a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
45

Investidura de Ciro

451Eis o que o Senhor declara a Ciro, seu escolhido45,1 Literalmente: seu Messias ou seu consagrado. O rei persa Ciro recebe o mesmo título que o rei de Judá. Ver Sl 2,2; 18,51.:

«Eu peguei-te pela mão:

vou fazer com que as nações se sujeitem a ti

e que os reis fiquem sem poder.

Vou fazer com que os batentes das portas das cidades

se abram de par em par diante de ti.

2Caminharei diante de ti para aplanar os obstáculos,

arrombar portas de bronze e quebrar ferrolhos de ferro.

3Dar-te-ei tesouros ocultos e riquezas escondidas.

Assim saberás que eu sou o Senhor, o Deus de Israel,

que te chama pelo teu nome.

4Por amor de Jacob, meu servo,

de Israel, meu escolhido,

chamei por ti e dei-te um nome,

sem que tu me conhecesses.

5Eu é que sou o Senhor e mais ninguém:

fora de mim não há outro deus.

Dei-te o poder, sem que me conhecesses,

6para que saibam desde o Oriente até ao Ocidente

que fora de mim não há nada.

Eu é que sou o Senhor e mais ninguém.

7Faço a luz e crio as trevas,

sou o autor do bem-estar e o criador da desgraça.

Sou eu, o Senhor que faço tudo isto.

8Que o céu, lá do alto, faça descer o orvalho,

e que as nuvens façam chover a vitória;

abra-se a terra para que floresça a salvação

e, ao mesmo tempo, germine a justiça.

Sou eu, o Senhor, que crio tudo isto.»

O barro e o oleiro

9Ai de quem, sendo simples vaso de argila como os outros,

se atreve a discutir com quem o fez!

Acaso o barro diz ao oleiro: «Que fazes?»

Ou então: «A tua bilha não tem asas45,9 Ver Is 29,16; Jr 18,6; Rm 9,20–21.

10Ai de quem se atreve a dizer ao seu pai:

«Que espécie de filho geraste?»

Ou então à sua mãe:

«O que é que tu deste à luz?»

11Assim declara o Senhor, o Santo de Israel,

que formou o seu povo:

«Pretendeis pedir-me contas acerca dos meus filhos

e dar-me ordens sobre aquilo que devo fazer?

12Eu é que fiz a terra e criei os homens para a povoar;

eu é que estendi os céus com as minhas mãos

e dou ordens ao exército das estrelas.

13Fui eu que pus esse homem em marcha para a vitória,

e aplanarei todos os seus caminhos.

Ele reconstruirá a minha cidade,

e libertará o meu povo do exílio,

sem nada exigir como recompensa.

É o Senhor do Universo quem o declara.»

Conversão dos pagãos

14Assim fala o Senhor:

«Os trabalhadores egípcios, os comerciantes etíopes,

os povos de Seba, de alta estatura,

todos passarão diante de ti e serão teus.

Estes povos irão atrás de ti com cadeias,

inclinar-se-ão diante de ti

e dir-te-ão em súplica:

“Não há outro Deus se não o teu;

todos os outros não são nada!”»

O Deus escondido

15Na verdade, tu, és um Deus escondido,

o Deus de Israel, o Salvador.

16Os fabricantes de ídolos retiram-se cheios de vergonha,

confundidos e cobertos de ignomínia.

17Mas Israel foi salvo pelo Senhor para sempre.

Nunca mais haverá para eles vergonha nem desonra.

18O Senhor que criou o céu,

o Deus que formou a terra e a fez,

que não a criou vazia, mas pronta para ser habitada,

declara o seguinte:

«Eu é que sou o Senhor e mais ninguém.

19Não falei em segredo, nem em lugar obscuro,

não pedi aos israelitas que me procurassem no vazio.

Eu, o Senhor, falo de maneira franca,

o que anuncio é bem claro.

20Reúnam-se, venham juntar-se aqui

aqueles que sobreviveram no exílio.

Nada percebem os que levam o seu ídolo de madeira

e oram a um deus que os não pode salvar.

21Digam o que têm a dizer e apresentem provas;

podem mesmo aconselhar-se em conjunto.

Quem anunciou de antemão o que está acontecendo?

Quem o revelou desde há muito?

Não fui eu, o Senhor?

Fora de mim não há nenhum outro deus.

Eu sou um Deus justo e salvador,

e não existe nenhum outro.

22Voltem-se para mim e sereis salvos,

os que habitais nos confins da terra,

pois eu sou Deus e não há nenhum outro.

23Juro por mim mesmo

e o que digo é verdadeiro,

pois a minha palavra não muda!

Toda a gente, de joelhos45,23 Ver Rm 14,11; Fp 2,10–11.,

me fará um juramento de fidelidade e dirão:

24“Só no Senhor se encontra a lealdade e a força.”»

E todos os que se tinham levantado contra o Senhor,

virão ter com ele cheios de vergonha.

25Mas todos os descendentes de Israel

hão de triunfar e receber louvores junto do Senhor.

46

Contra os deuses da Babilónia

461O deus Bel curva-se e o deus Nebo inclina-se,

as suas imagens são postas sobre animais de carga

e as estátuas pesadas deixam esgotados os animais.

2Os deuses curvam-se e inclinam-se,

incapazes de salvar as suas estátuas;

e até eles próprios vão para o cativeiro.

3Ouçam-me, ó gente de Jacob,

sobreviventes do povo de Israel,

eu trouxe-vos ao colo desde o vosso nascimento,

desde que a vossa mãe vos deu à luz.

4Até à vossa velhice eu serei o mesmo,

encarregar-me-ei de vós até terem cabelos brancos.

Assim o fiz46,4 Ou: Fui eu que vos fiz. e continuarei a fazê-lo,

encarreguei-me de vós e hei de livrar-vos.

5A quem me podereis comparar ou igualar?

Quem poderá assemelhar-se a mim ou comparar-se comigo?

6Há quem tire todo o ouro das suas bolsas

e pese a prata na balança.

Depois contratam um ourives para lhes fabricar um deus;

prostram-se diante dele e até o adoram.

7Põem-no aos ombros e transportam-no;

e onde o colocam ali fica, sem se mexer do lugar.

Por mais que lhe gritem, não responde,

não salva ninguém do perigo.

A libertação está próxima

8Lembrem-se disto e tenham vergonha,

meditem seriamente no vosso íntimo46,8 Meditem seriamente no vosso íntimo. Tradução possível de uma palavra que aparece uma única vez no AT., ó gente rebelde.

9Lembrem-se da vossa história de sempre:

vejam que eu sou Deus e não há outro;

não existe nenhum Deus como eu.

10Anuncio de antemão o que vai acontecer;

muito antes que suceda, já o prevejo.

Eu digo: «O meu plano cumprir-se-á,

tudo quanto eu quero, eu o faço46,10 O meu plano. Trata-se do plano da história da salvação que é um dos temas centrais do livro de Isaías. Ver 5,19; 14,26–27; 19,17; 44,26; cf. Ef 1,11.

11Chamo dos lados do Oriente uma ave de rapina46,11 Alusão ao rei Ciro.,

vem duma terra distante o homem

que cumprirá os meus planos.

Assim o disse e melhor o faço;

o que planeei será realizado.

12Escutem-me, ó gente de coração duro,

que pensais que a vitória final está muito longe.

13Mas a minha vitória está próxima, mesmo a chegar.

A minha salvação não tardará;

eu mesmo trarei a Sião a salvação

e farei participar Israel da minha glória.

47

Humilhação da Babilónia

471Ó cidade da Babilónia, capital dos caldeus,

desce do teu trono e senta-te por terra, no pó;

porque já não te chamarão: «A delicada e a alegre».

2Pega nas duas pedras do moinho e faz a farinha;

tira o véu do teu rosto, arregaça o teu vestido,

descobre as tuas pernas e atravessa os rios.

3Põe-te nua diante de todos,

para que possam ver o que tu cobres com vergonha.

Vou vingar-me

sem que ninguém me possa impedir47,3 As humilhações dos babilónios aqui descritas são as mesmas que as dos escravos daquele tempo..

4Quem o diz é aquele que nos salva,

que tem por nome: o Senhor do Universo,

o Santo de Israel.

5Senta-te, calada e esconde-te nas trevas,

capital dos caldeus,

porque já não te chamarão mais:

«Senhora dos impérios».

6Eu estava irado contra o meu povo,

deixei que fossem desonrados os que me pertenciam,

entregando-os nas tuas mãos.

Mas não tiveste compaixão deles,

pois esmagaste os velhos com o peso do teu jugo.

7Dizias: «Serei a dominadora do mundo para sempre»;

não refletiste nem pensaste

no que te poderia vir a acontecer.

8Agora escuta com atenção, ó desavergonhada,

tu que reinavas tranquilamente, e dizias a ti mesma:

«Ninguém é semelhante a mim; nunca ficarei viúva,

nunca saberei o que é ficar sem os meus filhos!»

9Ambas as desgraças cairão sobre ti,

num só dia e de repente:

ficarás viúva e sem filhos ao mesmo tempo.

Tudo isto, apesar das tuas muitas bruxarias

e do grande poder dos teus magos47,9 Comparar com Ap 18,7–8. Os babilónios eram famosos pelos seus magos e adivinhos. Ver Dn 2.2..

10Punhas a tua confiança nas tuas maldades

e dizias: «Ninguém me vê!»

A tua sabedoria e a tua ciência transtornaram-te;

por isso, é que dizias: «Eu e mais ninguém!»

11Virá sobre ti uma tal desgraça,

que não saberás como a esconjurar;

cairá sobre ti uma catástrofe,

da qual não te poderás proteger;

sobre ti cairá repentinamente

um desastre, que nunca imaginavas.

12Insiste, pois, nas tuas bruxarias

e nas tuas numerosas receitas mágicas

a que te dedicaste desde a juventude.

Talvez te possam servir para esconjurar a desgraça.

13Cansaste-te a procurar conselheiros;

que se apresentem e te salvem

os que dividem o céu por zonas, auscultando os astros

para anunciar todos os meses o que te vai acontecer.

14Tornaram-se como a palha que o fogo devora;

não conseguem escapar ao poder das chamas.

Não são como brasas na lareira,

onde nos sentamos para aquecer.

15Assim será a sorte dos adivinhos,

que te esforçavas por consultar desde a juventude.

Cada qual fugirá para seu canto

e nenhum te poderá salvar.