a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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O templo profanado

81No sexto ano do exílio8,1 Corresponde ao ano 592–591 a.C., no dia cinco do sexto mês, estavam sentados comigo, em minha casa, os anciãos dos exilados de Judá. Subitamente, o poder do Senhor Deus veio sobre mim. 2Olhei para cima e vi então uma figura que parecia um homem8,2 Que parecia um homem. Segundo a antiga tradução grega. Em hebraico: com a aparência de um fogo.. Da cintura para baixo parecia de fogo e da cintura para cima resplandecia como se fosse de um metal brilhante; 3estendeu uma espécie de braço e apanhou-me pelo cabelo. Então o Espírito de Deus ergueu-me bem alto e, naquela visão, levou-me a Jerusalém. Levou-me para o lado de dentro da porta norte do templo. Havia lá um ídolo8,3 A identificação desta divindade é incerta. Pode tratar-se de Tamuz. Ver v. 14.; era um insulto insuportável para Deus.

4Ali se manifestava a presença gloriosa do Deus de Israel, tal como a tinha visto na planície8,4 Ver 3,22–23. do canal Quebar. 5Deus disse-me: «Homem8,5 Ver nota a 2,1., olha para o norte!» Olhei e junto ao altar, à entrada da porta, vi um ídolo, que era um insulto insuportável para Deus.

6Deus disse-me: «Estás a ver o que se passa? Olha para as coisas vergonhosas que o povo de Israel está ali a fazer, expulsando-me cada vez para mais longe do meu santuário. Mas vais ver coisas ainda mais horrorosas do que estas!»

7Levou-me em seguida à entrada do átrio exterior, mostrou-me uma fenda no muro 8e disse-me: «Abre um buraco nesse muro!» Abri um buraco e descobri uma porta. 9O Senhor disse-me: «Entra e vê as coisas horrorosas e terríveis que ali se fazem!» 10Entrei e olhei. As paredes estavam cobertas de pinturas de cobras e outros animais repugnantes8,10 Animais impuros que não podiam ser comidos, segundo Lv 11., além de muitos ídolos que os israelitas adoravam. 11Encontravam-se ali de pé setenta anciãos de Israel, incluindo Jazanias, filho de Chafan. Cada um tinha na mão um incensário e o fumo do incenso espalhava-se pelo ar8,11 Os anciãos cometiam uma infidelidade dupla: adoravam imagens (ver Dt 4,16–18) e fazendo uso de um incensário, desempenhavam uma função reservada apenas aos sacerdotes (ver Nm 16).. 12Deus perguntou-me: «Vês agora, Ezequiel, o que estes anciãos dos israelitas estão a fazer em segredo? Estão todos a prestar culto na sala do seu ídolo e desculpam-se dizendo: “O Senhor não nos vê! Ele abandonou este país!”»

13Então o Senhor disse-me: «Vais vê-los fazer coisas ainda mais abomináveis do que essas!» 14Em seguida levou-me à porta norte do templo e ali estavam mulheres a lamentar-se pela morte do deus Tamuz8,14 Tamuz. Pensava-se que este deus morria quando a vegetação secava, para renascer no ano seguinte.. 15O Senhor perguntou-me: «Estás a ver tudo isso Ezequiel? Pois verás coisas ainda mais abomináveis.»

16Levou-me depois à parte interior do templo. Ali, perto da entrada do santuário do Senhor, entre o altar e o pórtico, havia cerca de vinte e cinco homens. Estavam de costas para o santuário e inclinavam-se até ao chão, voltados para o oriente, em adoração ao sol nascente.

17O Senhor disse-me: «Estás a ver aquilo? Os habitantes de Judá não se contentam em fazer todas as coisas degradantes que viste, enchem de violência o país inteiro, irritando-me mais e mais. E ainda se põem a tocar com um ramo no nariz8,17 Alusão a um rito idolátra, hoje desconhecido. Ou: E ainda me insultam e provocam.. 18Não os pouparei nem terei misericórdia deles. Farão orações a mim, em alta voz, mas não os ouvirei.»

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O castigo de Jerusalém

91Então ouvi Deus dar esta ordem em voz alta: «Venham cá os que vão castigar a cidade! Que cada um traga na mão as suas armas de destruição!» 2Logo saíram seis homens da porta norte do templo, cada um com a sua arma de destruição. Com eles encontrava-se um homem vestido de linho9,2 As vestes de linho eram usadas pelos sacerdotes (ver Lv 6,3; 16,4) e pelos anjos destruidores de Ap 15,6., que levava à cintura a tábua de escriba. Então vieram todos e puseram-se em volta do altar de bronze. 3Apareceu em seguida o esplendor da presença gloriosa do Deus de Israel, esplendor que saiu de cima dos querubins que ali se encontravam e se moveu para a entrada do templo. O Senhor dirigiu-se ao homem vestido de linho que levava à cintura a tábua de escriba e disse: 4«Percorre a cidade de Jerusalém e põe um sinal na testa de cada pessoa que lamente e desaprove as coisas abomináveis que se fazem nesta cidade.»

5Depois ouvi-o dizer aos outros homens: «Sigam-no por toda a cidade e matem os seus habitantes. Não poupem nem tenham compaixão de ninguém. 6Matem velhos e jovens, de ambos os sexos, mães e crianças. Mas não molestem nenhum dos que têm o sinal na testa9,6 Ver Ap 7,3–4; 9,4.. Comecem já por aqui, pelo meu templo.» E eles começaram pelos anciãos que se encontravam diante do templo. 7Deus disse-lhes: «Podem tornar impuro o templo, enchendo os átrios de cadáveres9,7 O contacto com cadáveres implicava o estado de impuro, isto é, ficar inapto para participar no culto.. Mãos à obra!» E eles começaram a matar os habitantes da cidade.

8Enquanto a matança prosseguia, fiquei ali sozinho; deitei-me com o rosto por terra e gritei: «Senhor, meu Deus! Estás tão irado contra Jerusalém para matares aqueles que ainda restam em Israel?» 9E Deus respondeu-me: «O povo de Israel e de Judá é culpado de pecados enormes! Cometeram assassinatos por todo o país e encheram Jerusalém com os seus crimes. Dizem que eu, o Senhor, abandonei este país e já não olho para eles. 10Sim! Não me compadecerei deles, nem terei misericórdia! Vou fazê-los pagar pelo que fizeram!»

11Então o homem que estava vestido de linho e tinha à cintura a tábua de escriba voltou e disse ao Senhor: «As ordens que me deste foram cumpridas!»

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Deus manifesta-se de novo a Ezequiel

101Olhei para aquele firmamento que estava sobre a cabeça dos querubins. Por cima deles havia algo semelhante a um trono10,1 Ver 1,26. feito de safira. 2Deus dirigiu-se ao homem que estava vestido de linho e disse: «Vai por entre as rodas debaixo dos querubins, pega num punhado de brasas; e espalha-as pela cidade.» E vi-o ir apanhar as brasas. 3Quando ele entrou, os querubins estavam de pé, a sul do templo, e uma nuvem encheu o átrio interior. 4A presença gloriosa do Senhor elevou-se por sobre os querubins e dirigiu-se para a entrada do templo. Então o templo e o átrio ficaram iluminados pelo esplendor da presença gloriosa do Senhor. 5Podia ouvir-se o ruído feito pelas asas dos querubins no átrio exterior. Esse ruído era semelhante à voz do Deus supremo. 6Quando o Senhor ordenou ao homem vestido de linho que tirasse fogo do interior das rodas que estavam debaixo dos querubins, o homem foi colocar-se de pé ao lado de uma das rodas. 7Um dos querubins pôs a mão no fogo que estava entre eles, apanhou algumas brasas e colocou-as nas mãos do homem vestido de linho. Este pegou nas brasas e saiu.

8Vi que cada querubim tinha uma espécie de braço humano debaixo de cada asa. 9Vi também que havia quatro rodas, cada uma ao lado de um dos querubins. As rodas brilhavam como se fossem pedras preciosas. 10Tinham todas a mesma forma, como se uma roda encaixasse na outra. 11Quando os querubins avançavam, podiam fazê-lo em qualquer direção, sem terem de se virar. Iam todos juntos na direção que queriam, sem se virarem. 12Os seus corpos, costas, mãos, asas e rodas estavam cheios de olhos10,12 Ou: estavam cheios de reflexos brilhantes.. 13E ouvi chamar «Turbilhão» àquelas rodas. 14Cada querubim tinha quatro rostos. O primeiro era semelhante ao do boi, o segundo era um rosto humano, o terceiro, o rosto do leão, e o quarto era semelhante ao da águia. 15Eram os mesmos que vira à margem do canal Quebar10,15 Ver 1,4–28.. Quando eles se erguiam no ar 16e se moviam, as rodas iam com eles. 17Quando abriam as asas para voar, as rodas acompanhavam-nos. Quando paravam, as rodas paravam; e quando voavam, as rodas iam com eles, pois eram dirigidas pela vontade daqueles seres vivos.

O Senhor abandona o templo

18Então a presença gloriosa do Senhor deixou a entrada do templo e foi colocar-se por cima dos querubins. 19Vi então os querubins abrirem as asas e voarem, levando consigo as rodas. Detiveram-se junto à porta oriental do templo, e a presença gloriosa de Deus brilhava sobre eles. 20Verifiquei que se tratava dos mesmos seres vivos que tinha visto junto ao Deus de Israel, na margem do canal Quebar. Os seres vivos e os querubins eram a mesma coisa. 21Cada um tinha quatro rostos, quatro asas e uma espécie de braço humano debaixo de cada asa. 22Os seus rostos eram semelhantes aos que eu tinha visto junto ao canal Quebar. Cada um deles se movia a direito, sempre para a frente.