a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Benjamim vai ao Egito com os irmãos

431A fome no país era cada vez mais dura. 2E quando acabaram de comer todos os mantimentos que tinham levado do Egito, Jacob disse aos seus filhos: «Vão outra vez ao Egito para ver se conseguem arranjar alguma coisa para comermos.» 3Mas Judá respondeu: «Aquele homem avisou-nos muito severamente que não fossemos outra vez ter com ele sem levarmos o nosso irmão connosco. 4Portanto, se deixas ir o nosso irmão connosco, nós vamos comprar mantimentos para ti. 5Mas se não deixares, não vamos, porque aquele homem nos avisou que não fossemos mais ter com ele sem levarmos connosco o nosso irmão.»

6Israel respondeu: «Por que é que foram dizer a esse homem que tinham mais um irmão? Causaram-me um enorme prejuízo!» 7Mas eles responderam: «Foi aquele homem que nos interrogou sobre a nossa família. Perguntou se o nosso pai ainda estava vivo e se tínhamos mais algum irmão. Nós não fizemos outra coisa senão responder às perguntas que nos fez. Como íamos nós adivinhar que ele nos iria exigir que levássemos lá o nosso irmão?»

8Judá pediu a Israel, seu pai: «Deixa ir o menino comigo. Só assim podemos pôr-nos a caminho, para podermos sobreviver e não morrer de fome, tanto nós como tu como as nossas crianças. 9Eu assumo a responsabilidade por ele e podes pedir-me contas, se alguma coisa acontecer. Se eu não o trouxer de novo à tua presença, considero-me culpado diante de ti por toda a minha vida. 10E se não nos tivéssemos demorado aqui tanto tempo, já tínhamos ido e voltado duas vezes.»

11Israel, seu pai, respondeu-lhes: «Sendo assim, façam da seguinte maneira: levem nos vossos sacos os melhores produtos que temos no país e ofereçam um presente a esse homem. Podem levar bálsamo, mel, aromas, ládano, pistácios e amêndoas. 12Levem o dobro do dinheiro mais o outro dinheiro que vos foi restituído e que vinha nos vossos sacos, porque podia ter sido por engano. 13Levem também o vosso irmão e vão outra vez ter com esse homem! 14Que o Deus supremo43,14 Cf 17,1. faça com que esse homem tenha compaixão de vós e deixe vir o vosso irmão assim como Benjamim. E se eu tiver de ficar sem os filhos, paciência!»

15Eles arranjaram então os presentes e puseram-se a caminho do Egito, levando consigo o dobro do dinheiro; Benjamim foi também com eles. Quando se apresentaram a José 16e este viu que Benjamim também tinha vindo com eles, disse ao seu mordomo: «Leva estes homens para o meu palácio; mata um animal e prepara-o, porque hoje ao meio-dia eles serão meus convidados para almoçar!»

17O mordomo fez exatamente o que José tinha ordenado e levou aqueles homens para o palácio de José. 18Ao verem que eram conduzidos para o palácio de José, começaram a ficar com medo e diziam uns para os outros: «É por causa do dinheiro que nós encontrámos nos sacos na vez passada. Isto é para nos acusar e nos condenar, para fazer de nós seus escravos e ficar com os nossos burros.» 19Por isso, à entrada do palácio de José, aproximaram-se do mordomo para falar com ele 20e disseram-lhe: «Por favor, meu senhor! Da primeira vez que viemos ao Egito comprar trigo, 21quando já íamos de regresso chegámos à estalagem onde pernoitámos, fomos abrir os nossos sacos e cada um encontrou lá dentro o seu dinheiro43,21 Ver 42,27.35. inteirinho. Mas agora trouxemos esse dinheiro 22e ainda outro tanto para o trigo que precisamos de comprar. Não sabemos quem é que pôs o dinheiro nos nossos sacos.»

23O mordomo respondeu-lhes: «Estejam calmos! Não tenham medo! O vosso Deus e Deus do vosso pai é que deve ter colocado esse tesouro nos vossos sacos, porque o vosso dinheiro recebi-o eu.» Depois o mordomo libertou Simeão e levou-o para junto deles. 24O mordomo conduziu-os então para o palácio de José, ofereceu-lhes água para lavarem os pés e deu forragem aos seus burros. 25A seguir eles prepararam os seus presentes, enquanto esperavam pelo meio-dia, hora a que José chegaria, pois já lhes tinham dito que iriam almoçar ali.

26Quando José chegou a casa, eles apresentaram-lhe os presentes que tinham trazido e inclinaram-se até ao chão. 27Depois de os ter saudado, perguntou-lhes: «Como é que está o vosso velho pai de que me falaram? Ainda vive?» 28Eles responderam: «O nosso pai ainda vive e está bem.» E voltaram a inclinar-se em sinal de respeito.

29Olhando à sua volta José viu Benjamim, seu irmão tanto por parte do pai como da mãe43,29 A mãe de ambos era Raquel. Ver 30,22–24; 35,16.18.24., e perguntou; «É este o vosso irmão mais novo de que me falaram?» Depois acrescentou: «Que Deus te abençoe, meu filho.» 30José ficou tão profundamente emocionado com o seu irmão que sentiu necessidade de chorar. Por isso, retirou-se rapidamente para o seu quarto e pôs-se a chorar. 31Quando viu que já conseguia conter-se, lavou a cara, saiu e ordenou: «Sirvam o almoço.»

32Foi servido o almoço para José, numa mesa; para eles noutra, e para os egípcios que comiam no palácio de José, noutra. De facto, os egípcios não podiam comer com os hebreus; a sua religião proibia-lhes isso43,32 Ver 39,6 e nota..

33Os irmãos de José sentaram-se em frente dele por ordem de idades, desde o mais velho ao mais novo, e olhavam uns para os outros muito surpreendidos. 34José mandou que lhes servissem comida da sua própria mesa e a porção servida a Benjamim era cinco vezes maior que as de todos os outros irmãos. E eles fizeram festa com ele e beberam à vontade.

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José sujeita os irmãos a outra prova

441José ordenou ao seu mordomo: «Enche de trigo os sacos destes homens, até estarem bem cheios, e coloca o dinheiro de cada um na boca do seu saco. 2E coloca a minha taça de prata na boca do saco do mais novo, junto com o dinheiro que ele trouxe para o trigo.» E o mordomo fez como José lhe tinha ordenado. 3Ao raiar da manhã, os irmãos obtiveram licença para poderem sair com os seus burros. 4Quando apenas tinham saído da cidade e não estavam ainda muito longe, José disse ao seu mordomo: «Corre depressa atrás desses homens e, quando os alcançares, diz-lhes: “Por que é que me pagaram o bem com o mal? 5Roubaram a taça de que o meu amo se servia para beber e para praticar adivinhação44,5 Alusão à prática egípcia que tentava adivinhar o futuro examinando as formas de uma gota de azeite na água de um recipiente.. Vocês praticaram uma ação muito má.”»

6O mordomo chegou ao pé deles e repetiu exatamente aquelas palavras. 7Eles responderam-lhe: «Como é que o senhor pode dizer uma coisa dessas? Longe de nós fazer uma coisa assim! 8Lembre-se que até trouxemos de Canaã o dinheiro que tínhamos encontrado na boca dos nossos sacos para lho restituirmos. Como é que nós íamos agora roubar de casa do seu amo prata ou ouro? 9Se algum de nós tiver essa taça, seja condenado à morte. E todos nós ficaremos a ser seus escravos.»

10O mordomo respondeu: «Está bem. Vamos fazer assim! Aquele que for encontrado de posse da taça ficará a ser meu escravo, mas os outros ficam livres.» 11Cada um deles se apressou a colocar os seus sacos no chão e cada um abriu o seu. 12O mordomo começou então a revistá-los, desde o mais velho ao mais novo, e encontrou a taça no saco de Benjamim.

13Diante disto, eles rasgaram as roupas em sinal de tristeza, carregaram cada um o seu burro e voltaram para a cidade. 14Judá e os seus irmãos dirigiram-se para o palácio de José, o qual se encontrava ainda lá, e inclinaram-se diante dele até ao chão.

15José perguntou-lhes: «Que é que me fizeram? Não sabiam que um homem como eu consegue adivinhar tudo?»

16Judá respondeu: «Que podemos nós dizer-lhe, meu senhor? Como é que podemos provar-lhe que estamos inocentes? Deus descobriu a nossa culpa. Estamos dispostos a ficar seus escravos, nós e aquele que levava consigo a taça.»

17José respondeu: «De maneira nenhuma farei uma coisa dessas. Só aquele que levava consigo a minha taça é que ficará a ser meu escravo, e vocês podem ir tranquilamente ter com o vosso pai.»

18Mas Judá aproximou-se mais dele e disse-lhe: «Por favor, meu senhor. Permita que este seu servo pronuncie uma palavra diante de si e não se irrite contra mim, pois o senhor é como se fosse quase o faraó. 19O meu senhor tinha perguntado a estes seus servos se tínhamos ainda pai e mais algum irmão. 20Nós respondemos ao meu senhor que tínhamos pai, já velho, e um irmão mais novo, nascido quando o pai já era de idade avançada. O seu outro irmão, filho da mesma mãe, morreu e ficou só este, de modo que o pai está muito afeiçoado a ele. 21Mas o meu senhor disse a estes seus servos: “Tragam-mo cá que eu quero vê-lo.” 22Nós bem dissemos ao meu senhor que o menino não podia sair de junto do pai, porque se saísse de junto dele o pai morreria. 23Mas o meu senhor insistiu dizendo: “Se o vosso irmão mais novo não vier convosco, não poderão voltar mais a aparecer diante de mim.” 24Por isso, fomos ter com o nosso pai e servo de vossa senhoria e transmitimos-lhe as suas ordens.

25Quando o meu pai nos disse: “Vão ao Egito e comprem alguns mantimentos”, 26nós respondemos: “Não podemos apresentar-nos mais diante daquele senhor se o nosso irmão mais novo não for connosco.” 27Foi então que o nosso pai e servo de vossa senhoria nos disse: “Sabem bem que a mãe do meu filho Benjamim só me deu dois filhos. 28Um deles saiu um dia de casa e nunca mais o vi. Penso que certamente uma fera o terá devorado. 29Se me levam agora também este para longe de mim e lhe acontece qualquer desgraça, vão fazer com que este velho morra de tristeza.”

30Por tudo isto, se agora voltamos para junto do nosso pai sem levarmos o rapaz connosco, o nosso pai, que está tão apegado ao rapaz, 31morre de desgosto quando vir que ele não volta connosco. E nós vamos obrigar o nosso velho pai a morrer de tristeza.

32Foi por isso que eu me ofereci para ficar responsável pelo menino diante do meu pai e lhe disse: “Se não to trouxer de novo, assumo essa responsabilidade diante de ti, por toda a minha vida.”

33Por conseguinte, meu senhor, peço-lhe que me deixe ficar a mim como seu escravo, para que este rapaz possa voltar para casa com os seus irmãos. 34Como é que eu posso ir ter com o meu pai sem levar o rapaz? Não quero ver a tristeza que se abateria sobre o meu pai.»

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José dá-se a conhecer aos irmãos

451José já não conseguia conter mais a emoção. Por isso, ordenou a todos os que estavam ali ao seu serviço: «Saiam da minha presença.» E assim não ficou ninguém com ele, na altura em que José se deu a conhecer aos seus irmãos.

2José chorou em voz alta, de tal maneira que os egípcios o puderam ouvir e a notícia chegou ao palácio do faraó.

3José disse então aos seus irmãos: «Eu sou José. O meu pai ainda está vivo?» Mas eles nem conseguiram responder de tão assustados que estavam por estarem na sua presença. 4José insistiu: «Aproximem-se mais, por favor!» Eles aproximaram-se e José continuou: «Eu sou José, o vosso irmão, que vocês venderam para o Egito, 5mas não se aflijam nem tenham remorsos por me terem vendido para aqui, porque foi Deus que me enviou à vossa frente para podermos sobreviver. 6A fome já dura há dois anos no país e durante cinco anos não haverá sementeira nem colheita. 7Deus mandou-me à vossa frente para garantir que a vossa descendência possa ter continuidade e para vos salvar a vida com um prodígio extraordinário. 8Não foram, portanto, vocês que me mandaram para aqui; foi Deus que me enviou e fez de mim como que um pai para o faraó, para dirigir todo o seu palácio e governar o Egito inteiro.

9Vão depressa ter com o meu pai e digam-lhe: O teu filho José manda-te dizer isto: “Deus fez com que eu me tornasse o senhor do Egito inteiro. Vem para junto de mim, sem tardar. 10Ficarás a viver na região de Góchen e assim estarás perto de mim45,10 Situa-se tradicionalmente a região de Góchen na parte oriental do delta do Nilo., tu e os teus filhos e netos; as tuas ovelhas e vacas e tudo o que te pertence. 11Lá eu tomarei providências para o teu sustento, de modo que nem tu, nem a tua família, nem nada do que te pertence será prejudicado, mesmo que ainda venham mais cinco anos de fome.” 12Todos, e o meu irmão Benjamim, são testemunhas de que eu próprio vos comuniquei isto. 13Contem ao meu pai o enorme poder que eu tenho no Egito e tudo o resto que puderam ver. Voltem depressa com o meu pai.» 14Depois abraçou-se a Benjamim a chorar e Benjamim chorava igualmente abraçado a José. 15A seguir, José beijou todos os seus irmãos a chorar e só depois é que os irmãos conseguiram falar com ele.

16A notícia de que os irmãos de José tinham chegado correu rapidamente pelo palácio do faraó. E todos, desde o faraó aos seus cortesãos, ficaram muito contentes. 17Então o faraó disse a José: «Diz aos teus irmãos que carreguem os seus animais para regressarem à terra de Canaã 18e trazerem o vosso pai e as vossas famílias para junto de mim. Quero dar-lhes o melhor lugar que existe no Egito, para poderem comer do melhor que esta terra produz. 19Insiste com eles para que levem daqui carros para depois poderem trazer para cá as suas crianças e mulheres e o vosso pai. Que eles venham 20e não tenham pena das coisas que têm que abandonar, porque a melhor terra que há no Egito será para eles.»

21Os filhos de Israel assim fizeram. José entregou-lhes carros, como o faraó tinha ordenado, e deu-lhes provisões para a viagem. 22A cada um deles deu roupas novas. E a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupa. 23Ao seu pai mandou dez burros carregados com o melhor que se produz no Egito e dez mulas carregadas de trigo, mantimentos e provisões para a sua viagem.

24Quando se despedia dos seus irmãos, na altura em que eles estavam para partir, José disse-lhes: «Não se metam em contendas, durante a viagem.» 25Eles saíram do Egito e foram ter com o pai na terra de Canaã.

26Quando lhe comunicaram que José ainda estava vivo e era ele quem governava o Egito inteiro, Jacob nem reagiu, pois não podia acreditar no que diziam. 27Mas quando eles lhe contaram aquilo que José lhes tinha dito e quando viu os carros que José tinha mandado para ele fazer a viagem, Jacob, seu pai, ganhou nova vida 28e então exclamou: «Basta-me que o meu filho esteja ainda vivo. Quero ir vê-lo antes de morrer!»