a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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161Digo-vos estas palavras para não se deixarem desorientar. 2Os judeus hão de expulsar-vos das suas sinagogas. Mais ainda, virá o tempo em que aquele que vos matar pensa que faz uma coisa agradável a Deus. 3Eles farão tudo isso, porque não conhecem nem ao Pai nem a mim. 4Falo-vos destas coisas para que, quando vier esse tempo, se recordem de que já vos tinha dito isso.»

O Espírito de Deus em ação

«Não vos disse estas coisas desde o princípio porque estivemos sempre juntos. 5Mas agora vou para aquele que me enviou. E é estranho que ninguém me pergunte para onde é que eu vou. 6Vejo que estão tristes por vos dizer tudo isto. 7Mas fiquem a saber que para vosso bem é melhor que eu vá. Se eu não for, o Defensor não virá até vós, mas se eu for, eu vo-lo enviarei. 8Quando ele chegar há de convencer as pessoas do mundo sobre três coisas: que cometeram pecado, que há uma justiça e que há um julgamento16,8 Comparar com At 24,25.. 9De facto, cometeram pecado porque não creem em mim16,9 Ver 8,21–24; 9,41; 15,22–24.. 10Depois há uma justiça, porque vou para o Pai e não me verão mais. 11Finalmente, há um julgamento porque o que domina este mundo já foi condenado.

12Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas isso agora era demais para vocês. 13Quando vier o Espírito da verdade, vai guiar-vos em toda a verdade. É que ele não falará por si próprio, mas comunicará o que lhe disserem e anunciar-vos-á as coisas que ainda estão para acontecer. 14Ele vos manifestará a minha glória porque tomará daquilo que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo quanto o Pai tem, pertence-me também a mim. Por isso é que eu digo: o Espírito receberá daquilo que é meu e vo-lo anunciará.»

Depois da tristeza vem a alegria

16«Dentro de pouco tempo deixarão de me ver, mas um pouco mais tarde hão de voltar a ver-me.»

17Alguns dos discípulos perguntaram uns aos outros: «Como é que se entende isto: dentro de pouco tempo vão deixar de me ver, mas um pouco mais tarde hão de voltar a ver-me? Que quer ele dizer com “ir para o Pai”? 18E que significa “dentro de pouco tempo”? Não entendemos o que ele quer dizer.»

19Jesus percebeu que o queriam interrogar e disse-lhes: «Eu afirmei-vos que dentro de pouco tempo vão deixar de me ver, mas um pouco mais tarde hão de voltar a ver-me. É disto que discutem, não é verdade? 20Pois fiquem a saber que hão de chorar e lamentar-se, mas o mundo se alegrará. Ficarão cheios de tristeza, mas a vossa tristeza há de mudar-se em alegria. 21Uma mulher fica triste quando chega a hora de dar à luz. Mas logo que a criança acaba de nascer, esquece todas as dores e fica cheia de alegria por ter dado um novo ser ao mundo. 22Também vocês agora estão tristes. Mas eu hei de voltar a ver-vos e, nessa altura, vão encher-se duma alegria tão grande que ninguém a pode tirar dos vossos corações.

23Quando chegar esse dia, já não precisam de me fazer mais perguntas. E prometo-vos que tudo quanto pedirem ao meu Pai em meu nome ele vo-lo dará. 24Até este momento, ainda nada pediram ao meu Pai em meu nome. Peçam que hão de receber, e assim a vossa alegria será completa.»

Jesus vence o mundo

25«Eu disse-vos todas estas coisas por meio de comparações. Mas está a chegar o tempo em que não vos falarei mais dessa maneira. Hei de declarar-vos abertamente tudo o que se refere ao Pai. 26Nessa altura pedirão em meu nome, e nem vai ser preciso que eu peça ao Pai por vós, 27pois o Pai ama-vos a todos, porque vocês me amam e creem que eu vim de Deus. 28Eu saí de junto do Pai para vir a este mundo. Agora deixo o mundo e vou novamente ter com o Pai.»

29Disseram-lhe os seus discípulos: «De facto, agora falas claramente e não por comparações. 30Agora vemos que sabes tudo. Até sabes aquilo que te queremos perguntar. Por isso acreditamos que vieste de Deus.» 31Respondeu-lhes Jesus: «Agora acreditam? 32Pois vai chegar a hora, e está mesmo aí, em que cada um há de fugir para seu lado e deixar-me só. Mas eu não fico só, porque o Pai está comigo. 33Disse-vos isto para que encontrem a paz em mim. Têm muito que sofrer no mundo, mas tenham coragem! Eu venci o mundo!»

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Jesus ora pelos seus discípulos

171Depois de ter falado desta maneira, Jesus levantou os olhos para o céu e disse: «Pai, chegou a minha hora. Mostra a glória do teu Filho, para que ele mostre também a tua. 2Tu entregaste ao teu Filho autoridade sobre toda a Humanidade, para conceder a vida eterna a todos os que lhe confiaste. 3E a vida eterna consiste em conhecerem-te como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

4Manifestei neste mundo a tua glória, pois cumpri a missão de que me encarregaste. 5Dá-me, pois, ó Pai, a glória que eu tinha junto de ti, antes de o mundo ser mundo. 6Dei-te a conhecer àqueles que me confiaste, tirando-os do mundo. Eles eram teus, mas tu entregaste-mos e eles guardaram a tua palavra. 7Agora sabem que tudo quanto eu tenho é de ti que vem. 8Confiei-lhes as palavras que tu me deste e eles aceitaram-nas. Compreenderam verdadeiramente que eu vim de ti e creram que tu me enviaste. 9Peço-te por eles; não pelos que são do mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E a minha glória vai aparecer neles. 11Eu deixo o mundo e vou para junto de ti, mas eles ainda ficam no mundo. Pai santo, protege-os pelo poder do teu nome, para que eles sejam um, como tu e eu somos um. 12Enquanto estive com eles no mundo, protegi-os em teu nome, nome que tu me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que se havia de perder, para que se cumprisse o que diz a Sagrada Escritura17,12 Ver Sl 41,10; Jo 13,18..

13Agora vou para ti e falo enquanto estou ainda neste mundo, para que a minha alegria os encha profundamente. 14Entreguei-lhes a tua palavra e o mundo tem-lhes ódio, porque eles não são do mundo, como eu também não sou. 15Não te peço que os tires do mundo, mas que os defendas das forças do mal. 16Eles não pertencem ao mundo, como eu também não pertenço. 17Faz com que te sirvam pela verdade. Santifica-os pela verdade; a tua palavra é a verdade. 18Eu envio-os para o mundo, como tu me enviaste também. 19Eu ofereço a minha vida por eles, para que também eles sejam santificados pela verdade.

20Não te peço apenas por eles, mas também por aqueles que crerem em mim por meio da sua pregação, 21e para que todos sejam um. Pai, que eles estejam tão unidos a nós, como tu o estás a mim e eu a ti. Desta maneira, o mundo há de acreditar que tu me enviaste. 22Dei-lhes a mesma glória que me deste, para que vivam em perfeita unidade como nós.

23Eu vivo neles e tu vives em mim. Deste modo a sua união será perfeita e o mundo há de saber que me enviaste e que os amas como a mim.

24Pai! Que todos aqueles que me deste estejam onde eu estiver, para que possam contemplar a glória que me deste, porque tu amaste-me antes que o mundo fosse mundo. 25Pai bondoso, o mundo não te conhece, mas eu conheço-te, e estes também já sabem que fui enviado por ti. 26Eu dei-lhes a conhecer quem tu és, e vou continuar a fazê-lo, para que eles se amem, como tu me amas, e o meu amor esteja neles.»

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Prisão de Jesus

(Mateus 26,47–56; Marcos 14,43–50; Lucas 22,47–53)

181Depois desta oração, Jesus saiu com os discípulos. Atravessou o ribeiro do Cédron18,1 Ver Mc 11,1. e entrou com eles num olival que lá havia. 2Judas, aquele que estava para o atraiçoar, conhecia muito bem aquele lugar, porque era costume Jesus reunir-se lá com os discípulos18,2 Ver Lc 21,37; 22,42.. 3Então Judas foi lá ter e levou com ele um destacamento de soldados romanos e alguns guardas do templo, enviados pelos chefes dos sacerdotes e pelos fariseus. Iam armados e levavam archotes e lanternas. 4Jesus sabia bem o que lhe ia acontecer, por isso adiantou-se e perguntou-lhes: «Quem é que procuram?» 5Eles responderam-lhe: «Jesus o Nazareno!» «Sou eu!», disse-lhes Jesus. E Judas, o traidor, estava lá com eles. 6Quando Jesus lhes disse: «Sou eu», recuaram e caíram no chão. 7Perguntou-lhes mais uma vez: «Quem é que procuram?» Eles responderam: «Jesus o Nazareno.» 8Então Jesus afirmou novamente: «Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procuram, deixem ir estes em paz.»

9Assim se cumpria o que Jesus tinha dito: «Dos que me deste, não perdi nenhum.»

10Simão Pedro trazia com ele uma espada. Puxou dela e cortou a orelha direita a um criado do sumo sacerdote. O criado chamava-se Malco. 11Mas Jesus ordenou a Pedro: «Põe a espada no seu lugar. Não sabes que eu tenho de beber este cálice de amargura que o meu Pai me destinou18,11 Comparar com Mt 26,39; Mc 14,36; Lc 22,42.

12Então o destacamento dos soldados, com o seu comandante, e os guardas dos judeus agarraram Jesus e prenderam-no. 13Levaram-no primeiramente a Anás, sogro de Caifás, que nesse ano era o sumo sacerdote. 14Caifás é que tinha dado o seguinte conselho às autoridades judaicas: «É melhor que morra um só homem pelo povo18,14 Ver 11,49–50.

Pedro diz que não conhece Jesus

(Mateus 26,69–70; Marcos 14,66–68; Lucas 22,55–57)

15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam atrás de Jesus. Aquele discípulo era bem conhecido do chefe dos sacerdotes e por isso entrou no pátio interior da sua casa juntamente com Jesus, 16enquanto Pedro ficou à porta, do lado de fora. O outro discípulo, o que era conhecido do sumo sacerdote, veio cá fora, falou à porteira e levou Pedro para dentro. 17Nisto, a porteira disse a Pedro: «Tu não és também um dos discípulos desse homem?» «Não sou, não!», respondeu ele.

18Como fazia frio, os criados da casa e os guardas tinham preparado uma fogueira e estavam a aquecer-se. Pedro juntou-se-lhes para se aquecer também.

Jesus diante do tribunal judaico

(Mateus 26,59–66; Marcos 14,55–64; Lucas 22,66–71)

19O chefe dos sacerdotes interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20Jesus respondeu-lhe: «Eu falei em público a toda a gente. Ensinei sempre nas sinagogas e no templo, onde se reúnem todos os judeus, e nunca disse nada em segredo. 21Por que é que me perguntas isso? Pergunta antes aos que ouviram as minhas palavras. Eles sabem o que eu disse.»

22Quando Jesus disse isto, um dos guardas do templo, que estava presente, deu-lhe uma bofetada e disse: «É assim que respondes ao sumo sacerdote?» 23Jesus replicou: «Se disse alguma coisa de mal, mostra onde está o mal. Mas se o que eu disse está certo, por que é que me bates?»

24Então Anás mandou-o preso para Caifás, que era sumo sacerdote.

Pedro volta a negar Jesus

(Mateus 26,71–75; Marcos 14,69–72; Lucas 22,58–62)

25Simão Pedro continuava junto da fogueira a aquecer-se. Disseram-lhe os outros: «Não és tu também um dos discípulos desse homem?» Pedro negou: «Não, não sou!» 26Um criado do chefe dos sacerdotes, que ainda era parente do homem a quem Pedro tinha cortado a orelha, dirigiu-se-lhe também: «Porventura não te vi eu com ele no olival?» 27Pedro negou outra vez, e nesse instante cantou o galo.

Jesus diante de Pilatos

(Mateus 27,1–2.11–14; Marcos 15,1–5; Lucas 23,1–5)

28Depois levaram Jesus da casa de Caifás ao palácio do governador romano. Já começava a amanhecer e para poderem celebrar a Páscoa, os judeus não entraram no palácio, porque as suas leis o proibiam. 29Por isso, o governador Pilatos veio cá fora para lhes falar e perguntar-lhes: «Que acusação têm contra este homem?» 30Eles responderam: «Se não fosse um criminoso, não to entregávamos.» 31Pilatos concluiu: «Então levem-no e julguem-no segundo as leis da vossa religião.» Os judeus replicaram: «Nós não podemos condenar ninguém à morte.» 32Assim se estava a cumprir o que Jesus tinha dito, quando falou sobre a maneira como devia morrer.

33Pilatos entrou novamente no palácio e chamou Jesus: «Tu és o rei dos judeus?» 34Ele respondeu: «Perguntas-me isso porque tu mesmo o pensaste ou foram os outros que to disseram de mim?» 35«Acaso sou eu judeu?», replicou Pilatos. «O teu povo e os chefes dos sacerdotes é que te entregaram a mim. Que é que tu fizeste?» 36Jesus respondeu-lhe: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos teriam lutado para eu não cair nas mãos das autoridades judaicas. Mas o meu reino não é daqui.» 37Nesta altura, Pilatos perguntou-lhe: «Mas então sempre és rei?» Jesus respondeu-lhe: «És tu que o dizes: eu sou rei. Nasci e vim ao mundo para dizer o que é a verdade. Todos os que vivem da verdade ouvem aquilo que eu digo.» 38Pilatos perguntou-lhe ainda: «Mas que é a verdade?»

Jesus condenado à morte

(Mateus 27,15–31; Marcos 15,6–20; Lucas 23,13–25)

Depois de fazer esta pergunta, Pilatos saiu outra vez do palácio para falar com os judeus: «Não encontro nenhum motivo para condenar este homem! 39É vosso costume que eu vos solte um preso todos os anos por altura da festa da Páscoa. Não querem que vos solte este ano o rei dos judeus?» 40Eles gritaram: «Não, esse não! Solta-nos Barrabás!» Ora Barrabás era um criminoso.