a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Pregação de João Batista

(Mateus 3,1–12; Marcos 1,1–8; João 1,19–28)

31Estava-se no ano quinze do governo do imperador Tibério3,1 Tibério sucedeu a Augusto em 19 de agosto de 14 d.C. Portanto o ano 15 vai de 19 de agosto de 28 a 18 de agosto de 29.. Pôncio Pilatos3,1 Pôncio Pilatos. Governador da Judeia, da Idumeia e da Samaria de 26 a 36 d.C. era então governador da Judeia, Herodes3,1 Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, tetrarca, governador da Galileia de 4 a.C. a 39 d.C. governava a Galileia, seu irmão Filipe governava a Itureia e a Traconítide. Lisânias governava a Abilena. 2Anás e Caifás3,2 O sumo sacerdote em funções era José Caifás que exerceu o seu ofício de 18 a 36 d.C. Teve um papel preponderante no movimento contra Jesus. Ver Mt 26,3; Jo 11,49; 18,14. Anás, seu sogro, tinha sido sumo sacerdote nos anos 6 a 15, estando-lhe aqui associado devido ao prestígio que gozava entre os judeus. eram os chefes dos sacerdotes. Foi nessa altura que Deus falou no deserto a João, filho de Zacarias. 3João foi por todas as terras junto do rio Jordão e anunciava o batismo de arrependimento para perdão dos pecados. 4Isto aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro: Uma voz clama no deserto: Preparem o caminho do Senhor e abram-lhe estradas direitas. 5Todo o vale será aterrado, todo o monte e toda a colina serão aplanados. Os caminhos tortos serão endireitados e os pedregosos serão arranjados. 6E toda a Humanidade verá a salvação de Deus3,6 Ver Is 40,3–5, segundo a antiga tradução grega..

7João dizia às multidões que iam ter com ele para serem batizadas: «Que raça de víboras! Quem vos disse que podiam escapar ao castigo de Deus, que se aproxima? 8Mostrem pelas ações que estão verdadeiramente arrependidos, em vez de andarem a dizer: “Somos descendentes de Abraão.” Pois eu garanto-vos que Deus até destas pedras pode fazer descendentes de Abraão. 9O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda a árvore que não der bons frutos será abatida e lançada no fogo.»

10O povo perguntava a João Batista: «Que devemos então fazer?» E ele respondia: 11«O que tem duas túnicas deve dar uma a quem não tem nenhuma, e o que tiver comida, reparta-a com os outros.»

12Também lá foram cobradores de impostos para serem batizados e perguntaram a João: «Mestre, que devemos nós fazer?» 13Ele respondeu: «Não cobrem mais do que está determinado.» 14Houve também soldados que lhe perguntaram: «E nós, que devemos fazer?» «Não roubem a ninguém, usando a força ou fazendo falsas acusações, mas contentem-se com o que ganham», continuou a responder.

15O povo estava na expectativa e cada um se interrogava a si próprio se João não era o Messias. 16Mas ele explicou a todos: «Eu batizo-vos em água, mas está a chegar quem tem mais autoridade do que eu, e a esse eu nem sequer mereço a honra de lhe desatar as correias das sandálias. Ele há de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 17Tem nas mãos a pá para separar, na eira, o trigo da palha. Guardará o trigo no seu celeiro e queimará a palha numa fogueira que não se apaga.»

18Era com estas e outras exortações que João Batista anunciava ao povo a boa nova.

19Também repreendia o governador Herodes, por viver com Herodias, mulher do irmão, e por muitas outras coisas em que Herodes tinha procedido mal. 20Então Herodes acrescentou às suas culpas ainda mais esta: mandou prender João.

Batismo de Jesus

(Mateus 3,13–17; Marcos 1,9–11)

21Toda a gente recebia o batismo e Jesus também foi batizado. Estava a orar quando o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma visível, como uma pomba. E uma voz do céu disse: «Tu és o meu Filho querido. Tenho em ti a maior satisfação.»

Antepassados de Jesus, em linha ascendente

(Mateus 1,1–17)

23Quando Jesus começou a sua atividade tinha cerca de trinta anos. Era filho de José, como se pensava, filho de Eli, 24filho de Matat, filho de Levi, filho de Malqui, filho de Janai, filho de José, 25filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, 26filho de Maat, filho de Matatias, filho de Simei, filho de Josec, filho de Jodá, 27filho de Joanan, filho de Ressa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri, 28filho de Malqui, filho de Adi, filho de Cosam, filho de Elmadam, filho de Er, 29filho de Jessua, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matat, filho de Levi, 30filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonam, filho de Eliaquim, 31filho de Melea, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Nachon, filho de David, 32filho de Jessé, filho de Jobed, filho de Booz, filho de Salá, filho de Nachon, 33filho de Aminadab, filho de Admin, filho de Arni, filho de Hesron, filho de Peres, filho de Judá, 34filho de Jacob, filho de Isaac, filho de Abraão, filho de Tera, filho de Naor, 35filho de Serug, filho de Reú, filho de Peleg, filho de Éber, filho de Chela, 36filho de Quenan, filho de Arpaxad, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lamec, 37filho de Matusalém, filho de Henoc, filho de Jared, filho de Malaliel, filho de Quenan, 38filho de Enós, filho de Set, filho de Adão, filho de Deus.

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Jesus é tentado

(Mateus 4,1–11; Marcos 1,12–13)

41Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão. O Espírito conduziu-o para o deserto, 2onde esteve durante quarenta dias e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias, não comeu nada e quando chegou ao fim teve fome. 3O Diabo disse-lhe então: «Se tu és o Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão.» 4Mas Jesus respondeu: «A Sagrada Escritura diz: Não se vive só de pão4,4 Ver Dt 8,3.

5Então o Diabo levou-o para mais alto e mostrou-lhe num momento todos os países do mundo. 6Depois disse-lhe: «Posso dar-te todo este poder e a sua glória, porque tudo isto me foi entregue a mim e eu dou-o a quem eu quiser. 7Tudo será teu, se me adorares.» 8Mas Jesus respondeu-lhe: «A Escritura diz: Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto4,8 Ver Dt 6,13.

9Depois o Diabo conduziu Jesus a Jerusalém, levou-o ao ponto mais alto do templo e disse-lhe: «Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, 10porque lá diz a Escritura: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito para te ampararem: 11eles hão de levar-te nas mãos para evitar que magoes os pés contra as pedras4,11 Ver Sl 91,11–12.

12Jesus respondeu: «Mas a Escritura também diz: Não tentarás o Senhor teu Deus4,12 Ver Dt 6,16.

13Após ter tentado Jesus de todas as maneiras, o Diabo afastou-se dele até um tempo determinado.

Atividade de Jesus na Galileia

(Mateus 4,12–17; 13,53–58; Marcos 1,14–15; 6,1–6)

14Jesus voltou para a Galileia conduzido pelo Espírito Santo. A sua fama espalhou-se por toda aquela região. 15Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

16Foi em seguida para Nazaré, a terra onde se tinha criado. No sábado foi à sinagoga, como era seu costume, e pôs-se de pé para ler as Escrituras4,16 Qualquer judeu adulto podia, com autorização do chefe da sinagoga, fazer a leitura do texto sagrado.. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Ele abriu-o e encontrou o lugar onde estava escrito assim:

18«O Espírito do Senhor tomou posse de mim, por isso me escolheu para levar a boa nova aos pobres. Enviou-me para anunciar a libertação aos prisioneiros, para dar vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos 19e para proclamar o tempo favorável da parte do Senhor4,19 Ver Is 61,1–2, segundo a antiga tradução grega.

20Depois Jesus fechou o livro, devolveu-o ao encarregado e sentou-se. Ficaram todos com os olhos fixos nele. 21Jesus começou então a dizer-lhes: «Esta parte da Escritura que acabaram de ouvir cumpriu-se hoje mesmo.» 22Todos testemunhavam dele e estavam admirados com as palavras da graça divina que saíam da sua boca. E perguntavam: «Este não é o filho de José?»

23Jesus disse-lhes mais: «Certamente vão lembrar-me aquele provérbio que diz: “Médico, cura-te a ti mesmo.” Faz aqui na tua terra tudo o que fizeste em Cafarnaum, conforme nos contaram.» 24E acrescentou: «Digo-vos com toda a verdade que nenhum profeta é bem recebido na sua terra. 25Com certeza que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando deixou de chover durante três anos e seis meses, e houve muita fome em todo o país. 26No entanto, Elias não foi enviado a nenhuma dessas viúvas, mas sim a uma que vivia em Sarepta, nos arredores de Sídon. 27E havia muitas pessoas com lepra em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhuma delas foi curada a não ser Naaman que era da Síria

28Ficaram todos muito zangados, na sinagoga, ao ouvirem Jesus dizer aquilo. 29Levantaram-se e puseram-no fora da cidade. Levaram-no então ao alto do monte, onde a cidade estava edificada, para o atirarem dali abaixo, 30mas Jesus passou pelo meio deles e foi-se embora.

O homem com um espírito mau

(Marcos 1,21–28)

31Foi então para Cafarnaum, na Galileia, e aí ensinava aos sábados. 32Os que o ouviam ficavam admirados com os seus ensinamentos, porque falava com autoridade.

33Num desses sábados, estava na sinagoga um homem possuído dum espírito mau que, aos gritos, disse a Jesus: 34«Que temos nós a ver contigo, Jesus de Nazaré? Vieste aqui para nos destruir? Bem sei que tu és o Santo que Deus mandou!» 35Jesus repreendeu-o: «Cala-te e sai desse homem.» O espírito mau deitou o homem ao chão diante de todos e saiu dele sem lhe fazer mal. 36Toda a gente ficou pasmada e diziam uns aos outros: «Que significa isto? Ele dá ordens aos espíritos maus, com autoridade e poder, e eles obedecem-lhe!» 37E a fama de Jesus espalhava-se por todos os lugares daquela região.

Jesus cura muitos doentes

(Mateus 8,14–17; Marcos 1,29–34)

38Jesus saiu da sinagoga e foi para casa de Simão Pedro. Como a sogra de Pedro estava de cama com muita febre, pediram por ela a Jesus. 39Ele inclinou-se para ela, mandou que a febre saísse e a febre passou-lhe. Ela levantou-se logo e começou a servi-los.

40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com vários padecimentos traziam-nos a Jesus. Ele punha as mãos sobre cada um e curava-os. 41Também de muitas pessoas saíam espíritos maus que diziam aos gritos: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Jesus repreendia-os e não os deixava falar, porque eles sabiam que ele era o Messias.

Jesus anuncia a boa nova

(Marcos 1,35–39)

42Mal rompeu o dia, Jesus saiu da cidade e foi para um lugar isolado. A multidão pôs-se à procura dele. Quando o encontraram, não o queriam deixar ir embora. 43Mas Jesus disse-lhes: «É preciso que eu vá anunciar a boa nova do reino de Deus também a outras povoações. Foi por isso que Deus me enviou.» 44E pregava nas sinagogas da Judeia.

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Primeiros companheiros de Jesus

(Mateus 4,18–22; Marcos 1,16–20)

51Um dia estava Jesus à beira do lago de Genesaré5,1 Também chamado lago da Galileia. Ver Mc 6,53. e a multidão apertava-o, porque queria ouvir a mensagem de Deus. 2Ele viu dois barcos parados junto à praia. Os pescadores tinham saído e estavam a lavar as redes. 3Jesus entrou numa das embarcações, que era de Simão Pedro, e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra. Sentou-se e do barco ensinava a multidão.

4Quando acabou de falar disse a Simão: «Leva o barco para a parte mais funda do lago, com os teus companheiros, e lança as redes.» 5Simão respondeu-lhe: «Mestre, andámos toda a noite à pesca e não apanhámos nada; mas já que tu o dizes, vou lançar as redes.» 6Deitaram as redes à água e apanharam tanto peixe que elas ficaram quase a rebentar. 7Fizeram então sinais aos companheiros que estavam no outro barco para os irem ajudar. Eles foram e encheram os dois barcos com tanto peixe que quase se afundavam. 8Quando Simão Pedro viu aquilo, ajoelhou-se aos pés de Jesus e disse: «Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um pecador.» 9Tanto Simão como os que estavam com ele ficaram pasmados com a enorme quantidade de peixe que tinham apanhado. 10O mesmo aconteceu com os companheiros de Simão que se chamavam Tiago e João, filhos de Zebedeu. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo! Daqui em diante serás pescador de homens.» 11Eles puxaram então os barcos para terra, deixaram tudo e foram com Jesus.

Cura de um homem com lepra

(Mateus 8,1–4; Marcos 1,40–45)

12Uma vez estava Jesus numa certa povoação onde havia um homem cheio de lepra. Mal viu Jesus, inclinou-se até ao chão e pediu-lhe: «Senhor, se tu quiseres podes curar-me.» 13Jesus tocou-lhe e disse: «Quero sim! Fica curado.» E ao dizer isto a lepra deixou-o. 14Mas Jesus deu-lhe ordem para não contar a ninguém o que se tinha passado e acrescentou: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece a Deus, pela tua cura, o sacrifício que Moisés mandou para lhes servir de prova.» 15Entretanto, a fama de Jesus espalhava-se cada vez mais, de modo que muitas pessoas iam para o ouvir e para serem curadas das suas doenças. 16Mas Jesus procurava lugares isolados, onde ficava em oração.

Cura de um paralítico

(Mateus 9,1–8; Marcos 2,1–12)

17Jesus estava um dia a ensinar e entre os ouvintes estavam sentados alguns fariseus e doutores da lei que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, bem como de Jerusalém.

O poder de Deus estava com Jesus para curar os doentes. 18Nisto, chegaram ali uns homens que transportavam um paralítico numa enxerga. Tentaram passar com ele e colocá-lo diante de Jesus, 19mas não conseguiram por causa da multidão. Subiram então ao telhado e desceram a enxerga com o paralítico por entre as telhas, até ficar no meio de todos, em frente de Jesus. 20Quando ele viu a fé daqueles homens disse ao doente: «Amigo, os teus pecados estão perdoados!» 21Mas os doutores da lei e os fariseus começaram a dizer para consigo: «Quem é este homem que ofende Deus desta maneira? Só Deus é que pode perdoar pecados!» 22Porém Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, disse-lhes: «Que é que estão a pensar lá no íntimo? 23Que será mais fácil? Dizer a este paralítico: “os teus pecados estão perdoados”, ou dizer-lhe: “levanta-te e anda?” 24Para que saibam que o Filho do Homem tem poder na Terra para perdoar pecados», voltando-se para o paralítico disse-lhe: «Sou eu quem te diz: levanta-te, pega na tua enxerga e vai para casa.» 25Ele levantou-se imediatamente, à vista de todos, pegou na enxerga em que estava deitado e foi para casa dando glória a Deus. 26Ficaram tão maravilhados que davam louvores a Deus e diziam cheios de espanto: «O que vimos hoje é extraordinário!»

Jesus chama Levi (Mateus)

(Mateus 9,9–13; Marcos 2,13–17)

27Mais tarde, Jesus saiu e viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado no posto de cobrança. «Segue-me», disse-lhe. 28Levi deixou tudo, levantou-se e foi com Jesus. 29Posteriormente deu em sua casa um grande banquete em honra de Jesus, em que tomaram parte muitos cobradores de impostos e outras pessoas. 30Os fariseus e os doutores da lei puseram-se então a criticar os discípulos de Jesus e perguntaram-lhes: «Por que é que comem e bebem com os cobradores de impostos e pecadores?» 31Jesus então respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. 32Eu não vim para chamar os justos, mas sim os pecadores para que se arrependam

A questão do jejum

(Mateus 9,14–17; Marcos 2,18–22)

33Fizeram-lhe ainda outra pergunta: «Por que é que os discípulos de João Batista e dos fariseus jejuam tantas vezes, e fazem orações, e os teus discípulos comem e bebem?» 34Jesus respondeu com outra pergunta: «Poderão obrigar os convidados duma boda a jejuar enquanto o noivo estiver com eles? 35Lá virá o tempo em que hão de jejuar, quando o noivo lhes for tirado.» 36Jesus apresentou-lhes depois a seguinte parábola: «Ninguém corta um bocado de roupa nova para o coser em roupa velha; se fizer isso, estraga a roupa nova e o remendo não vai ficar bem na roupa velha. 37E ninguém deita vinho novo em vasilhas velhas, porque o vinho rebenta-as perdendo-se desse modo o vinho e as vasilhas. 38Portanto, o vinho novo deve ser metido em vasilhas novas. 39E ninguém deseja beber vinho novo depois de ter bebido do velho, pois acha que o velho é melhor.»