a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
6

O Senhor contra o seu povo

61Ouçam agora o que diz o Senhor;

ele ordena-me que defenda a sua causa,

que a apresente em voz alta,

diante das montanhas e colinas.

2Escutem, montanhas, a queixa do Senhor;

prestem atenção, firmes alicerces da terra!

O Senhor acusa o seu povo;

entrou em discussão com Israel e pergunta:

3«Povo meu, que mal te fiz? Responde-me!

Como foi que te aborreci?

4Tirei-te do Egito;

livrei-te da terra da escravidão;

e enviei Moisés, Aarão e Míriam para te guiarem6,4 Ver Ex 15,20–21..

5Povo meu, vê se te lembras

dos projetos de Balac, rei de Moab,

e da resposta que lhe deu Balaão, filho de Beor;

lembra-te da viagem de Chitim até Guilgal6,5 Ver Nm 22—24; Js 3,1—4,24..

Lembra-te de tudo isso

e reconhecerás o que eu fiz para te salvar.»

O que o Senhor exige

6Que ofertas levarei ao Senhor, Deus do céu,

quando for adorá-lo?

Levarei bezerros de um ano,

para lhos oferecer em holocausto?

7Gostará o Senhor que eu lhe ofereça

milhares de carneiros ou de rios de azeite?

Devo oferecer-lhe o meu filho mais velho,

para poder expiar os meus crimes e pecados?

8Homem! O Senhor já te revelou o que estava bem;

o que ele exige de ti

é que pratiques a justiça,

que sejas fiel e leal

e que obedeças humildemente a Deus.

O Senhor castiga a fraude e a violência

9O Senhor dirige-se aos habitantes da cidade.

É sábio aquele que o ouve com respeito:

«Escutem, povo e conselheiros da cidade6,9 Cidade. Provavelmente Jerusalém. Seguimos a antiga tradução grega.!

10Na casa do homem mau

há tesouros adquiridos fraudulentamente.

Ele utiliza medidas falsas, o que é detestável.

11Poderia eu considerar inocentes

os que utilizam balanças e pesos falsos?

12Os ricos desta cidade recorrem à violência;

os seus habitantes mentem e enganam os outros.

13Por isso, vou castigar-te;

vou arruinar-te por causa dos teus pecados.

14Comerás, mas não ficarás satisfeito;

na tua casa sofrerão de fome.

Tentarás pôr os teus bens em lugar seguro,

mas não os salvarás;

e aquilo que conseguires salvar

farei com que seja destruído na guerra.

15Semearás, mas não colherás;

pisarás a azeitona,

mas não conseguirás tirar dela azeite;

pisarás as uvas,

mas não beberás o seu vinho.

16Tudo isto, porque seguiste

os maus exemplos do rei Omeri

e da família do rei Acab, seu filho.

Procederam do mesmo modo que eles,

por isso provocarei a ruína da tua cidade

e farei dos seus habitantes motivo de troça.

Sofrerão a vergonha que atingiu o meu povo.»

7

Corrupção moral de Israel

71Ai de mim! Sou como quem rebusca frutos,

depois da colheita,

como o que busca uvas, depois da vindima,

e não encontra nada para comer:

nem uvas nem figos tenros, de que tanto gosto.

2Desapareceram da terra os homens fiéis a Deus;

já não há gente honesta.

Todos espreitam o momento para fazer mal aos outros,

armando ciladas para os matarem.

3São mestres na arte de fazer mal.

Os chefes exigem recompensa,

os juízes deixam-se subornar,

os homens influentes manifestam abertamente a sua cobiça;

todos eles corrompem a cidade.

4O melhor dentre eles é como um tojo,

o mais justo, como uma sebe de espinheiro.

Mas chegou o dia do teu castigo,

anunciado pelas tuas sentinelas, os profetas.

Já reina a confusão entre o teu povo.

5Não acredites nas palavras do teu próximo,

nem confies em nenhum amigo.

Cuidado com o que falas com a tua mulher.

6Porque o filho trata o pai com desprezo,

a filha revolta-se contra a mãe,

a nora, contra a sogra;

os inimigos são os da própria família.

7Eu, porém, tenho esperança no Senhor,

ponho a minha confiança em Deus, que me salva;

e o meu Deus ouvirá o meu apelo.

Esperança e oração de Israel

8Nação, minha inimiga7,8 O profeta fala aqui, em nome do povo de Israel, contra Edom ou contra os inimigos em geral. Nos v. 11–13 dirige-se ao povo de Israel.,

não te rias da minha desgraça.

Ainda que tenha caído,

levantar-me-ei de novo;

ainda que esteja prostrado na escuridão,

o Senhor será a minha luz.

9Suportarei a ira do Senhor,

porque pequei contra ele;

entretanto ele defenderá a minha causa

e me fará justiça.

Ele me conduzirá para a luz

e me fará ver a sua generosidade.

10Também os meus inimigos o verão,

e isso há de cobri-los de vergonha.

Eles perguntavam: «Onde está o Senhor, teu Deus?»

Mas hei de vê-los, quando forem pisados

como a lama das ruas.

11Jerusalém, virá o dia

em que os teus muros serão reconstruídos;

nesse dia, as tuas fronteiras serão alargadas.

12Nesse dia, o teu povo virá de toda a parte:

da Assíria ao Egito, do Nilo ao Eufrates;

dum mar ao outro e duma montanha à outra.

13O resto do mundo será convertido em deserto,

por culpa dos seus habitantes,

como resultado da sua maldade.

14Guarda, Senhor, o teu povo,

como ovelhas do rebanho, que te pertence;

elas andam abandonadas no bosque

ainda que rodeadas de terra fértil.

Leva-as, como outrora aconteceu,

para as pastagens de Basã e de Guilead.

15Mostra-nos as tuas maravilhas7,15 Literalmente: Eu lhes mostrarei maravilhas. Daqui até ao v. 20, o profeta volta a falar em nome do povo. Ver nota anterior.,

como no tempo em que nos tiraste do Egito.

16Que as outras nações vejam isso,

e se cubram de vergonha,

apesar de todo o seu poder.

Que fiquem mudas e surdas de espanto.

17Que mordam o pó como serpentes

e como os outros répteis.

Que saiam das suas cidadelas,

tremendo, cheias de medo,

e recorrendo a ti, Senhor, nosso Deus!

Deus perdoa ao seu povo

18Ó Deus, não há outro deus como tu,

que esqueces e perdoas a rebeldia e os pecados

do que ainda resta do teu povo!

Tu não manténs a tua ira para sempre

e nos mostras com agrado o teu amor.

19Mais uma vez, tem compaixão de nós;

esquece os nossos crimes

e lança os nossos pecados no fundo do mar!

20Manifesta o teu amor e fidelidade

para com os descendentes de Abraão e de Jacob,

como prometeste aos nossos antepassados,

desde os tempos mais antigos.