a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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301Moisés comunicou aos israelitas tudo o que o Senhor lhe tinha ordenado30,1 Em algumas traduções, o v. 1 do cap. 30 é numerado como 29,40 e os v. 2–17 do cap. 30 são numerados como 30,1–16..

Normas sobre as promessas

2Moisés comunicou ainda aos chefes das tribos de Israel outras ordens do Senhor: 3«Quando um homem fizer uma promessa em honra do Senhor, ou assumir para si mesmo um compromisso por juramento, não deve faltar à palavra; deve cumprir tudo exatamente como prometeu30,3 Ver Dt 23,22–24; Mt 5,33..

4Quando uma mulher fizer uma promessa ao Senhor ou assumir um compromisso, sendo ainda solteira e vivendo em casa de seu pai, 5se o pai, ao saber da promessa ou do compromisso que ela assumiu, não diz nada, então essa promessa ou compromisso mantém-se de pé. 6Mas se, ao saber da promessa ou do compromisso assumido pela filha, o pai não concorda com isso, ficam sem valor. E o Senhor perdoa a promessa à filha, porque o pai não esteve de acordo.

7E se ela se casar, estando ainda obrigada a uma promessa ou a um compromisso que assumiu sem refletir, 8e se o marido, ao saber disso, não disser nada, então a sua promessa ou o compromisso mantêm-se de pé. 9Mas se o marido, ao saber disso, não concorda, então fica nula a promessa a que ela estava obrigada e o compromisso que ela assumiu. O Senhor perdoa-lhos.

10As promessas feitas por uma mulher viúva ou divorciada ou os compromissos assumidos por ela permanecem válidos.

11Se uma mulher casada fizer uma promessa ou assumir um compromisso sob juramento 12e se o seu marido, ao saber disso, o não desaprova, as suas promessas e compromissos assumidos mantêm-se de pé e fica obrigada a eles. 13Mas se, ao saber dos compromissos que ela assumiu ou das promessas a que se obrigou, o marido os quiser anular, ficam anulados. E uma vez que o marido os anulou, o Senhor perdoa-lhos.

14Todas as promessas ou juramentos de fazer uma penitência qualquer podem ser aprovados ou anulados pelo marido. 15Se o marido se calar durante algum tempo30,15 Ou: durante dois dias., depois de ter sabido das promessas dela ou dos compromissos que assumira, faz com que eles se tornem válidos. 16E se, mais tarde, os quiser anular, fica ele com a culpa de ela os não cumprir.»

17Estas foram as normas que o Senhor deu a Moisés sobre o poder do marido relativamente à mulher e do pai relativamente à filha, enquanto ela vive, ainda solteira, em casa do pai.

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Guerra contra os madianitas

311O Senhor disse a Moisés: 2«Primeiro deves fazer com que os israelitas se vinguem dos madianitas31,2 Ver cap. 25, em especial os v. 17–18. e depois irás juntar-te aos teus antepassados, que morreram.»

3Moisés disse então ao povo: «Dos vossos homens preparem um exército para a guerra e mandem-nos ir atacar os madianitas, para se vingarem deles, em nome do Senhor. 4Cada uma das tribos deve mandar mil homens para a guerra.»

5E assim se juntaram doze mil homens armados para a guerra, sendo mil de cada uma das tribos.

6Moisés mandou-os para a batalha, mil por cada tribo, às ordens de Fineias, filho do sacerdote Eleazar, que levava os objetos sagrados31,6 Trata-se talvez dos dados sagrados, Urim e Tumim; ver Ex 28,30 e nota. e os cornetins, para o toque de guerra. 7Os israelitas atacaram os madianitas, como o Senhor tinha mandado a Moisés, e mataram todos os seus homens. 8Entre os que foram mortos estavam também os cinco reis da região de Madiã: Evi, Reguem, Sur, Hur e Reba. E também mataram à espada Balaão filho de Beor. 9Quanto às mulheres e crianças, os israelitas levaram-nas como prisioneiras e saquearam tudo, os animais, gados e riquezas. 10Incendiaram todas as cidades e aldeias 11e recolheram os despojos, pessoas e animais. 12Levaram tudo a Moisés e ao sacerdote Eleazar e à comunidade dos israelitas, que se encontravam nas planícies de Moab, junto do Jordão, em frente de Jericó.

13Moisés, o sacerdote Eleazar e os chefes da comunidade saíram ao encontro deles, fora do acampamento. 14Moisés ficou muito irritado contra os comandantes das tropas, chefes dos grupos de mil, de cem e de cinquenta soldados, que regressavam da guerra 15e disse-lhes: «Por que não mataram as mulheres? 16Foram precisamente elas que no caso de Balaão, levaram os israelitas a afastar-se do Senhor e a adorarem o deus Baal em Baal-Peor31,16 Este aspeto não foi contado no cap. 25., o que provocou uma grande mortandade no povo do Senhor. 17Portanto, matem todos os rapazes e crianças e as mulheres que são ou foram casadas. 18Quanto às raparigas solteiras, conservem-lhes a vida e guardem-nas para vocês. 19Quanto aos que mataram alguém ou tocaram nas vítimas, fiquem fora do acampamento durante sete dias e purifiquem-se no terceiro e no sétimo dia, juntamente com as vossas prisioneiras. 20Purifiquem também as roupas e objetos de couro, de pele de cabra ou de madeira.»

21O sacerdote Eleazar disse aos que vinham da guerra: «Estas são as normas da lei que o Senhor deu a Moisés: 22ouro, prata, bronze, ferro, estanho ou chumbo, 23tudo o que resistir ao fogo, devem passá-lo pelo fogo e lavá-lo com a água da purificação31,23 Ver 19,9.. E aquilo que não resistir ao fogo devem lavá-lo com água. 24No sétimo dia, lavem as vossas roupas e ficarão ritualmente puros. Depois disso, podem entrar no acampamento.»

Repartição dos despojos

25O Senhor disse a Moisés: 26«Tu e o sacerdote Eleazar e os chefes de clã da comunidade façam as contas dos despojos que trouxeram, tanto das pessoas como dos animais. 27E dividam os despojos a meio: metade para os soldados que foram à batalha e metade para o resto da comunidade. 28Da parte dos soldados, retira, como tributo para o Senhor, uma cabeça por cada quinhentas, tanto das pessoas como dos animais, bois, burros ou ovelhas. 29Essa parte entrega-a ao sacerdote Eleazar; é o tributo para o Senhor. 30Da metade destinada aos israelitas, retira um por cinquenta, tanto das pessoas como dos animais, bois, burros, ovelhas e de toda a espécie de animais, e entrega-os aos levitas, encarregados da guarda do santuário do Senhor

31Moisés com o sacerdote Eleazar fez o que o Senhor lhe tinha mandado. 32O total dos despojos que os guerreiros israelitas recolheram foi de seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas, 33setenta e dois mil bois, 34sessenta e um mil burros 35e trinta e duas mil mulheres solteiras.

36A metade que correspondia aos soldados que foram à batalha era, portanto, de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas, 37ficando seiscentas e setenta e cinco como tributo para o Senhor; 38dos trinta e seis mil bois, ficaram setenta e dois como tributo para o Senhor; 39dos trinta mil e quinhentos burros ficaram sessenta e um como tributo para o Senhor; 40e das dezasseis mil pessoas ficaram trinta e duas como tributo para o Senhor.

41Moisés entregou a parte que ficava como tributo para o Senhor ao sacerdote Eleazar tal como o Senhor tinha mandado.

42A outra metade, que Moisés tinha separado do que tocava aos soldados e atribuiu à comunidade dos israelitas, 43era igualmente de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas, 44trinta e seis mil bois, 45trinta mil e quinhentos burros 46e dezasseis mil mulheres solteiras. 47Desta metade, Moisés retirou um por cada cinquenta, tanto das pessoas como dos animais, e entregou-os aos levitas, encarregados da guarda do santuário do Senhor, tal como o Senhor lhe tinha mandado.

48Então os comandantes do exército, que tinham estado à frente dos grupos de mil, e de cem soldados, foram ter com Moisés 49e disseram-lhe: «Estivemos a contar os soldados que estavam à nossa responsabilidade e vimos que não falta nenhum. 50Por isso, queremos oferecer ao Senhor os objetos de ouro, que cada um de nós encontrou: braceletes, pulseiras, anéis, brincos e colares. Oferecemo-los ao Senhor em reconhecimento, por nos ter salvado a vida.»

51Moisés e o sacerdote Eleazar aceitaram o ouro que eles ofereceram, tudo joias finamente trabalhadas. 52Este ouro oferecido pelos chefes dos grupos de mil e de cem soldados, como tributo para o Senhor, totalizou cerca de cento e setenta quilos. 53Era o que os soldados tinham recolhido para si mesmos. 54Moisés e o sacerdote Eleazar receberam o ouro dos chefes de mil e de cem soldados e levaram-no para a tenda do encontro, ficando como memorial, para que o Senhor se lembrasse dos israelitas.

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Instalação das tribos de Rúben e Gad

321As tribos de Rúben e Gad tinham muito gado. Vendo que a região de Jazer e a de Guilead32,1 Jazer e Guilead: Territórios situados a leste do Jordão, separados pela ribeira de Jaboc. eram excelentes para a criação de gado, 2foram ter com Moisés, com o sacerdote Eleazar e com os chefes da comunidade e disseram-lhes: 3«As regiões de Atarot, Dibon, Jazer, Nimerá, Hesbon, Elalé, Sebam, Nebo e Beon, 4que o Senhor conquistou a favor da comunidade dos israelitas, são regiões boas para gado. E nós, teus servos, temos muitos animais! 5Faz-nos um favor! Que esta terra fique a ser nossa propriedade e já não teremos de atravessar o Jordão.»

6Moisés respondeu aos descendentes de Rúben e Gad: «Então os vossos irmãos vão para a guerra e vocês ficam aqui? 7Por que é que hão de desanimar os outros israelitas, para não entrarem na terra que o Senhor lhes vai dar? 8Isso foi o que fizeram os vossos antepassados, quando os mandei de Cadés Barneia a explorar o país: 9foram até ao vale de Escol, viram a terra e, depois, foram desanimar os israelitas, para eles não entrarem na terra que o Senhor lhes vai dar32,9 Sobre os v. 8–9, ver 13,17–33.. 10Naquele dia, o Senhor ficou muito indignado e jurou 11que os homens que saíram do Egito com mais de vinte anos de idade não chegariam a ver a terra que ele tinha prometido a Abraão, a Isaac e a Jacob, porque o povo não lhe foi fiel. 12Somente Caleb, filho de Jefuné, descendente de Quenaz, e ainda Josué, filho de Nun, fizeram exceção, porque lhe foram inteiramente fiéis. 13O Senhor ficou muito irado com os israelitas e obrigou-os a vaguear pelo deserto, durante quarenta anos, até ter desaparecido toda aquela geração, que tinha desagradado ao Senhor. 14E agora querem mostrar que pertencem à raça de homens pecadores que foram os vossos pais, fazendo com que o Senhor fique ainda mais indignado contra os israelitas? 15Se se afastarem dele, ele vai deixar-vos ficar mais uma vez no deserto e vocês serão os culpados da destruição deste povo.»

16Eles aproximaram-se mais de Moisés e disseram: «Só queremos construir aqui currais para os nossos rebanhos e cidades para os nossos filhos. 17Depois iremos armados à frente dos israelitas, lutando até os ajudarmos a instalar-se no seu lugar, enquanto os nossos filhos ficam seguros em cidades fortificadas, a salvo dos que vivem nesta região. 18Nós não voltaremos para nossas casas, enquanto cada israelita não tiver ocupado a propriedade que lhe é destinada. 19E não queremos para nós nenhuma propriedade a ocidente do Jordão, pois a nossa propriedade já está em nosso poder, a oriente do Jordão.»

20Moisés respondeu-lhes: «Se assim fizerem, se forem armados à frente dos vossos irmãos, para a batalha, 21se todos os vossos homens de armas atravessarem o Jordão, à frente do Senhor, até que ele afaste todos os seus inimigos da sua frente 22e o país tenha sido conquistado para o Senhor, então poderão voltar, pois já não estarão em obrigação para com o Senhor nem para com os israelitas. Esta terra será então vossa propriedade, com a aprovação do Senhor. 23Mas se não fizerem assim, fiquem a saber que cometem um pecado contra o Senhor e que algum dia terão de pagar por esse pecado. 24Portanto, construam cidades para os vossos filhos e currais para os vossos gados e cumpram com a vossa promessa.»

25Os descendentes de Rúben e de Gad responderam a Moisés: «Nós somos teus servos e queremos fazer como nos mandas; 26as nossas crianças, as nossas mulheres e os nossos animais e gados ficarão aqui nas cidades de Guilead 27e todos os nossos homens armados irão para a batalha, às ordens do Senhor, tal como nos ordenaste.»

28Moisés deu as seguintes instruções a respeito deles ao sacerdote Eleazar e a Josué, filho de Nun, e aos chefes de clã das tribos israelitas: 29«Se os descendentes de Gad e de Rúben passarem convosco o rio Jordão armados, para lutar às ordens do Senhor, e conseguirem conquistar aquela terra, devem dar-lhes a terra de Guilead como propriedade. 30Mas se eles não forem convosco armados, então têm que ficar com uma propriedade ao vosso lado, na terra de Canaã32,30 A instalação em Canaã seria um castigo, porque seria talvez menos útil para a criação de gado.

31Os descendentes de Gad e de Rúben responderam: «Faremos o que o Senhor nos mandou. 32Vamos passar armados para a terra de Canaã, às ordens do Senhor, e ficaremos com a nossa propriedade a oriente do Jordão32,32 Sobre os v. 28–32, ver Js 1,12–15.

33Moisés entregou aos descendentes de Gad e de Rúben e a metade da tribo de Manassés, filho de José, os territórios de Seon, rei dos amorreus, e de Og, rei de Basã, com todas as suas cidades e povoações e os campos que as rodeavam.

34Os descendentes de Gad e de Rúben reconstruíram Dibon, Atarot, Aroer, 35Atarot-Chofan, Jazer, Jogboa, 36Bet-Nimerá, Bet-Haran; fizeram delas cidades fortificadas e construíram currais para os rebanhos. 37Os descendentes de Rúben reconstruíram Hesbon, Elalé, Quiriataim, 38Nebo, Baal-Meon e Sibma e puseram nomes novos às povoações que reconstruíram.

39Os descendentes de Maquir, filho de Manassés, foram conquistar Guilead e apoderaram-se dela, expulsando os amorreus que lá viviam. 40Moisés entregou Guilead aos descendentes de Maquir, filho de Manassés, e este estabeleceu-se ali.

41Os descendentes de Jair, filho de Manassés, apoderaram-se de algumas aldeias dos amorreus, que ficaram a chamar-se, desde então, Aldeias de Jair.

42Noba apoderou-se de Quenat e das povoações à sua volta e pôs-lhe o seu próprio nome, Noba.