparar para amanhã. Darei então a resposta a essa pergunta.»

9Haman naquele dia regressou a casa contente e feliz. Mas quando viu que Mardoqueu, à entrada do palácio, não se levantava nem mostrava algum sinal de respeito à sua passagem, ficou furioso. 10Contudo dominou a ira e foi para casa. Em seguida chamou os seus amigos e Zeres, sua mulher, 11e começou a gabar-se da sua riqueza, do número de filhos que tinha, do alto cargo que o rei lhe tinha confiado e da sua autoridade sobre todos os ministros e funcionários do rei. 12E acrescentou: «Além disso, a rainha só me convidou a mim, para ir com o rei ao banquete que ela preparou. E já me convidou para ir de novo amanhã a outro banquete com o rei. 13Mas nada disto me satisfaz, enquanto vir esse judeu Mardoqueu no palácio do rei.»

14Então Zeres e os seus amigos sugeriram: «Por que não mandas fazer uma forca de mais de vinte metros de altura? Amanhã de manhã, pedes ao rei que o mande enforcar5,14 Os traidores e conspiradores eram enforcados. e, quando fores ao banquete com Sua Majestade, já vais satisfeito.»

Haman achou que era uma excelente ideia e mandou fazer a forca.