a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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61Portanto, procuremos ser adultos e deixemos esses ensinamentos mais simples. Não vamos agora começar outra vez com os primeiros fundamentos da doutrina, tais como: necessidade de arrependimento, abandono das obras inúteis, fé em Deus, 2doutrinas acerca do batismo6,2 O texto grego usa batismos no plural, podendo significar os vários ritos que integram e acompanham o batismo ou também a diferença entre o batismo cristão e o de João Batista. Ver At 18,25; 19,3–6., imposição das mãos, fé na ressurreição dos mortos e julgamento eterno. 3E é isso que havemos de fazer, se Deus assim o permitir.

4Ora é impossível que aqueles que uma vez receberam a luz de Deus, participaram do Espírito Santo, 5experimentaram o gosto da palavra de Deus e sentiram as maravilhas do mundo do futuro, 6sim, é impossível que esses que abandonaram a fé sejam novamente trazidos ao arrependimento. É que eles crucificam de novo o Filho de Deus com as suas próprias mãos e expõem-no publicamente à injúria6,6 Ver Hb 10,26–27; Mt 12,31; 1 Jo 5,16..

7São como a terra que absorve a chuva sempre que chove. Se essa terra produz plantas úteis aos que a trabalham, é abençoada por Deus. 8Mas se a terra apenas produz espinhos e cardos, então não presta para nada. Será amaldiçoada por Deus e por fim será queimada6,8 Comparar com Gn 3,17–18..

9Mas, embora falemos assim, queridos amigos, estamos certos de que as melhores coisas vos esperam, que têm a ver com a salvação. 10Ora Deus não é injusto. Não se esquece do vosso trabalho nem do amor que mostraram por ele, ao atenderem, como ainda atendem, às necessidades dos outros irmãos na fé. 11Fazemos ardentes votos para que cada um de vós mantenha a sua dedicação até ao fim, de modo que todos possam alcançar tudo aquilo que esperam. 12Não queremos que se tornem preguiçosos, mas antes que sigam o exemplo daqueles que, pela sua fé e perseverança, alcançam a herança que Deus prometeu.

Deus cumpre o que promete

13Quando Deus fez a sua promessa a Abraão, como não havia ninguém mais importante do que ele por quem jurar, jurou por si mesmo 14e disse: Prometo que te hei de abençoar muito e te hei de dar uma descendência numerosa6,14 Ver Gn 22,16–17..

15Ora Abraão esperou com paciência e, deste modo, alcançou o que Deus lhe tinha prometido. 16Quando uma pessoa faz um juramento, jura por alguém que é mais importante. É assim que resolvem de vez todas as questões. 17Ora Deus quis demonstrar com absoluta certeza àqueles que haviam de receber a herança prometida que a sua decisão nunca mudaria. Foi por isso que garantiu a promessa com um juramento. 18Estas são, portanto, duas coisas que não podem ser modificadas. E a respeito destas coisas é impossível que Deus nos engane6,18 Ver Nm 23,19; 1 Sm 15,29.. Deste modo, nós que encontrámos segurança nele devemos agarrar-nos com firmeza à esperança colocada diante de nós. 19Essa esperança está dentro de nós como uma âncora da vida, uma âncora segura e firme que através do véu do templo penetra no santuário de Deus6,19 Comparar com Lv 16,12. No templo de Jerusalém, um grande véu separava a zona mais sagrada, chamada o lugar santíssimo ou santo dos santos. Ver 9,3. Aqui fala-se como se no céu existisse um templo semelhante. Ver 8,5; 9,9; 9,23–24.. 20Jesus já entrou antes de nós e em nosso favor. Deus o fez sumo sacerdote para sempre, à maneira de Melquisedec.

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Melquisedec, figura de Cristo

71Este Melquisedec era rei de Salém e sacerdote do Deus altíssimo. Quando Abraão voltava da batalha em que tinha derrotado vários reis, Melquisedec encontrou-se com ele e abençoou-o. 2Abraão deu-lhe a décima parte dos despojos. Melquisedec quer dizer «rei da justiça» e o seu título é rei de Salém, que significa «rei da paz7,2 Nos v. 1–2, referem-se algumas expressões e dados de Gn 14,17–20. Tradicionalmente, Salém é vista como o nome abreviado de Jerusalém, podendo, segundo alguns, designar outra localidade perto de Siquém.». 3Não há menção de quem era o seu pai ou a sua mãe, nem há lista dos seus antepassados. As Escrituras não indicam qualquer princípio ou fim da sua vida. Por isso é comparado ao Filho de Deus: é sacerdote para sempre7,3 A narrativa sobre Melquisedec, em Gn 14, não fala da sua ascendência, nem do seu nascimento ou morte. Algumas tradições hebraicas antigas consideravam Melquisedec um ser divino, um salvador celeste..

4Reparem como ele era importante! Até o patriarca Abraão lhe deu a décima parte do que tinha trazido da batalha. 5Também os descendentes de Levi, quando recebem o cargo de sacerdotes, têm ordens para, segundo a lei, cobrarem do povo — isto é, dos seus próprios irmãos israelitas — a décima parte de tudo7,5 Ver Nm 18,21., embora eles também sejam descendentes de Abraão. 6Mas Melquisedec, que não era descendente de Levi, cobrou uma décima parte do que Abraão tinha, e abençoou aquele que havia recebido as promessas de Deus. 7E não há qualquer dúvida de que aquele que abençoa é maior do que aquele que é abençoado.

8No caso dos sacerdotes, a décima parte é cobrada por homens mortais; mas no que se refere a Melquisedec, foi cobrada por alguém que segundo o testemunho da Sagrada Escritura não morreu. 9Assim, em certo sentido, quando Abraão pagou a décima parte, Levi, cujos descendentes cobram a décima parte, também pagou. 10É certo que ele ainda não tinha nascido, mas estava, por assim dizer, no sangue do seu antepassado Abraão, quando Melquisedec se encontrou com ele.

11Foi com o sacerdócio levítico que o povo de Israel recebeu a lei7,11 Outra tradução: O povo de Israel recebeu leis a respeito do sacerdócio levítico.. Ora, se a perfeição se conseguisse por meio do ministério sacerdotal dos levitas, não seria preciso aparecer um sacerdote de outra ordem, à maneira de Melquisedec e não de Aarão. 12Porque quando há uma mudança no sacerdócio tem de haver também uma mudança de lei. 13Jesus, e nosso Senhor, a respeito do qual se diz isto, pertence a uma tribo diferente. Ninguém dessa tribo serviu alguma vez ao altar como sacerdote. 14Como é bem sabido, Jesus pertence à tribo de Judá7,14 De facto, Jesus pertence à família de David e à tribo de Judá. Ver Mt 1,1–2; Lc 3,33; Ap 5,5.; e Moisés nunca disse nada sobre esta tribo ao falar dos sacerdotes.

Cristo, o novo sacerdote para sempre

15O facto de que houve uma mudança de lei fica muito mais claro, uma vez que apareceu um sacerdote semelhante a Melquisedec. 16Este não foi feito sacerdote em conformidade com a lei sobre a linhagem física dos sacerdotes à maneira de Levi, mas pelo poder da sua vida imortal. 17É a respeito dele que a Sagrada Escritura afirma:

Serás sacerdote para sempre,

à maneira de Melquisedec7,17 Ver Sl 110,4..

18Portanto, a regra antiga fica sem efeito, por se ter mostrado incapaz e inútil. 19De facto, a Lei de Moisés não podia tornar nada perfeito. Veio-nos, porém, uma esperança melhor, que nos dá acesso à presença de Deus.

20Além disso, Jesus foi constituído sacerdote pelo juramento de Deus. Os outros tornaram-se sacerdotes sem juramento. 21Jesus, porém, foi feito sacerdote com juramento de Deus que lhe disse:

O Senhor jurou

e não mudará de opinião:

Serás sacerdote para sempre7,21 Ver Sl 110,4..

22Em consequência disso, Jesus tornou-se o garante de uma aliança melhor. 23Ainda há outra diferença. Os outros sacerdotes eram muitos porque quando um morria outro tinha que o substituir. 24Mas Jesus permanece para sempre e por isso não precisa de transmitir a outros a sua função sacerdotal. 25É por isso que ele pode salvar definitivamente todos quantos se aproximam de Deus por meio dele. É que ele está sempre vivo para interceder a favor deles.

26Ora de um sacerdote assim é que nós precisávamos! É santo; não há nele qualquer pecado ou imperfeição. Deus separou-o dos pecadores e elevou-o ao mais alto dos céus. 27Não é como os outros sacerdotes. Não tem necessidade de oferecer sacrifícios todos os dias, primeiramente pelos seus próprios pecados, depois pelos do povo7,27 Comparar com 5,3 e nota.. Ele ofereceu sacrifício pelos pecados do povo de uma vez para sempre, quando se ofereceu a si mesmo em sacrifício. 28Os homens a quem a Lei de Moisés confere o sumo sacerdócio são imperfeitos. Mas o juramento de Deus, pronunciado depois do tempo da lei, eleva o Filho ao sumo sacerdócio, e este é perfeito para sempre.

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Uma nova aliança

81Ora, o ponto principal do que estamos a dizer consiste nisto: temos um sumo sacerdote sentado ao lado de Deus8,1 Esta expressão indica que a pessoa assim distinguida recebe o mais alto poder, a seguir a Deus. Ver 1,3; 10,12; 12,2; Sl 110,1; Mt 22,44; Mc 16,19; At 2,33–34; Ef 1,20. que reina no Céu. 2É assim que ele exerce a função de sacerdote, no santuário verdadeiro, que foi feito pelo Senhor e não pelos homens.

3Como todo o sumo sacerdote é nomeado para apresentar ofertas e sacrifícios a Deus, é preciso que o nosso sumo sacerdote também tenha alguma coisa para oferecer. 4Se ele estivesse aqui na Terra, nem sequer seria sumo sacerdote, porque há cá os sacerdotes que apresentam as ofertas segundo a Lei de Moisés. 5Mas o serviço que estes sacerdotes desempenham não passa de uma cópia e uma sombra do que existe nos Céus. Por isso é que Moisés, quando estava para construir o tabernáculo, recebeu do Senhor este aviso: «Faz com que tudo se realize conforme o modelo que te foi mostrado no monte8,5 Já no Antigo Testamento se pensava que o templo terrestre era uma cópia do celeste. Ver Ex 25,40.6O facto, porém, é que Jesus recebeu uma função sacerdotal muito superior à deles, porque é mediador de uma aliança melhor, baseada em promessas melhores8,6 Ver 7,22..

7Realmente, se aquela primeira aliança8,7 Trata-se da aliança concluída no Sinai. Ver Ex 24,3–8. fosse perfeita, não era preciso substituí-la por uma segunda aliança. 8Mas Deus repreendeu o seu povo, como se vê por esta passagem da Sagrada Escritura:

hão de vir dias, diz o Senhor,

em que farei uma nova aliança

com o povo de Israel e de Judá

9Esta aliança não será como a que eu fiz

com os seus antepassados,

no dia em que os tomei pela mão

e os conduzi para fora do Egito.

É que eles não cumpriram as condições dessa aliança,

e eu então deixei de fazer caso deles8,9 Esta frase aparece acrescentada na antiga tradução grega. Ver 10,17., diz o Senhor.

10Esta é a aliança que eu farei com o povo de Israel,

quando vierem esses dias, diz o Senhor.

Vou colocar as minhas leis nos seus pensamentos,

vou escrevê-las nos seus corações.

Eu serei o seu Deus

e eles serão o meu povo.

11Nenhum precisará de ensinar os seus companheiros,

nem sequer será preciso dizerem uns aos outros:

«Conhece a Deus!»

Porque todos me conhecerão,

desde o mais pequeno ao maior.

12Perdoarei as suas faltas com misericórdia

e não me lembrarei dos seus pecados8,12 Sobre os v. 8–12, ver Jr 31,31–34; Hb 10,17..

13Ora, ao falar de uma nova aliança, Deus tornou caduca a primeira. E o que caducou e ficou velho desaparecerá depressa.