a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
19

191Depois ouvi no Céu como que a voz duma grande multidão, que dizia:

«Aleluia19,1 Depois da derrota da grande prostituta, Roma, o Apocalipse apresenta as núpcias do Cordeiro (19,7), precedidas da derrota dos adoradores da besta.!

A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus,

2Porque verdadeiros e justos são os seus juízos

e porque condenou a Grande Prostituta

que corrompia a Terra com a sua imoralidade.

Deus vingou o sangue dos seus servos

que ela derramou com as sua mãos.»

3E mais uma vez diziam:

«Aleluia!

Por todo o sempre continua a subir o fumo da grande cidade!»

4Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres vivos prostraram-se e adoraram a Deus, que está sentado no trono, e diziam:

«Ámen! Aleluia!»

As bodas do Cordeiro

5E do trono saiu uma voz que dizia:

«Louvem o nosso Deus

todos os que o servem,

todos os seus fiéis,

pequenos e grandes!»

6Depois ouvi como que a voz duma grande multidão, semelhante ao ruído duma grande cascata e de fortes trovões, que dizia:

«Aleluia!

Porque o Senhor, o nosso Deus, o Todo-Poderoso

estabeleceu o seu reinado!

7Alegremo-nos e regozijemo-nos

e demos-lhe glória,

porque chegou o tempo das bodas do Cordeiro19,7 A imagem das núpcias de Deus com o seu povo é muito rica tanto no Antigo Testamento (Is 54,1–8; Os 2,16–18) como no Novo Testamento (Mt 22,2; 25,1–13; Ef 5,23.25.32; Ap 21,2–9).

e a sua noiva já se preparou.

8Ele deu-lhe um vestido de linho fino, resplandecente e puro.»

O linho representa a obra dos santos.

9Então um anjo disse-me: «Escreve: Felizes os convidados19,9 Ver Mt 22,1–14; Lc 14,15–24. para a festa de casamento do Cordeiro!» Depois acrescentou: «Isto é verdadeiramente palavra de Deus.»

10Então eu caí aos seus pés para o adorar, mas o anjo disse-me: «Não! Isso não! Eu estou ao serviço de Deus como tu e como os teus irmãos que guardam o testemunho de Jesus. A Deus é que tu deves adorar.» Pois dar testemunho de Jesus é o espírito da profecia.

O cavaleiro vencedor

11Então vi o céu aberto e apareceu um cavalo branco. O cavaleiro chama-se Fiel19,11 Céu aberto. Ver 4,1. Cavalo branco. Ver 6,2. Fiel. Ver 1,5. e Verdadeiro. Ele julga e combate com justiça. 12Os seus olhos eram como chama de fogo e na sua cabeça tinha vários diademas. Na sua fronte estava escrito um nome que só ele conhece19,12 Ver 2,17.. 13Estava vestido com um manto embebido em sangue e o seu nome é Palavra de Deus19,13 Ver Jo 1.1.14.. 14Os exércitos do Céu seguiam-no, montados em cavalos brancos, vestidos de linho branco fino. 15Na sua boca tinha uma espada afiada para castigar as nações. Ele vai governá-las com uma vara de ferro e é ele que pisará com os seus pés as uvas no lagar da ira do castigo de Deus, o Todo-Poderoso. 16E no seu manto, no lugar em que cobre a coxa, estava escrito este título: «Rei dos reis e Senhor dos senhores19,16 Ver 17.14.

17Vi depois no Sol um anjo que estava de pé e que gritou com voz muito forte para todas as aves que voavam no céu: «Venham cá! Juntem-se para o grande banquete de Deus! 18Venham comer a carne dos reis19,18 Comparar os v. 17–18 com Ez 39,17–20., dos generais e dos poderosos; a carne dos cavalos e cavaleiros e de todos os homens, sejam eles escravos ou livres, pequenos ou grandes.»

19Depois vi a besta e os reis da terra com as suas tropas prontas para combaterem o cavaleiro e o seu exército. 20E a besta foi presa juntamente com o falso profeta que fazia sinais milagrosos diante dela, com os quais ele enganava os que tinham a marca da besta e adoravam a sua estátua. A besta e o falso profeta foram lançados vivos no lago de enxofre a arder. 21Os outros foram mortos pelo cavaleiro com a espada que saía da sua boca e todas as aves comeram as suas carnes até se fartarem.

20

Os mil anos

201A seguir vi um anjo que descia do céu e na sua mão tinha a chave do abismo e uma grande corrente. 2Agarrou o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo ou Satanás, e prendeu-o por mil anos. 3Lançou-o no abismo, que depois fechou e selou, para não enganar mais as nações, até que se cumpram os mil anos. Depois deste período, deve ser solto durante algum tempo.

4Vi também alguns tronos20,4 Ver Dn 7,9.22–27; Mt 19,28; Lc 22,30; 1 Co 6,2.. Os que se sentaram neles receberam o poder de julgar. Vi ainda as almas daqueles a quem tinham cortado a cabeça por terem dado testemunho de Jesus e proclamado a palavra de Deus. São os que não adoraram a besta, nem a sua estátua, nem trouxeram na fronte ou na mão a sua marca e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5Os outros mortos não voltaram à vida a não ser depois dos mil anos. Esta é a primeira ressurreição. 6Felizes e santos os que tomam parte na primeira ressurreição. Sobre eles a segunda morte20,6 Ver 2,11; 21,8. não tem qualquer poder. Eles serão sacerdotes de Deus e de Cristo e hão de reinar com ele durante mil anos.

Derrota de Satanás

7Passados mil anos, Satanás será solto da prisão. 8Sairá para enganar as nações dos quatro cantos do mundo, para enganar Gog e Magog20,8 Referência a Ez 38–39, onde as nações inimigas do povo de Deus, aniquiladas no fim dos tempos, são designadas por estes nomes. Ver também Gn 10,2–3. Trata-se de personificações simbólicas dos inimigos. e reunir toda a gente para a batalha. São tão numerosos como a areia do mar. 9Subiram a planície e cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada, mas Deus enviou fogo do céu que os devorou. 10O Diabo, que os tinha enganado, foi lançado no lago de fogo e de enxofre onde estão também a besta e o falso profeta. Hão de ser atormentados de dia e de noite para sempre.

Juízo final

11Depois vi um grande trono branco e aquele que estava sentado nele. A Terra e o céu fugiram da sua presença e ninguém mais os viu.

12Vi também todos os mortos, grandes e pequenos, que estavam de pé e diante do trono. Então abriram-se os livros20,12 Ver Dn 7,10. e um outro livro foi aberto, que é o livro da vida20,12 Ver Ex 32,32–33; Sl 69,29; Dn 12,1; Lc 10,20; Ap 3,5; 13,8; 17,8; 21,27.. E os mortos foram julgados conforme o que está escrito nesses livros, segundo as suas obras. 13O mar entregou os mortos que possuía, a morte e o abismo entregaram também os seus mortos e cada um deles foi julgado segundo as suas obras. 14A morte e o abismo foram lançados no lago de fogo20,14 Ver 1 Co 15,26.54–55; Ap 21,4.. Este lago de fogo é a segunda morte. 15E quem não tinha o seu nome escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.

21

Novos céus e nova terra

211Vi então um novo céu e uma nova Terra21,1 Novo céu e nova Terra. Ver Is 65,17; 66,22; 2 Pe 3,13. Os cap. 21—22 apresentam, de maneira colorida, a nova criação, a nova Jerusalém, onde não há mais trevas nem morte (21,25; 22,5). Tudo é luz, centrada no Cordeiro, que é como uma lâmpada que tudo ilumina (21,23).; de facto o primeiro céu e a primeira Terra desapareceram e o mar já não existe21,1 Ou: as coisas antigas desapareceram..

2E vi descer do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém21,2 Nova Jerusalém. Ver Is 60; 62; 65,18–25; Gl 4,26; Hb 11,10.16; Ap 3,12.. Vinha linda como uma noiva que se prepara para ir ao encontro do noivo. 3E ouvi uma voz forte que vinha do lado do trono: «Esta é a morada de Deus junto dos homens. Ele habitará com eles e eles serão o seu povo. É este Deus que estará com eles. 4Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá mais morte nem luto nem pranto nem dor porque as primeiras coisas desapareceram.»

5E o que estava sentado no trono disse: «Agora faço tudo novo21,5 Ver 2 Co 5,17..» E acrescentou: «Escreve que estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança.» 6E disse-me ainda: «É um facto. Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Ao que tem sede dou-lhe a beber de graça da fonte das águas vivas21,6 Águas vivas. Ver Jo 4,10–14; 7,37–38; Ap 7,17; 22,17.. 7Aquele que vencer receberá estas coisas em herança. Eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. 8Mas todos os cobardes, infiéis, depravados, assassinos, desonestos, feiticeiros, idólatras e todos os mentirosos terão o seu lugar no lago de enxofre de fogo, que é a segunda morte21,8 Segunda morte. A segunda morte é a condenação. Ver 2,11

A nova Jerusalém

9Um dos sete anjos que tinham as sete taças, cheias com os sete últimos castigos aproximou-se de mim e disse: «Vem cá! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro10Transportou-me em espírito a uma montanha grande e alta e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus. 11Tinha a glória de Deus e brilhava como uma pedra preciosa, parecida com uma pedra de jaspe cristalino. 12A cidade estava rodeada de uma muralha grande e alta com doze portas. Nas portas tinha doze anjos e em cada porta estava escrito o nome de uma das tribos do povo de Israel. 13Três portas davam para o Oriente, outras três para o Norte, outras três para o Sul e outras três para o Ocidente. 14As muralhas tinham doze alicerces e em cada um estava escrito um dos nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

15O anjo que me falava tinha uma régua de ouro para medir a cidade, as portas e a muralha. 16A planta da cidade era quadrada pois tinha tanto de comprimento como de largura. Mediu a cidade com a régua e a cidade tinha doze mil estádios de comprimento e o mesmo de largura e de altura21,16 Planta da cidade. Comparar os v. 16–17 com Ez 48,16–17. O número doze tem provavelmente valor simbólico querendo significar a perfeição da cidade santa e talvez também a sua universalidade, uma vez que as doze tribos representam a totalidade do povo: 12 portas (21,22), 12 anjos (21,12), 12 tribos (21,12), 12 alicerces (21,14); 12 mil estádios (21,16), 12 tipos de pedras preciosas (21,19–20), 12 pérolas (21,21), 12 colheitas por ano (22,2). O estádio era uma medida de comprimento que na época do Novo Testamento correspondia a perto de 200 metros.. 17Mediu também a muralha. Segundo a medida dos homens que o anjo usava, a muralha tinha cento e quarenta e quatro braçadas21,17 Cada braçada corresponde a 2,20 metros. de altura.

18Os muros eram de jaspe e a cidade estava construída com ouro puro, semelhante ao puro cristal. 19Os alicerces da muralha da cidade estavam decorados com toda a espécie de pedras preciosas: o primeiro com jaspe, o segundo com safira, o terceiro com calcedónia, o quarto com esmeralda, 20o quinto com ónix, o sexto com sardónica, o sétimo com crisólito, o oitavo com água-marinha, o nono com topázio, o décimo com ágata, o décimo primeiro com jacinto, o décimo segundo com ametista. 21As doze portas eram doze pérolas e cada porta feita de uma só pérola. A praça central da cidade era de ouro puro, como se fosse vidro transparente.

22Não vi qualquer templo na cidade. O Senhor Deus, o Todo-Poderoso e o Cordeiro é que são o seu templo21,22 Ver Jo 2,19–21; Ap 21,3; 22,3.. 23A cidade também não precisa do Sol ou da Lua para a alumiar. A glória de Deus ilumina-a e a sua lâmpada é o Cordeiro.

24As nações caminharão à luz daquela cidade21,24 Ver Is 60,3–5; cf. Is 2,5. e os reis da Terra hão de levar-lhe o seu esplendor. 25As portas da cidade nunca se hão de fechar, porque nela não haverá noite21,25 Ver Zc 14,7; Ap 22,5.. 26E ela há de receber o esplendor e a honra das nações. 27Nela não entrará nada de indigno21,27 Ver Is 35,8; 52,1; Zc 13,1–2; 1 Co 6,9–10; Ap 22,15. nem adoradores de falsos deuses, nem mentirosos. Só lá entrarão os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.