a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Mensagem contra o Egito

291No décimo ano do nosso exílio, no dia doze do décimo mês29,1 dezembro de 588 a janeiro de 587 a.C., o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem29,2 Ver nota a 2,1., anuncia a minha mensagem contra o rei do Egito. Mostra-lhe como ele e toda a terra do Egito serão castigados. 3Eis a minha mensagem para o rei do Egito: “Eu estou contra ti, crocodilo monstruoso, que vives no Nilo. Dizes que o Nilo te pertence e que foste tu que o fizeste. 4Vou segurar-te pela boca com um gancho e fazer com que os peixes do rio se prendam nas placas da tua pele. Em seguida, vou tirar-te para fora do Nilo, com os peixes que se agarrarem a ti. 5Vou em seguida atirar-te, com todos esses peixes, para o deserto. O teu corpo ali ficará, sem ser recolhido nem enterrado. Dá-lo-ei como comida às aves e animais. 6Então os habitantes do Egito ficarão a saber que eu sou o Senhor.

Os israelitas buscaram apoio dos egípcios, mas tu não passaste duma cana sem resistência; 7quando te agarraram, tu rachaste e cortaste-lhes as mãos, quando se apoiaram, partiste e atravessaste-lhes os rins. 8Eis que agora, eu, o Senhor Deus, te asseguro que farei com que os homens te ataquem com espadas e matem o teu povo e os teus animais. 9O Egito ficará em ruínas e sem população. Então ficarás a saber que eu sou o Senhor. Já que afirmaste que o Nilo é teu e que foste tu que o fizeste, 10eu volto-me contra ti e contra o teu Nilo. Farei do Egito uma nação em ruínas e sem população, desde a cidade de Migdol ao norte, até à cidade de Assuão e à fronteira da Etiópia, no sul. 11Nenhum ser humano ou animal por lá passará. Nada ali terá vida durante quarenta anos29,11 Ver 4,6 e nota.. 12Farei do Egito o país mais deserto do mundo; durante quarenta anos, as cidades do Egito ficarão em ruínas, ruínas que serão maiores do que as de qualquer outra cidade. Os egípcios serão deportados, terão de fugir para os outros países e viver entre os outros povos. 13Mas eu, o Senhor Deus, vos declaro que, depois desses quarenta anos, reunirei de novo os egípcios das nações por onde os espalhei. 14Vou fazer regressar os egípcios e deixá-los viver no sul do Egito, donde são originários. Ali constituirão um reino fraco. 15Será o mais fraco de todos e eles nunca mais terão domínio sobre as outras nações. Farei deles um povo tão insignificante que nunca mais conseguirão sujeitar à sua vontade nenhuma outra nação. 16Israel nunca mais dependerá dele, para estar seguro. O destino do Egito lembrará a Israel que cometeu um erro em se apoiar nele29,16 Ezequiel faz alusão às alianças com o Egito. Ver Ez 17,15; 29,6. Estas alianças são igualmente condenadas por outros profetas. Ver Is 30,1–2; Jr 2,18; Os 7,11.. Então Israel ficará a saber que eu sou o Senhor Deus.”»

Nabucodonosor conquistará o Egito

17No vigésimo sétimo ano do nosso exílio, no primeiro dia do primeiro mês29,17 março/abril de 571 a.C., o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 18«Homem, o rei Nabucodonosor da Babilónia lançou um ataque contra Tiro29,18 O cerco de Tiro durou treze anos.. Fez com que os seus soldados levassem cargas de tal maneira pesadas que as suas cabeças perderam o cabelo e os seus ombros ficaram em ferida. Porém nem o rei, nem o seu exército, receberam os despojos da guerra. 19Por isso, eu, o Senhor Deus, vos declaro que vou dar a terra do Egito ao rei Nabucodonosor. Ele saqueará e apoderar-se-á de toda a riqueza e dos despojos do Egito, e dá-los-á como paga ao seu exército. 20Vou dar-lhe o Egito como paga pelos seus serviços, porque o seu exército trabalhou para mim. Palavra do Senhor! 21Quando isso acontecer, fortalecerei o povo de Israel, e deixarei que tu, Ezequiel, lhes dirijas de novo a palavra29,21 Ver 3,26; 24,27., para que fiquem a saber que eu sou o Senhor

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O Senhor castigará o Egito

301O Senhor dirigiu-me de novo a palavra e disse-me: 2«Homem30,2 Ver nota a 2,1., anuncia a mensagem que eu, o Senhor Deus, tenho para comunicar. Vem aí um dia terrível. 3Aproxima-se o dia em que o Senhor vai intervir, um dia sombrio, de castigo para todas as nações. 4Haverá guerra no Egito e grande convulsão na Etiópia; muita gente morrerá no Egito; o país será posto a saque e deixado completamente em ruínas. 5Essa guerra matará igualmente os mercenários da Etiópia, Put, Lud30,5 Ver Is 66,19., Líbia, Arábia, e até do meu povo. 6De Migdol, ao norte, até Assuão, ao sul, os defensores do Egito morrerão na guerra. O poderoso exército do Egito será destroçado. Palavra do Senhor! 7O seu país será o mais deserto do mundo, e as suas cidades serão deixadas em completa ruína. 8Quando eu puser fogo ao Egito e morrerem aqueles que o apoiam, ficareis a saber que eu sou o Senhor. 9Quando esse dia vier e o Egito for destruído, enviarei emissários em barcos, para meterem medo ao tranquilo povo da Etiópia. Esse dia está para breve!

10Garanto-vos que vou fazer com que o rei Nabucodonosor da Babilónia ponha fim à riqueza do Egito. 11Juntamente com o seu exército poderoso, virá para devastar a terra. Atacarão o Egito com as suas espadas e o país ficará cheio de cadáveres. 12Secarei o Nilo e porei o Egito sob o domínio de um povo cruel. O país será devastado por estrangeiros. Sou eu, o Senhor, quem o afirma! 13Eis que vou destruir os ídolos e falsos deuses de Mênfis30,13 Mênfis. Cidade situada a sul do delta do Nilo.. Não ficará ninguém para governar o Egito e deixarei o seu povo em pânico. 14Farei com que a região de Patros, no sul, fique num deserto e porei fogo à cidade de Soan, no norte. Castigarei Tebas, a sua capital. 15A cidade de Sin, a grande fortaleza do Egito, sentirá o peso da minha indignação. Destruirei as riquezas de Tebas. 16Porei fogo ao Egito e Sin ficará em convulsão. Os muros de Tebas serão deitados abaixo, e a cidade sentirá os efeitos da invasão30,16 Ou: a cidade será inundada.. 17Os jovens das cidades de Heliópolis30,17 Ou: On. Cidade no delta do Nilo. e Pi-Besset30,17 Pi-Besset. Cidade no delta do Nilo. morrerão na guerra e os restantes habitantes serão levados prisioneiros. 18Táfnis30,18 Táfnis. Cidade fronteiriça a leste do delta do Nilo. será envolta em escuridão, quando eu enfraquecer o poderio do Egito e puser fim à sua força, da qual tanto se orgulha. Uma nuvem cobrirá o Egito, e os habitantes das suas cidades serão levados para o exílio. 19Quando eu castigar o Egito, então todos ficarão a saber que eu sou o Senhor

Nabucodonosor conquista o Egito

20No décimo primeiro ano do nosso exílio, no sétimo dia do primeiro mês30,20 março/abril de 587 a.C., o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 21«Homem, eu quebrei o braço30,21 Na Bíblia, o braço é frequentemente símbolo de força. Ver Ez 20,33–34 e também Jr 27,5 e Lc 1,51, onde a expressão literal braço foi traduzida pela equivalente força ou poder. ao rei do Egito; ninguém o ligou nem engessou, para que se restabelecesse e pudesse empunhar novamente a espada. 22Agora pois, eis o que eu, o Senhor Deus, tenho para declarar. Eu estou contra o rei do Egito e vou quebrar-lhe ambos os braços, aquele que ainda está bom, e o que já está partido; e a espada há de cair-lhe da mão. 23Vou espalhar e dispersar os egípcios por todo o mundo. 24Fortalecerei então os braços do rei da Babilónia e porei a minha espada nas suas mãos e quebrarei os braços ao rei do Egito, o qual, gemendo, vai morrer diante do inimigo. 25Sim, vou enfraquecer o rei do Egito e fortalecer o rei da Babilónia. E quando eu entregar a este último a minha espada e ele a empunhar contra o Egito, toda a gente ficará a saber que eu sou o Senhor. 26Espalharei e dispersarei os egípcios por todo o mundo e todos ficarão então a saber que eu sou o Senhor

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O rei do Egito, comparado a um cedro

311No décimo primeiro ano do nosso exílio, no primeiro dia do terceiro mês31,1 maio/junho de 587 a.C., o Senhor dirigiu-me a palavra e disse-me: 2«Homem31,2 Ver nota a 2,1., diz ao rei do Egito e aos seus numerosos súbditos o seguinte:

“Quem se pode comparar contigo, na tua grandeza?

3És como um pinheiro ou um cedro do Líbano

com ramos belos e frondosos,

uma árvore alta que chega às nuvens!

4Não faltou a chuva para a fazer crescer,

nem as águas subterrâneas para a alimentar.

Regavam o lugar onde a árvore crescia

e depois corriam para todas as árvores da floresta.

5Porque era tão bem regada,

aquela árvore cresceu mais do que todas as outras;

os seus ramos engrossaram e a sua copa cresceu.

6Toda a espécie de aves fazia ninho nos seus ramos;

à sua sombra, os animais bravios

iam dar à luz os seus filhotes;

e debaixo dela abrigava-se gente de todos os povos.

7Que árvore tão bela, alta e frondosa!

As raízes eram fundas

e chegavam aos regatos subterrâneos.

8Nenhum cedro do jardim de Deus31,8 O jardim de Deus. O Éden. Ver v. 9.18; Gn 2,8–9.

se lhe podia comparar;

os ciprestes não possuíam tal ramagem

e os plátanos não tinham copas como aquela;

nenhuma árvore do jardim de Deus era assim tão bela.

9Fui eu que a criei tão bela,

com ramagens tão frondosas que faziam inveja

às outras árvores do Éden, o jardim de Deus.

10Agora pois, eu, o Senhor Deus, te mostrarei o que vai acontecer a essa árvore, que cresceu e deu rebentos até chegar às nuvens. À medida que crescia, tornou-se mais orgulhosa; 11por isso, eu a rejeitei; deixarei que um rei estrangeiro a domine31,11 Referência a Nabucodonosor, rei da Babilónia.. Ele dará a essa árvore o que ela merece pela sua maldade. 12Estrangeiros cruéis vão deitá-la abaixo e assim a deixarão abandonada na montanha; as folhas foram caindo e os seus ramos quebrados espalham-se por montes e vales do país. Todas as nações que têm vivido à sua sombra a deixarão. 13As aves habitarão nos restos que dela ficaram e os animais selvagens andarão por cima dos seus ramos. 14E assim, daqui em diante, nenhuma árvore, mesmo que esteja bem regada, crescerá tão alto, nem chegará às nuvens. Todas ficarão condenadas a morrer, como os homens mortais e a descer às profundezas da terra, como os mortos descem ao sepulcro.

15Eu, o Senhor Deus, declaro que no dia em que a árvore descer ao mundo dos mortos, farei com que as águas do abismo a cubram, em sinal de luto; farei parar as suas correntes e estancar as suas águas. Por causa da morte da árvore, farei descer a escuridão sobre as montanhas do Líbano e as árvores desmaiarão. 16Quando eu a fizer descer ao mundo dos mortos, o barulho da sua queda abalará as nações. As árvores do Éden e as maiores e mais belas árvores do Líbano, que já tiverem descido ao pó da terra, vão alegrar-se com a sua queda. 17Elas também desceram ao mundo dos mortos, abatidas à espada. Da mesma maneira, lá caíram os que eram seus auxiliares e que moravam à sua sombra, dentre as nações. 18Essa árvore és tu, rei do Egito, com os teus súbditos. Nem mesmo as árvores do Éden eram tão altas e majestosas. Mas agora, tal como as árvores do Éden, descerás ao mundo dos mortos e vais juntar-te com os pagãos que foram mortos na guerra. Palavra do Senhor Deus!”»