a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Jerusalém é condenada

111O Espírito de Deus arrebatou-me e levou-me até à porta oriental do templo. Ali, junto à porta, vi vinte e cinco homens, entre os quais se encontrava Jazanias, filho de Azur, e Pelatias, filho de Benaías, chefes do povo. 2O Senhor disse-me: «Homem11,2 Ver nota a 2,1., estes homens tramam planos criminosos e dão conselhos perversos à cidade. 3Eles dizem: “Não será em breve, vamos começar novamente a construir casas; a cidade assemelha-se a uma panela e nós somos a carne dentro dela11,3 O sentido exato desta frase é desconhecido. A imagem é utilizada de novo em 24,3–5.” 4Homem, deves denunciá-los agora.»

5O Espírito do Senhor apoderou-se de mim e disse-me que transmitisse ao povo a seguinte mensagem: «Povo de Israel, sou conhecedor do que dizem e dos planos que traçaram. 6Assassinaram tanta gente nesta cidade que as ruas estão cheias de cadáveres.» 7Por isso, eis o que o Senhor Deus vos manda dizer: «Esta cidade é de facto a panela, mas a carne são os cadáveres daqueles que mataram! Quanto a vós, vou lançar-vos para fora da cidade! 8Têm medo das espadas? Pois vou trazer homens com espadas para vos atacarem. Palavra do Senhor, Deus! 9Vou tirar-vos da cidade e entregar-vos ao poder dos estrangeiros. Vou condenar-vos à morte 10e serão mortos em combate dentro do vosso país. Então reconhecereis que eu sou o Senhor. 11Esta cidade não vos guardará, como a panela guarda a carne dentro dela. Vou castigar-vos onde quer que estiverem, na terra de Israel. 12Terão de reconhecer que eu sou o Senhor e que, enquanto obedeciam às leis dos povos vizinhos, transgrediam as minhas leis e desobedeciam aos meus mandamentos.»

13Enquanto eu transmitia a mensagem, Pelatias, filho de Benaías, morreu11,13 A morte de Pelatias, cujo nome significa “sobrevivente de Deus”, constitui um mau presságio para os israelitas que escaparam ao exílio.. Eu deitei-me de rosto por terra e gritei: «Não, Senhor Deus! Vais matar também os que restam de Israel?»

A promessa de Deus aos exilados

14O Senhor dirigiu-me a seguinte mensagem: 15«Ezequiel, o povo que está em Jerusalém anda a falar de ti e dos teus compatriotas israelitas que estão no exílio; dizem: “Os exilados encontram-se longe demais para poderem prestar culto ao Senhor. Ele entregou-nos esta terra nas nossas mãos.” 16Vai agora dizer aos outros exilados o que eu tenho para lhes comunicar! Eu sou aquele que os enviou para viverem em países longínquos e os espalhou por essas nações. Mas em qualquer país, serei para vocês como um santuário11,16 A presença de Deus não se faria sentir apenas no santuário de Jerusalém. Ver 1,26–28; 10,18–19; 11,22–25.. 17Por isso, diz-lhes o que eu, o Senhor Deus, lhes comunico. Vou reunir-vos de todos os países para onde foram e juntar-vos de todos os lugares por onde andam dispersos e vou restituir-vos a terra de Israel. 18Quando voltarem, devem retirar de lá todos os ídolos abomináveis que ainda estiverem de pé. 19Vou dar-lhes um só coração e um espírito novo. Retirarei o seu coração de pedra e dar-lhes-ei um coração humano obediente. 20Assim obedecerão às minhas leis e seguirão as minhas ordens com fidelidade. Serão o meu povo e eu serei o seu Deus11,20 Para os v. 19–20, ver 36,26–28.. 21Castigarei porém o povo que prestar culto aos ídolos abomináveis. Castigá-los-ei de tudo o que fizeram. Palavra do Senhor

O Senhor abandona Jerusalém

22Os querubins começaram a voar e as rodas acompanharam-nos. A presença gloriosa do Deus de Israel ia sobre eles. 23Então a presença gloriosa do Senhor saiu de cima da cidade e dirigiu-se para o monte que está a oriente. 24O Espírito de Deus arrebatou-me em visão e levou-me de novo para junto dos exilados na Babilónia. Então a visão terminou 25e contei aos exilados tudo o que o Senhor me mostrara.

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Ezequiel e a queda iminente de Jerusalém

121O Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem12,2 Ver nota a 2,1., tu vives entre gente rebelde12,2 Ver Is 6,9–10; Jr 5,21; Mc 8,18.. Têm olhos para ver, mas não veem; têm ouvidos para ouvir, mas não ouvem; porque são gente rebelde. 3Mas tu, pega agora nos teus haveres, como faria um refugiado, e sai antes de anoitecer. Que todos saibam que partes e vais para outro lugar. Talvez eles se deem conta que são gente rebelde. 4Enquanto é dia, pega, pois, nos teus haveres, para ires para o exílio, de maneira que te vejam realmente sair, ao anoitecer, como um exilado. 5À vista deles, faz um buraco na parede da tua casa e passa por ele, com os teus haveres. 6Põe-nos aos ombros, de maneira que todos te vejam, e sai para o escuro com os olhos vendados, para não veres para onde vais. Isso servirá de aviso para os israelitas.»

7Fiz como o Senhor me ordenara. Nesse dia, preparei as minhas coisas como quem parte para o exílio e, à tarde, ao escurecer, fiz um buraco na parede com as mãos e saí por ele. À vista dos que me observavam, pus o meu embrulho às costas e parti. 8Na manhã seguinte, o Senhor dirigiu-me esta mensagem: 9«Ezequiel, agora que aqueles israelitas rebeldes começaram a perguntar o que estás a fazer, 10mostra-lhes o que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes comunicar. A minha mensagem destina-se ao chefe que governa Jerusalém e para todo o povo que ali vive. 11Diz-lhes que o que fizeste é um sinal do que lhes vai acontecer, pois vão ser levados para o exílio como prisioneiros. 12O chefe que os governa levará aos ombros os seus haveres, de noite, e escapará através de um buraco que para isso alguém lhe fez na parede. Tapará os olhos, para não ver a sua terra. 13Porém eu lançarei a minha rede e ficará apanhado na armadilha. Em seguida, vou levá-lo para a cidade da Babilónia, onde morrerá12,13 Os v. 12–13 podem fazer alusão ao rei Sedecias. Ver 2 Rs 25,4–7; Jr 39,4–7; 52,7–11. sem ter podido vê-la. 14Espalharei aos quatro ventos os membros da sua corte e os seus conselheiros e guarda-costas, e eu hei de persegui-los com a minha espada. 15Quando virem que os espalhei pelas outras nações e países estrangeiros, vão reconhecer que eu sou o Senhor. 16Permitirei que uns poucos sobrevivam à guerra, à fome e à peste, para irem contar aos outros povos as práticas abomináveis dos habitantes de Jerusalém, e para reconhecerem que eu sou o Senhor

A palavra do Senhor vai cumprir-se

17O Senhor dirigiu-me esta mensagem: 18«Ezequiel, treme, quando comeres, e estremece de medo, quando beberes. 19Diz a toda a nação de Israel que esta é a mensagem do Senhor Deus ao povo de Jerusalém, que ainda habita no país: ao comerem, hão de tremer, e hão de estremecer de medo, ao beberem. A sua terra será devastada, porque os seus habitantes a encheram de opressão. 20Cidades que estão agora cheias de gente, serão destruídas e o país vai transformar-se num deserto. Vão assim reconhecer que eu sou o Senhor

21O Senhor disse-me ainda: 22«Ezequiel, por que é que os habitantes de Israel repetem este provérbio: os dias passam e as profecias não se cumprem? 23Mostra-lhes agora o que eu, o Senhor Deus, tenho para lhes comunicar. Esse provérbio deixará de ter sentido e nunca mais será repetido em Israel. Pelo contrário, hão de dizer: “Chegou o tempo e as profecias cumpriram-se!” 24Não haverá mais falsas visões, nem profecias enganosas para o povo de Israel. 25Eu, o Senhor Deus, vou falar-lhes; e o que eu disser vai cumprir-se sem demora. Isso será nos vossos dias, enquanto vocês, rebeldes, viverem; e eu cumprirei as ameaças que vos dirigi. Palavra do Senhor

26O Senhor disse-me ainda: 27«Ezequiel, os israelitas pensam que as tuas visões e profecias se referem a um futuro muito distante. 28Transmite-lhes agora o que eu, o Senhor Deus, te revelei. Não haverá mais demora. O que eu te disse, vai cumprir-se já. Palavra do Senhor

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Contra os falsos profetas

131O Senhor disse-me: 2«Homem13,2 Ver nota a 2,1., denuncia os profetas de Israel que inventam o que dizem. Avisa-os que prestem atenção à palavra do Senhor3Eis que o Senhor Deus diz: «Estes profetas insensatos estão condenados ao fracasso! Proclamam mensagens inventadas e fabricam as suas próprias visões. 4Ó povo de Israel, os teus profetas são tão inúteis como as raposas que vivem nas ruínas de uma cidade. 5Não guardam os locais onde o muro ruiu, nem reconstroem as muralhas e por isso Israel não se poderá defender quando a guerra vier, no dia do castigo do Senhor. 6As suas visões são falsas e as suas profecias são mentira. Pretendem transmitir a mensagem do Senhor, mas eu não os enviei. Contudo, pensam que as suas palavras se cumprirão!» 7Eis o que lhes digo: «Essas visões, que vocês têm, são falsas e as profecias que fazem são mentira. Dizem que são palavras minhas, mas eu não as pronunciei!

8Por isso, eu, o Senhor Deus, vos aviso! As vossas palavras são falsas, e as vossas visões são mentira. Eu aqui estou contra vós!»

9Estou prestes a castigar os profetas de falsas visões e de mensagens enganosas. Eles não estarão presentes quando o meu povo se reunir para tomar decisões; os seus nomes não serão mencionados na lista dos cidadãos de Israel13,9 Ver Ed 2; Ne 7,5–67.; nunca mais voltarão à sua terra. Então ficarão a saber que eu sou o Senhor Deus. 10Os profetas conduziram o meu povo por maus caminhos, dizendo-lhe que tudo vai bem quando nada vai bem. O meu povo fez um muro de pedras soltas e os profetas contentam-se em o cobrir com cal. 11Diz àqueles falsos construtores que o seu muro vai desmoronar-se. Vou fazer cair uma grande chuvada, com granizo e vento ciclónico. 12O muro vai desmoronar-se, e todos perguntarão para que serviu a cal.

13É isto que eu vos declaro, eu o Senhor Deus: «Na minha ira enviarei um vento forte, uma grande chuvada e granizo, para deitar abaixo esse muro. 14Farei cair o muro que cobriram de cal, para que se desmorone e deixe à mostra os seus alicerces. Quando cair, vai matar-vos a todos. Então ficareis a saber que eu sou o Senhor. 15O muro e os que lhe puseram a cal ficarão a conhecer os resultados da minha ira. Vereis então que o muro desapareceu assim como os que lhe deitaram a cal. 16E garantiram os profetas por profecias e visões que tudo iria correr bem para Jerusalém, quando isso não era verdade13,16 Para os v. 10–16, ver Ez 22,28; Jr 6,12–15; 8,10–12.! Palavra do Senhor

Contra as falsas profetisas

17Disse o Senhor: «E agora, Ezequiel, volta-te contra as mulheres do teu povo, que pretendem ser profetisas. Denuncia-as 18e mostra-lhes o que o Senhor Deus tem para lhes dizer: “Vós, mulheres, estais condenadas! Coseis amuletos para toda a gente usar no braço e fazeis lenços mágicos para as pessoas usarem na cabeça, para assim terem influência na vida dos outros13,18 Alusão a práticas mágicas pouco conhecidas.. Pretendeis possuir o poder da vida e da morte sobre o meu povo e usá-lo para vosso proveito. 19Desonrais-me13,19 A magia era proibida por Deus. Ver Lv 19,26–31; 20,27; Dt 18,10–12. diante do povo, a fim de receberdes um pouco de cevada e de pão. Considerais dignos de morte aqueles que não merecem morrer e deixais viver os que deviam morrer. Assim enganais o meu povo, que acredita nas vossas mentiras. 20Mas eu, o Senhor, vosso Deus, tenho a declarar-vos que vou intervir contra os laços com que procurais apanhar as pessoas. Vou arrancar e rasgar os laços que tendes na mão e darei a liberdade ao povo que dominais. 21Arrancarei os vossos lenços e farei com que o meu povo se liberte da vossa influência, de uma vez para sempre. Então ficareis a saber que eu sou o Senhor. 22Com as vossas mentiras, fazem desanimar a gente boa, a quem eu não queria fazer mal. E, pelo contrário, impedem os maus de se arrependerem do mal e de salvar as suas vidas. 23Mas as vossas visões falsas e as vossas profecias enganosas terminaram. Vou libertar o meu povo do vosso domínio e ficareis a saber que eu sou o Senhor.”»