a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Ameaças e organização da defesa

41Quando Sanebalat, Tobias, os árabes, os amonitas e os habitantes de Asdod souberam que os trabalhos de reconstrução avançavam e já se começavam a tapar as brechas das muralhas, enfureceram-se. 2Uniram-se todos, para virem atacar Jerusalém e fazer-nos mal.

3Orámos então ao nosso Deus e colocámos homens de guarda, dia e noite, para nos defendermos deles. 4E o povo de Judá dizia:

«Os carregadores estão sem força

perante tal quantidade de escombros.

Nós não somos capazes

de reconstruir a muralha.»

5Pensavam os nossos inimigos que nós não daríamos conta, nem veríamos nada até chegarem ao meio de nós, para nos matarem e obrigarem a parar as obras. 6Mas os judeus que habitavam no meio deles vieram várias vezes avisar-nos de que os nossos inimigos viriam atacar-nos por todos os lados. 7Coloquei então os soldados do povo, distribuídos segundo os seus clãs, por trás das muralhas, nos sítios onde não estavam ainda concluídas, com espadas, lanças e arcos. 8Depois de tudo haver inspecionado, tive de levantar a voz para dizer aos chefes, aos responsáveis e a todos os presentes: «Não tenham medo deles! Lembrem-se que o Senhor é grande e terrível! Lutem pelos vossos compatriotas, pelos vossos filhos e filhas, pelas vossas mulheres e pelas vossas casas!»

Operários e soldados

9Os nossos inimigos vieram a saber que nós estávamos ao corrente de tudo e que Deus lhes tinha frustrado os seus planos. Voltámos então a trabalhar na muralha, desempenhando cada um a sua tarefa. 10A partir de então, metade dos meus homens trabalhava nas muralhas e a outra metade estava com armas: com lanças, escudos, arcos e couraças. E os nossos chefes davam o seu apoio ao povo de Judá 11que trabalhava na reconstrução das muralhas. Os que transportavam os materiais, com uma das mãos trabalhavam e com a outra empunhavam a arma. 12Todos os pedreiros tinham a espada à cintura, enquanto reconstruíam. E um tocador de trombeta acompanhava-me sempre. 13É que eu tinha dito aos chefes, aos responsáveis e a todos os presentes: «A obra é grande e extensa e nós estamos separados sobre a muralha e distantes uns dos outros. 14Por isso, onde quer que ouçam o som da trombeta, juntem-se a mim e o nosso Deus lutará pelo nosso lado.» 15Era desta forma que nós trabalhávamos na obra, desde o romper da manhã até ao cair da noite, enquanto metade do pessoal empunhava armas.

16Naquela mesma ocasião, dei ordens para que todos, mesmo os ajudantes, passassem a noite dentro de Jerusalém, para assim guardarem a cidade durante a noite, e poderem trabalhar durante o dia. 17Nem eu, nem os meus companheiros, os meus colaboradores e os homens de guarda que me seguiam, tirávamos a roupa que vestíamos e cada um conservava a arma na mão4,17 Ou: não tirávamos a roupa que vestíamos a não ser para tomarmos banho..

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Queixas do povo

51Aconteceu também que se levantavam grandes queixas do povo, tanto de homens como de mulheres, contra os seus irmãos judeus. 2Não faltava de facto quem dissesse: «Temos muitos filhos e filhas e precisamos de trigo para comermos e podermos viver.» 3Outros diziam: «Temos de hipotecar os nossos campos, as nossas vinhas e as nossas casas, para conseguirmos trigo e não morrermos à fome.» 4Havia ainda quem acrescentasse: «Nós temos de pedir dinheiro emprestado para pagar os impostos ao rei, hipotecando as nossas terras e vinhas. 5E, no entanto, somos da mesma raça dos nossos compatriotas e os nossos filhos são como os filhos deles. Apesar disso, temos de sujeitar à escravidão os nossos filhos e as nossas filhas. Aliás, algumas das nossas filhas já são escravas e não podemos fazer nada para evitar isso, pois os nossos campos e as nossas vinhas já pertencem a outros.»

6Quando ouvi aquelas queixas e aquelas palavras, fiquei profundamente irritado. 7Pensei no caso comigo mesmo e repreendi os chefes e responsáveis, por imporem uma tal usura aos seus compatriotas. Convoquei uma grande assembleia por causa deles, 8e disse: «Nós resgatámos, conforme pudemos, os nossos compatriotas judeus que tinham sido vendidos aos pagãos e agora tornam a vendê-los a pessoas do nosso povo, para termos de os resgatar outra vez?» Eles não tiveram palavras para responder. 9E disse-lhes mais: «O que estão a fazer não está bem! Tinham obrigação de respeitar o nosso Deus e evitar que os pagãos, nossos inimigos, fizessem pouco de nós. 10Também eu mesmo, os meus companheiros e colaboradores lhes emprestámos dinheiro e trigo. Pois bem! Perdoemos essas dívidas. 11Restituam-lhes hoje mesmo os seus campos, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, e perdoem-lhes as dívidas que eles contraíram, seja em dinheiro seja em trigo, em vinho ou azeite.» 12Eles responderam: «Vamos restituir e não receberemos mais nada deles. Faremos como disseste!» Convoquei então os sacerdotes à sua presença e fiz-lhes jurar o que prometeram. 13Além disso, sacudi o meu manto e disse: «Que Deus sacuda também para fora da sua casa e das suas propriedades todo aquele que não cumprir este juramento. Que assim seja sacudido de tudo o que agora possui.»

Toda a multidão exclamou «assim seja» e deu louvores ao Senhor. E o povo cumpriu a sua promessa.

O exemplo de Neemias

14Durante os doze anos em que fui governador do país de Judá, ou seja desde o ano vinte até ao ano trinta e dois do rei Artaxerxes, nem eu nem os meus colaboradores fizemos uso da pensão que me pertencia como governador. 15Até então, os governadores que estiveram antes de mim foram um peso para o povo, pois recebiam quarenta moedas de prata, além da comida e do vinho. Até os seus empregados oprimiam o povo. Eu porém não procedi assim, por respeito para com Deus. 16Pelo contrário, entreguei-me à reconstrução da muralha e não comprei qualquer propriedade. Quanto aos meus empregados, todos eles estiveram unidos comigo neste trabalho. 17E eu tinha que sustentar cento e cinquenta pessoas, gente do povo judeu e funcionários, além daqueles que, dos povos vizinhos, vinham ter comigo. 18Preparava-se diariamente um boi, seis ovelhas escolhidas e aves, e de dez em dez dias havia vinho em abundância. Apesar disso, nunca reclamei a pensão a que tinha direito como governador, pois já era bem pesada a carga que pesava sobre o povo.

19«Ó meu Deus, toma em conta, para meu bem, tudo o que fiz por este povo.»

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Ciladas contra Neemias

61Quando Sanebalat, Tobias, Guéchem, o árabe, e os outros nossos inimigos souberam que eu tinha reconstruído a muralha e que já não havia brechas, embora nessa altura ainda não tivesse colocado as portas, 2Sanebalat e Guéchem enviaram mensageiros a convidar-me para termos um encontro em Cafirim, no vale de Ono. Na verdade, o que eles pensavam era fazer-me mal. 3Enviei-lhes então mensageiros com esta resposta: «Estou ocupado numa obra muito importante e, por isso, não posso ir ter convosco. Se eu for ter convosco, a obra deixa de avançar.» 4Quatro vezes me mandaram dizer a mesma coisa e eu dei-lhes sempre a mesma resposta. 5Sanebalat enviou-me ainda pela quinta vez o mesmo recado, desta vez pelo seu empregado, que trazia em mão uma carta aberta, 6onde se lia: «Consta, entre os não-judeus, e Guéchem também o confirma, que tu e os judeus pensam revoltar-se e que, por isso, estão a reconstruir a muralha. Segundo tais rumores, tu irás ser rei 7e até já estabeleceste profetas, para proclamarem em Jerusalém que tu és rei de Judá. Naturalmente estas coisas hão de chegar ao conhecimento de Artaxerxes. Por tal razão, comparece para conversarmos os dois a tal respeito.» 8Mandei-lhe dizer: «Não é verdade nada do que dizes! Tu é que tiraste isso da tua cabeça!»

9Era assim que todos eles tentavam desanimar-nos, para nos levarem a abandonar o trabalho.

«Ó Senhor, dá-me coragem!»

10Certa ocasião fui a casa de Chemaías, filho de Delaías e neto de Metabiel, porque ele não podia sair de casa. Disse-me ele então: «Encontremo-nos no templo de Deus, dentro do santuário, e fechemos as portas, porque nesta noite virão para te matar.» 11Mas eu respondi-lhe: «Um homem como eu não foge. Além disso, um homem como eu não pode entrar no santuário e ficar com vida. Não farei uma coisa dessas.» 12Pensando nisto, dei conta de que não era Deus que falava por meio dele, mas dizia aquilo a meu respeito, porque Tobias e Sanebalat lhe tinham pago para isso. 13Mas por que é que lhe pagavam? Era para me assustarem e levarem a fazer um pecado, se eu seguisse o seu conselho. Desta forma destruíam a minha reputação e cobriam-me de vergonha.

14«Ó meu Deus, lembra-te do que fizeram Tobias e Sanebalat! Recorda-te também da profetisa Noadias e dos outros profetas que procuravam intimidar-me.»

Conclusão da muralha

15Aos vinte e cinco do mês de Elul, ou seja após cinquenta e dois dias de trabalho, a muralha ficou concluída. 16Quando os nossos inimigos das nações vizinhas souberam disso, atemorizaram-se e ficaram muito humilhados, porque reconheceram que esta obra tinha sido realizada com a ajuda do nosso Deus. 17Houve também naquela altura muita correspondência entre pessoas importantes de Judá e Tobias. 18É que muitos em Judá estavam ligados a Tobias por juramento, por ser genro de Checanias, filho de Ara. O seu filho Joanan estava casado com a filha de Mechulam, filho de Berequias. 19Até diziam bem dele na minha presença, para lhe irem contar as minhas reações. Tobias, por sua vez, mandava as suas cartas para me assustar.