a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
15

Lamentação sobre Moab

151Mensagem contra Moab15,1 O reino de Moab encontrava-se a este do mar Morto; o seu território estava dividido em duas partes separadas pela torrente do Arnon. A sul da torrente ficava a cidade de Ar e um pouco mais a sul a de Quir, também chamada Quir-Hasseret (16,7.11) e que era a capital política do reino de Moab. Soar (15,5) encontrava-se imediatamente a sudeste do mar Morto. A norte do Arnon ficava Dibon (15,2), a capital religiosa do reino. Mais a norte ficava a cidade de Madabá, e a uns 30 km da torrente, o monte Nebo (cf. Dt 34,1–6); a nordeste do monte Nebo ficava Hesbon e mais a norte Elalé (15,4). Jaás ficava nos confins, a este de Moab, e Eglaim (15,8) a norte do mar Morto. Não se sabe onde ficavam as localidades de Eglat-Selissia, Luit e Horonaim (15,5)..

Numa noite, a cidade de Ar de Moab foi esmagada,

numa noite Quir de Moab foi derrotada.

2O povo de Dibon sobe ao templo

e aos lugares altos para chorar;

Moab geme pelas cidades de Nebo e de Madabá,

de cabeça rapada e barba cortada, em sinal de tristeza.

3Nas ruas vestem-se com roupas grosseiras;

nos terraços e nas praças públicas,

todos se lamentam e se desfazem em lágrimas.

4Em Hesbon e em Elalé, o povo grita com todas as forças;

e os seus lamentos até se ouvem em Jaás.

Também os soldados de Moab lançam gritos de guerra,

mas as suas forças desfalecem.

5O meu coração lamenta-se pela sorte de Moab;

os seus fugitivos correm até Soar e até Eglat-Selissia.

Sobem a chorar pela colina de Luit

e a caminho de Horonaim lançam gritos de desespero.

6O oásis de Nimerim tornou-se um lugar desolado,

a erva secou e não voltará a rebentar;

já não há mais verdura.

7Os poucos bens que ficaram,

as provisões que conservaram

carregam-se para além da torrente dos Salgueiros.

8Ouvem-se gritos à volta do território de Moab,

as suas lamentações chegam até Eglaim,

fazem-se ouvir até ao poço de Elim.

9As águas de Dimon vão cheias de sangue.

Mas eu, o Senhor, ajuntarei novas pragas contra Dimon:

um leão contra os sobreviventes de Moab,

contra os que escaparam no país.

16

Moab pede ajuda a Jerusalém

161Enviem ao senhor do país

um cordeiro como presente,

desde Petra, no deserto, ao monte Sião16,1 O v. 1 refere-se ao envio de um presente ao rei de Judá pelo rei de Moab. Petra. A palavra hebraica sela significa “rocha” ou “pedra”, e tanto pode referir o território montanhoso de Moab como a uma localidade a sudeste do mar Morto..

2As mulheres de Moab,

como aves espantadas, arremessadas dos seus ninhos,

caminham pelos desfiladeiros do rio Arnon e pedem:

3«Dá-nos um conselho, toma uma decisão,

em pleno meio-dia protege-nos com a tua sombra,

como se fosse meia-noite;

esconde os refugiados, não descubras os fugitivos.

4Dá asilo aos refugiados de Moab,

oferece-lhes um esconderijo contra o devastador.

Quando acabar a opressão, terminar a devastação

e desaparecer o opressor do país,

5então, pela tua bondade, estabelecer-se-á um trono

para o descendente de David.

Sentar-se-á nele com lealdade

e será um juiz preocupado com a retidão,

e sempre pronto a fazer o que é justo16,5 A estabilidade do trono do descendente de David tem a ver com a promessa feita a David. Ver 2 Sm 7,5–16; Is 11,1.

Jerusalém não pode ajudar Moab

6Nós ouvimos falar da soberba de Moab,

uma soberba desmedida;

da sua arrogância, do seu orgulho, dos seus excessos

e da sua vaidade insensata.

7Mas os moabitas hão de lamentar-se por Moab,

todos lamentarão a sua desgraça.

Hão de suspirar desesperados

pelos doces de uvas de Quir-Haresset.

8Os campos de trigo de Hesbon são devastados,

as vinhas de Sibma esmagadas.

Os senhores das nações calcam aos pés os seus rebentos.

E elas estendiam-se até Jazer,

espalhavam-se pelo deserto

e os seus sarmentos estendiam-se

para além do mar Morto.

9Por isso, eu choro com o povo de Jazer

sobre as vinhas de Sibma.

Espalharei torrentes de lágrimas

sobre vós, Hesbon e Elalé.

As canções de alegria desapareceram

das tuas vindimas e ceifas.

10A alegria jubilosa desapareceu das vossas hortas

e nas vossas vinhas já não se ouvem

os gritos de contentamento.

Já não se pisam as uvas nos lagares

e acabaram as canções de alegria.

11Por isso, o meu coração se comove por Moab

e, como se fora uma guitarra,

o meu peito estremece por Quir-Haresset.

12Veremos Moab afadigar-se

por subir ao lugar alto,

por ir ao santuário orar,

mas tudo será em vão.

13Isto é o que o Senhor disse outrora contra Moab.

14Mas agora o Senhor volta a dizer:

«Daqui a três anos, sem um dia a mais,

será humilhada a nobreza de Moab

com todo o seu povo numeroso.

Os que ficarem serão muito poucos e insignificantes.»

17

Contra Damasco e Israel

171Mensagem contra Damasco.

Prestem atenção! Damasco vai deixar de ser cidade;

não será mais que um montão de ruínas.

2As suas cidades abandonadas para sempre

serão lugar de repouso dos rebanhos,

onde ninguém os vai incomodar.

3O reino de Efraim ficará sem fortalezas,

e Damasco sem a sua realeza;

e ao resto dos arameus sucederá o mesmo

que aconteceu à nobreza de Israel.

É isto o que declara o Senhor do Universo.

4Naquele dia, a riqueza de Jacob ficará pobre,

a sua corpulência passará a magreza.

5Será como no tempo da ceifa

quando se recolhe o trigo,

quando as espigas são apanhadas às braçadas

no vale de Refaim.

6Não ficarão senão alguns rabiscos,

tal como acontece quando se vareja a oliveira:

ficam apenas duas ou três azeitonas no cimo da árvore

e quatro ou cinco nos seus ramos.

É isto o que afirma o Senhor, Deus de Israel.

7Naquele dia, o homem olhará para o seu criador, levantará o seu olhar para o Deus santo de Israel. 8E deixará de olhar para os altares que fabricou e para os ídolos que as suas mãos modelaram, tais como os símbolos da deusa Achera e as imagens dedicadas ao Sol.

9Naquele dia, as suas cidades fortificadas serão abandonadas como o foram as florestas e o cimo dos montes diante dos filhos de Israel17,9 Ou: como foram antigamente as cidades dos heveus e dos amorreus diante dos filhos de Israel.. Ficará tudo como um deserto.

10Porque tu, Israel, esqueceste o Deus que te salvou

e não te lembraste da tua rocha de refúgio.

Por isso, plantavas jardins de Adónis17,10 Jardins de Adónis. Práticas relacionadas com o culto pagão da fecundidade através de plantas aromáticas. Ver 1,29.

e fazias sementeiras em honra dos deuses estrangeiros.

11No dia em que os plantavas eles germinavam;

pela manhã as sementes floresciam;

mas a colheita dissipar-se-á no dia da desgraça

e então o mal já não terá remédio.

O bramar dos povos

12Ai esta gritaria dos povos inumeráveis!

Até parece a gritaria dos mares revoltosos!

Este rugir das nações

mais parece o rugir das vagas caudalosas!

13O rugir das nações é como o rugir de mares furiosos.

Mas o Senhor ameaça-as e logo fogem para longe.

O Senhor dispersa-os como palha levada pelo vento,

como a flor seca dos cardos levada pelo vendaval.

14Ao entardecer é o terror,

e ainda antes do amanhecer, já não existem.

É este o destino dos que nos roubam,

a sorte dos que nos vêm saquear.