a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
21

A queda da Babilónia

211Mensagem contra a região marítima21,1 Região marítima. Trata-se da região sul da Mesopotâmia de que faz parte o Golfo Pérsico..

Como os furacões que atravessam o Negueve21,1 Negueve. Região semidesértica no sul da Palestina.

assim o inimigo vem dos lados do deserto,

dum país terrível.

2É uma visão medonha, esta que me foi revelada:

«O traidor atraiçoa

e o destruidor devasta tudo.

Elamitas, ao ataque! Medos, cerquem a cidade.

Farei calar todos os seus gemidos.»

3Perante isto, fiquei cheio de angústia,

assaltaram-me as dores como as duma parturiente;

estou assustado de ouvir tais coisas

e espantado de as ver.

4Estou perturbado,

o terror apoderou-se de mim;

esperava a frescura da tarde,

mas transformou-se em terror.

5Preparem a mesa21,5 Segundo Dn 5,30, o rei da Babilónia estava ocupado com grandes festas quando a cidade foi tomada em 539 a.C., estendam os tapetes,

comam e bebam.

De pé capitães! Preparem as armas!

6Eis o que me disse o Senhor:

«Vai e põe uma sentinela,

que anuncie tudo o que vir!

7Se vir um carro de guerra puxado por cavalos,

uma caravana de burros ou de camelos,

que preste atenção, muita atenção!»

8Aquele que estava de sentinela gritou: «Meu senhor!

Estou atento a vigiar durante todo o dia,

permaneci de sentinela, durante toda a noite.

9Atenção! Vejo alguém que chega

num carro puxado por cavalos.

Ele está a dizer em voz alta:

“Caiu, caiu a Babilónia!

As estátuas dos seus deuses

encontram-se em pedaços por terra21,9 Sobre a queda da Babilónia, ver Jr 51,8; Ap 14,8; 18,2.!”»

10Ó meu povo, pisado como o trigo na eira!

Foi isto o que ouvi e vos anuncio,

da parte do Senhor do Universo, Deus de Israel.

Opressão e libertação

11Mensagem contra Duma21,11 Duma. Osásis no norte da Arábia, a este do território dos edomeus. Seir. Região habitada pelos edomeus a sudeste do mar Morto..

Alguém me grita desde Seir:

«Sentinela, que vês na noite?

Sentinela, que vês na noite?»

12E a sentinela responde:

«Vem a manhã e também a noite.

Se querem uma resposta

voltem novamente.»

Os fugitivos de Dedan e de Quedar

13Mensagem contra a Arábia21,13 Ou: Mensagem para a região desértica. Dedan (v. 13) e Temá (v. 14.) Oásis no nordeste da Arábia. Sobre as populações da Arábia, ver Jr 49,28–32..

Vão passar a noite no mato, na estepe,

caravanas de Dedan.

14Ó habitantes de Temá,

levem água aos que morrem de sede,

e deem pão aos fugitivos.

15Eles vão a fugir da espada que a ninguém poupa,

dos arcos retesados e da dureza do combate.

16Porque o Senhor disse-me o seguinte:

«Daqui a um ano, exatamente,

desaparecerá toda a glória de Quedar21,16 Quedar. Tribo que habitava na parte norte do deserto da Arábia.,

17e o que ficar dos valentes arqueiros de Quedar

será muito pouca coisa.»

É o Senhor, Deus de Israel, quem o declara!

22

Aviso a Jerusalém

221Mensagem sobre o vale da Visão22,1 Vale próximo de Jerusalém. Nos v. 1–14, o texto alude ao ataque falhado dos assírios contra Jerusalém em 701 a.C. Ver 2 Rs 18,13—19,37..

Que se passa contigo,

para que toda a gente suba aos terraços?

2Por que és uma cidade tão cheia de barulho

de animação e de alegria?

Os teus mortos não morreram à espada,

não foram mortos em combate.

3Os teus oficiais desertaram todos,

mas caíram prisioneiros sob a ameaça do arco.

Todos os que o inimigo encontrou em ti

foram feitos prisioneiros,

mesmo os que tinham fugido para longe.

4Por isso vos suplico:

Afastem-se de mim, deixem-me chorar amargamente.

Não quero que continuem a consolar-me

pela ruína do meu povo.

5Este é um dia de derrota, humilhação e confusão,

que o Senhor, Deus do Universo, nos enviou.

No vale da Visão a refrega foi muito dura

e os gritos ecoaram pelas montanhas.

6O exército elamita22,6 Exército elamita. Soldados de Quir. Tropas estrangeiras ao serviço dos assírios. Elam. Planície sul-ocidental do Irão. Quir. Pátria de origem dos arameus, segundo Am 9,7. pegou nas suas setas,

os homens puseram-se a postos nos carros de combate,

os soldados de Quir apresentaram os escudos.

7Os teus vales mais férteis

estavam cheios de carros e de cavalos,

que tomavam posição junto das portas.

8Judá ficou sem defesa possível.

Naquele dia inspecionaram o arsenal de armas

guardadas na «casa da Floresta22,8 Casa da Floresta ou palácio da Floresta. Provavelmente uma grande sala de receção. Em 1 Rs 7,2 é chamada de salão da Floresta do Líbano; ver também 1 Rs 10,17–21.»,

9e repararam na quantidade de brechas da muralha

que rodeia a cidade de David.

Armazenaram a água que estava na piscina inferior,

10contaram as casas de Jerusalém,

e demoliram algumas delas

para fortificar as muralhas.

11Fizeram um depósito entre duas muralhas,

para as águas da piscina velha22,11 Piscina interior (v. 9) mandada arranjar pelo rei Acaz para aumentar as reservas de água em caso de cerco. Piscina velha (superior). Ver Is 7,3; 2 Rs 18,17. O depósito entre duas muralhas (v. 11) é provavelmente a piscina de Siloé construída pelo rei Ezequias..

Contudo, não dirigiram os olhares

para o autor destes acontecimentos;

não viram aquele que, de há muito, os tinha preparado.

12Naquele dia, o Senhor, Deus do Universo,

tinha-vos convidado ao pranto e à penitência,

a raparem a cabeça e a vestirem de luto.

13Mas em vez disto, vocês fizeram festa rija.

Mataram bois e cordeiros

comeram carne e beberam vinho.

E disseram: «Comamos e bebamos22,13 Ver 1 Co 15,32.,

porque amanhã morreremos.»

14Mas o Senhor do Universo revelou-me o seguinte:

«Garanto-vos que este pecado não será expiado

enquanto não morrerem.»

É o que declara o Senhor, Deus do Universo!

Contra o administrador Chebna

15Assim me falou o Senhor, Deus do Universo: «Vai dizer a Chebna, esse que é o administrador do palácio real:

16“Que direito de propriedade tens tu,

para poderes construir aqui um túmulo para ti,

um túmulo muito bem lavrado

e escavado na pedra?

17Olha bem, homem forte!

O Senhor vai-te abater dum só golpe

e arrojar-te com violência.

18Vai-te fazer dar voltas e mais voltas

como uma bola, numa terra vasta e espaçosa.

Ali morrerás e acabarão os teus carros de luxo,

ó vergonha da corte do teu senhor!

19Vou derrubar-te do teu pedestal

e arrancar-te-ei do teu posto.

20Naquele dia, chamarei o meu servo Eliaquim,

o filho de Hilquias.

21Vesti-lo-ei com o teu manto,

cingi-lo-ei com a tua faixa,

dar-lhe-ei os teus poderes.

Será um pai para os habitantes de Jerusalém

e para o reino de Judá.

22Porei sobre os seus ombros

a chave do palácio de David:

o que ele abrir ninguém poderá fechar,

o que ele fechar ninguém poderá abrir22,22 Chaves. Sobre o seu significado, ver Ap 3,7; Mt 16,19..

23Fixá-lo-ei como um prego em lugar firme

e será um motivo de glória para a sua família.”

24Mas todos os seus parentes,

grandes e pequenos, se penduraram nele,

tal como se pendura num prego a louça de cozinha,

desde os copos aos jarros.

25Por isso, o Senhor do Universo declara, de modo solene: “Virá o dia em que o prego fixado em lugar firme cederá, soltar-se-á e cairá. E toda a carga que ele sustentava ficará em pedaços.”»

É o Senhor que assim o declara!

23

Contra Tiro e Sídon

231Mensagem contra Tiro23,1 Tiro. Cidade principal e importante porto da costa fenícia..

«Lamentem-se, gente dos grandes navios de Társis23,1 Társis. Os fenícios tinham colónias em terras distantes, como em Cartago e em Társis, no sul de Espanha.,

porque o vosso porto foi destruído.»

Foi no regresso de Chipre

que eles receberam esta notícia.

2«Fiquem espantados,

os que habitais as costas marítimas,

os que negociais em Sídon23,2 Sídon. Outro porto fenício importante. Na tradição bíblica, Tiro e Sídon aparecem muitas vezes citados em conjunto. Sobre os fenícios, ver Ez 26–28; Jl 4,4–8; Am 1,9–10; Zc 9,1–4; Mt 11,21–22; Lc 10,13–14.,

que cruzais o mar, enviando gente a toda a parte.»

3Através do mar alto Sídon recolhe

o que se semeia ao longo do rio Nilo,

o lucro do comércio do mundo.

4Envergonha-te, Sídon, fortaleza do mar!

É o mar quem agora te diz:

«Não suportei as dores de parto, nem dei à luz,

não eduquei rapazes nem raparigas23,4 A segunda parte do v. 4 parece fazer alusão à mitologia cananeia, segundo a qual o mar era a esposa do povo fenício. De maneira simbólica, o mar anuncia que o povo fenício não deve confiar nas suas riquezas.

5Quando receber as notícias acerca de Tiro,

o Egito contorcer-se-á de dor.

6Regressem a Társis,

e chorem, habitantes das costas marítimas!

7Não é esta a vossa cidade tão animada,

de origem tão antiga,

que implantou colónias em paragens longínquas?

8Quem decretou a ruína de Tiro,

cidade que distribuía coroas reais,

cujos comerciantes eram como príncipes

e cujos mercadores eram considerados gente nobre?

9Foi o Senhor do Universo que o decretou,

para abater o orgulho de toda esta gente

e humilhar os que são considerados grandes.

10Regressa à tua terra, povo de Társis,

porque o teu porto já não existe.

11Com um gesto, o Senhor ameaçou o mar,

fez estremecer os reinos,

e mandou destruir as fortalezas de Canaã.

12Ele disse: «Povo de Sídon,

acabou-se a festa para ti,

pois és como uma donzela violada.

Se cruzas o mar e vais para Chipre,

nem mesmo encontrarás ali descanso.

13Considera a terra dos caldeus;

é um povo que já não existe.

A Assíria pôs lá os seus navios,

levantou torres e demoliu palácios,

e reduziu-a a uma ruína completa.

14Chorem, marinheiros de Társis,

porque o vosso porto foi destruído.»

15Naquele tempo,

Tiro ficará esquecida durante setenta anos,

os anos da vida de um rei.

No fim destes setenta anos, sucederá a Tiro

o que diz a cantiga da prostituta:

16«Pega na guitarra e percorre a cidade,

ó prostituta esquecida.

Toca o melhor que souberes e canta sem parar,

para que se lembrem de ti23,16 Cantiga da Prostituta. A atividade comercial é comparada à prostituição. Ver Ap 17,5; 18,3.11.13.

17Ao fim de setenta anos, o Senhor ocupar-se-á de Tiro. Ela voltará a enriquecer, prostituindo-se com todos os reinos do mundo. 18Mas os lucros do seu comércio serão consagrados ao Senhor; não serão nem armazenados nem entesourados. Servirão para alimentar abundantemente e para vestir condignamente aqueles que habitam na presença do Senhor.