a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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91Então o quinto anjo tocou a sua trombeta. Vi uma estrela que tinha caído do céu sobre a terra e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. 2A estrela abriu o poço e de lá de dentro saiu fumo, parecido com o de uma grande fornalha. O Sol e o ar escureceram por causa do fumo. 3E do fumo saíram gafanhotos que se espalharam pela terra e receberam um poder igual ao dos escorpiões. 4E deram-lhes ordem para não fazerem mal à erva, nem aos arbustos, nem às árvores, mas apenas às pessoas que não foram marcadas na fronte com o selo de Deus. 5Foi-lhes proibido matar essas pessoas. Apenas as podiam torturar durante cinco meses e a dor causada é como a da picada de um escorpião. 6Durante aquele tempo, as pessoas hão de procurar a morte, mas não conseguirão encontrá-la. Desejarão morrer, mas a morte há de fugir-lhes.

7Estes gafanhotos pareciam-se com cavalos dispostos para a batalha. Na cabeça traziam uma espécie de coroas de ouro e tinham rosto humano. 8Tinham cabelos compridos como os das mulheres e dentes como os dos leões. 9Tinham o peito coberto com uma espécie de couraça de ferro. O ruído das suas asas era parecido com o de carros puxados por muitos cavalos quando correm para a batalha. 10Tinham ainda caudas e ferrões de escorpião e com a cauda podiam fazer mal às pessoas durante cinco meses. 11O seu rei é o anjo do abismo que em hebraico é chamado Abadon e em grego Ápolion. 12Este primeiro castigo já passou mas hão de vir ainda mais dois.

13A seguir o sexto anjo tocou a trombeta. Ouvi uma voz que vinha dos quatro cantos do altar de ouro que se encontra diante de Deus. 14A voz disse ao sexto anjo que tinha a trombeta: «Põe em liberdade os quatro anjos que estão presos junto do grande rio Eufrates.» 15Os quatro anjos foram libertados para matar uma terça parte da Humanidade, numa determinada hora, dia, mês e ano.

16Ouvi dizer que o número dos seus soldados a cavalo era de duzentos milhões.

17Pude ver então como eram os cavalos e os cavaleiros. Os cavaleiros tinham couraças com a cor de fogo, de jacinto e de enxofre. As cabeças dos cavalos eram como cabeças de leão, e da boca dos cavalos saía fogo, fumo e enxofre. 18A terça parte da Humanidade foi morta por estas três coisas: o fogo, o fumo e o enxofre que saíam da boca dos cavalos. 19É que a força daqueles cavalos estava na boca e na cauda. A cauda era igual à das serpentes que têm cabeças, com as quais fazem mal às pessoas.

20Mas o resto da Humanidade, os que não foram mortos por estes castigos, não se arrependeram das obras das suas mãos, por continuarem a adorar os demónios e os ídolos de ouro9,20 Sobre o culto aos ídolos, ver Dt 32,17; Dn 5,4.23; Sl 115,5–7., prata, bronze, pedra e de madeira, que não podem ver nem ouvir nem andar. 21Não se arrependeram dos seus homicídios, feitiçarias, imoralidades e roubos.

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O pequeno livro

101Vi ainda um outro anjo, cheio de força, que descia do céu rodeado duma nuvem e com o arco-íris à volta da cabeça. O seu rosto era como o Sol e as pernas como colunas de fogo. 2Trazia na mão um pequeno livro10,2 Ver Ez 2,8—3,3. aberto. Pôs o pé direito no mar e o esquerdo na terra. 3Deu um grito forte como o rugido dum leão e imediatamente responderam os sete trovões.

4E quando os sete trovões se fizeram ouvir, eu pensei escrever, mas ouvi uma voz do céu que dizia: «Guarda em sigilo aquilo que os sete trovões disseram e não o escrevas10,4 Ver Dn 8,26; 12,4.9.

5Então o anjo que eu tinha visto de pé, em cima do mar e da terra, levantou a mão direita para o céu, 6jurou por aquele que vive por todo o sempre, que criou o céu, a terra e o mar e tudo quanto neles existe, e disse: «O tempo terminou10,6 Ver 8,6 e nota.! 7Mas só quando o sétimo anjo fizer ouvir a sua trombeta se completará o plano misterioso10,7 Ver Rm 16,25; 1 Co 2,7; Ef 1,9; 3,3–5; 6,19; Cl 1,26–27; 2,2; 4,3. que Deus anunciou aos seus servos, os profetas

8E a voz do céu, que eu antes tinha ouvido, voltou a falar-me e disse: «Pega no pequeno livro aberto que está na mão do anjo, que se encontra de pé em cima do mar e da terra.»

9Fui ter com o anjo e pedi-lhe que me desse o livro. Ele respondeu-me: «Pega nele e come-o. Há de azedar-te no estômago, mas na boca vai saber-te a mel10,9 Ver Ez 3,3.10Recebi o livro da mão do anjo e comi-o. Na boca, era doce como o mel, mas depois de o provar deixou-me o estômago azedo.

11Disseram-me então: «É preciso que continues a profetizar contra muitos povos, nações, línguas e reinos.»

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As duas testemunhas

111Depois foi-me entregue uma régua semelhante a uma vara e disseram-me: «Levanta-te e vai medir o templo de Deus e o altar e conta aqueles que lá prestam culto. 2Mas deixa de lado e não meças o recinto exterior do templo, pois foi entregue às nações pagãs que hão de calcar aos pés a cidade santa11,2 Ver Sl 79,1; Is 63,18; Lc 21,24. durante quarenta e dois meses11,2 Ou seja, três anos e meio, o que equivale a 1260 dias. Ver Dn 7,25; 12,7; Ap 12,6.14; 13,5.. 3E hei de enviar as minhas duas testemunhas, vestidas de luto, que hão de profetizar durante estes mil duzentos e sessenta dias.»

4Estas duas testemunhas são as duas oliveiras11,4 Ver Zc 4,3; 4,11–14. e os dois candelabros que estão na presença do Senhor da Terra. 5Se alguém lhes quiser fazer mal, saiba que da boca deles sairá fogo para destruir os seus inimigos e se alguém tentar fazer-lhes mal morrerão da mesma maneira.

6Eles têm poder para fechar o céu, de maneira que não chova durante o tempo da sua pregação. Têm também poder para transformar a água em sangue e para castigar a Terra com toda a espécie de castigos, sempre que assim o desejarem.

7Quando acabarem a sua pregação, a besta que sai do Abismo11,7 Ver Dn 7,3; Ap 13,1; 17,8. há de atacá-los, vencê-los e matá-los. 8Os seus cadáveres ficarão nas ruas da grande cidade que simbolicamente se chama Sodoma e Egito11,8 Sodoma. Simboliza a depravação moral. Egito. Simboliza a opressão., onde também o Senhor deles foi crucificado.

9Durante três dias e meio, gente de todos os povos, raças, línguas e nações verão os seus cadáveres e não deixarão que os sepultem. 10Os habitantes da Terra ficarão contentes com a morte destas duas testemunhas. Sentirão alegria e enviarão presentes uns aos outros, porque estes dois profetas os tinham feito sofrer muito.

11Mas ao fim de três dias e meio, o sopro da vida que vem de Deus entrou neles e puseram-se de pé, e o terror apoderou-se de quantos os contemplaram. 12Ouviram então uma voz forte que vinha do céu e lhes disse: «Subam até aqui!» E eles subiram ao céu numa nuvem, à vista dos seus inimigos.

13Naquele momento houve um grande terramoto. Uma décima parte da cidade foi destruída e sete mil pessoas morreram no terramoto. Os sobreviventes ficaram cheios de medo e glorificaram o Deus do Céu.

14Assim passou o segundo castigo. Mas o terceiro já está a chegar.

A sétima trombeta

15O sétimo anjo tocou a trombeta e ouviram-se aclamações no Céu:

«Chegou o reino do mundo,

o de nosso Senhor

e do seu Messias

que há de reinar por todo o sempre!»

16Os vinte e quatro anciãos11,16 Ver 4,4.10; 7,11. que estão sentados nos seus tronos, diante de Deus, inclinaram-se até ao chão e adoraram Deus, 17dizendo:

«Damos-te graças, Senhor Deus Todo-Poderoso,

tu que és e que eras11,17 Deus é o Senhor da história passada, presente e futura, em contraste com o ser dos reis terrestres, passageiros e efémeros. Ver 1,4; 4,8.,

porque recebeste o teu grande poder

e estabeleceste o teu reinado!

18Os povos enfureceram-se,

mas esta é a hora da tua ira:

é o momento de julgares os mortos

e de recompensares os profetas, teus servos,

os teus santos e os que te respeitam,

tanto grandes como pequenos.

Chegou o momento de destruíres aqueles que destroem a Terra!»

19Abriram-se então as portas do templo de Deus, no Céu, e foi vista a arca da sua aliança no santuário. Nisto, houve relâmpagos, estrondos, trovões, um terramoto e uma tempestade de granizo.