a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Nascimento de Jesus

(Mateus 1,18–25)

21Por essa altura, o imperador Augusto2,1 Augusto. Um dos títulos de Gaio Octávio, o primeiro imperador romano, de 27 a.C. a 14 d.C. decretou que se fizesse o recenseamento de toda a população do império romano. 2Foi o primeiro recenseamento quando Quirino era governador da Síria. 3Todos iam inscrever-se, cada um na sua cidade. 4Por isso José partiu de Nazaré, na província da Galileia, e foi para a cidade de David que se chama Belém, na província da Judeia. Como José era descendente de David, 5foi lá inscrever-se levando consigo Maria, sua noiva, que estava grávida.

6Enquanto estavam em Belém, chegou o momento de Maria dar à luz. 7Nasceu-lhe então o menino, que era o seu primeiro filho. Envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, por não conseguirem arranjar lugar na casa.

Os anjos e os pastores

8Naquela região havia pastores que passavam a noite no campo guardando os rebanhos. 9Apareceu-lhes um anjo e a luz gloriosa do Senhor envolveu-os. Ficaram muito assustados, 10mas o anjo disse-lhes: «Não tenham medo! Venho aqui trazer-vos uma boa nova que será motivo de grande alegria para todo o povo. 11Pois nasceu hoje, na cidade de David, o vosso Salvador que é Cristo, o Senhor! 12Poderão reconhecê-lo por este sinal: encontrarão o menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura.»

13Nisto, juntaram-se ao anjo muitos outros anjos do céu louvando a Deus e cantando:

14«Glória a Deus no mais alto dos céus

e paz na Terra aos homens

a quem ele quer bem!»

15Mal os anjos partiram para o Céu, os pastores disseram uns para os outros: «Vamos a Belém para vermos o que o Senhor nos deu a conhecer.» 16Foram a toda a pressa e lá encontraram Maria e José, e o menino, que estava deitado na manjedoura. 17Depois de verem tudo isto, puseram-se a contar a toda a gente o que lhes fora dito a respeito daquele menino. 18Todos os que ouviram o que os pastores diziam ficavam muito admirados. 19Porém Maria guardava todas estas coisas no seu coração e meditava nelas. 20Os pastores foram-se embora, e pelo caminho cantavam louvores a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto, exatamente como lhes fora anunciado.

Circuncisão e apresentação de Jesus

21Quando o menino tinha oito dias, circuncidaram-no e puseram-lhe então o nome de Jesus, tal como o anjo indicara antes de ele ser concebido.

22Chegado o tempo da cerimónia da sua purificação, conforme a Lei de Moisés, levaram o menino ao templo de Jerusalém para o apresentarem ao Senhor. 23É que na lei de Deus está escrito: Se o primeiro filho que nascer for menino, deverá ser consagrado ao Senhor2,23 Ver Ex 13,2.12. 24José e Maria ofereceram também um sacrifício, como manda a lei: um par de rolas ou dois pombinhos2,24 Esta era a oferta dos pobres. Ver Lv 12,6–8..

25Ora vivia nessa altura em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era justo e muito piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e tinha-lhe assegurado que não havia de morrer sem ver o Messias enviado por Deus. 27Simeão foi ao templo guiado pelo Espírito Santo. E quando os pais do menino Jesus o iam apresentar, para cumprir o que a lei mandava a respeito dele, 28Simeão tomou-o nos braços, deu graças a Deus e disse:

29«Agora, Senhor, já podes deixar partir em paz o teu servo conforme a tua palavra!

30Já vi com os meus olhos a tua salvação

31que preparaste para todos os povos.

32Luz de revelação para os pagãos e glória para Israel, teu povo.»

33Tanto o pai como a mãe de Jesus estavam admirados com o que se dizia dele. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria sua mãe: «Este menino é para muitos em Israel motivo de ruína ou salvação. Ele é sinal de divisão entre os homens, 35para revelar os pensamentos escondidos de muitos. Uma grande dor, como golpe de espada, trespassará a tua alma.»

36Vivia também em Jerusalém uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Asser. Já tinha oitenta e quatro anos de idade e tinha-lhe morrido o marido ao fim de sete anos de casada. 37Depois continuou sempre viúva e não saía do templo, onde adorava a Deus, de dia e de noite, com jejuns e orações. 38Ana apareceu naquele momento e começou também a louvar a Deus. E falava do menino a todos os que esperavam que Deus salvasse Jerusalém.

39Depois de terem cumprido tudo o que a lei de Deus manda fazer, José e Maria voltaram com Jesus para a sua terra, Nazaré da Galileia. 40O menino crescia e tornava-se mais forte e cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele.

Jesus aos doze anos

41Todos os anos os pais de Jesus iam a Jerusalém à festa da Páscoa. 42Quando o menino tinha doze anos, foram lá como de costume. 43Passados os dias da festa, José e Maria voltaram para casa, mas Jesus ficou em Jerusalém sem os pais darem por isso. 44Julgavam que ele vinha com algum grupo pelo caminho. Ao fim de um dia de viagem, começaram a procurá-lo entre os parentes e os amigos, 45mas não o encontraram. Voltaram por isso a Jerusalém à sua procura. 46Ao fim de três dias descobriram-no dentro do templo, sentado entre os doutores. Escutava o que eles diziam e fazia-lhes perguntas. 47Todos os que o ouviam ficavam maravilhados com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando os pais o viram, ficaram muito impressionados e a mãe disse-lhe: «Filho, por que nos fizeste isso? O teu pai e eu temos andado aflitos à tua procura.» 49Jesus respondeu-lhes: «Por que é que me procuravam? Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai2,49 Outra tradução: Não sabiam que eu tinha de tratar dos assuntos de meu Pai?50Mas eles não compreenderam o que lhes disse.

51Jesus voltou então com eles para Nazaré, e continuou a ser-lhes obediente. Sua mãe guardava atentamente todas estas coisas no coração.

52Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens.

3

Pregação de João Batista

(Mateus 3,1–12; Marcos 1,1–8; João 1,19–28)

31Estava-se no ano quinze do governo do imperador Tibério3,1 Tibério sucedeu a Augusto em 19 de agosto de 14 d.C. Portanto o ano 15 vai de 19 de agosto de 28 a 18 de agosto de 29.. Pôncio Pilatos3,1 Pôncio Pilatos. Governador da Judeia, da Idumeia e da Samaria de 26 a 36 d.C. era então governador da Judeia, Herodes3,1 Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, tetrarca, governador da Galileia de 4 a.C. a 39 d.C. governava a Galileia, seu irmão Filipe governava a Itureia e a Traconítide. Lisânias governava a Abilena. 2Anás e Caifás3,2 O sumo sacerdote em funções era José Caifás que exerceu o seu ofício de 18 a 36 d.C. Teve um papel preponderante no movimento contra Jesus. Ver Mt 26,3; Jo 11,49; 18,14. Anás, seu sogro, tinha sido sumo sacerdote nos anos 6 a 15, estando-lhe aqui associado devido ao prestígio que gozava entre os judeus. eram os chefes dos sacerdotes. Foi nessa altura que Deus falou no deserto a João, filho de Zacarias. 3João foi por todas as terras junto do rio Jordão e anunciava o batismo de arrependimento para perdão dos pecados. 4Isto aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro: Uma voz clama no deserto: Preparem o caminho do Senhor e abram-lhe estradas direitas. 5Todo o vale será aterrado, todo o monte e toda a colina serão aplanados. Os caminhos tortos serão endireitados e os pedregosos serão arranjados. 6E toda a Humanidade verá a salvação de Deus3,6 Ver Is 40,3–5, segundo a antiga tradução grega..

7João dizia às multidões que iam ter com ele para serem batizadas: «Que raça de víboras! Quem vos disse que podiam escapar ao castigo de Deus, que se aproxima? 8Mostrem pelas ações que estão verdadeiramente arrependidos, em vez de andarem a dizer: “Somos descendentes de Abraão.” Pois eu garanto-vos que Deus até destas pedras pode fazer descendentes de Abraão. 9O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda a árvore que não der bons frutos será abatida e lançada no fogo.»

10O povo perguntava a João Batista: «Que devemos então fazer?» E ele respondia: 11«O que tem duas túnicas deve dar uma a quem não tem nenhuma, e o que tiver comida, reparta-a com os outros.»

12Também lá foram cobradores de impostos para serem batizados e perguntaram a João: «Mestre, que devemos nós fazer?» 13Ele respondeu: «Não cobrem mais do que está determinado.» 14Houve também soldados que lhe perguntaram: «E nós, que devemos fazer?» «Não roubem a ninguém, usando a força ou fazendo falsas acusações, mas contentem-se com o que ganham», continuou a responder.

15O povo estava na expectativa e cada um se interrogava a si próprio se João não era o Messias. 16Mas ele explicou a todos: «Eu batizo-vos em água, mas está a chegar quem tem mais autoridade do que eu, e a esse eu nem sequer mereço a honra de lhe desatar as correias das sandálias. Ele há de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 17Tem nas mãos a pá para separar, na eira, o trigo da palha. Guardará o trigo no seu celeiro e queimará a palha numa fogueira que não se apaga.»

18Era com estas e outras exortações que João Batista anunciava ao povo a boa nova.

19Também repreendia o governador Herodes, por viver com Herodias, mulher do irmão, e por muitas outras coisas em que Herodes tinha procedido mal. 20Então Herodes acrescentou às suas culpas ainda mais esta: mandou prender João.

Batismo de Jesus

(Mateus 3,13–17; Marcos 1,9–11)

21Toda a gente recebia o batismo e Jesus também foi batizado. Estava a orar quando o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma visível, como uma pomba. E uma voz do céu disse: «Tu és o meu Filho querido. Tenho em ti a maior satisfação.»

Antepassados de Jesus, em linha ascendente

(Mateus 1,1–17)

23Quando Jesus começou a sua atividade tinha cerca de trinta anos. Era filho de José, como se pensava, filho de Eli, 24filho de Matat, filho de Levi, filho de Malqui, filho de Janai, filho de José, 25filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, 26filho de Maat, filho de Matatias, filho de Simei, filho de Josec, filho de Jodá, 27filho de Joanan, filho de Ressa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri, 28filho de Malqui, filho de Adi, filho de Cosam, filho de Elmadam, filho de Er, 29filho de Jessua, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi, 30filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonam, filho de Eliaquim, 31filho de Melea, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Nachon, filho de David, 32filho de Jessé, filho de Jobed, filho de Booz, filho de Salá, filho de Nachon, 33filho de Aminadab, filho de Admin, filho de Arni, filho de Hesron, filho de Peres, filho de Judá, 34filho de Jacob, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Tera, filho de Naor, 35filho de Serug, filho de Reú, filho de Peleg, filho de Éber, filho de Chela, 36filho de Quenan, filho de Arpaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec, 37filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaliel, filho de Quenan, 38filho de Enós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.

4

Jesus é tentado

(Mateus 4,1–11; Marcos 1,12–13)

41Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão. O Espírito conduziu-o para o deserto, 2onde esteve durante quarenta dias e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias, não comeu nada e quando chegou ao fim teve fome. 3O Diabo disse-lhe então: «Se tu és o Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão.» 4Mas Jesus respondeu: «A Sagrada Escritura diz: Não se vive só de pão4,4 Ver Dt 8,3.

5Então o Diabo levou-o para mais alto e mostrou-lhe num momento todos os países do mundo. 6Depois disse-lhe: «Posso dar-te todo este poder e a sua glória, porque tudo isto me foi entregue a mim e eu dou-o a quem eu quiser. 7Tudo será teu, se me adorares.» 8Mas Jesus respondeu-lhe: «A Escritura diz: Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto4,8 Ver Dt 6,13.

9Depois o Diabo conduziu Jesus a Jerusalém, levou-o ao ponto mais alto do templo e disse-lhe: «Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, 10porque lá diz a Escritura: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito para te ampararem: 11eles hão de levar-te nas mãos para evitar que magoes os pés contra as pedras4,11 Ver Sl 91,11–12.

12Jesus respondeu: «Mas a Escritura também diz: Não tentarás o Senhor teu Deus4,12 Ver Dt 6,16.

13Após ter tentado Jesus de todas as maneiras, o Diabo afastou-se dele até um tempo determinado.

Atividade de Jesus na Galileia

(Mateus 4,12–17; 13,53–58; Marcos 1,14–15; 6,1–6)

14Jesus voltou para a Galileia conduzido pelo Espírito Santo. A sua fama espalhou-se por toda aquela região. 15Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

16Foi em seguida para Nazaré, a terra onde se tinha criado. No sábado foi à sinagoga, como era seu costume, e pôs-se de pé para ler as Escrituras4,16 Qualquer judeu adulto podia, com autorização do chefe da sinagoga, fazer a leitura do texto sagrado.. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Ele abriu-o e encontrou o lugar onde estava escrito assim:

18«O Espírito do Senhor tomou posse de mim, por isso me escolheu para levar a boa nova aos pobres. Enviou-me para anunciar a libertação aos prisioneiros, para dar vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos 19e para proclamar o tempo favorável da parte do Senhor4,19 Ver Is 61,1–2, segundo a antiga tradução grega.

20Depois Jesus fechou o livro, devolveu-o ao encarregado e sentou-se. Ficaram todos com os olhos fixos nele. 21Jesus começou então a dizer-lhes: «Esta parte da Escritura que acabaram de ouvir cumpriu-se hoje mesmo.» 22Todos testemunhavam dele e estavam admirados com as palavras da graça divina que saíam da sua boca. E perguntavam: «Este não é o filho de José?»

23Jesus disse-lhes mais: «Certamente vão lembrar-me aquele provérbio que diz: “Médico, cura-te a ti mesmo.” Faz aqui na tua terra tudo o que fizeste em Cafarnaum, conforme nos contaram.» 24E acrescentou: «Digo-vos com toda a verdade que nenhum profeta é bem recebido na sua terra. 25Com certeza que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando deixou de chover durante três anos e seis meses, e houve muita fome em todo o país. 26No entanto, Elias não foi enviado a nenhuma dessas viúvas, mas sim a uma que vivia em Sarepta, nos arredores de Sídon. 27E havia muitas pessoas com lepra em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhuma delas foi curada a não ser Naaman que era da Síria

28Ficaram todos muito zangados, na sinagoga, ao ouvirem Jesus dizer aquilo. 29Levantaram-se e puseram-no fora da cidade. Levaram-no então ao alto do monte, onde a cidade estava edificada, para o atirarem dali abaixo, 30mas Jesus passou pelo meio deles e foi-se embora.

O homem com um espírito mau

(Marcos 1,21–28)

31Foi então para Cafarnaum, na Galileia, e aí ensinava aos sábados. 32Os que o ouviam ficavam admirados com os seus ensinamentos, porque falava com autoridade.

33Num desses sábados, estava na sinagoga um homem possuído dum espírito mau que, aos gritos, disse a Jesus: 34«Que temos nós a ver contigo, Jesus de Nazaré? Vieste aqui para nos destruir? Bem sei que tu és o Santo que Deus mandou!» 35Jesus repreendeu-o: «Cala-te e sai desse homem.» O espírito mau deitou o homem ao chão diante de todos e saiu dele sem lhe fazer mal. 36Toda a gente ficou pasmada e diziam uns aos outros: «Que significa isto? Ele dá ordens aos espíritos maus, com autoridade e poder, e eles obedecem-lhe!» 37E a fama de Jesus espalhava-se por todos os lugares daquela região.

Jesus cura muitos doentes

(Mateus 8,14–17; Marcos 1,29–34)

38Jesus saiu da sinagoga e foi para casa de Simão Pedro. Como a sogra de Pedro estava de cama com muita febre, pediram por ela a Jesus. 39Ele inclinou-se para ela, mandou que a febre saísse e a febre passou-lhe. Ela levantou-se logo e começou a servi-los.

40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com vários padecimentos traziam-nos a Jesus. Ele punha as mãos sobre cada um e curava-os. 41Também de muitas pessoas saíam espíritos maus que diziam aos gritos: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Jesus repreendia-os e não os deixava falar, porque eles sabiam que ele era o Messias.

Jesus anuncia a boa nova

(Marcos 1,35–39)

42Mal rompeu o dia, Jesus saiu da cidade e foi para um lugar isolado. A multidão pôs-se à procura dele. Quando o encontraram, não o queriam deixar ir embora. 43Mas Jesus disse-lhes: «É preciso que eu vá anunciar a boa nova do reino de Deus também a outras povoações. Foi por isso que Deus me enviou.» 44E pregava nas sinagogas da Judeia.