a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Os irmãos de Jesus não acreditam nele

71Depois disto, Jesus passou para a região da Galileia. Não quis ir para a Judeia, porque as autoridades judaicas tinham decidido matá-lo. 2Mas como a festa judaica das Tendas se aproximava, 3os seus irmãos disseram-lhe: «Por que não sais daqui e vais até à Judeia para que os teus discípulos possam ver as maravilhas que fazes? 4Se alguém quer ser conhecido não pode fazer as coisas em segredo. Já que fazes coisas como estas, mostra-te ao mundo!» 5A verdade é que nem os seus próprios irmãos acreditavam nele. 6Jesus respondeu-lhes: «O meu tempo7,6 Ver 2,4, embora o termo grego seja diferente. Em 7,6.8 o termo original grego, kairos (três vezes), tanto significa hora como momento. ainda não chegou, mas para vocês qualquer ocasião é boa. 7O mundo não tem motivo para vos odiar. Mas a mim odeiam-me porque eu mostro-lhes que as obras que eles fazem são más. 8Podem ir à festa que eu não vou7,8 Alguns manuscritos têm: Eu ainda não vou, para harmonizar com 7,10., porque a minha hora ainda não chegou.»

9E, tendo-lhes dito isto, ficou na Galileia.

Jesus na festa das Tendas

10Entretanto, depois dos seus irmãos terem partido para a festa, ele decidiu ir também, mas sem dar nas vistas. 11Durante a festa, as autoridades judaicas andavam à sua procura e perguntavam: «Onde é que ele estará?» 12Falava-se muito dele entre o povo. Uns diziam: «É um homem bom!» Outros afirmavam: «Não, ele anda mas é a enganar o povo!» 13E ninguém falava abertamente a respeito dele, porque tinham medo das ameaças das autoridades judaicas7,13 Ver 9,22..

14Já a festa ia a meio quando Jesus entrou no templo e começou a ensinar o povo. 15Os judeus estavam admirados com o seu ensino e perguntavam-se: «Como é que ele sabe tanto sem ter estudado7,15 Comparar com Mt 13,54; Lc 2,47.16Jesus respondeu-lhes: «A doutrina que eu ensino não é minha, mas daquele que me enviou. 17Se alguém estiver disposto a fazer aquilo que Deus quer, saberá julgar se a minha doutrina vem de Deus ou se falo só por mim. 18O que fala só por si, procura a sua própria glória, mas aquele que procura a glória de quem o enviou diz a verdade e não há falsidade nele. 19Não é verdade que Moisés vos deu a lei? Mas nenhum de vocês a cumpre. Por que me querem então matar?» 20O povo respondeu: «Estás possesso do Demónio! Quem é que te quer matar?» 21Jesus disse-lhes: «Curei um doente num sábado e ficaram admirados. 22No entanto, vocês fazem a cerimónia da circuncisão dos vossos filhos ao sábado, segundo a lei que Moisés vos deixou. Aliás, a lei da circuncisão não vem de Moisés, mas dos nossos antepassados. 23Pois bem, no dia de sábado podem circuncidar alguém, para que a Lei de Moisés não seja violada, por que é que se irritam contra mim por eu ter curado completamente um homem ao sábado7,23 Ver 5,8–9.? 24Não devem julgar segundo as aparências, mas segundo o que é justo7,24 Comparar com Lv 19,15; Is 11,4.

Jesus será o Messias?

25Alguns dos habitantes de Jerusalém começaram então a perguntar: «Não é este o homem que querem matar? 26Como é que ele agora está a falar diante de toda a gente e ninguém lhe diz nada? Será que as autoridades se convenceram que ele é o Messias? 27Mas nós sabemos donde é que este homem vem. E quando vier o Messias, ninguém sabe donde é que ele vem.»

28Então Jesus, ao ensinar no templo, exclamou em voz alta: «Com que então sabem quem eu sou e donde é que eu venho! Mas a verdade é que eu não vim por minha própria iniciativa, mas daquele que me enviou, que é verdadeiro, e vocês não conhecem. 29Eu conheço-o, porque eu venho dele e por ele fui enviado ao mundo.»

30Procuravam então prendê-lo, mas ninguém teve coragem de lhe deitar a mão, porque a sua hora7,30 Ver 2,4; 7,6 e nota. ainda não tinha chegado. 31No meio de toda aquela gente que o escutava, alguns acreditaram nele e comentavam: «Porventura o Messias, quando vier, irá fazer mais sinais do que este tem feito?»

Tentativa para prender Jesus

32Chegou aos ouvidos dos fariseus aquilo que entre o povo se dizia de Jesus. Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus deram ordens a alguns guardas do templo para o irem prender. 33Entretanto, Jesus continuava a dizer: «Ainda ficarei convosco algum tempo. Depois vou ter com aquele que me enviou. 34Nessa altura hão de procurar-me, mas não me hão de encontrar, porque não podem ir para onde eu vou.» 35Os judeus começaram a perguntar uns aos outros: «Para onde vai ele, já que o não poderemos encontrar? Será que vai com os emigrantes judeus que vivem em países gregos e vai ensinar os gregos? 36Que quer ele dizer-nos com aquelas palavras: “hão de procurar-me, mas não me hão de encontrar, porque para onde eu vou não podem ir?”»

Promessa de água viva

37No último dia, que era o mais importante da festa7,37 Ver Lv 23,36., Jesus, de pé, dizia em voz alta: «Se alguém tem sede, venha ter comigo que eu lhe darei de beber. 38Do coração daquele que crê em mim, hão de nascer rios de água viva, como diz a Sagrada Escritura7,38 Comparar com Is 55,1–3; Ez 47,1; Zc 14,8; Pv 18,4.39Com estas palavras, Jesus queria dizer que todos os que cressem nele haviam de receber o Espírito Santo. Na verdade, o Espírito Santo ainda não tinha sido enviado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

O povo dividido por causa de Jesus

40Entre a multidão, muitos dos que ouviam Jesus reconheciam: «Este homem é com certeza o Profeta41Outros afirmavam: «Este é o Messias!» Mas outros contestavam: «Como é que o Messias pode vir da Galileia7,41 Comparar com 1,46; 7,52.? 42Não diz a Sagrada Escritura que o Messias tem de ser descendente do rei David e que há de nascer em Belém, terra de David7,42 Ver 2 Sm 7,12; Mq 5,1.

43E a multidão estava dividida por causa dele. 44Alguns até o queriam prender, mas ninguém teve coragem de lhe deitar a mão.

As autoridades contra Jesus

45Quando os guardas do templo voltaram para junto dos chefes dos sacerdotes e dos fariseus, estes perguntaram-lhes: «Por que é que o não trouxeram preso?» 46Os guardas responderam: «Nunca se ouviu um homem falar assim!» 47Os fariseus replicaram: «Também se deixaram enfeitiçar? 48Porventura algum dos nossos chefes ou dos fariseus lhe deu ouvidos? 49Só essa gente maldita que não conhece a Lei de Moisés

50Então Nicodemos, um de entre eles, aquele fariseu que tinha ido uma vez conversar com Jesus7,50 Ver 3,1–2., lembrou-lhes: 51«Segundo a nossa lei, não podemos condenar um homem sem primeiro o ouvirmos para sabermos o que ele fez7,51 Comparar com Dt 1,16.52Responderam-lhe eles: «Também tu és da Galileia? Estuda bem a Sagrada Escritura e hás de ver que nenhum profeta vem da Galileia7,52 Comparar com 1,46; 7,41.

Jesus perdoa a mulher adúltera

53[E retiraram-se todos para as suas casas7,53 A narrativa de 7,53—8,11 não se encontra nos manuscritos mais antigos, nas versões latina, siríaca, e outras. Muitos manuscritos colocam-na noutro lugar, especialmente no final do evangelho..

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81Jesus foi depois para o Monte das Oliveiras. 2No dia seguinte, de madrugada, voltou ao templo e toda a gente foi ter com ele. Jesus sentou-se e começou a ensinar. 3Entretanto, os doutores da lei e os fariseus levaram-lhe uma mulher apanhada em adultério. Colocaram-na no meio do povo 4e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi apanhada a cometer adultério. 5Moisés, na lei, mandou-nos apedrejar8,5 Ver Lv 20,10; Dt 22,22–24. tais mulheres até à morte. E tu, que dizes?»

6Eles puseram-lhe esta questão, porque queriam apanhá-lo em falso para depois o acusarem. Jesus, porém, inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. 7Mas como continuavam a interrogá-lo, levantou-se e disse-lhes: «Aquele de entre vós que nunca pecou, atire-lhe a primeira pedra.» 8Jesus inclinou-se novamente e continuou a escrever no chão. 9Ao ouvirem estas palavras, foram saindo dali um a um, a começar pelos mais velhos, e só lá ficou Jesus e a mulher ao pé dele. 10Jesus então levantou-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?» 11«Ninguém, Senhor!», respondeu ela. «Também eu te não condeno», disse Jesus. «Vai-te embora e daqui em diante não tornes a pecar.»]

Jesus, luz do mundo

12Noutra ocasião, Jesus falou ao povo deste modo: «Eu sou a luz do mundo8,12 Comparar com Is 49,6; Mt 5,14; Jo 9,5.. Quem me seguir deixa de andar na escuridão e terá a luz da vida.» 13Disseram então os fariseus: «Tu dás testemunho de ti mesmo e portanto o teu testemunho não tem valor.» 14Jesus retorquiu: «De facto, eu dou testemunho de mim mesmo, mas ele é válido porque eu sei donde vim e para onde vou. Vocês é que não sabem donde eu vim, nem para onde vou. 15Julgam de modo puramente humano, mas eu não julgo ninguém. 16Mesmo que eu julgue, o meu julgamento é válido, porque não sou eu apenas a julgar, mas sim eu e o Pai que me enviou. 17Na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro8,17 Ver Dt 19,15; comparar com Dt 17,6; Nm 35,30.. 18Pois bem, eu sou testemunha de mim próprio, mas o Pai, que me enviou, testemunha também por mim.» 19Perguntaram-lhe: «Onde está o teu Pai?» «Vocês não me conhecem a mim nem ao meu Pai. Se me conhecessem, também conheceriam o Pai», respondeu-lhes Jesus.

20Jesus pronunciou estas palavras quando estava a ensinar no templo, no lugar em que se encontrava a caixa das ofertas. E ninguém o prendeu, porque a sua hora ainda não tinha chegado.

Quem é Jesus

21Jesus disse-lhes mais: «Eu vou-me embora. Vocês hão de procurar-me, mas hão de morrer no pecado. Para onde eu vou, não podem ir.»

22Diziam entre si os judeus: «Será que ele vai matar-se? Pois afirma: “Para onde eu vou, vocês não podem ir.”» 23Jesus continuava a dizer-lhes: «Vocês são cá de baixo mas eu venho lá de cima. Vocês pertencem a este mundo, mas eu não sou deste mundo. 24Por isso é que vos disse que haviam de morrer nos vossos pecados. Se não acreditarem naquilo que eu sou8,24 A expressão grega é a tradução do tetragrama divino hebraico YHWH: Eu sou aquele que sou. Comparar com Ex 3,14–15 e ver Jo 8,28; 13,19; 18,6–7., hão de morrer nos vossos pecados.»

25«Quem és tu, afinal?», perguntaram-lhe os judeus. Jesus respondeu-lhes: «O que vos tenho dito desde o princípio8,25 Outras traduções: Antes de mais: isso mesmo que vos estou dizendo. Ou: Em primeiro lugar, por que é que eu vos havia de falar?! 26Teria muito que dizer e condenar a vosso respeito. Mas devo transmitir ao mundo tudo o que ouvi daquele que me enviou, e que é verdadeiro. E aquilo que eu digo ao mundo é aquilo que lhe ouvi.»

27Eles não perceberam que Jesus lhes falava do Pai. 28Por isso Jesus tornou a dizer-lhes: «Quando vocês levantarem ao alto o Filho do Homem8,28 Comparar com 3,14., hão de descobrir quem eu sou8,28 Ver 8,24 e nota., e que nada faço por minha própria vontade. Digo apenas aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo e não me deixa só, porque faço sempre aquilo que lhe agrada.»

30Ao ouvirem estas palavras, muitos dos presentes creram nele.

A verdade é libertadora

31Disse então Jesus aos judeus que tinham acreditado nele: «Se obedecerem fielmente ao meu ensino, serão de facto meus discípulos. 32Conhecerão a verdade e ela vos tornará livres.» 33Eles retorquiram: «Nós somos descendentes de Abraão8,33 Comparar com Mt 3,9; Lc 3,8. e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer que vamos ficar livres?» 34Jesus continuou: «Declaro-vos que todo aquele que peca é escravo do pecado. 35Um escravo não fica na família para sempre; o filho é que fica para sempre. 36Se realmente o Filho vos torna livres, então ficam mesmo livres. 37Eu bem sei que são da descendência de Abraão, mas procuram matar-me porque não aceitam o que eu vos digo. 38Eu falo do que o Pai me mostrou, e vocês devem fazer aquilo que ouviram do Pai.»

Os filhos de Abraão e os do Diabo

39Os judeus responderam-lhe: «O nosso pai é Abraão.» Mas Jesus contestou: «Se fossem filhos de Abraão, procediam como ele. 40Tudo quanto eu faço é ensinar-vos a verdade, tal como a recebi de Deus. Vocês procuram matar-me mas Abraão não fez nada disso. 41Vocês procedem mas é como o vosso pai!» Os judeus replicaram: «Nós não somos filhos ilegítimos. Temos apenas um Pai, que é Deus.» 42Jesus respondeu: «Se Deus fosse na verdade o vosso Pai, seriam meus amigos, porque saí de Deus e vim dele. Eu porém não vim por minha iniciativa; foi ele que me enviou. 43Por que é que não compreendem aquilo que eu digo? É porque não querem aceitar a minha doutrina. 44O vosso pai é o Diabo e o que vocês querem é fazer aquilo que lhe agrada. Ele foi assassino desde o princípio. Nunca esteve ao lado da verdade, porque nele não há verdade. Quando diz mentiras fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e é o pai da mentira.

45Eu, pelo contrário, digo-vos a verdade e por isso é que não acreditam em mim. 46Quem dentre vós pode provar que eu tenho algum pecado? E se vos digo a verdade, por que é que não acreditam em mim? 47Quem é de Deus escuta as palavras de Deus. Por isso, vocês não me escutam, porque não são de Deus.»

Jesus e Abraão

48Os judeus replicaram: «Não temos nós razão ao afirmar que não passas de um samaritano e estás possesso do Demónio?8,48 Ver 7,20 e nota.49Jesus disse-lhes: «Não estou possesso do Demónio. Apenas procuro honrar o meu Pai, ao passo que vocês insultam-me. 50Eu não procuro a minha glória, mas há alguém que a procura e faz justiça. 51Fiquem sabendo isto: quem obedece à minha palavra nunca mais há de morrer.»

52Os judeus acusaram-no: «Agora estamos certos de que estás possesso do Demónio. Abraão morreu, todos os profetas morreram, e tu vens-nos dizer: quem obedece à minha palavra nunca mais há de morrer? 53Porventura és mais importante do que o nosso pai Abraão? Ele morreu e os profetas também morreram. Afinal, quem pretendes tu ser?» 54Retorquiu-lhes Jesus: «Se eu quisesse honrar-me a mim mesmo, a minha honra de nada valia. Mas quem me honra é o meu Pai, aquele de quem dizem: “É o nosso Deus.” 55Mas vocês não o conhecem; eu conheço-o. E se dissesse que o não conhecia, era mentiroso tal como vós. Mas eu conheço-o e faço o que ele diz. 56Abraão, o vosso antepassado, alegrou-se com a ideia de poder presenciar a minha vinda. Viu e ficou feliz.»

57Disseram-lhe ainda os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e dizes que viste Abraão?» 58Jesus afirmou-lhes: «Fiquem sabendo que, antes de Abraão nascer, já eu era aquele que sou8,58 Ver 8,24 e nota.

59Então pegaram em pedras para lhe atirar, mas Jesus escondeu-se e saiu do templo.

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Cura de um cego de nascença

91Um dia, Jesus encontrou no seu caminho um homem cego de nascença. 2Os discípulos perguntaram-lhe: «Mestre, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele ou os pais9,2 Ver Ex 20,5.3Jesus explicou: «Nem pecou ele nem os pais, mas é para que o poder de Deus se possa manifestar através dele. 4Precisamos de fazer, enquanto é dia, as obras daquele que me enviou. Vem a noite e já ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estiver neste mundo, sou a luz do mundo9,5 Ver 8,2 e nota.

6Tendo dito isto, cuspiu no chão, fez com a saliva um pouco de lodo e aplicou-o nos olhos do cego9,6 Comparar com Mc 8,23.. 7Depois disse-lhe: «Agora vai-te lavar à piscina de Siloé9,7 A piscina de Siloé ficava dentro dos muros de Jerusalém. Ver 2 Rs 20,20; Is 8,6..» (Siloé significa «Enviado de Deus»). O homem foi lavar-se e ficou a ver.

8Os vizinhos e o povo, acostumados a vê-lo pedir esmola, diziam uns para os outros: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?» 9Uns diziam: «É ele mesmo.» Outros afirmavam: «Não é, não! É outro muito parecido com ele!» Porém, o que tinha sido cego garantia-lhes: «Sou eu, sou!» 10Perguntaram-lhe então: «E como é que agora já não és cego?» 11«Aquele homem chamado Jesus», respondeu ele, «fez um pouco de lodo, aplicou-o nos meus olhos e disse-me: vai lavar-te à piscina de Siloé! Eu fui, lavei-me e comecei a ver.» 12Perguntaram-lhe então: «Onde é que está esse homem?» «Não sei», respondeu.

Os fariseus negam o poder de Jesus

13O homem que tinha sido cego foi depois levado à presença dos fariseus. 14O dia em que Jesus fez o lodo e lhe deu a vista era sábado. 15Por essa razão, os fariseus perguntaram ao homem como é que tinha sido curado. E ele contou-lhes: «Pôs-me um pouco de lodo nos olhos, fui-me lavar e agora vejo.» 16Alguns dos fariseus replicaram: «Quem fez isso não é um homem de Deus, pois não respeita a lei do sábado.» Mas outros perguntavam: «Como pode um homem ser pecador e fazer sinais destes?» E gerou-se uma discussão entre eles. 17Voltaram a perguntar ao que tinha sido cego: «E tu o que é que dizes dele, uma vez que te deu a vista?» E ele: «É um profeta

18Mas os chefes dos judeus não queriam acreditar que ele tinha sido cego e que tivesse sido curado. Chamaram os pais dele 19e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que ele nasceu cego? Como é que ele agora tem vista?» 20Os pais responderam: «Sim, é verdade que este é o nosso filho e que nasceu cego. 21Mas como é que agora vê não sabemos. E também não sabemos quem o curou. Já tem idade para responder, perguntem-lhe!» 22Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os chefes dos judeus tinham resolvido expulsar da sinagoga9,22 Ver 7,13 e nota. todo aquele que confessasse que Jesus era o Messias. 23Por isso é que disseram: «Ele já tem idade para responder, perguntem-lhe.»

24Os chefes dos judeus mandaram chamar outra vez o que tinha sido curado, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus9,24 Expressão hebraica que exprime a ideia de reconhecer a verdade, confessar. Ver Lc 23,47. Aqui quer dizer: Reconhece diante de Deus, como nós, que esse homem é um pecador.! Nós sabemos que esse homem é um pecador.» 25«Se é pecador ou não, isso não sei», respondeu ele. «O que sei dizer é que eu era cego e agora vejo.» 26Tornaram-lhe a perguntar: «Que é que ele te fez? Como é que te abriu os olhos?» 27«Já vos contei como foi, mas vocês não acreditaram em mim», respondeu ele. «Que mais querem ouvir? Será que também querem ser seus discípulos

28Ao ouvir isto, os fariseus insultaram-no: «Tu é que és discípulo desse homem! Nós somos discípulos de Moisés. 29Sabemos que Deus falou a Moisés; mas deste, nem sequer sabemos donde é.» 30Ele replicou: «Que coisa estranha! Não sabem donde ele é, mas a verdade é que ele me deu a vista. 31Ora nós sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas escuta aqueles que o adoram e fazem a sua vontade9,31 Ver Is 1,15; Sl 34,16; 66,18; Pv 15,29.. 32Desde que o mundo é mundo, nunca se ouviu dizer que alguém desse a vista a um cego de nascença. 33Se esse homem não viesse de Deus nada podia fazer.» 34Responderam, por fim, os fariseus: «Tu nasceste cheio de pecados e queres ensinar-nos?»

E puseram-no fora.

Cegueira dos fariseus

35Jesus soube depois que tinham expulsado o homem da sinagoga. Tendo-o encontrado disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do Homem36O outro perguntou-lhe: «Senhor, quem é ele, para que eu acredite?» 37«Já o viste», declarou-lhes Jesus. «É aquele que está a falar contigo.» 38Então ele prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor!» 39Jesus disse-lhe mais: «Eu vim a este mundo para fazer um julgamento: os que são cegos hão de ver e os que veem hão de ficar cegos.»

40Os fariseus que estavam com ele, ao ouvirem tais palavras, disseram-lhe: «Porventura também nós somos cegos?» 41Jesus esclareceu: «Se fossem cegos não tinham culpa do mal que fazem. Mas uma vez que afirmam “nós é que vemos”, o vosso pecado continua.»