a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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O castigo de Deus

161Ouvi então uma voz forte que saía do santuário e que dizia aos sete anjos: «Derramem sobre a Terra as sete taças da ira de Deus16,1 Releitura histórica das pragas do Egito que, no entanto, não conseguem a conversão dos que adoram a besta. Ver 16,9.11.

2O primeiro anjo foi derramar a sua taça sobre a Terra. E apareceram chagas malignas e dolorosas nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua estátua.

3O segundo derramou a sua taça sobre o mar e a água do mar tornou-se como sangue de cadáveres e morreram todos os peixes que lá havia.

4O terceiro derramou a sua taça sobre os rios e as fontes, que se transformaram em sangue. 5Então ouvi o anjo que tinha poder sobre as águas a exclamar:

«Tu és justo; és aquele que é e que era; tu és o Santo,

por isso assim julgaste:

6Aos que derramaram o sangue dos santos e dos profetas

deste a beber sangue.

É o que eles merecem.»

7Ouvi também uma voz que vinha do altar:

«Na verdade, Senhor Deus, o Todo-Poderoso,

as tuas sentenças são verdadeiras e justas!»

8O quarto anjo derramou a sua taça sobre o Sol. E o Sol ficou tão ardente que abrasou a Humanidade. 9As pessoas sofreram grandes queimaduras e maldiziam o Senhor que com o seu poder tinha mandado tais castigos. Mesmo assim, não se arrependeram para darem glória a Deus.

10O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta e o reino desta ficou todo às escuras. E toda a gente mordia a língua de tanta dor. 11Maldiziam o Deus do Céu por causa de tanto sofrimento e de tantas feridas. Mesmo assim, não se arrependeram das suas más ações.

12O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates. O rio ficou seco, preparando-se assim o caminho para os reis do Oriente.

13Vi então três espíritos imundos, em forma de rãs, a saírem da boca do dragão, da boca da besta e da do falso Profeta. 14Estes espíritos são demónios e fazem sinais milagrosos. Eles vão ter com os reis de todo o mundo, com o fim de os juntarem para a batalha do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso.

15«Mas estejam atentos, porque eu chego de repente, como o ladrão. Feliz aquele que está de vigia e está vestido. Não terá que aparecer nu e ficar cheio de vergonha diante dos outros.»

16Os três espíritos reuniram os reis num lugar que em hebraico se chama Harmaguédon16,16 Harmaguédon. Montanha de Meguido e cidade com o mesmo nome, situada na extremidade oriental da cadeia montanhosa do Carmelo, teatro das grandes batalhas. Jz 5,19; 2 Rs 23,29..

17O sétimo anjo derramou a sua taça sobre o ar. Do interior do templo saiu uma voz muito forte que vinha do trono e dizia: «Está feito.» 18Aconteceram relâmpagos, estrondos, trovões e um grande tremor de terra. Desde que o homem existe, nunca houve um tremor de terra assim. 19A grande cidade ficou em três partes e as cidades de todos os povos ficaram destruídas. Recordaram-se daquilo que Deus tinha feito à grande Babilónia: Deus obrigou-a a beber a taça do seu vinho, que é o furor da sua cólera. 20Todas as ilhas se afundaram e os montes desapareceram. 21Grandes pedras de granizo, que pesavam até quarenta quilos, caíram do céu sobre a Humanidade. E os homens blasfemavam contra Deus por causa daquele granizo, que era uma terrível desgraça.

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A Grande Prostituta e a Besta

171Aproximou-se depois um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou-me assim: «Vem cá! Vou mostrar-te a sentença de condenação da Grande Prostituta17,1 Grande Prostituta. No Apocalipse simboliza Roma, a grande cidade, aquela que domina os reis da terra (17,18). Ver Is 1,21; 26,16–18; Ez 16,15–63; Os 2; 5,3. que vive junto das águas abundantes. 2Os reis da Terra cometeram pecado com ela e os habitantes da Terra embriagaram-se com o vinho da sua imoralidade.»

3Então o anjo transportou-me em espírito ao deserto. Vi lá uma mulher sentada em cima duma besta de cor escarlate, a qual estava coberta com nomes blasfemos contra Deus e tinha sete cabeças e dez chifres. 4A mulher tinha um vestido de púrpura e de escarlate e estava enfeitada com joias de ouro, com pedras preciosas e com pérolas. Segurava na mão uma taça de ouro, que estava cheia das indecências e da imundície da sua imoralidade. 5Na fronte tinha escrito este título misterioso: «A grande Babilónia, mãe das prostitutas e das indecências da Terra.» 6Reparei que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos que deram a sua vida por Jesus. Ao olhar para ela fiquei espantado com o que vi.

7O anjo disse-me: «Por que é que ficaste espantado? Vou explicar-te o significado da mulher e da besta de sete cabeças e dez chifres, que a transporta.

8A besta que tu viste existia, mas já desapareceu. Em breve sairá do abismo para sua destruição. E os habitantes da Terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a criação do mundo, hão de ficar espantados ao verem que a besta que primeiro existia e que depois deixou de existir vai aparecer outra vez17,8 Os que não são cristãos ficam espantados com o poder de Roma e seus sucessivos imperadores. Ver 13,3 e nota..

9Agora é preciso inteligência e sabedoria: as sete cabeças significam as sete colinas em que a mulher está sentada e que são sete reis. 10Destes reis, cinco já caíram, o sexto ainda reina e o sétimo ainda não chegou; mas quando chegar, vai durar pouco tempo. 11A besta que existia e que agora já não existe, é ela mesma o oitavo rei, mas pertence também ao número dos sete e vai acabar em ruína total. 12Os dez chifres que viste são dez reis17,12 Nos v. 9–14, o autor mistura a história do império de Roma com os dados apocalípticos de Dn 7,19–24. que ainda não começaram a reinar mas receberão um poder real juntamente com a besta, mas por muito pouco tempo. 13Estes dez reis decidiram de comum acordo entregar o seu poder e autoridade à besta. 14Vão combater contra o Cordeiro, mas ele há de vencê-los, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis. E ao lado do Cordeiro estarão os chamados por Deus, escolhidos e fiéis.»

15Depois o anjo continuou a explicar-me: «As águas que viste, onde vive a Prostituta, são povos, multidões, nações e línguas. 16Os dez chifres e a outra besta que viste vão odiar a Prostituta. Vão despojá-la de tudo e deixá-la nua17,16 Ver Is 47,8–9; Ez 16,39–41.. Vão comer-lhe as carnes e queimá-la no fogo. 17Foi Deus quem lhes meteu isto na cabeça, para assim realizarem o seu plano. Por isso vão agir de comum acordo e entregar toda a sua autoridade à besta, até que se cumpram as palavras de Deus. 18Finalmente, a mulher que tu viste é a grande cidade, aquela que domina os reis da Terra.»

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A queda da grande cidade

181Depois disto, vi outro anjo que descia do céu, com grande poder. E o seu esplendor iluminou a Terra. 2Gritou com voz forte:

«A grande Babilónia já caiu, já caiu por terra18,2 Através de vários cânticos, e textos em prosa, o cap. 18 descreve a queda de Roma recorrendo a imagens da antiga Babilónia e da antiga cidade de Tiro.!

Tornou-se habitação dos demónios,

refúgio de todos os espíritos impuros,

refúgio de todas as aves impuras,

refúgio de todos os animais impuros e desprezíveis.

3É que ela embriagou todas as nações

com o vinho da sua imoralidade desenfreada.

Os reis da Terra cometeram imoralidades com ela,

e os comerciantes da Terra tornaram-se ricos com o seu luxo desmedido.»

4Ouvi outra voz do céu que dizia:

«Meu povo, sai18,4 Ver Is 48,20; 52,11; Jr 50,8; 51,6–9.45. desta cidade,

para não participares nos seus pecados,

nem receberes os seus castigos.

5Deus lembrou-se dos seus crimes

porque os seus pecados chegaram até ao Céu.

6Paguem-lhe com a mesma moeda.

Retribuam-lhe a dobrar o mal que ela fez.

Deem-lhe a beber o dobro da taça que ela deu a beber aos outros.

7Façam-na passar tormentos e dores

na medida das suas vaidades e dos seus luxos.

Ela costumava gabar-se:

“Estou sentada num trono como uma rainha,

não sou viúva nem hei de conhecer luto18,7 Ver Is 47,7–9.!”

8Por isso receberá num só dia todos os castigos:

a morte, o luto e a fome,

e será abrasada pelo fogo,

porque é forte o Senhor Deus que a condenou.»

9Os reis da Terra que cometeram com ela imoralidades ou viveram no luxo hão de chorar18,9 Ver Ez 26,16–17; 27,30–35. e bater no peito quando virem o fumo do incêndio em que ela arde. 10Ficarão imóveis à distância, com medo do seu tormento e hão de exclamar:

«Ai, ai da grande cidade!

Da Babilónia, a cidade poderosa!

Bastou uma hora para o teu julgamento!»

11Também os comerciantes18,11 Ver Ez 27,36 e toda a perícope de Ez 27,12–24. da Terra vão chorar e lamentar-se por causa dela. Ninguém mais lhes comprará as suas mercadorias: 12ouro, prata, pedras preciosas, pérolas, linho, púrpura, seda, escarlate, madeira de sândalo, objetos de marfim, madeiras raras, objetos de bronze, ferro e mármore. 13Ninguém mais lhes comprará canela, cravo, especiarias, perfumes, incenso, vinho e azeite, flor de farinha e trigo, gado grosso e ovelhas, cavalos, carros, escravos e prisioneiros.

14«Os frutos dos teus desejos insaciáveis

afastaram-se de ti.

Todas as tuas riquezas e luxos

estão perdidas para ti.

Nunca mais as encontrarás.»

15Os que faziam comércio com ela de todas estas coisas, e que enriqueceram à sua custa, ficarão afastados à distância com medo do seu tormento. Hão de chorar e lamentar-se assim:

16«Ai, ai da grande cidade!

Vestia-se de linho,

púrpura e escarlate.

Enfeitava-se com ouro,

pedras preciosas e pérolas.

17E bastou apenas uma hora para acabar com toda esta riqueza!»

Também os pilotos dos navios18,17 Ver Ez 27,29–34. e os seus passageiros, os marinheiros e quantos ganham a sua vida no mar ficaram à distância. 18Gritavam ao ver o fumo do incêndio e diziam assim: «Onde é que havia uma cidade tão poderosa como esta?»

19Lançavam pó sobre a cabeça, gritavam e lamentavam-se desta maneira:

«Ai, ai da grande cidade,

onde enriqueceram à custa da sua grandeza

todos os que tinham navios no mar.

E bastou apenas uma hora para ser arrasada!

20Alegrem-se, ó Céus, pela sua desgraça!

E vós santos, apóstolos e profetas,

porque Deus vos fez justiça ao condená-la.»

21Nisto, um anjo muito forte levantou uma pedra do tamanho da mó dum moinho e atirou-a ao mar. Depois disse:

«Será assim, com a mesma violência,

que a Babilónia, a grande cidade,

há de ser lançada ao mar e ninguém mais a verá!

22Nunca mais se vai ouvir dentro de ti

o som das harpas e dos músicos,

das flautas e das trombetas!

Ninguém mais verá dentro de ti

trabalhadores de qualquer espécie!

Nunca mais se ouvirá dentro de ti

o rumor da mó do moinho!

23Nunca mais brilhará dentro de ti

a luz da lâmpada!

E deixará de se ouvir

a voz do noivo e da noiva!

É que os teus comerciantes eram os senhores da Terra,

e com os teus falsos encantos enganaste todas as nações.

24Nela foi encontrado o sangue dos profetas e dos santos

e de quantos foram imolados sobre a Terra.»