a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
25

O Senhor, refúgio dos fiéis

251Senhor, tu és o meu Deus,

quero louvar-te e celebrar aquilo que tu és;

porque realizaste coisas maravilhosas,

projetos antigos, firmes e leais.

2Reduziste a cidade a um montão de pedras,

a cidade bem fortificada tornaste-a uma ruína.

A fortaleza dos orgulhosos25,2 A fortaleza dos orgulhosos. Segundo dois manuscritos hebraicos e a antiga tradução grega. Texto tradicional: dos estrangeiros. O mesmo se diga do v. 5. deixou de ser uma cidade,

e nunca mais será reedificada.

3Por isso, um povo poderoso te glorifica,

a capital dos povos tiranos te respeita.

4Porque tu foste o refúgio dos fracos,

o refúgio dos infelizes na sua angústia,

um abrigo contra o mau tempo,

uma sombra contra os ardores do Sol.

Realmente, o furor dos tiranos

é como uma tempestade de inverno25,4 Literalmente: tempestade dum muro.,

5ou como um Sol ardente em terra árida.

Tu fazes calar o ruído dos orgulhosos.

Assim como as nuvens diminuem o ardor do Sol,

também tu abafas o canto vitorioso dos tiranos.

Um festim para todos os tempos

6No monte Sião, o Senhor do Universo

vai oferecer a todos os povos

um banquete de carnes gordas,

acompanhadas de vinhos finos,

carnes gordas e bem defumadas,

vinhos finos e bem tratados25,6 A imagem do banquete é clássica na teologia bíblica para indicar felicidade escatológica. Ver Ex 24,11; Dt 16,13–15; 1 Sm 9,13; Pv 9,5; Mt 8,11; 22,2–10; Lc 14,15–24; Ap 19,9..

7Neste monte arrancará o véu de luto

que cobre todos os povos,

a cortina que tapa todas as nações.

8O Senhor Deus aniquilará a morte25,8 Ver Is 26,19; 1 Co 15,54. para sempre,

enxugará as lágrimas em todas as faces,

e tirará da nação inteira

a afronta que o seu povo tem suportado.

Foi o Senhor quem o prometeu!

Alegria para Israel e infelicidade para Moab

9Dir-se-á naquele dia:

«É ele que é o nosso Deus,

aquele em quem esperámos, confiantes, e nos salvou.

Sim, nós esperámos no Senhor!

Exultemos e rejubilemos porque ele nos salvou.

10A mão protetora do Senhor repousa neste monte!»

Mas Moab será pisada no seu próprio terreno

como se pisa a palha na estrumeira.

11Lá dentro, agita os braços,

como faz o nadador ao nadar,

mas, apesar desses esforços,

o Senhor humilhará o seu orgulho.

12Os altos baluartes das tuas muralhas, ó Moab,

o Senhor os derrubará e abaterá,

deixando-os por terra destruídos.

26

A cidade forte

261Naquele dia,

cantar-se-á este cântico no país de Judá:

«Temos uma cidade forte;

para a proteger, o Senhor fez-lhe muralhas e baluartes.

2Abram as portas para que entre o povo fiel,

que cumpre os seus compromissos.

3As suas disposições são firmes.

Tu, Senhor, o guardas em paz,

porque confia em ti.

4Tenham sempre confiança no Senhor,

porque o Senhor é a rocha eterna.

5Ele humilhou os que habitavam nas alturas,

precipitou por terra a cidade inacessível

e arrojou-a para o pó.

6Ela será calcada aos pés

pelo povo pobre e fraco.»

Oração

7O caminho do justo é a retidão.

É o Senhor que lhe prepara caminhos retos.

8É seguindo os caminhos dos teus desejos

que nós esperamos em ti, Senhor.

O nosso desejo é pronunciar o teu nome

e lembrar-nos de ti.

9Anseio por ti, durante a noite,

do fundo do coração, eu te procuro.

Quando as tuas intervenções se realizam na terra,

os povos do mundo reconhecem a justiça.

10Mas se o mau é tratado com clemência,

não aprende o que é justo;

no país da sensatez26,10 Ou: no país dos homens honestos, segundo o atual texto hebraico. Muitas versões antigas têm: eles torcem o que é direito na terra. continua como ignorante;

nem vê a tua grandeza, ó Senhor.

11Senhor, a tua mão é ameaçadora,

mas eles não se apercebem.

Que eles vejam, envergonhados como defendes o teu povo!

Que sejam devorados pelo fogo

preparado para os teus inimigos!

12Senhor, és tu que nos dás a paz,

pois tudo quanto fazemos

és tu que o levas a bom termo.

13Ó Senhor, nosso Deus,

outros senhores, que não tu, nos dominaram.

Mas tu és o único a quem queremos recorrer.

14Os outros são mortos que não tornam a viver,

sombras que não voltam a levantar-se.

Foste tu que intervieste para os aniquilar

e apagar completamente a sua lembrança.

15Senhor, tu multiplicaste o nosso povo,

e assim manifestaste a tua glória;

alargaste todas as fronteiras do país.

16Senhor, na tristeza nós te procurámos,

e clamámos por ti, no aperto do teu castigo.

17Diante de ti, Senhor, nós éramos

como a mulher grávida que vai dar à luz:

torce-se e grita com as dores.

18Demos à luz, cheios de dores,

mas apenas nos nasceu vento.

Não trouxemos a salvação ao país,

nem novos habitantes ao mundo.

Ressurreição e castigo

19Os teus mortos reviverão26,19 Pelo contexto dos cap. 24—27, de género literário apocalíptico, devemos concluir que não se trata da doutrina da ressurreição dos corpos, como aparece no Novo Testamento, mas da ressurreição da nação de Israel. Ver Is 25,8; Dn 12,2.,

os seus cadáveres ressuscitarão.

Despertai e gritai de júbilo

vós, os que jazeis no pó da terra!

Na verdade, o teu orvalho é orvalho de luz,

a terra fará renascer os que não passavam de sombras.

20Vamos, meu povo, entra nos teus aposentos

e fecha a porta por dentro.

Esconde-te por um momento,

até que passe o castigo do Senhor.

21Realmente ele vai sair da sua morada,

para castigar os crimes dos habitantes da terra.

A terra deixará aparecer o sangue que escondia

e não ocultará mais as vítimas que acolheu.

27

Vitória sobre o dragão dos mares

271Naquele dia,

o Senhor castigará com a sua espada,

pesada, grande e bem afiada,

o monstro Leviatã27,1 Monstro Leviatã. Monstro marinho lendário; aparece aqui como símbolo das nações que oprimem Israel. Ver Jb 3,8; Sl 74,13–14; 104,26., serpente má e tortuosa,

e acabará por matar esse dragão marinho.

O Senhor e a sua vinha

2Naquele dia,

entoem um cântico sobre a vinha deliciosa:

3«Eu, o Senhor, sou o seu guarda;

rego-a continuamente

e guardo-a dia e noite,

para impedir qualquer assalto.

4Não me aborreço mais com ela.

Mas se nela crescerem silvas e cardos,

dar-lhes-ei guerra aberta

para os queimar totalmente,

5a menos que se ponham sob a minha proteção,

e façam as pazes comigo,

e estejam de bem comigo.»

Renovação de Israel

6Dias virão, em que Jacob deitará novas raízes;

Israel produzirá botões e flores,

enchendo o mundo com os seus frutos.

7Porventura, o Senhor feriu-os

como fez com aqueles que os feriam?

Ou matou-os como fez com os que os matavam?

8Apenas os castigou com o exílio

e os expulsou, com o seu sopro violento,

num dia de vento leste.

9Assim se expiará a maldade de Jacob,

e o resultado do perdão da sua culpa será o seguinte:

as pedras dos altares pagãos serão pulverizadas,

como acontece com as pedras de cal,

e não mais se levantarão

nem os símbolos da deusa Achera27,9 Sobre os símbolos tradicionais da deusa da fertilidade, Achera, ver 17,8.

nem as imagens dedicadas ao Sol.

A cidade deserta

10A cidade fortificada ficou sem ninguém,

desabitada e abandonada como um deserto.

Nela pastam os vitelos,

nela se deitam e comem os seus ramos.

11Quando os ramos estão secos, partem-se

e vêm as mulheres e queimam-nos.

Realmente esta gente é de pouco entendimento,

e, por isso, o seu Criador já não tem pena,

aquele que os formou não se compadece deles.

Regresso dos exilados

12Naquele dia,

o Senhor debulhará as espigas

desde o Eufrates até à ribeira do Egito27,12 Ver Gn 15,18; 2 Rs 24,7; Nm 34,5.;

mas vós, israelitas, sereis apanhados um a um.

13Naquele dia,

o Senhor tocará a grande trombeta27,13 Na Bíblia, o toque da trombeta serve para: 1. Chamar as tropas ao combate (Is 18,3); 2. Convocar a assembleia (Ex 19,16; 20,18; Lv 25,9; Nm 12,2.10; 2 Sm 6,15; 1 Rs 1,34–41; Sl 47,6; 150,3); 3. Convocar o juízo final (Jl 2,1; Sf 1,16; Mt 24,31; Ap 11,15).,

e virão os dispersos da terra da Assíria

e os que andavam perdidos no Egito.

Virão prostrar-se diante do Senhor,

na santa montanha, em Jerusalém.