a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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A mulher e o dragão

121Foi visto no céu um sinal extraordinário: era uma mulher, vestida de sol12,1 Ver Sl 104,2; Ct 6,10., com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. 2Estava grávida e quase a dar à luz12,2 Ver Is 66,7–8. Mq 4,9–10.. Por isso gritava com dores de parto.

3Depois foi visto no céu outro sinal. Era um grande dragão12,3 A luta entre a mulher e o dragão foi anunciada no paraíso terrestre (Gn 3,15). A mulher é Eva e é também toda a Humanidade; é sobretudo a Igreja como mãe dos cristãos (14,14.17). O menino é Jesus e todos os que o seguem (12,17). Ver Dn 7,7. de fogo vermelho com sete cabeças e dez chifres e uma coroa em cada cabeça. 4Com a cauda varreu uma terça parte das estrelas do céu e atirou-as para a Terra. Colocou-se diante da mulher que ia dar à luz, para lhe devorar o filho logo que nascesse. 5Ela deu à luz um menino, destinado a governar todas as nações com um bastão de ferro12,5 Ver Sl 2,9; Ap 2,27; 19,15.. Mas tiraram-lhe o filho e levaram-no para junto de Deus e do seu trono. 6A mulher fugiu para o deserto, para um lugar que Deus lhe tinha preparado, a fim de aí ser alimentada durante mil duzentos e sessenta dias12,6 Ver 11,2 e nota. A mulher que foge para o deserto representa o povo de Deus que sai do Egito e se refugia no deserto..

7Foi então que no céu se deu uma batalha. Miguel12,7 Ver Dn 10,13.21; 12,1. e os seus anjos declararam guerra ao dragão e, por sua vez, o dragão e os seus anjos responderam, 8mas foram vencidos e desapareceram do céu definitivamente. 9O grande dragão foi esmagado. Ele é a antiga serpente12,9 Ver Gn 3,1–5.15; Ap 20,2., aquele a quem chamam Diabo e Satanás, o sedutor de toda a gente. Ele e os seus anjos foram atirados para a Terra.

10Depois ouvi no céu uma voz forte que proclamava:

«Chegou a hora da salvação do poder

e do reinado do nosso Deus!

É a hora da autoridade do seu Messias!

É que foi vencido o acusador12,10 Ver Jb 1,6–12; 2,3–7; Zc 3,1–2. dos nossos irmãos,

o que os acusava de dia e de noite diante do nosso Deus.

11Os nossos irmãos venceram-no com o sangue do Cordeiro,

e com o testemunho da sua palavra,

e não se apegaram à sua vida nem diante da morte.

12Por tudo isto, alegrem-se os Céus,

e os que neles habitam!

Mas ai da terra e do mar,

porque o Diabo desceu contra vocês,

e está cheio de ira,

por saber que lhe resta muito pouco tempo.»

13Quando o dragão viu que tinha sido atirado para a Terra, começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. 14Mas foram dadas à mulher as duas asas de águia12,14 Ver Ex 19,4; Dt 32,11; Is 40,31. real, para voar para o seu lugar de refúgio, no deserto, onde ia ser alimentada durante três anos e meio12,14 Ver Ap 11,2 e nota., longe da serpente. 15A serpente vomitou da sua boca um rio de água12,15 Rio de água. Refere-se, em primeiro lugar, ao império romano. contra a mulher, para que o rio a engolisse. 16Mas a terra veio em ajuda da mulher: abriu a sua boca e engoliu a água que o dragão tinha vomitado. 17O dragão ficou enfurecido contra a mulher e por isso foi combater o resto da sua descendência12,17 Ver Gn 3,15; Dn 7,21; Ap 11,7., aqueles que guardam os mandamentos de Deus e se mantêm fiéis a Jesus.

18E o dragão parou à beira do mar.

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As duas bestas

131Vi ainda a besta que saía do mar com dez chifres e sete cabeças13,1 Dez chifres e sete cabeças. Símbolos do poder. Ver 17,9–10.12, onde se fala das 7 colinas (de Roma) e dos 7 reis do império.. Levava uma coroa em cada chifre e nas cabeças estava escrito um nome blasfemo contra Deus. 2A besta que eu vi era parecida com um leopardo, com patas como as dum urso e boca como a dum leão. O dragão entregou-lhe o seu poder13,2 O poder do império romano, na visão do Apocalipse, vem do dragão, Satanás, e não de Deus., o seu trono e a sua grande autoridade. 3Numa das cabeças parecia ter uma ferida mortal, mas a ferida estava curada13,3 Ferida mortal, ferida curada (13,3.12.14). Imagem dos imperadores que perseguem os cristãos, e morrem, mas depois são substituídos por outros. O seu poder parece imperecível. Por isso, a besta é adorada (14,9–11; 16,2; 19,20; 20,4).. A Terra inteira ficou maravilhada e foi atrás da besta. 4Adoraram o dragão por ter dado tal autoridade à besta e adoraram-na dizendo: «Quem se pode comparar com a besta para poder lutar contra ela?»

5À besta foi dado o poder para proferir palavras arrogantes e blasfemas contra Deus; e foi-lhe concedido fazê-lo durante quarenta e dois meses13,5 Quarenta e dois meses. Corresponde a três anos e meio.. 6Abriu a boca para blasfemar contra Deus, o seu nome e a sua morada, e os que habitam no Céu. 7Foi-lhe dado poder para lutar contra os santos e foi-lhe dada a autoridade para os vencer e para governar todas as raças, povos, línguas e nações. 8Todos os habitantes da Terra hão de adorá-la, exceto aqueles cujos nomes estão escritos desde o princípio do mundo no livro da vida13,8 Ver Ap 3,5; Ex 32,32–33; Sl 69,29; Dn 12,1; Lc 10,20; Ap 13,8; 17,8; 20,12.15; 21,27. do Cordeiro que foi morto13,8 Ver 5,6 e nota..

9Quem puder entender que entenda:

10Quem tiver de ir para a prisão, irá para a prisão.

Quem tiver de morrer à espada, morrerá à espada.

É a hora da coragem e da fé dos santos.

11Vi depois outra besta que saía da Terra. Tinha dois chifres como um cordeiro13,11 Cordeiro. Há oposição entre o falso cordeiro (Mt 7,15; Ap 16,13; 19,20; 20,10) e o Cordeiro morto de 5,6 e 13,8. O falso cordeiro, que fala como um dragão, são os falsos profetas que parecem operar maravilhas (13,13.14.15)., mas falava como um dragão. 12Ela exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Consegue que a Terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, a que tinha a ferida mortal curada. 13Esta segunda besta faz grandes prodígios; até mesmo o de fazer descer fogo do céu à Terra, à vista de toda a gente. 14Por causa dos prodígios que realiza na presença da primeira besta, consegue enganar os habitantes da Terra, levando-os a fazerem uma estátua em honra da besta que foi ferida à espada e que conseguiu sobreviver. 15Recebeu poder para dar vida à estátua da primeira besta, de maneira que esta estátua pudesse falar e condenar à morte os que não a querem adorar. 16A besta obrigou toda a gente a ser marcada com um sinal na mão direita ou na fronte, fossem eles grandes ou pequenos, ricos ou pobres, livres ou não. 17Assim, ninguém pode comprar ou vender, se não tiver esse sinal, o nome da besta ou o número correspondente ao seu nome13,17 A besta (império romano) obriga todos os cidadãos à sua dependência. Quem não adorar o imperador (14,9–11) tem de morrer (13,15). Os cristãos não podem comprar nem vender coisa alguma. Deste modo são marginalizados e votados ao ostracismo..

18Agora é preciso sabedoria: quem for inteligente decifre o número da besta, que é o número dum homem. E o seu número é seiscentos e sessenta e seis13,18 O número seis é símbolo de imperfeição, (7 menos 1). Logo o 666 é o máximo da imperfeição, que é o símbolo do imperador..

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O cântico dos escolhidos

141Na visão apareceu o Cordeiro que estava de pé sobre o Monte Sião. Com ele estavam cento e quarenta e quatro mil pessoas que tinham na fronte o nome do Cordeiro e o do seu Pai.

2Ouvi também uma voz que vinha do céu, como se fosse o ruído duma grande cascata ou o estrondo dum forte trovão. Mas a voz que eu ouvia era como a música dos tocadores de harpa. 3Os cento e quarenta e quatro mil cantavam um cântico novo14,3 Ver 5,9. diante do trono de Deus, diante dos quatro seres vivos14,3 Ver 4,6. e dos anciãos14,3 Ver 4,4; 7,11.. Ninguém podia aprender aquele cântico, a não ser os cento e quarenta e quatro mil que tinham sido resgatados da terra. 4Estes são os que não se mancharam com mulheres, pois são virgens. Eles seguem o Cordeiro para toda a parte. Foram resgatados por Deus entre os homens, os primeiros14,4 Primeiros. Ou: primícias. Ver Jr 2,3; Rm 16,5; 1 Co 16,15. oferecidos a Deus e ao Cordeiro. 5Nos seus lábios não há mentira. Eles são íntegros.

A mensagem dos três anjos

6Vi depois um outro anjo que voava muito alto. Tinha consigo uma boa nova de valor eterno para anunciar aos habitantes da Terra: a todas as nações, raças, línguas e povos. 7Ele proclamou com voz forte: «Temam a Deus e glorifiquem-no, pois chegou a hora do julgamento! Adorem aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas!» 8Ao primeiro anjo seguiu-se um segundo que dizia: «Já caiu, já caiu a grande Babilónia14,8 Sobre a Babilónia, ver Is 46,1–2; 47,1–15; Jr 50,29–32; 51,44–56; Zc 5,5–11; Dn 4,27; Ap 16,19; 17,5; 18,10–21; 1 Pe 5,13. Como em 1 Pe 5,13 o apelativo Babilónia refere-se, simbolicamente, a Roma. Assim como caiu a antiga Babilónia (Is 21,9; Jr 51,8), também a nova Babilónia há de cair.! A que embriagou todas as nações com o vinho do furor da sua imoralidade!»

9Um terceiro anjo seguiu-se aos outros dois e dizia com voz forte: «Quem adorar a besta e a sua estátua, e receber o seu sinal14,9 Ver 13,16. na fronte ou na mão, 10há de beber do vinho da ira de Deus, deitado sem qualquer mistura na taça14,10 Imagem da justiça e do juízo divino: Sl 75,9; Is 51,17–22; Jr 25,15; Ap 15,7; 16,19. da sua cólera. E há de ser atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e do Cordeiro. 11O fumo do seu tormento subirá sem nunca terminar. Os que adorarem a besta e a sua estátua ou trouxerem o sinal do seu nome não terão descanso nem de dia nem de noite.»

12É a hora da coragem dos santos que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.

13Ouvi então uma voz do céu que dizia: «Escreve: felizes os que de agora em diante morrerem em união com o Senhor! “Assim é”, responde o Espírito, pois hão de descansar das suas fadigas, porque as suas boas obras os acompanham.»

A ceifa e a vindima da Terra

14Depois vi uma nuvem branca e em cima da nuvem estava alguém sentado que era semelhante ao Filho do Homem14,14 Ver Ap 1,13; Dn 7,13.. Tinha uma coroa de ouro na cabeça e na mão uma foice afiada.

15Do templo saiu um outro anjo que disse em voz alta para aquele que estava sentado em cima da nuvem: «Lança a tua foice pois chegou a hora de ceifar porque a seara da Terra já está madura.» 16Então aquele que estava sentado na nuvem lançou a sua foice contra a Terra e esta foi ceifada. 17Saiu depois do templo do Céu mais um anjo, trazendo também ele uma foice afiada. 18Do altar saiu outro anjo que tinha poder sobre o fogo. Clamou em voz alta para o anjo de foice afiada: «Pega na tua foice afiada e vindima os cachos da vinha da Terra porque as uvas já estão maduras.» 19O anjo lançou a sua foice à Terra e vindimou a vinha da Terra e lançou as uvas no grande lagar14,19 Ver Is 63,1–6; Lm 1,15; Ap 19,15. da ira de Deus. 20As uvas foram esmagadas com os pés no lagar situado fora da cidade. E do lagar saía tanto sangue que chegava aos freios dos cavalos, numa extensão de trezentos quilómetros.