a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Cura do empregado de um oficial romano

(Mateus 8,5–13)

71Quando Jesus acabou de dizer aquelas coisas ao povo, entrou em Cafarnaum. 2Havia ali um oficial do exército romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, quase a morrer. 3Quando o oficial ouviu falar de Jesus, mandou ir ter com ele alguns anciãos dos judeus para lhe pedirem que fosse curar o seu criado. 4Ao chegarem junto de Jesus, pediram-lhe com insistência que lá fosse e diziam: «Este oficial merece que lhe faças isso, 5porque estima o nosso povo e foi ele quem mandou construir a nossa sinagoga6Então Jesus foi com eles, mas quando já estava perto da casa o oficial mandou uns amigos ao encontro de Jesus para lhe dizerem: «Senhor, não te incomodes que eu não mereço que entres em minha casa. 7Foi por isso que não me julguei digno de ir ter contigo pessoalmente. Basta que digas uma palavra e o meu empregado ficará curado. 8Também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados a quem dou ordens. Digo a um que vá, e ele vai. Digo a outro que venha, e ele vem. E digo ao meu empregado: “Faz isto”, e ele faz.» 9Ao ouvir estas coisas, Jesus sentiu admiração por aquele homem. Voltou-se para a multidão que ia atrás dele e disse: «Fiquem sabendo que ainda não encontrei tamanha fé, nem mesmo entre o povo de Israel.» 10E quando os enviados do oficial romano chegaram a casa dele viram que o doente já estava curado.

Jesus ressuscita o filho de uma viúva

11Depois disto, Jesus foi a uma cidade chamada Naim. Iam com ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando estava à porta da cidade viu que passava um funeral. O morto era filho único de uma viúva. Ia muita gente com ela no funeral. 13Ao ver a viúva, o Senhor teve pena dela e disse-lhe: «Não chores.» 14E aproximando-se tocou no caixão. Os homens que o levavam pararam. Jesus disse então: «Rapaz, sou eu quem te diz: levanta-te!» 15Nisto, o rapaz sentou-se e pôs-se a falar. Jesus entregou-o à mãe. 16Ficaram todos muito impressionados e davam glória a Deus dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós! Deus veio visitar o seu povo!» 17E por toda a Judeia e regiões vizinhas correu a fama do que Jesus tinha feito.

Resposta de Jesus aos discípulos de João Batista

(Mateus 11,2–6)

18Os discípulos de João Batista foram contar-lhe tudo. 19Ele chamou então dois deles e mandou-os ir ter com o Senhor para lhe perguntarem: «És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?» 20Quando chegaram junto de Jesus disseram-lhe: «João Batista mandou-nos cá para te perguntarmos se tu és aquele que está para vir ou se devemos esperar outro.» 21Naquele momento curou Jesus muitos doentes de vários males e enfermidades, possessos de espíritos maus e deu a muitos cegos a graça de poder ver. 22Então Jesus respondeu aos enviados: «Vão contar a João isto que agora viram e ouviram: que os cegos veem, os coxos andam, os que têm lepra são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e os pobres são evangelizados. 23Feliz daquele que não se escandalizar em mim.»

Jesus fala de João Batista

(Mateus 11,7–19)

24Quando os enviados de João se foram embora, Jesus pôs-se a falar dele ao povo: «Que é que foram ver ao deserto? Uma cana abanada pelo vento? 25Que é que lá foram ver? Um homem de roupas finas? Os que andam vestidos de luxo e vivem na opulência encontram-se nos palácios reais. 26Mas afinal o que é que foram ver? Um profeta? Sim, e digo-lhes ainda: ele é mais do que um profeta, 27pois é aquele de quem as Escrituras dizem: Enviarei o meu mensageiro à tua frente para te preparar o caminho7,27 Ver Ml 3,1..

28E fiquem a saber que entre os homens não há ninguém maior do que João Batista. No entanto, o mais pequeno no reino de Deus é maior do que ele.»

29Todas as pessoas que o ouviram, incluindo os cobradores de impostos, sabiam que cumpriram a justiça de Deus sendo batizados com o Batismo de João. 30Mas os fariseus e os doutores da lei desprezaram a vontade de Deus para com eles por não terem querido ser batizados.

31Disse ainda: «Com quem hei de comparar as pessoas desta época? Com quem se parecem elas? 32Com as crianças que andam a brincar na praça pública e gritam umas para as outras:

“Tocámos flauta e não dançaram,

cantámos lamentações e não choraram.”

33No entanto, apareceu João Batista, que não come pão e não bebe vinho, e dizem: “tem Demónio.” 34Veio depois o filho do Filho do Homem, que come e bebe, e dizem dele: “Olhem para este homem! Come bem e bebe melhor, e é amigo de cobradores de impostos e pecadores.”

35Mas a justiça da sabedoria de Deus foi confirmada por todos os seus filhos.»

Jesus em casa de um fariseu

36Um dia, um fariseu convidou Jesus para comer em sua casa. Jesus foi e sentou-se à mesa. 37Então uma mulher pecadora, que havia naquela terra, ao saber que Jesus estava à mesa em casa do fariseu, foi lá com um frasco de alabastro cheio de perfume puro. 38Pôs-se atrás, aos pés de Jesus, a chorar. Com as lágrimas começou a molhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, beijava-os e deitava-lhes perfume. 39Quando o fariseu viu aquilo, disse para consigo: «Se este homem fosse um profeta devia saber que espécie de mulher é esta que lhe está a tocar nos pés, pois é uma pecadora.» 40Então Jesus dirigiu-se assim ao fariseu: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te.» E ele retorquiu: «Diz lá, Mestre.» 41Jesus prosseguiu: «Havia dois homens que deviam dinheiro a outro: um devia-lhe quinhentas moedas de prata, e o outro cinquenta. 42Nenhum dos dois tinha possibilidades de pagar a dívida, por isso ele perdoou a ambos. Qual deles ficará com mais amor ao credor?» 43Simão respondeu: «Julgo que será aquele a quem mais perdoou.» Jesus acrescentou: «Julgaste muito bem.» 44E apontando para a mulher disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés, mas ela lavou-mos com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Não me recebeste com um beijo, mas ela, desde que entrou, não deixou de me beijar os pés. 46Não me deste óleo perfumado para a cabeça, mas ela deitou-me perfume nos pés. 47Digo-te que os seus muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou. A quem pouco se perdoa, pouco amor mostra.» 48Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» 49Os convidados puseram-se a comentar assim: «Quem será este que até perdoa pecados?»

50Jesus continuou para a mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»

8

As mulheres que ajudavam Jesus

81Jesus ia passando por cidades e aldeias a proclamar o evangelho do reino de Deus e os Doze andavam com ele. 2Acompanhavam-no também algumas mulheres que ele tinha curado de espíritos maus e de doenças; entre elas, Maria Madalena, de quem tinha expulsado demónios, 3Joana, mulher de Cuza, oficial da corte de Herodes, Susana e muitas outras que com os seus bens ajudavam Jesus e os discípulos.

A parábola do semeador

(Mateus 13,1–9; Marcos 4,1–9)

4Muita gente vinda de toda a parte continuava a procurar Jesus. Quando já havia uma multidão à sua volta, falou-lhes usando esta parábola: 5«Andava uma vez um homem a semear. Quando lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho, foi pisada e os pássaros comeram-na toda. 6Outra caiu em terreno pedregoso e, mal rompeu, secou por não haver humidade. 7Outra caiu entre espinhos e estes, ao crescerem, abafaram-na. 8Mas uma outra parte da semente caiu em boa terra, desenvolveu-se e produziu fruto à razão de cem grãos por semente.» E por fim, erguendo a voz, exclamou: «Quem tem ouvidos, preste atenção!»

Razão das Parábolas

(Mateus 13,10–17; Marcos 4,10–12)

9Os discípulos perguntaram a Jesus o que queria dizer com aquela parábola. 10Ele explicou-lhes: «É-vos dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros serão apresentadas parábolas para que olhem mas não vejam, e oiçam mas não entendam8,10 Ver Is 6,9–10.

Jesus explica a parábola do semeador

(Mateus 13,18–23; Marcos 4,13–20)

11«O significado da parábola é este: A semente é a palavra de Deus. 12A que caiu junto do caminho representa as pessoas que escutam; mas vem o Diabo e tira-lhes a palavra do seu coração, para que não creiam e não sejam salvas. 13A semente que caiu em cima de pedras são aquelas pessoas que ouvem a palavra e a recebem com muita alegria. Mas como não ganham raízes, creem por algum tempo e desistem quando chegam as tentações. 14A que caiu entre os espinhos significa as pessoas que ouvem, mas acabam por se deixar sufocar pelas preocupações da vida, pelas riquezas e pelos prazeres, de modo que nunca chegam a dar fruto. 15E a semente que caiu em boa terra representa as pessoas que ouvem a palavra, com um coração bom e honesto, conservam-na com firmeza e dão fruto com perseverança.»

A luz é para alumiar

(Marcos 4,21–25)

16«Não há ninguém que acenda um candeeiro para o tapar com uma caixa ou para o colocar debaixo da cama. Põe-se antes num lugar em que alumie bem os que entram. 17Por isso não há nada que esteja escondido que não venha a descobrir-se: tudo o que é segredo virá sempre a ser conhecido e posto a claro. 18Oiçam bem o que eu vos digo: ao que tem, ser-lhe-á dado. E a quem não tem, até o que julga ter lhe será tirado.»

A família de Jesus

(Mateus 12,46–50; Marcos 3,31–35)

19A mãe e os irmãos de Jesus foram ter com ele, mas não conseguiram aproximar-se por causa da multidão. 20Entretanto, alguém lhe disse: «Olha que a tua mãe e os teus irmãos estão lá fora à tua procura.» 21Mas Jesus respondeu: «A minha mãe e os meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.»

Jesus acalma a tempestade

(Mateus 8,23–27; Marcos 4,35–41)

22Certo dia, entrou Jesus num barco com os discípulos e disse-lhes: «Vamos para a outra banda do lago8,22 Trata-se do lago da Galileia. O território na outra banda do lago era habitado por não-judeus.23Ora durante a travessia, Jesus adormeceu. Nisto, formou-se uma tempestade no lago, e entrava tanta água no barco, que já estavam em perigo de se afundar. 24Os discípulos acordaram Jesus e disseram-lhe: «Mestre, Mestre, estamos perdidos!» Ele levantou-se, deu ordem ao vento e às ondas; o vento parou e as ondas amansaram. 25Depois dirigiu-se aos discípulos: «Onde está a vossa fé?» Eles porém tremiam de medo e diziam uns para os outros, muito admirados: «Mas quem é este que até o vento e as ondas lhe obedecem!»

Cura de um homem com espíritos maus

(Mateus 8,28–34; Marcos 5,1–20)

26Navegaram seguidamente para o território de Gerasa, que fica do outro lado do lago em frente da Galileia. 27Quando Jesus saiu do barco, foi ter com ele um homem daquela terra que estava possesso de espíritos maus. Há muito tempo que não se vestia e não vivia em casa, mas nos sepulcros. 28Quando viu Jesus, caiu por terra gritando diante dele e disse em alta voz: «Que tenho eu a ver contigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Peço-te que não me atormentes!» 29Ele disse isto porque Jesus dava ordens ao espírito mau para que saísse dele. Já muitas vezes o espírito mau se tinha apoderado dele. Prendiam-no com cadeias e correntes, mas ele rebentava tudo e era levado pelo espírito mau para lugares desertos. 30Jesus perguntou-lhe: «Qual é o teu nome?» Ele respondeu: «Chamo-me Legião.» Isto, porque estava possuído por muitos espíritos maus. 31E os demónios pediam a Jesus que não os mandasse para o abismo.

32Ora andava a pastar ali no monte uma grande quantidade de porcos. Os demónios pediram a Jesus que os deixasse entrar nos porcos e Jesus consentiu. 33Os demónios saíram então do homem e entraram nos porcos que se puseram a correr pelo monte abaixo até ao lago e lá se afogaram.

34Os guardadores dos porcos, quando viram aquilo, fugiram e foram à cidade e aos arredores contar o que se tinha passado. 35Foi lá muita gente para ver o que tinha acontecido. Aproximaram-se de Jesus e encontraram o homem, de quem tinham saído os espíritos maus, sentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo. Ao verem isso, ficaram impressionados. 36Então os que tinham presenciado tudo contaram aos outros como é que o homem tinha sido curado. 37Toda a gente do território de Gerasa pediu a Jesus que se fosse embora dali, porque estavam cheios de medo. Jesus voltou para o barco e, quando ia a partir, 38o homem que tinha sido libertado dos demónios pedia-lhe que o deixasse ir com ele. Mas Jesus mandou-o embora e disse-lhe: 39«Volta para tua casa e conta aquilo que Deus te fez.» O homem foi então por toda a cidade contar o que Jesus lhe fizera.

Ressurreição da filha de Jairo e cura de uma doente

(Mateus 9,18–26; Marcos 5,21–43)

40Quando Jesus voltou, foi recebido pela multidão que estava à sua espera. 41Nessa altura aproximou-se dele um homem, chamado Jairo, que era dirigente da sinagoga. Ajoelhou-se aos pés de Jesus e insistia para que fosse a sua casa, 42porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos de idade, que estava à morte.

Enquanto iam a caminho, a multidão apertava Jesus de todos os lados. 43Ia lá também uma mulher que havia já doze anos sofria duma doença que a fazia perder sangue. Tinha gasto com os médicos tudo quanto possuía, mas ninguém a pôde curar. 44Ela foi por detrás de Jesus, tocou-lhe na ponta do manto e ficou logo curada da doença. 45Jesus então perguntou: «Quem foi que me tocou?» Todos negaram. E Pedro disse: «Mestre, é a multidão que te aperta e empurra de todos os lados!» 46Mas Jesus repetiu: «Houve alguém que me tocou. Eu bem senti que saiu de mim poder.» 47Então a mulher, vendo que não podia passar despercebida, aproximou-se de Jesus, toda a tremer, ajoelhou-se-lhe aos pés e confessou diante de toda a gente a razão por que tocara em Jesus e como tinha ficado curada imediatamente. 48Jesus então disse-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou. Vai em paz.»

49Ainda Jesus não tinha acabado de falar quando chegou alguém da casa de Jairo a dizer: «A tua filha já morreu. Não incomodes mais o Mestre.» 50Assim que Jesus ouviu a notícia, disse a Jairo: «Não tenhas medo! Basta que tenhas fé e a tua filha há de viver.» 51Entrou em casa de Jairo, mas não deixou ninguém ir com ele, a não ser Pedro, Tiago e João e os pais da menina. 52Toda a gente chorava com pena dela, mas Jesus disse: «Não chorem que a menina não está morta, está a dormir.» 53Puseram-se todos a fazer troça dele, pois sabiam que ela estava morta. 54E então Jesus pegou na mão da menina e ordenou: «Menina, levanta-te!» 55Ela voltou a viver e levantou-se imediatamente. Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56Os pais da menina ficaram maravilhados, mas Jesus mandou que não contassem nada a ninguém.

9

Jesus envia os apóstolos

(Mateus 10,5–15; Marcos 6,7–13)

91Jesus reuniu os apóstolos e deu-lhes poder e autoridade para expulsarem espíritos maus e curarem doenças. 2Mandou-os também anunciar o reino de Deus e curar doentes. 3Mas recomendou-lhes: «Não levem nada para o caminho: nem cajado, nem saco, nem pão, nem dinheiro, nem muda de roupa. 4Quando entrarem numa casa, fiquem lá até deixarem a povoação. 5Se nalguma terra as pessoas não vos quiserem receber, quando saírem de lá sacudam o pó dos pés, como testemunho contra essa gente.» 6Os discípulos então partiram e foram de terra em terra, anunciando a boa nova e curando doentes por toda a parte.

Herodes preocupado com Jesus

(Mateus 14,1–12; Marcos 6,14–29)

7Herodes, o governador da Galileia, teve conhecimento de tudo o que se estava a passar e ficou muito confuso, porque havia quem dissesse que era João Batista que ressuscitara. 8Outros diziam que era Elias que tinha aparecido, e outros afirmavam que era um dos profetas antigos que tinha ressuscitado. 9Mas Herodes exclamou: «A João Batista mandei eu cortar a cabeça. Quem será então este de quem me vêm contar estas coisas?» E procurava ver Jesus.

Jesus dá de comer a uma multidão

(Mateus 14,13–21; Marcos 6,30–44; João 6,1–14)

10Quando os apóstolos voltaram, contaram a Jesus tudo o que tinham feito. Ele então retirou-se só com eles para uma povoação chamada Betsaida. 11Mas assim que a multidão deu por isso foi logo atrás de Jesus. Ele recebeu-a, falou do reino de Deus e curou os doentes.

12Ao declinar do dia, os Doze foram ter com Jesus e disseram-lhe: «Manda embora a multidão, para irem pelos campos e aldeias das redondezas arranjar onde descansar e comer, porque estamos num lugar deserto.» 13Jesus retorquiu: «Deem-lhes de comer.» Mas eles disseram: «Só temos aqui cinco pães e dois peixes. A não ser que vamos comprar comida para esta gente toda!» 14É que estavam lá uns cinco mil homens. Jesus ordenou aos discípulos: «Mandem sentar o povo em grupos de cinquenta.» 15Eles assim fizeram e acomodaram toda a gente. 16Jesus pegou nos cinco pães e nos dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os e partiu-os. Depois entregou-os aos discípulos para os distribuírem pela multidão. 17Todos comeram até ficarem satisfeitos e ainda se recolheram doze cestos dos pedaços que sobejaram.

Pedro declara que Jesus é o Messias

(Mateus 16,13–19; Marcos 8,27–29)

18Um dia, quando Jesus estava a orar sozinho, os discípulos aproximaram-se. Então perguntou-lhes: «Quem diz o povo que eu sou?» 19E eles responderam: «Uns dizem que és João Batista, outros que és Elias e outros ainda que és um dos profetas antigos que ressuscitou.» 20Jesus acrescentou: «E quem acham vocês que eu sou?» Pedro afirmou logo: «Tu és o Messias enviado por Deus.»

Jesus fala da sua morte e ressurreição

(Mateus 16,20–28; Marcos 8,30—9,1)

21Jesus deu-lhes ordem para não contarem aquilo a ninguém 22e acrescentou: «É preciso que o Filho do Homem sofra muito e seja rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos doutores da lei, para ser morto e ao terceiro dia ressuscitar.»

23Depois disse a todos: «Se alguém me quiser acompanhar negue-se a si próprio, carregue com a sua cruz todos os dias e siga-me. 24Pois todo o que quiser salvar a sua vida perde-a, mas aquele que perder a vida, por causa de mim, salva-a. 25Que aproveita a alguém ganhar o mundo inteiro, se acabar por perder-se ou destruir-se? 26Se alguém tiver vergonha de mim e do que eu ensino, também o Filho do Homem terá vergonha dessa pessoa, quando vier na sua glória e na glória de seu Pai e dos santos anjos. 27Lembrem-se do que vos digo: há aqui algumas pessoas que não hão de morrer sem verem chegar o reino de Deus

Transfiguração de Jesus

(Mateus 17,1–8; Marcos 9,2–8)

28Cerca de uma semana após ter dito estas palavras, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago e subiu a um monte para orar. 29Quando estava em oração, o seu aspeto transformou-se e a sua roupa ficou de um branco muito brilhante. 30Nisto, dois homens puseram-se a falar com ele. Eram Moisés e Elias, 31rodeados duma luz celestial, a falar da sua morte que ia cumprir-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono, mas quando acordaram viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. 33Quando aqueles homens se iam a retirar, Pedro, sem saber bem o que estava a dizer, exclamou: «Mestre, é tão bom estarmos aqui! Vamos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.» 34Enquanto dizia estas coisas, uma nuvem envolveu-os na sua sombra e os discípulos ficaram atemorizados quando a nuvem os envolveu. 35Saiu então da nuvem uma voz que dizia: «Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutem o que ele diz.» 36Quando se ouviu aquela voz, Jesus já estava sozinho. Os discípulos calaram-se e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

Jesus cura um possesso

(Mateus 17,14–18; Marcos 9,14–27)

37No dia seguinte, quando desciam do monte, veio uma grande multidão ao encontro de Jesus. 38Então um homem do meio da multidão clamou para Jesus: «Mestre, peço-te que olhes para o meu filho que é o único que tenho. 39Há um espírito mau que toma posse dele e de repente o faz gritar e o sacode com violência até o fazer deitar espuma pela boca. Não o larga enquanto não o deixa completamente arrasado. 40Pedi muito aos teus discípulos para expulsarem o espírito mau, mas eles não conseguiram.» 41Jesus disse então ao povo: «Oh gente incrédula e sem rumo! Até quando estarei convosco e terei de vos suportar?» Depois disse ao pai do rapaz: «Traz-me cá o teu filho.» 42Quando o rapaz se aproximava de Jesus, o espírito mau atirou-o ao chão com um ataque. Jesus repreendeu o espírito mau, curou o rapaz e entregou-o ao pai. 43E todos ficaram impressionados com a grandeza de Deus.

Jesus fala outra vez da sua morte

(Mateus 17,22–23; Marcos 9,30–32)

Toda a gente andava maravilhada com aquilo que Jesus fazia. Então ele disse aos discípulos: 44«Oiçam bem o que vou dizer-vos: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens.» 45Mas não compreendiam esta linguagem. Era-lhes velada para que a não percebessem9,45 Ou: a ponto de não a perceberem.; e tinham receio de fazer perguntas sobre este assunto.

Quem será o mais importante?

(Mateus 18,1–5; Marcos 9,33–37)

46Certa vez estavam os discípulos a discutir sobre qual deles seria o mais importante. 47Jesus percebeu as ideias deles; e pegando num menino, colocou-o junto de si 48e disse: «Todo aquele que receber esta criança, em meu nome, é a mim que recebe. E quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Aquele que for o mais humilde, esse é que é o maior.»

Quem não é contra nós é por nós

(Marcos 9,38–40)

49João disse a Jesus: «Mestre, vimos um homem a expulsar espíritos maus em teu nome e proibimo-lo, porque não é dos nossos.» 50Mas Jesus corrigiu-os: «Não proíbam isso, porque quem não é contra nós é um dos nossos.»

Jesus é mal recebido na Samaria

51Como já estava a chegar a altura em que havia de ser levado deste mundo, Jesus tomou a decisão de ir a Jerusalém. 52Mandou à frente alguns mensageiros e eles foram a uma aldeia dos samaritanos para prepararem a chegada de Jesus. 53Mas como os da aldeia perceberam que ele ia para Jerusalém, não o receberam. 54Então os discípulos Tiago e João, ao verem aquilo, disseram: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os destruir9,54 Alguns manuscritos acrescentam: como fez Elias.55Mas Jesus voltou-se para eles e repreendeu-os9,55 Alguns manuscritos acrescentam: e disse: Vocês não sabem a que espírito pertencem; pois o Filho do Homem não veio para destruir a vida dos homens, mas sim para a salvar. Ver Lc 19,10.. 56E foram para outra aldeia.

Convite para seguir Jesus

(Mateus 8,19–22)

57Quando iam a caminho, houve alguém que disse a Jesus: «Irei contigo para onde quer que fores.» 58Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm tocas e as aves têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde encostar a cabeça.» 59Depois disse a outro: «Segue-me.» Mas ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro fazer o funeral ao meu pai.» 60Jesus replicou: «Deixa os mortos enterrar os seus mortos, mas tu vai anunciar o reino de Deus61Houve outro que lhe disse: «Senhor, quero seguir-te, mas primeiro deixa-me ir despedir da família.» 62Jesus declarou: «Todo aquele que pega na charrua e olha para trás não serve para o reino de Deus.»