a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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As ovelhas conhecem o pastor

101Jesus continuou: «Ouçam com atenção: aquele que não entra no curral das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lado, é ladrão e salteador. 2Aquele que entra pela porta é o verdadeiro pastor das ovelhas. 3O guarda abre-lhe a porta, as ovelhas conhecem a sua voz, ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as a pastar. 4Depois de as tirar a todas do curral, vai à frente e elas seguem-no, porque conhecem a sua voz. 5Se fosse um estranho, já não o seguiam, mas fugiam dele, porque as ovelhas não conhecem a voz dos estranhos.»

6Jesus apresentou-lhes esta parábola, mas eles não compreenderam o que ele queria dizer.

Jesus é o bom pastor

7Por conseguinte Jesus continuou: «Em verdade vos digo, eu sou a porta por onde entram as ovelhas. 8Aqueles que vieram antes de mim foram ladrões e salteadores10,8 Ver Jr 23,1–2; Ez 34,2–3., mas as ovelhas não fizeram caso deles. 9Eu sou a porta. Aquele que entrar por mim salva-se. É como uma ovelha que entra e sai do curral e encontra pastagens. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância. 11Eu sou o bom pastor10,11 Comparar com Sl 23,1; Is 40,11; Ez 34,15; 37,24.. O bom pastor está pronto a morrer pelas suas ovelhas. 12O assalariado, que não é o pastor e a quem as ovelhas não pertencem, logo que vê chegar o lobo, abandona-as e foge. O lobo apodera-se delas e põe-nas em fuga. 13O assalariado não se preocupa com as ovelhas, porque o assalariado só se interessa pelo salário e não pelas ovelhas porque não lhe pertencem.

14Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-me a mim. 15Conheço-as tão bem como o Pai me conhece a mim e eu o Pai10,15 Ver Mt 11,27; Lc 10,22., e é por isso que estou disposto a dar a vida por elas. 16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste curral. Preciso de as conduzir também. Elas hão de ouvir a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.

17O Pai ama-me, porque estou disposto a sacrificar a minha vida para a receber de novo. 18Ninguém me tira a vida. Eu dou-a de livre vontade. Tenho poder de a dar e de a recuperar. Foi esta a missão que recebi de meu Pai.»

19Os judeus voltaram a desentender-se por causa destas palavras de Jesus. 20Muitos comentavam: «Ele tem demónio e está louco. Por que é que vocês fazem caso dele?» 21Mas outros diziam: «Estas palavras não podem vir de possesso do Demónio! E como é que um demónio podia dar vista a cegos?»

Os judeus não aceitam Jesus

22Era inverno, e em Jerusalém celebrava-se a festa da Consagração10,22 A festa da Consagração ou Dedicação do Templo celebrava-se em Jerusalém nos finais de dezembro, em memória da restauração e consagração do altar do templo, por Judas Macabeu, em 165 ou 164 a.C. do Templo. 23Jesus passeava no templo, na parte conhecida pelo Pórtico de Salomão. 24Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: «Até quando nos trazes na dúvida? Diz-nos claramente se és ou não o Messias25«Já o disse, mas não querem acreditar», respondeu-lhes. «As coisas que eu faço por ordem de meu Pai falam por mim, 26mas vocês não acreditam porque não são das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas obedecem à minha voz, eu conheço-as e elas seguem-me. 28Dou-lhes a vida eterna e elas nunca mais hão de morrer, nem ninguém as poderá arrancar da minha mão. 29Aquilo que o meu Pai me deu é o mais importante10,29 Alguns manuscritos têm: Meu Pai é que mas deu e ninguém é mais forte do que ele.. Por isso ninguém as pode arrancar das mãos de meu Pai. 30Eu e o Pai somos um só.»

31Os judeus pegaram outra vez em pedras para lhe atirar. 32«Entre todas as belas ações do Pai que vos mostrei, qual é aquela pela qual me quereis apedrejar?», perguntou-lhes. 33Os judeus responderam-lhe: «Não te vamos apedrejar por causa das belas ações que tens feito, mas sim por uma blasfémia, porque sendo tu apenas um homem estás a fazer-te passar por Deus10,33 Ver Lv 24,16.34Jesus explicou: «Não está escrito na vossa lei: Eu declaro que vocês são deuses10,34 Ver Sl 82,6.? 35O que a Sagrada Escritura diz vale para sempre. Se chama deuses àqueles que receberam a palavra de Deus10,35 Outras traduções dizem: àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus, em referência ao Sl 82 (ver versículo anterior), que chama deuses aos príncipes e juízes estabelecidos por Deus., 36como podem dizer àquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo que blasfema, por ter afirmado: “Eu sou o Filho de Deus?” 37Se eu não faço as obras de meu Pai, está bem que não acreditem em mim; 38mas se as faço, mesmo que não acreditem em mim, devem acreditar nessas obras para saber e compreender, de uma vez para sempre, que o Pai está em mim e eu estou no Pai.»

39Procuravam outra vez prendê-lo, mas Jesus escapou-se-lhes das mãos. 40Retirou-se novamente para a outra margem do rio Jordão, para o lugar onde João tinha estado antes a batizar, e ficou por ali algum tempo. 41Muita gente ia ter com ele e dizia: «João não fez nenhum milagre, mas tudo quanto disse deste homem era verdade.» 42E muitas pessoas que lá foram creram em Jesus.

11

A morte de Lázaro

111Um homem chamado Lázaro estava doente. Era natural de Betânia, aldeia onde viviam também as suas irmãs Maria e Marta11,1 Lázaro. Forma abreviada de Eleazar que significa Deus ajuda. Ver Lc 10,38–39. Betânia. Ver Mc 11,1.. 2Maria foi aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe enxugara os pés com os cabelos11,2 Ver 12,3.. Lázaro, o doente, era seu irmão. 3Por isso as duas irmãs enviaram este recado a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente.» 4Quando Jesus recebeu o recado, respondeu: «Essa doença não é de morte, mas sim para mostrar a glória de Deus. Por ela vai Deus manifestar a glória de seu Filho.»

5Jesus tinha uma grande amizade por Marta, pela sua irmã e por Lázaro. 6Mesmo assim, quando recebeu a notícia da doença de Lázaro, ficou ainda dois dias no mesmo lugar. 7Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.» 8Os discípulos comentaram: «Mestre, ainda há tão pouco tempo que os judeus te queriam matar e vais agora voltar para lá?» 9Jesus respondeu-lhes: «O dia não tem doze horas? Se alguém andar de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.» 11E acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas eu vou acordá-lo.» 12Os discípulos disseram então: «Senhor, se está a dormir, é sinal que vai melhorar!» 13Jesus queria dizer que Lázaro estava morto, mas os discípulos julgavam que falava do sono normal. 14Então afirmou-lhes claramente: «Lázaro morreu. 15E ainda bem que eu não estava lá, pois assim é melhor para a vossa fé. Mas vamos ter com ele.» 16Tomé, conhecido por Gémeo, disse então aos outros discípulos: «Vamos nós também para morrer com o Mestre!»

Jesus promete a ressurreição

17Ao chegar a Betânia, Jesus teve conhecimento que Lázaro já estava sepultado havia quatro dias. 18Betânia fica a uns três quilómetros11,18 Literalmente: quinze estádios. Ver 6,19. de Jerusalém. 19E muitos judeus foram ver Marta e Maria para as consolar da morte do irmão.

20Quando Marta soube que Jesus estava a chegar, foi ao seu encontro. Entretanto, Maria ficou sentada em casa. 21Marta disse a Jesus: «Senhor, se cá tivesses estado, meu irmão não teria morrido. 22Mas também sei que quanto pedires a Deus, mesmo agora, ele to concede.» 23Jesus garantiu-lhe: «Teu irmão há de ressuscitar.» 24«Eu sei», respondeu ela, «que no último dia, quando todos ressuscitarem, também ele há de ressuscitar para a vida11,24 Ver Dn 12,2.25Jesus então declarou-lhe: «Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, mesmo que morra, há de viver. 26E todo aquele que está vivo e crê em mim, nunca mais há de morrer. Crês tu nisto?» 27Marta respondeu: «Sim, Senhor! Eu creio que tu és o Messias, o Filho de Deus, aquele que havia de vir ao mundo.»

Jesus chora por Lázaro

28Depois destas palavras, Marta foi chamar a sua irmã Maria e disse-lhe em particular: «Está cá o Mestre e mandou-te chamar.» 29Logo que Maria ouviu isto, levantou-se apressada e foi ter com Jesus. 30Ele ainda não tinha entrado na aldeia mas continuava no lugar onde Marta o tinha encontrado. 31Os judeus que estavam em casa de Maria para a consolar, quando viram que ela se levantou à pressa e saíra, foram atrás dela, pois pensavam que ia à sepultura para chorar.

32Ao chegar onde estava Jesus, Maria lançou-se-lhe aos pés, mal o viu, e disse: «Senhor, se cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.» 33Quando Jesus viu Maria a chorar, e os judeus que tinham chegado com ela a chorar também, comoveu-se muito e ficou perturbado. 34Depois quis saber: «Onde é que o sepultaram?» Responderam-lhe: «Senhor, vem ver.» 35Nesta altura, Jesus chorou. 36Os judeus reconheceram: «Vejam como era amigo dele!» 37Mas alguns murmuravam: «Ele que deu vista ao cego11,37 Ver 9,6., não podia ter evitado que este homem morresse?»

Jesus ressuscita Lázaro

38Jesus, comovendo-se de novo, aproximou-se do túmulo. Era uma caverna e a entrada estava tapada com uma pedra. 39Jesus disse: «Tirem a pedra.» Mas Marta, irmã do defunto, adiantou-se: «Senhor, já cheira mal! Há já quatro dias que morreu.» 40«Não te disse há pouco», lembrou-lhe Jesus, «que se acreditasses, havias de ver a glória de Deus?» 41Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos ao Céu e disse: «Dou-te graças, ó Pai, por me teres ouvido. 42Eu bem sei que sempre me ouves, mas digo-o agora para as pessoas que estão aqui acreditarem que tu me enviaste.» 43Tendo dito isto, clamou em alta voz: «Lázaro, sai cá para fora!» 44Ele saiu, com as mãos e os pés ligados em faixas e a cara tapada com a mortalha11,44 Comparar com 20,6–7.. Jesus ordenou aos presentes: «Desatem-lhe as ligaduras para ele poder andar.»

Conspiração contra Jesus

(Mateus 26,1–5; Marcos 14,1–2; Lucas 22,1–2)

45Muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus acabava de realizar, creram nele. 46Mas alguns foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus fizera. 47Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o Sinédrio: «Que devemos fazer? Este homem realiza muitos sinais. 48Se o deixamos à vontade, toda a gente vai acreditar nele e os romanos virão destruir o nosso lugar santo e o nosso povo.» 49Caifás, um deles, que naquele ano era o sumo sacerdote, disse: «Não percebem nada! 50Não veem que é melhor que morra um só homem pelo povo do que toda a nação ser destruída?» 51Ora Caifás não declarou isto por si mesmo. Como era o sumo sacerdote naquele ano, foi por inspiração de Deus que ele afirmou que Jesus devia morrer pela nação judaica11,51 Segundo a mentalidade religiosa judaica daquele tempo, o sumo sacerdote tinha o dom da profecia.. 52Aliás, Jesus devia morrer não apenas pela nação judaica, mas também para reunir todos os filhos de Deus que andam dispersos.

53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54Por isso, ele já não aparecia publicamente na Judeia. Saiu dali e foi para uma região perto do deserto, para uma cidade chamada Efraim11,54 Efraim. Cidade situada uns vinte quilómetros a nordeste de Jerusalém.. E por lá ficou com os discípulos.

55Faltava pouco para a festa da Páscoa dos judeus e muita gente das aldeias ia a Jerusalém para as cerimónias da purificação, antes da Páscoa. 56Eles procuravam descobrir Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Acham que ele não vem à festa?» 57Os chefes dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordens para que, se alguém soubesse onde estava Jesus, os informasse para eles o prenderem.

12

Maria perfuma os pés de Jesus

(Mateus 26,6–13; Marcos 14,3–9)

121Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia12,1 Ver Mc 11,1., onde vivia Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado. 2Ofereceram lá um jantar a Jesus. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. 3Apareceu então Maria com um frasco de perfume muito caro, feito de nardo12,3 Ver Mc 14,3. puro. Deitou-o sobre os pés de Jesus e depois secou-os com os seus cabelos. E toda a casa ficou a cheirar a perfume.

4Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de atraiçoar, contestou: 5«Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas para distribuir pelos pobres?» 6Judas não disse aquilo por ter amor aos pobres, mas porque era ladrão, pois era ele que tinha a bolsa do dinheiro e roubava do que lá se metia. 7Mas Jesus declarou: «Deixem-na em paz! Isto que ela fez serve para o dia do meu enterro12,7 Outra tradução: deixa que ela guarde isso para o dia do meu enterro.. 8Pobres, sempre haverá no vosso meio, mas a mim nem sempre hão de ter.»

Conspiração contra Lázaro

9Muitos judeus tiveram conhecimento de que Jesus estava em Betânia. Foram lá, não só para ver Jesus, mas também Lázaro, que ele ressuscitara. 10Os chefes dos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a acreditar em Jesus.

Entrada de Jesus em Jerusalém

(Mateus 21,1–11; Marcos 11,1–11; Lucas 19,28–40)

12No dia seguinte, a grande multidão que tinha ido a Jerusalém para a festa da Páscoa teve conhecimento de que Jesus ia entrar na cidade. 13Toda aquela gente pegou em ramos de palmeira para ir ao seu encontro e gritava:

«Glória12,13 Literalmente: Hosana, expressão hebraica que significava Salve, por favor e que nos tempos de Jesus tinha o significado de aclamação: Glória a Deus! Ver Mt 21,9.!

Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor12,13 Ver Sl 118,25–26.!

Aquele que é o rei de Israel!»

14Jesus ia montado num jumento que encontrou. Assim se cumpriu o que diz a Sagrada Escritura:

15Não tenhas medo, filha de Sião

O teu rei está a chegar

montado num jumentinho12,15 Ver Zc 9,9..

16Os seus discípulos não entenderam logo estas coisas. Mas quando Jesus foi glorificado, deram-se conta que tinham feito com ele o que já estava prescrito na Sagrada Escritura.

17As pessoas que estavam junto de Jesus, quando ele ressuscitou Lázaro dos mortos, tinham espalhado o que acontecera. 18Por essa razão é que grande multidão foi ao seu encontro, pois ouviram dizer que Jesus tinha feito esse sinal.

19Em face disto, os fariseus diziam uns para os outros: «Está visto que nada podemos fazer! Toda a gente vai atrás dele!»

Morrer para dar fruto

20Entre os que tinham ido a Jerusalém para adorar a Deus na festa da Páscoa, encontravam-se alguns gregos12,20 Trata-se de simpatizantes do judaísmo ou talvez mesmo de prosélitos, isto é, não-judeus que aderiram à religião judaica.. 21Foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe o seguinte pedido: «Por favor, nós queríamos conhecer Jesus.» 22Filipe foi dizer isso a André. Então André e Filipe levaram o pedido a Jesus. 23Ele respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24Ouçam com atenção: se um grão de trigo lançado à terra não morrer, não dá fruto. Mas se morrer dá muito fruto. 25Quem se ama a si mesmo, perde-se, mas quem se despreza a si mesmo neste mundo, ganha a vida eterna12,25 Comparar com Mt 10,39; 16,25; Mc 8,35; Lc 9,24.. 26Se alguém quer servir-me, tem que seguir o meu caminho e onde eu estiver também o meu servo lá estará. E o Pai há de honrar todo aquele que me servir.»

Jesus fala da sua morte

27«Neste momento, o meu coração está perturbado. Mas que posso eu fazer? Pedir ao Pai que me livre desta hora? Mas eu vim ao mundo precisamente por causa desta hora! 28Pai, manifesta o teu poder!» Veio então uma voz do céu que dizia: «Já o manifestei e voltarei ainda a manifestá-lo.»

29A multidão que ali estava ouviu aquela voz. Uns diziam: «Foi um trovão!» Outros afirmavam: «Foi um anjo que lhe falou.» 30Então Jesus esclareceu: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir, mas por vossa causa. 31Chegou o momento em que este mundo vai ser julgado. Chegou o momento em que o senhor deste mundo vai ser expulso. 32E eu, quando for levantado da terra12,32 Expressão com duplo sentido, como acontece muitas vezes em João. Ver 3,3.8 e respetivas notas. Aqui significa a elevação de Jesus na cruz e a sua elevação à glória. Ver 3,14–15; 8,28., hei de atrair todos a mim.» 33Por estas palavras Jesus queria indicar o género de morte que o esperava.

34A multidão quis saber: «Nós aprendemos na Lei de Moisés que o Messias há de viver para sempre12,34 Ver Sl 110,4; Is 9,6; Dn 7,14. há de viver para sempre refere-se à vida no Messias na terra, à frente dos judeus.. Como é que tu afirmas que o Filho do Homem deve ser levantado da terra? Afinal quem é esse Filho do Homem?» 35Jesus respondeu-lhes: «A luz ainda está convosco, mas só por um pouco de tempo. Caminhem enquanto houver luz, para que a escuridão não vos apanhe! Quem anda na escuridão não sabe para onde vai. 36Enquanto tiverem luz acreditem nela, para serem luz também.»

Isaías profetiza descrença em Jesus

Depois de ter dito estas palavras, Jesus foi-se embora e escondeu-se dos judeus. 37Embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, os judeus não acreditavam nele. 38Assim se cumpria aquilo que o profeta Isaías escreveu:

Senhor, quem acreditou na nossa mensagem?

E o poder do Senhor a quem foi manifestado12,38 Ver Is 53,1. Citação segundo a antiga tradução grega.?

39Eles não podiam acreditar, porque Deus disse também pela palavra de Isaías:

40Deus fechou-lhes os olhos

e endureceu-lhes os corações:

para não poderem ver com os seus olhos,

nem compreender com o seu entendimento,

nem poderem converter-se a mim,

de modo a ter que os curar12,40 Ver Is 6,9–10. Citação segundo a antiga tradução grega..

41Isaías disse isto de Jesus, porque viu antecipadamente a sua glória e falou dele.

42No entanto, mesmo entre os chefes dos judeus, muitos creram em Jesus. Mas por causa dos fariseus, não o declaravam publicamente, para não serem expulsos da sinagoga12,42 Ver 9,22 e nota e 7,13 e nota.. 43É que eles apreciavam mais a aprovação dos homens do que a de Deus.

Jesus fala com autoridade do Pai

44Jesus declarou ainda em voz alta: «Quem acredita em mim, não acredita em mim, mas naquele que me enviou. 45E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. 46Eu sou a luz que veio ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não ande na escuridão. 47Se alguém ouve aquilo que eu digo mas não o cumpre, não sou eu que o vou condenar por isso, porque eu não vim para condenar o mundo mas para o salvar. 48Aquele que me despreza e não quer aceitar a minha doutrina, já tem quem o condene: são as palavras que eu ensinei que o hão de condenar no último dia. 49É que eu não falo por minha autoridade. O Pai que me enviou deu-me ordens sobre o que devia dizer e ensinar. 50E eu sei que aquilo que o Pai me ordena dá a vida eterna. Portanto, as coisas que eu digo tenho que as dizer como o Pai mas comunicou.»