a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
29

Cerco e libertação de Jerusalém

291Ai de Ariel! Ai de Ariel29,1 Ariel. Palavra de difícil tradução. Indica provavelmente a parte mais alta do altar onde eram consumadas as vítimas oferecidas em sacrifício. Ver Ez 43,15–16; 29,2. Neste texto designa a cidade de Jerusalém e o mesmo acontece no v. 7.,

a cidade que David cercou!

Podem manter o ciclo das festas,

ano após ano, ou mesmo acrescentá-lo!

2Mas virá o tempo em que eu, o Senhor te castigarei,

e então haverá prantos e gemidos.

Serás para mim como o antigo Ariel.

3Vou montar acampamento à tua volta;

cercar-te-ei de trincheiras

e levantarei baluartes contra ti.

4Cairás tão baixo que a tua voz

parece vir das profundezas da terra,

a tua palavra mal se percebe debaixo do chão.

Será como a voz dum fantasma saído da terra,

cuja mensagem mal se percebe do fundo da cova.

5A multidão dos teus inimigos

será como uma nuvem de poeira,

e a multidão dos teus agressores

como uma nuvem de flocos de palha.

Mas logo a seguir, de imprevisto,

6o Senhor do Universo virá em teu auxílio,

por meio duma grande trovoada,

tremores de terra e grande tumulto,

com furacões, vendavais e chamas devoradoras.

7A multidão dos povos que te combatia, Ariel,

os que te atacavam, assediavam e sitiavam,

desapareceram como se fosse um sonho

ou como uma visão na noite29,7 Alusão provável ao cerco falhado de Jerusalém pelo exército assírio em 701 a.C. Ver os cap. 36—37 e cf. 31,4–5..

8Acontecerá à multidão das nações que lutam contra Sião

o que acontece ao homem esfomeado,

que sonha estar a comer,

mas acorda de estômago vazio,

ou ao homem cheio de sede,

que sonha estar a beber,

mas acorda de garganta seca.

Cegueira do povo

9Pasmem, fiquem espantados,

fiquem cegos, deixem de ver;

embriaguem-se, sem ser de vinho,

cambaleando, sem ter bebido.

10Foi o Senhor que vos mergulhou

num estado profundo de sonolência:

fechou os vossos olhos, isto é, os profetas,

e cobriu as vossas cabeças, isto é, os videntes.

11A revelação destes acontecimentos é para vós como o texto dum livro selado. Entregam-no a alguém que saiba ler e pedem-lhe: «Lê-o, por favor!» Mas ele responde: «Não posso, porque está selado!» 12Então entregam-no a alguém que não sabe ler, e pedem-lhe: «Lê tu, por favor», mas ele responde: «Não sei ler.»

Formalismo religioso

13Diz o Senhor:

«Este povo aproxima-se de mim só com palavras,

honra-me apenas com os lábios,

pois o seu coração está longe de mim.

O culto que me tributam

não passa dum hábito ou duma tradição humana29,13 Este versículo é citado de maneira livre em Mt 15,8–9; Mc 7,6–7..

14Por isso, vou continuar

a espantá-los com os meus prodígios:

fracassará a sabedoria dos seus sábios,

e será confundida a competência dos seus expertos29,14 Em 1 Co 1,19 Paulo cita este versículo segundo a antiga tradução grega.

O lugar de Deus e o dos homens

15Ai daqueles que trabalham em segredo,

que ocultam ao Senhor os seus planos

e planeiam as suas jogadas na sombra

e dizem: «Quem é que nos pode ver?

Quem é que vai saber disto?»

16Que insensatez a vossa,

pôr no mesmo plano o barro e o oleiro!

Pode o objeto dizer ao que o fabricou:

«Não foste tu que me fizeste?»

Ou pode o vaso dizer do oleiro:

«Ele não entende nada disto!»

A grande viragem

17Dentro de muito pouco tempo, a montanha do Líbano

transformar-se-á num pomar

e esse pomar será como uma floresta.

18Naquele dia,

os surdos ouvirão o que diz o livro;

e, livres de escuridão e trevas,

os cegos ficarão a ver.

19Os humildes voltarão a alegrar-se no Senhor,

e os pobres da terra exultarão no Santo de Israel.

20Será o fim do tirano e o extermínio dos insolentes,

e serão aniquilados todos os que buscam a maldade:

21os que acusam de crime os inocentes,

os que subornam os juízes

e atiram os homens para os calabouços.

22Por isso, o Senhor que resgatou Abraão,

assim fala aos descendentes de Jacob:

«O povo de Jacob nunca mais será humilhado,

a sua cara nunca mais ficará envergonhada29,22 Ou: Por isso, o Senhor, o Deus de Jacob e dos seus descendentes, o salvador de Abraão..

23Quando eles ou os seus filhos virem

o que eu vou fazer por eles,

hão de reconhecer quem eu sou,

eu, o Deus santo de Jacob;

hão de tremer diante de mim, o Deus de Israel.

24Os espíritos desencaminhados compreenderão então

e os que protestavam, aceitarão o ensino.»

30

Contra a aliança com o Egito

301O Senhor declara:

«Ai de vós, filhos rebeldes,

que fazeis projetos sem contar comigo,

que estabeleceis alianças sem a minha intervenção.

É assim que cometeis pecado atrás de pecado30,1 Projetos. Alianças. O profeta alude aos tratados de aliança entre Judá e o Egito pelos anos 713–702 a.C..

2Pondes-vos a caminho do Egito

sem antes me consultarem.

Ides procurar segurança junto do faraó

e refúgio à sombra do Egito.

3Mas a segurança do faraó será a vossa vergonha,

e o refúgio que procurais no Egito, a vossa humilhação,

4embora os vossos ministros já se encontrem em Soan

e os vossos embaixadores tenham chegado a Hanés30,4 Soan. Ver 19,11 e nota. Hanés. Trata-se provavelmente de Heracleopolis, mais ou menos a 100 km a sul do Cairo..

5Ficarão todos desiludidos por este povo inútil,

que não vos poderá socorrer nem auxiliar;

pelo contrário, será para eles uma desilusão e uma vergonha.»

Contra a embaixada ao Egito

6Mensagem sobre os animais selvagens do Sul.

Os animais de carga que caminham pelo Sul

atravessam uma região de tristeza e angústia,

de leões e leoas ferozes,

de víboras e dragões voadores.

As riquezas e os tesouros são transportados

por asnos e camelos e levados ao Egito,

uma nação que não é útil a ninguém.

7O seu auxílio é inútil e nulo,

e por isso o chamo: «Besta que nada faz30,7 Besta que faz nada. Tradução do hebraico Raab, que aparece por vezes como nome simbólico do Egito. Ver 51,19.

Instruções a Isaías

8«Agora despacha-te e escreve estas coisas numa tabuinha,

grava-as num documento,

para que sirvam para o futuro

como testemunho perpétuo.»

9Este povo é, de facto, rebelde, filhos renegados,

que não querem ouvir a lei do Senhor.

10Dizem aos videntes: «Deixem-se de visões!»

E aos profetas: «Não queremos que nos façam mais avisos!

Digam-nos antes coisas agradáveis e profetizem ilusões!

11Afastem-se do caminho reto, retirem-se da boa direção

e que o Santo de Israel não nos aborreça mais!»

12Por isso, o Deus santo de Israel declara:

«Uma vez que rejeitais a minha palavra

e confiais e vos apoiais na opressão e nas intrigas,

13semelhante pecado será para vós

como uma fenda numa alta muralha.

Aparece a saliência e, de repente,

sem ninguém esperar, desmorona-se tudo.

14A muralha desfaz-se em pedaços

como uma vasilha de barro despedaçada, sem se poder consertar.

De entre os bocados não se arranja sequer um caco

para apanhar brasas do braseiro

ou tirar um pouco de água do tanque.»

Confiar em Deus e não na força dos cavalos

15Assim declara o Senhor Deus, o Santo de Israel:

«Vocês só serão salvos se voltarem para mim

e se se mantiverem calmos;

só terão força, se tiverem confiança em mim

e ficarem tranquilos;

mas vocês não quiseram.

16E, ainda respondem:

“De modo algum! Nós vamos a cavalo!”

Sim, irão a cavalo, mas é para fugir!

E replicam: “Iremos em carros velozes!”

Mas os vossos perseguidores ainda serão mais rápidos.

17Um só inimigo bastará para ameaçar mil dos vossos.

Fugirão todos diante da ameaça de cinco inimigos.

Por fim, os que ficarem serão como um mastro

abandonado no cimo dum monte,

ou como um estandarte numa colina.»

O tempo da salvação

18Entretanto, o Senhor espera o momento

de vos conceder os seus favores,

de vos manifestar misericórdia.

Porque o Senhor é um Deus reto,

e felizes aqueles que nele esperam.

19Povo de Sião, que habitas em Jerusalém,

não chores mais.

Quando chamarem pelo Senhor, ele terá misericórdia;

mal ouça o pedido, imediatamente vos responderá.

20O Senhor vos dará o pão em tempo de tristeza

e a água em tempo de opressão.

Aquele que te ensina, não se esconderá mais;

tu o verás com os teus próprios olhos.

21Ouvirás dentro de ti esta voz,

quando tiveres de caminhar

para a direita ou para a esquerda:

«Este é o caminho a seguir!»

22Deves considerar impuros os teus ídolos prateados

e as tuas estátuas adornadas de ouro;

lançá-los-ás fora como imundície

e lhes dirás: «Fora daqui!»

23O Senhor te dará chuva

para as sementes que semeares na terra,

e o alimento que a terra produzir

será abundante e excelente.

Naquele dia, os teus rebanhos terão amplas pastagens.

24Os bois e os burros que trabalham a terra

comerão forragem salgada30,24 Forragem muito apreciada pelos animais.,

remexida com a pá e a forquilha.

25No dia do grande massacre,

em que as torres desabarão,

haverá torrentes de água abundante

em todas as montanhas e colinas.

26No dia em que o Senhor curar as chagas do seu povo

e tratar das feridas que sofreu,

a Lua refulgirá como um sol

e o Sol brilhará sete vezes mais em cada dia.

O Senhor castiga a Assíria

27É o Senhor em pessoa que vem de longe;

a sua cólera é ardente, como fogo espesso,

os seus lábios estão cheios de furor,

a sua palavra é fogo devorador.

28O seu sopro é uma torrente transbordante,

que inunda até ao pescoço.

Vem crivar os povos com o crivo da destruição

e pôr na boca das nações um freio

que os desvia contra a sua vontade.

29Vós, porém, haveis de cantar

como na noite sagrada de festa30,29 Provavelmente a festa das Tendas ou dos Tabernáculos, celebrada no outono, durante a noite. Há quem pense tratar-se da Páscoa..

O vosso coração alegrar-se-á

como aquele que caminha ao som da flauta,

enquanto vai à montanha do Senhor,

que é a rocha de Israel.

30O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa,

e mostrará a força ameaçadora do seu braço.

Manifestará o seu furor nas chamas dum fogo devorador,

no meio de tempestades e tormentas de granizo.

31A Assíria ficará aterrada à voz do Senhor

e castigada pelos seus golpes.

32Cada paulada que o Senhor lhe infligir

será acompanhada de pandeiretas, guitarras e danças30,32 Texto de difícil compreensão. Traduz-se por danças o texto hebraico no meio dos combates..

33Desde há muito que a fogueira está preparada,

e nem o rei lhe escapa.

Está preparada numa cova profunda e larga,

com muita madeira empilhada para o fogo.

O sopro do Senhor vai pegar-lhe o fogo,

como uma torrente de enxofre.

31

O que é o Egito

311Ai daqueles que vão ao Egito buscar socorro!

Apenas confiam nos cavalos,

no grande número dos seus carros,

e na valentia dos seus cavaleiros;

não olham para o Deus santo de Israel,

nem se dirigem ao Senhor.

2Mas ele também tem capacidade para provocar a desgraça,

e não retira as ameaças que pronunciou.

Vai surgir contra o bando dos maus31,2 Provavelmente um grupo político favorável a uma aliança com o Egito para se opor à ameaça dos assírios.

e contra os que ajudam os malfeitores.

3Os egípcios são apenas homens,

sem qualquer poder divino;

os seus cavalos são apenas animais,

sem nenhuma força superior.

Basta que o Senhor estenda a sua mão:

o protetor cambaleará e o protegido cairá;

ambos ficarão completamente arruinados.

O Senhor defende Jerusalém

4Eis o que me disse o Senhor:

«Quando o leão e as suas crias

rugem para segurar a presa

ainda que muitos pastores se juntem contra eles,

não se deixam amedrontar pelos seus gritos,

nem intimidar pela sua algazarra.

Da mesma maneira descerá o Senhor do Universo

para combater no cimo do monte Sião.

5Como as aves estendem as suas asas

assim o Senhor do Universo há de proteger Jerusalém;

há de protegê-la e libertá-la,

poupá-la e salvá-la.»

Conversão de Judá e fim da Assíria

6Ó israelitas, convertam-se ao Senhor,

deixando a vossa profunda rebeldia.

7Virá o dia em que cada um de vós terá que rejeitar

os ídolos de prata e ouro,

que as vossas mãos pecadoras fizeram.

8A Assíria cairá ao fio duma espada sobre-humana,

será destruída por uma espada não humana.

Fugirão diante desta espada

e os seus jovens guerreiros serão submetidos à servidão.

9Os mais fortes fugirão aterrorizados,

e os chefes, apavorados, abandonarão o estandarte.

Quem o afirma é o Senhor,

que tem o seu fogo em Sião,

a sua fornalha em Jerusalém.