a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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51Todo o sumo sacerdote é escolhido de entre os homens e nomeado para servir a Deus em favor deles. A sua missão é apresentar-lhe ofertas e sacrifícios pelos pecados. 2Como ele próprio tem muitas fraquezas, está em condições de ter paciência com os ignorantes e os transviados. 3Por isso ele deve oferecer sacrifícios, não só pelos pecados do povo mas também pelos seus próprios5,3 Ver Lv 9,7; 16,6.. 4Ninguém toma por si mesmo este honroso cargo de sumo sacerdote. O chamamento para isso tem de vir de Deus, precisamente como aconteceu com Aarão.

5Também não foi Cristo que tomou por si mesmo a honra de ser sumo sacerdote. Foi Deus que o chamou para isso, ao dizer-lhe:

Tu és meu filho,

desde hoje sou teu pai.

6E noutro lugar diz também:

Serás sacerdote para sempre,

à maneira de Melquisedec5,6 Para os v. 5–6, ver Sl 2,7; 110,4; e ainda At 13,33; Hb 1,5; 6,20; 7,17..

7Durante a sua vida na Terra, Jesus dirigiu a Deus, que o podia livrar da morte, pedidos e súplicas com voz forte e lágrimas5,7 Ver Mt 26,36–46; Mc 14,32–42; Lc 22,39–46.. E Deus ouviu o seu pedido, por causa da sua submissão. 8Todavia, apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a ser obediente por tudo o que sofreu. 9Foi assim que ele realmente se tornou fonte de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. 10E Deus nomeou-o sumo sacerdote, à maneira de Melquisedec.

O perigo de perder a fé

11A este respeito temos muito que vos dizer; mas é difícil explicar-vos, porque não o querem compreender. 12Já era tempo de serem mestres. Mas a verdade é que ainda precisam que alguém vos ensine outra vez as coisas fundamentais da palavra de Deus. Ainda precisam de se alimentar de leite, quando já deviam estar a comer alimentos mais fortes. 13E quem se alimenta de leite não passa de uma criancinha, sem saber distinguir o que está certo do que está errado5,13 Sobre os v. 12–13, ver 1 Co 3,1–3; 1 Pe 2,2.. 14Os adultos, pelo contrário, alimentam-se de comidas fortes, visto que, por experiência, já chegaram ao ponto de saber distinguir o bem do mal.

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61Portanto, procuremos ser adultos e deixemos esses ensinamentos mais simples. Não vamos agora começar outra vez com os primeiros fundamentos da doutrina, tais como: necessidade de arrependimento, abandono das obras inúteis, fé em Deus, 2doutrinas acerca do batismo6,2 O texto grego usa batismos no plural, podendo significar os vários ritos que integram e acompanham o batismo ou também a diferença entre o batismo cristão e o de João Batista. Ver At 18,25; 19,3–6., imposição das mãos, fé na ressurreição dos mortos e julgamento eterno. 3E é isso que havemos de fazer, se Deus assim o permitir.

4Ora é impossível que aqueles que uma vez receberam a luz de Deus, participaram do Espírito Santo, 5experimentaram o gosto da palavra de Deus e sentiram as maravilhas do mundo do futuro, 6sim, é impossível que esses que abandonaram a fé sejam novamente trazidos ao arrependimento. É que eles crucificam de novo o Filho de Deus com as suas próprias mãos e expõem-no publicamente à injúria6,6 Ver Hb 10,26–27; Mt 12,31; 1 Jo 5,16..

7São como a terra que absorve a chuva sempre que chove. Se essa terra produz plantas úteis aos que a trabalham, é abençoada por Deus. 8Mas se a terra apenas produz espinhos e cardos, então não presta para nada. Será amaldiçoada por Deus e por fim será queimada6,8 Comparar com Gn 3,17–18..

9Mas, embora falemos assim, queridos amigos, estamos certos de que as melhores coisas vos esperam, que têm a ver com a salvação. 10Ora Deus não é injusto. Não se esquece do vosso trabalho nem do amor que mostraram por ele, ao atenderem, como ainda atendem, às necessidades dos outros irmãos na fé. 11Fazemos ardentes votos para que cada um de vós mantenha a sua dedicação até ao fim, de modo que todos possam alcançar tudo aquilo que esperam. 12Não queremos que se tornem preguiçosos, mas antes que sigam o exemplo daqueles que, pela sua fé e perseverança, alcançam a herança que Deus prometeu.

Deus cumpre o que promete

13Quando Deus fez a sua promessa a Abraão, como não havia ninguém mais importante do que ele por quem jurar, jurou por si mesmo 14e disse: Prometo que te hei de abençoar muito e te hei de dar uma descendência numerosa6,14 Ver Gn 22,16–17..

15Ora Abraão esperou com paciência e, deste modo, alcançou o que Deus lhe tinha prometido. 16Quando uma pessoa faz um juramento, jura por alguém que é mais importante. É assim que resolvem de vez todas as questões. 17Ora Deus quis demonstrar com absoluta certeza àqueles que haviam de receber a herança prometida que a sua decisão nunca mudaria. Foi por isso que garantiu a promessa com um juramento. 18Estas são, portanto, duas coisas que não podem ser modificadas. E a respeito destas coisas é impossível que Deus nos engane6,18 Ver Nm 23,19; 1 Sm 15,29.. Deste modo, nós que encontrámos segurança nele devemos agarrar-nos com firmeza à esperança colocada diante de nós. 19Essa esperança está dentro de nós como uma âncora da vida, uma âncora segura e firme que através do véu do templo penetra no santuário de Deus6,19 Comparar com Lv 16,12. No templo de Jerusalém, um grande véu separava a zona mais sagrada, chamada o lugar santíssimo ou santo dos santos. Ver 9,3. Aqui fala-se como se no céu existisse um templo semelhante. Ver 8,5; 9,9; 9,23–24.. 20Jesus já entrou antes de nós e em nosso favor. Deus o fez sumo sacerdote para sempre, à maneira de Melquisedec.

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Melquisedec, figura de Cristo

71Este Melquisedec era rei de Salém e sacerdote do Deus altíssimo. Quando Abraão voltava da batalha em que tinha derrotado vários reis, Melquisedec encontrou-se com ele e abençoou-o. 2Abraão deu-lhe a décima parte dos despojos. Melquisedec quer dizer «rei da justiça» e o seu título é rei de Salém, que significa «rei da paz7,2 Nos v. 1–2, referem-se algumas expressões e dados de Gn 14,17–20. Tradicionalmente, Salém é vista como o nome abreviado de Jerusalém, podendo, segundo alguns, designar outra localidade perto de Siquém.». 3Não há menção de quem era o seu pai ou a sua mãe, nem há lista dos seus antepassados. As Escrituras não indicam qualquer princípio ou fim da sua vida. Por isso é comparado ao Filho de Deus: é sacerdote para sempre7,3 A narrativa sobre Melquisedec, em Gn 14, não fala da sua ascendência, nem do seu nascimento ou morte. Algumas tradições hebraicas antigas consideravam Melquisedec um ser divino, um salvador celeste..

4Reparem como ele era importante! Até o patriarca Abraão lhe deu a décima parte do que tinha trazido da batalha. 5Também os descendentes de Levi, quando recebem o cargo de sacerdotes, têm ordens para, segundo a lei, cobrarem do povo — isto é, dos seus próprios irmãos israelitas — a décima parte de tudo7,5 Ver Nm 18,21., embora eles também sejam descendentes de Abraão. 6Mas Melquisedec, que não era descendente de Levi, cobrou uma décima parte do que Abraão tinha, e abençoou aquele que havia recebido as promessas de Deus. 7E não há qualquer dúvida de que aquele que abençoa é maior do que aquele que é abençoado.

8No caso dos sacerdotes, a décima parte é cobrada por homens mortais; mas no que se refere a Melquisedec, foi cobrada por alguém que segundo o testemunho da Sagrada Escritura não morreu. 9Assim, em certo sentido, quando Abraão pagou a décima parte, Levi, cujos descendentes cobram a décima parte, também pagou. 10É certo que ele ainda não tinha nascido, mas estava, por assim dizer, no sangue do seu antepassado Abraão, quando Melquisedec se encontrou com ele.

11Foi com o sacerdócio levítico que o povo de Israel recebeu a lei7,11 Outra tradução: O povo de Israel recebeu leis a respeito do sacerdócio levítico.. Ora, se a perfeição se conseguisse por meio do ministério sacerdotal dos levitas, não seria preciso aparecer um sacerdote de outra ordem, à maneira de Melquisedec e não de Aarão. 12Porque quando há uma mudança no sacerdócio tem de haver também uma mudança de lei. 13Jesus, e nosso Senhor, a respeito do qual se diz isto, pertence a uma tribo diferente. Ninguém dessa tribo serviu alguma vez ao altar como sacerdote. 14Como é bem sabido, Jesus pertence à tribo de Judá7,14 De facto, Jesus pertence à família de David e à tribo de Judá. Ver Mt 1,1–2; Lc 3,33; Ap 5,5.; e Moisés nunca disse nada sobre esta tribo ao falar dos sacerdotes.

Cristo, o novo sacerdote para sempre

15O facto de que houve uma mudança de lei fica muito mais claro, uma vez que apareceu um sacerdote semelhante a Melquisedec. 16Este não foi feito sacerdote em conformidade com a lei sobre a linhagem física dos sacerdotes à maneira de Levi, mas pelo poder da sua vida imortal. 17É a respeito dele que a Sagrada Escritura afirma:

Serás sacerdote para sempre,

à maneira de Melquisedec7,17 Ver Sl 110,4..

18Portanto, a regra antiga fica sem efeito, por se ter mostrado incapaz e inútil. 19De facto, a Lei de Moisés não podia tornar nada perfeito. Veio-nos, porém, uma esperança melhor, que nos dá acesso à presença de Deus.

20Além disso, Jesus foi constituído sacerdote pelo juramento de Deus. Os outros tornaram-se sacerdotes sem juramento. 21Jesus, porém, foi feito sacerdote com juramento de Deus que lhe disse:

O Senhor jurou

e não mudará de opinião:

Serás sacerdote para sempre7,21 Ver Sl 110,4..

22Em consequência disso, Jesus tornou-se o garante de uma aliança melhor. 23Ainda há outra diferença. Os outros sacerdotes eram muitos porque quando um morria outro tinha que o substituir. 24Mas Jesus permanece para sempre e por isso não precisa de transmitir a outros a sua função sacerdotal. 25É por isso que ele pode salvar definitivamente todos quantos se aproximam de Deus por meio dele. É que ele está sempre vivo para interceder a favor deles.

26Ora de um sacerdote assim é que nós precisávamos! É santo; não há nele qualquer pecado ou imperfeição. Deus separou-o dos pecadores e elevou-o ao mais alto dos céus. 27Não é como os outros sacerdotes. Não tem necessidade de oferecer sacrifícios todos os dias, primeiramente pelos seus próprios pecados, depois pelos do povo7,27 Comparar com 5,3 e nota.. Ele ofereceu sacrifício pelos pecados do povo de uma vez para sempre, quando se ofereceu a si mesmo em sacrifício. 28Os homens a quem a Lei de Moisés confere o sumo sacerdócio são imperfeitos. Mas o juramento de Deus, pronunciado depois do tempo da lei, eleva o Filho ao sumo sacerdócio, e este é perfeito para sempre.