a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Grande oportunidade de salvação

21Por isso, devemos prestar muita atenção à mensagem que nos foi comunicada, para não nos desviarmos. 2Essa mensagem transmitida pelos anjos2,2 Ver At 7,38.53. era tão decisiva que todo aquele que a transgrediu ou lhe desobedeceu recebeu o castigo que merecia. 3Como podemos nós escapar se ficarmos indiferentes a uma oportunidade tão grande de salvação? Foi o próprio Senhor que primeiro anunciou esta salvação. Depois, aqueles que a ouviram confirmaram o seu valor para nós. 4E Deus apoiou o testemunho deles, por meio de sinais, prodígios e diversos milagres2,4 Comparar com Mc 16,17–18; At 5,12., mostrando de várias maneiras o seu poder e distribuindo dons do Espírito Santo, segundo a sua vontade.

Cristo conduz à salvação

5Na realidade, não foi aos anjos que Deus confiou o governo do mundo futuro de que estamos a falar. 6Mas há uma passagem da Sagrada Escritura que diz:

Ó Deus, que é o homem, para que te lembres dele?

Que é o ser humano2,6 Literalmente: Filho do Homem., para que te preocupes com ele?

7Fizeste-o um pouco inferior aos anjos,

de glória e honra o coroaste e

8deste-lhe poder sobre todas as coisas2,8 Sobre os v. 6–8, ver Sl 8,5–7. No final do v. 7 alguns manuscritos acrescentam ainda: e deste-lhe domínio sobre tudo o que criaste..

Ora se a Escritura diz que Deus sujeitou tudo ao ser humano, quer dizer que nada ficou fora do seu domínio. Mas o certo é que ainda não vemos que todas as coisas estejam sujeitas a ele. 9Mas em Jesus vemos aquele que «tornado um pouco inferior aos anjos2,9 Outra tradução: tornado por um pouco de tempo inferior aos anjos.», está agora coroado de glória e honra! E isto por causa da morte que sofreu. Deus na sua bondade quis que Jesus morresse por todos. 10Realmente, era próprio de Deus, dono e criador de todas as coisas, fazer com que pelos sofrimentos Jesus se tornasse fonte de salvação e assim conduzisse os seus muitos filhos à glória.

11De facto, tanto Jesus que perdoa aos homens os seus pecados como aqueles que são por ele perdoados, têm todos o mesmo Pai. É por isso que Jesus não se envergonha de lhes chamar irmãos. 12Diz ele:

Ó Deus, falarei de ti aos meus irmãos:

No meio da assembleia te cantarei louvores2,12 Ver Sl 22,23..

13Diz também:

hei de pôr em Deus a minha confiança.

E outra vez:

Aqui estou eu e os filhos que Deus me confiou2,13 Ver Is 8,17–18..

14Uma vez que os outros filhos postos ao seu cuidado são seres humanos, o próprio Jesus tornou-se como eles, para que, pela sua morte, destruísse aquele que tinha o poder de dar a morte, o Diabo. 15Desta maneira, libertou aqueles que, pelo medo da morte, levavam a vida inteira a viver como escravos. 16Como é evidente, não é aos anjos que ele auxilia, mas sim aos descendentes de Abraão2,16 Ver Is 41,8–9.. 17Por isso é que era preciso que ele se tornasse semelhante em tudo aos seus irmãos, a fim de ser para eles um sumo sacerdote, misericordioso e fiel no seu serviço para com Deus, alcançando com o seu sacrifício o perdão dos pecados para o povo2,17 Sobre os ritos da purificação realizados pelo sumo sacerdote da antiga aliança, ver Lv 4,20.26.35; 16,6.10–11.. 18Uma vez que ele próprio sofreu a tentação, pode socorrer todos os que são tentados.

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Jesus é superior a Moisés

31Por isso, caros irmãos, companheiros na vocação celestial, ponham os olhos em Jesus, que reconhecemos ser o enviado de Deus3,1 O texto grego usa aqui a palavra apóstolo para designar Cristo como enviado de Deus. e o nosso sumo sacerdote. 2Ele foi fiel a Deus que lhe deu esta autoridade, tal como o foi Moisés, servo fiel em tudo na casa de Deus3,2 Ver Nm 12,7.. 3Ora, assim como o homem que constrói uma casa é mais importante do que a casa por ele construída, assim também Jesus tem mais importância do que Moisés. 4Uma casa tem de ser construída por alguém, mas Deus é o construtor de tudo quanto existe. 5Moisés foi um servo inteiramente fiel em tudo na casa de Deus, dando testemunho das coisas que, a seu tempo, Deus havia de dizer. 6Cristo, porém, é como um filho com responsabilidade na casa de Deus. E nós somos a sua casa, se mantivermos firmes a nossa coragem e confiança no que esperamos3,6 Alguns manuscritos acrescentam: firmemente até ao fim..

Descanso prometido por Deus

7Por isso, como diz o Espírito Santo na Sagrada Escritura:

Se ouvirem hoje a voz de Deus,

8não se mostrem duros de coração,

como os vossos antepassados fizeram no tempo da revolta,

no deserto, quando desafiaram a Deus.

9Foi lá que os vossos antepassados

me tentaram e me puseram à prova,

embora tivessem visto o que eu fiz,

10durante quarenta anos.

Por isso é que eu me indignei com eles

e disse: «Os seus corações nunca se mantiveram leais.

Não reconheceram os meus caminhos.»

11Fiquei tão indignado que jurei:

«Esta gente não há de entrar

no lugar de descanso que eu preparei3,11 Sobre os v. 7–11, ver Sl 95,7–11.

12Irmãos, tenham cuidado para que nenhum de vós tenha um coração malvado e descrente que o leve a afastar-se do Deus vivo. 13Pelo contrário, animem-se uns aos outros continuamente, enquanto dura o dia de «hoje». Procedam assim para evitar que alguém no vosso meio se deixe levar pela sedução do pecado. 14Na realidade, nós participamos em tudo com Cristo, se mantivermos firme até ao fim a confiança que tínhamos no princípio. 15A Sagrada Escritura diz:

Se ouvirem hoje a voz de Deus,

não se mostrem duros de coração,

como fizeram no tempo da revolta3,15 Ver Sl 95,7–8..

16E quem foram esses que ouviram a voz de Deus e se revoltaram contra ele? Não foi todo aquele povo que Moisés tinha tirado do Egito? 17E com quem é que Deus se irritou durante quarenta anos? Não foi com aqueles que pecaram e por isso morreram no deserto? 18E a quem se referia Deus, quando fez aquele juramento: «Esta gente não há de entrar no lugar de descanso que eu preparei»? Referia-se, evidentemente, aos que foram infiéis3,18 Sobre os v. 16–18, ver Nm 14,1–35.. 19Vemos pois que foi a sua descrença que os impediu de entrar.

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Descanso para o povo de Deus

41Ora a promessa de entrarmos no lugar de descanso de Deus ainda está de pé. Portanto, irmãos, tenham cuidado, para que ninguém perca a oportunidade de entrar nesse descanso! 2Na realidade, ouvimos o evangelho exatamente como eles. Porém a mensagem que eles ouviram não lhes serviu de nada, porque a ouviram mas não a receberam com fé4,2 Alguns manuscritos têm: pois se juntaram pela fé àqueles que sabem ouvir.. 3Portanto, nós que temos fé havemos de entrar no descanso a que Deus se referiu, quando disse:

Fiquei tão indignado que jurei:

«Esta gente não há de entrar

no lugar de descanso que eu preparei4,3 Ver Sl 95,11.

No entanto as obras dele estavam completas desde a criação do mundo. 4Pois numa passagem da Sagrada Escritura lê-se a respeito do sétimo dia: Deus descansou no sétimo dia depois de ter feito toda a sua obra4,4 Ver Gn 2,2.. 5E noutro lugar vem a passagem já citada: Esta gente não há de entrar no lugar de descanso que eu preparei4,5 Ver Sl 95,11..

6Ora, visto que aqueles que primeiramente ouviram o evangelho não entraram no descanso de Deus, por causa da sua desobediência, é evidente que outros devem entrar nele. 7É por isso que Deus marca outro dia, o dia de «hoje», de que fala a Sagrada Escritura. Muitos anos mais tarde, falando por meio de David, Deus disse, como já foi citado:

Se ouvirem hoje a voz de Deus,

não se mostrem duros de coração4,7 Ver Sl 95,7–8..

8Se Josué tivesse levado realmente o povo para esse lugar de descanso4,8 Ver Dt 31,7; Js 22,4., Deus não teria falado mais tarde de um outro dia. 9Portanto, o povo de Deus ainda há de entrar num descanso semelhante ao que Deus teve no sétimo dia. 10Porque aquele que entrar no descanso de Deus, descansará das suas obras exatamente como Deus descansou das dele. 11Esforcemo-nos, pois, por entrar nesse lugar de descanso de Deus. Que ninguém siga o mau exemplo daqueles que desobedeceram.

12A palavra de Deus é viva e mais poderosa e cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até ao íntimo da pessoa, até à união da alma e do espírito, e até onde os ossos e a medula se juntam. Por isso Deus é capaz de julgar os desejos e os pensamentos do coração humano. 13Não há absolutamente nada que se possa esconder de Deus. Tudo no mundo está nu e a descoberto aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Jesus, sumo sacerdote

14Uma vez que temos um sumo sacerdote tão importante, Jesus, o Filho de Deus, que chegou até à presença do próprio Deus, estejamos firmes na confissão da nossa fé. 15Sabemos que o nosso sumo sacerdote se compadece das nossas fraquezas, pois foi tentado em tudo como nós, sem cair no pecado.

16Aproximemo-nos, pois, com toda a confiança, do trono da graça e assim conseguiremos alcançar misericórdia e graça e encontrar ajuda no momento próprio.