a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Os ídolos de Miqueias

171Havia um homem chamado Miqueias, que morava nos montes de Efraim17,1 A região dos Montes de Efraim ficava a norte de Jerusalém.. 2Um dia disse à mãe: «Quando te roubaram as mil e cem moedas de prata, ouvi-te amaldiçoar o ladrão. Olha, eu tenho o dinheiro. Fui eu que o tirei.» A mãe exclamou: «Que Deus te abençoe, meu filho!» 3Restituiu o dinheiro à mãe e ela acrescentou: «Para que a maldição não caia sobre ti, eu vou dedicar esta prata ao Senhor em favor do meu filho. Será usada para fazer um ídolo de madeira, coberto de prata. Por isso, vou dar-te outra vez as moedas de prata.»

4Ele restituiu então o dinheiro à mãe e ela pôs de parte duzentas moedas e entregou-as a um artífice, que fez um ídolo de madeira, cobrindo-o depois, de prata. Este foi depois colocado em casa de Miqueias. 5Miqueias possuía um santuário em sua casa. Fez alguns ídolos domésticos e uma insígnia de oráculo e nomeou um dos filhos como sacerdote. 6Nessa época, Israel não tinha rei; cada um fazia como bem lhe parecia.

7Entretanto havia um levita que vivia na cidade de Belém de Judá. 8Ele saiu de Belém em busca dum lugar onde pudesse viver. No percurso, passou pela casa de Miqueias, no monte de Efraim. 9Miqueias perguntou-lhe: «Donde vens?» Ele respondeu: «Sou um levita de Belém de Judá. Procuro um lugar onde possa viver.» 10Miqueias sugeriu: «Fica comigo como meu conselheiro e sacerdote, e eu dou-te dez moedas de prata por ano, vestuário e comida.»

11O jovem levita aceitou. Ficou com Miqueias e foi para ele como filho. 12Miqueias nomeou-o sacerdote e ficou a morar em sua casa. 13Miqueias pensava: «Agora que tenho um levita como meu sacerdote, sei que o Senhor fará com que tudo me corra bem.»

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Miqueias e a tribo de Dan

181Naquele tempo não havia rei em Israel. A tribo de Dan18,1 Ver Js 19,46. buscava território próprio, que pudesse ocupar, porque até então não tinha recebido terras, como as outras tribos. 2Assim os de Dan escolheram cinco homens valentes dentre as famílias da tribo, de Sora e de Estaol, e enviaram-nos com ordens precisas para espiarem bem o país. Quando chegaram aos montes de Efraim, ficaram em casa de Miqueias. 3Durante a sua estadia, reconheceram a pronúncia do jovem levita e perguntaram-lhe: «Que fazes aqui? Quem te trouxe para este lugar?» 4Ele respondeu: «Tenho um acordo com Miqueias que me paga para ser seu sacerdote5Então disseram-lhe: «Consulta a Deus, por favor, para ver se vamos ter êxito na nossa viagem.» 6O sacerdote respondeu: «Não têm nada que recear. O Senhor vai convosco durante a viagem.»

7Os cinco homens partiram em direção à cidade de Laís. Observaram o povo que lá vivia. Era gente sossegada como são os fenícios. Eram pacíficos, recatados, sem discussões com os vizinhos. Tinham tudo aquilo de que necessitavam. Viviam longe dos sidónios e não tinham contacto com os povos ao redor. 8Quando os cinco regressaram a Sora e a Estaol, os irmãos quiseram saber novidades. 9E eles responderam: «Vamos! Ataquemos Laís. Vimos a terra, que é muito boa. Não fiquem aqui sem fazer nada; despachem-se! Vamos lá tomar posse dela! 10Quando lá chegarem, hão de ver que o povo não suspeita de nada. É um território enorme; tem tudo o que se pode desejar e Deus destinou-o para nós.»

11Seiscentos homens da tribo de Dan saíram de Sora e de Estaol, prontos para a batalha. 12Acamparam a ocidente de Quiriat-Iarim18,12 Quiriat-Iarim. Localidade 13 km a ocidente de Jerusalém., em Judá, no lugar que ainda agora se chama Campo de Dan. 13Dali chegaram a casa de Miqueias, no monte de Efraim.

14Então os cinco homens que antes tinham ido explorar o país, na área de Laís, disseram para os companheiros: «Sabiam que há aqui, numa destas casas, um ídolo de madeira, coberto de prata? Há também outros ídolos domésticos e uma insígnia de oráculo. Que pensam que devíamos fazer?»

15Então foram a casa de Miqueias, onde o jovem levita morava, e saudaram-no. 16Entretanto os seiscentos soldados de Dan, prontos para a batalha, aguardavam à porta. 17Os cinco espias invadiram a casa e apoderaram-se do ídolo e da insígnia de oráculo, enquanto o sacerdote estava à porta juntamente com os seiscentos homens armados.

18Quando os homens entraram na casa de Miqueias e apanharam os objetos sagrados, o sacerdote perguntou-lhes: «Que estão a fazer?» 19Eles responderam: «Cala-te; não digas nada. Anda connosco e ficas a ser o nosso sacerdote e conselheiro. Não gostarias mais de ser o sacerdote de uma tribo israelita inteira do que de uma família só?» 20Estas palavras agradaram muito ao sacerdote, que pegou nos objetos sagrados e se juntou a eles. 21Puseram-se novamente a caminho, precedidos das crianças, do gado e outros bens. 22Tinham já caminhado uma boa distância, quando Miqueias convocou os vizinhos para a batalha. Estavam já perto dos de Dan 23e gritavam por eles. Os de Dan voltaram-se e perguntaram a Miqueias: «Que se passa? Para que é todo esse alarme?» 24Miqueias respondeu: «Ainda perguntam que se passa? Levaram o meu sacerdote e os ídolos que eu fiz e não me deixaram nada!» 25Os de Dan retorquiram: «É melhor calares-te, para que os nossos homens não se zanguem e te ataquem. Porque, nesse caso, morrerias tu e a tua família.»

26Eles puseram-se novamente a caminho. E Miqueias compreendeu que eram demasiado fortes para ele e voltou para casa com os seus. 27Depois de os homens de Dan levarem o sacerdote e os ídolos de Miqueias, foram atacar Laís, a tal cidade de gente pacífica. Mataram os habitantes e puseram fogo à cidade. 28Ninguém veio em seu socorro, porque Laís, vizinha de Bet-Reob, ficava longe de Sídon e não tinham contactos com os outros povos. Os homens de Dan reconstruíram a cidade e estabeleceram-se nela. 29Mudaram o nome antigo de Laís para Dan, em memória de Dan, filho de Jacob.

30O ídolo roubado foi colocado num pedestal e Jónatas, filho de Gerson e neto de Moisés, assumiu as funções de sacerdote da tribo de Dan e os seus descendentes continuaram a ser sacerdotes, até que o povo foi levado para o cativeiro. 31O ídolo de Miqueias ficou ali, enquanto o santuário de Deus esteve em Silo18,31 Silo. Centro religioso situado a 30 km a norte de Jerusalém..

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O levita e a sua mulher

191Naqueles dias, em que não havia rei em Israel, certo levita vivia no interior das montanhas de Efraim e tinha como concubina uma jovem de Belém, na Judeia. 2Mas ela abandonou-o19,2 Em hebraico: entrou na prostituição. e voltou para casa do pai, em Belém, e ali ficou quatro meses. 3Então o homem decidiu ir procurá-la, para a convencer a voltar para ele. E levou consigo o servo e dois jumentos. A jovem convidou o levita a entrar em casa e, quando foi apresentado ao pai, este fez-lhe uma calorosa receção. 4O pai insistiu para que ele ficasse e ele ficou durante três dias, comendo, bebendo e dormindo em casa do sogro. 5No quarto dia de manhã, prepararam-se para partir cedo. Mas o pai da jovem disse ao levita: «Come primeiro, para teres mais força para a viagem.» 6Eles sentaram-se, comeram e beberam os dois. Depois o pai da jovem sugeriu: «Passa aqui mais uma noite.»

7No dia seguinte, o homem levantou-se para partir, mas o pai dela insistiu muito para que ficasse ainda mais uma noite. 8Ao quinto dia, cedo, preparava-se ele para partir, quando o pai da jovem propôs: «Come alguma coisa e parte só à tarde.» Os dois entretiveram-se até à tarde e comeram juntos.

9Quando o homem estava para sair, com a esposa e o servo, o pai da jovem disse: «Reparem! Já é quase noite, é melhor ficarem até de manhã. Dentro em pouco vai ficar escuro. Amanhã podem levantar-se cedo e voltar para vossa casa. Fiquem mais esta noite!»

10Mas o homem não queria pernoitar ali mais uma vez e, assim, pôs-se a caminho com a mulher, o servo19,10 Segundo a antiga versão grega. O hebraico omite a palavra servo. e os dois jumentos albardados. 11Já era tarde quando se aproximaram da cidade dos jebuseus, que é Jerusalém. O servo disse ao seu senhor: «Por que não paramos e pernoitamos aqui, na cidade dos jebuseus?» 12Mas o amo contestou: «Não vamos parar numa cidade de estranhos que não são israelitas. Vamos um pouco mais adiante até Guibeá19,12 Guibeá. Localidade 6 km a norte de Jerusalém.13E acrescentou: «Vamos para um dos lugares mais próximos e pernoitemos em Guibeá ou em Ramá.» 14Assim passaram pela cidade dos jebuseus e prosseguiram.

Era já sol-posto quando chegaram a Guibeá, dentro do território de Benjamim. 15Deixaram a estrada para ali pernoitar. Entraram na cidade e sentaram-se no largo, mas ninguém se ofereceu para lhes dar guarida. 16À tardinha, enquanto ali estavam, um ancião regressava do trabalho nos campos. Era oriundo dos montes de Efraim, mas vivia em Guibeá. Os outros habitantes eram da tribo de Benjamim. 17O ancião reparou no forasteiro, sentado no largo, e perguntou-lhe: «Donde vem o senhor? Para onde vai?» 18O levita respondeu: «Vimos de Belém, na Judeia, e estamos a caminho de minha casa19,18 Segundo a antiga versão grega. Em hebraico: do templo do Senhor., nas montanhas de Efraim. Mas ninguém parece querer dar-nos pousada, 19embora tenhamos palha e feno para os jumentos, bem como pão e vinho para a minha mulher, para mim e para o meu criado. Temos tudo quanto nos é necessário.»

20O ancião exclamou: «Sejam bem-vindos à minha casa! Não terão que passar a noite no largo. Tenho tudo o que vos pode fazer falta.» 21Levou-os imediatamente para sua casa e deu de comer aos animais. Os hóspedes lavaram os pés e cearam.

22Estavam todos satisfeitos, quando, de repente, pervertidos sexuais vindos da cidade, cercaram a casa, bateram à porta e gritaram para o dono: «Traz cá para fora esse que está contigo! Queremos divertir-nos com ele!» 23Mas o ancião saiu e insistiu com eles: «Não, meus amigos! Por favor! Não façam uma coisa dessas, que é uma vergonha! Este homem é meu hóspede. 24Olhem! Têm aqui a mulher dele e a minha filha, que é solteira. Vou trazê-las e podem ficar com elas e fazer o que quiserem. Mas não façam passar este homem por essa vergonha!»

25Mas eles não o queriam ouvir. Assim o levita conduziu a mulher para fora, aonde eles estavam. Violaram-na e maltrataram-na toda a noite até de manhã. 26De madrugada, a mulher foi cair desfalecida à porta da casa do ancião, onde dormia o marido.

27Quando o levita se levantou e abriu a porta, para prosseguir viagem, deparou com a mulher por terra, em frente da casa, com os braços estendidos sobre a soleira. 28Disse-lhe: «Levanta-te, vamos embora.» Mas não obteve resposta. Então pôs o corpo sobre o jumento e prosseguiu viagem para a sua terra. 29Quando chegou a casa, foi buscar uma faca. Pegou no corpo da mulher e cortou-o em doze bocados. Enviou em seguida um pedaço a cada uma das doze tribos de Israel. 30Ao verem aquilo, todos exclamavam: «Nunca se viu acontecer tal coisa, desde que os israelitas saíram do Egito! É preciso investigar a questão, discutir o assunto e tomar uma decisão!»