a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Os mil anos

201A seguir vi um anjo que descia do céu e na sua mão tinha a chave do abismo e uma grande corrente. 2Agarrou o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo ou Satanás, e prendeu-o por mil anos. 3Lançou-o no abismo, que depois fechou e selou, para não enganar mais as nações, até que se cumpram os mil anos. Depois deste período, deve ser solto durante algum tempo.

4Vi também alguns tronos20,4 Ver Dn 7,9.22–27; Mt 19,28; Lc 22,30; 1 Co 6,2.. Os que se sentaram neles receberam o poder de julgar. Vi ainda as almas daqueles a quem tinham cortado a cabeça por terem dado testemunho de Jesus e proclamado a palavra de Deus. São os que não adoraram a besta, nem a sua estátua, nem trouxeram na fronte ou na mão a sua marca e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5Os outros mortos não voltaram à vida a não ser depois dos mil anos. Esta é a primeira ressurreição. 6Felizes e santos os que tomam parte na primeira ressurreição. Sobre eles a segunda morte20,6 Ver 2,11; 21,8. não tem qualquer poder. Eles serão sacerdotes de Deus e de Cristo e hão de reinar com ele durante mil anos.

Derrota de Satanás

7Passados mil anos, Satanás será solto da prisão. 8Sairá para enganar as nações dos quatro cantos do mundo, para enganar Gog e Magog20,8 Referência a Ez 38–39, onde as nações inimigas do povo de Deus, aniquiladas no fim dos tempos, são designadas por estes nomes. Ver também Gn 10,2–3. Trata-se de personificações simbólicas dos inimigos. e reunir toda a gente para a batalha. São tão numerosos como a areia do mar. 9Subiram a planície e cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada, mas Deus enviou fogo do céu que os devorou. 10O Diabo, que os tinha enganado, foi lançado no lago de fogo e de enxofre onde estão também a besta e o falso profeta. Hão de ser atormentados de dia e de noite para sempre.

Juízo final

11Depois vi um grande trono branco e aquele que estava sentado nele. A Terra e o céu fugiram da sua presença e ninguém mais os viu.

12Vi também todos os mortos, grandes e pequenos, que estavam de pé e diante do trono. Então abriram-se os livros20,12 Ver Dn 7,10. e um outro livro foi aberto, que é o livro da vida20,12 Ver Ex 32,32–33; Sl 69,29; Dn 12,1; Lc 10,20; Ap 3,5; 13,8; 17,8; 21,27.. E os mortos foram julgados conforme o que está escrito nesses livros, segundo as suas obras. 13O mar entregou os mortos que possuía, a morte e o abismo entregaram também os seus mortos e cada um deles foi julgado segundo as suas obras. 14A morte e o abismo foram lançados no lago de fogo20,14 Ver 1 Co 15,26.54–55; Ap 21,4.. Este lago de fogo é a segunda morte. 15E quem não tinha o seu nome escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.

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Novos céus e nova terra

211Vi então um novo céu e uma nova Terra21,1 Novo céu e nova Terra. Ver Is 65,17; 66,22; 2 Pe 3,13. Os cap. 21—22 apresentam, de maneira colorida, a nova criação, a nova Jerusalém, onde não há mais trevas nem morte (21,25; 22,5). Tudo é luz, centrada no Cordeiro, que é como uma lâmpada que tudo ilumina (21,23).; de facto o primeiro céu e a primeira Terra desapareceram e o mar já não existe21,1 Ou: as coisas antigas desapareceram..

2E vi descer do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém21,2 Nova Jerusalém. Ver Is 60; 62; 65,18–25; Gl 4,26; Hb 11,10.16; Ap 3,12.. Vinha linda como uma noiva que se prepara para ir ao encontro do noivo. 3E ouvi uma voz forte que vinha do lado do trono: «Esta é a morada de Deus junto dos homens. Ele habitará com eles e eles serão o seu povo. É este Deus que estará com eles. 4Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá mais morte nem luto nem pranto nem dor porque as primeiras coisas desapareceram.»

5E o que estava sentado no trono disse: «Agora faço tudo novo21,5 Ver 2 Co 5,17..» E acrescentou: «Escreve que estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança.» 6E disse-me ainda: «É um facto. Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Ao que tem sede dou-lhe a beber de graça da fonte das águas vivas21,6 Águas vivas. Ver Jo 4,10–14; 7,37–38; Ap 7,17; 22,17.. 7Aquele que vencer receberá estas coisas em herança. Eu serei o seu Deus e ele será o meu filho. 8Mas todos os cobardes, infiéis, depravados, assassinos, desonestos, feiticeiros, idólatras e todos os mentirosos terão o seu lugar no lago de enxofre de fogo, que é a segunda morte21,8 Segunda morte. A segunda morte é a condenação. Ver 2,11

A nova Jerusalém

9Um dos sete anjos que tinham as sete taças, cheias com os sete últimos castigos aproximou-se de mim e disse: «Vem cá! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro10Transportou-me em espírito a uma montanha grande e alta e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus. 11Tinha a glória de Deus e brilhava como uma pedra preciosa, parecida com uma pedra de jaspe cristalino. 12A cidade estava rodeada de uma muralha grande e alta com doze portas. Nas portas tinha doze anjos e em cada porta estava escrito o nome de uma das tribos do povo de Israel. 13Três portas davam para o Oriente, outras três para o Norte, outras três para o Sul e outras três para o Ocidente. 14As muralhas tinham doze alicerces e em cada um estava escrito um dos nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

15O anjo que me falava tinha uma régua de ouro para medir a cidade, as portas e a muralha. 16A planta da cidade era quadrada pois tinha tanto de comprimento como de largura. Mediu a cidade com a régua e a cidade tinha doze mil estádios de comprimento e o mesmo de largura e de altura21,16 Planta da cidade. Comparar os v. 16–17 com Ez 48,16–17. O número doze tem provavelmente valor simbólico querendo significar a perfeição da cidade santa e talvez também a sua universalidade, uma vez que as doze tribos representam a totalidade do povo: 12 portas (21,22), 12 anjos (21,12), 12 tribos (21,12), 12 alicerces (21,14); 12 mil estádios (21,16), 12 tipos de pedras preciosas (21,19–20), 12 pérolas (21,21), 12 colheitas por ano (22,2). O estádio era uma medida de comprimento que na época do Novo Testamento correspondia a perto de 200 metros.. 17Mediu também a muralha. Segundo a medida dos homens que o anjo usava, a muralha tinha cento e quarenta e quatro braçadas21,17 Cada braçada corresponde a 2,20 metros. de altura.

18Os muros eram de jaspe e a cidade estava construída com ouro puro, semelhante ao puro cristal. 19Os alicerces da muralha da cidade estavam decorados com toda a espécie de pedras preciosas: o primeiro com jaspe, o segundo com safira, o terceiro com calcedónia, o quarto com esmeralda, 20o quinto com ónix, o sexto com sardónica, o sétimo com crisólito, o oitavo com água-marinha, o nono com topázio, o décimo com ágata, o décimo primeiro com jacinto, o décimo segundo com ametista. 21As doze portas eram doze pérolas e cada porta feita de uma só pérola. A praça central da cidade era de ouro puro, como se fosse vidro transparente.

22Não vi qualquer templo na cidade. O Senhor Deus, o Todo-Poderoso e o Cordeiro é que são o seu templo21,22 Ver Jo 2,19–21; Ap 21,3; 22,3.. 23A cidade também não precisa do Sol ou da Lua para a alumiar. A glória de Deus ilumina-a e a sua lâmpada é o Cordeiro.

24As nações caminharão à luz daquela cidade21,24 Ver Is 60,3–5; cf. Is 2,5. e os reis da Terra hão de levar-lhe o seu esplendor. 25As portas da cidade nunca se hão de fechar, porque nela não haverá noite21,25 Ver Zc 14,7; Ap 22,5.. 26E ela há de receber o esplendor e a honra das nações. 27Nela não entrará nada de indigno21,27 Ver Is 35,8; 52,1; Zc 13,1–2; 1 Co 6,9–10; Ap 22,15. nem adoradores de falsos deuses, nem mentirosos. Só lá entrarão os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.

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221O anjo mostrou-me depois o rio das águas vivas22,1 Ver Ez 47,1; Zc 14,8; Jo 7,38. que brilhava como cristal e que saía do trono de Deus e do Cordeiro. 2No meio da praça da cidade e de cada lado do rio crescia a árvore da vida22,2 Ver 2,7. que dava frutos doze vezes por ano, em cada mês o seu fruto; e as folhas da árvore servem de remédio para toda a gente. 3E nunca mais haverá maldição de Deus. E na cidade estará o trono de Deus e do Cordeiro e os seus servos hão de prestar-lhe culto. 4Hão de vê-lo frente a frente e o seu nome estará gravado na fronte deles. 5Não vai haver mais noite, nem eles terão necessidade da luz da lâmpada ou do Sol porque o Senhor Deus será a sua luz e hão de reinar para todo o sempre.

A vinda de Jesus

6Depois o anjo disse-me: «Estas palavras são verdadeiras e dignas de fé. O Senhor, o Deus que dá o seu Espírito aos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos que o servem aquilo que deve acontecer dentro em breve.» 7Jesus diz: «Eu virei dentro em breve22,7 É Jesus ressuscitado quem fala. Ver Ap 2,16; 22,12.16.! Felizes os que acreditam nas palavras proféticas deste livro.»

8Eu, João, é que ouvi e vi todas estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto, caí aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. 9Mas ele disse-me: «Não faças isso! Eu estou ao serviço de Deus como tu e como os teus irmãos, os profetas, e como todos os que guardam as palavras deste livro. É a Deus que tu deves adorar.»

10Depois o anjo acrescentou: «Não guardes em segredo as palavras proféticas deste livro pois o momento da sua realização está a chegar. 11Aquele que é mau continue a fazer o mal; o que é pecador continue a pecar. Que o bom continue a ser bom e que o santo se santifique ainda mais.»

12«Mas, atenção! Eu virei muito em breve e trarei comigo a recompensa para dar a cada um segundo as suas obras. 13Eu sou o Alfa e o Ómega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.

14Felizes os que purificam as suas vestes para terem o direito de comer o fruto da árvore da vida e de entrar pelas portas da cidade. 15Mas ficarão de fora todos os que são como cães, os feiticeiros, os imorais, os assassinos, os adoradores de falsos deuses e todos os que mentem por palavras e obras.

16Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos dizer tudo isto acerca das igrejas. Eu sou o rebento e o descendente da família de David. Sou a estrela brilhante da manhã.»

17O Espírito e a Esposa dizem: «Vem!»

Aquele que ouve isto diga igualmente: «Vem!»

Quem tiver sede que se aproxime. Quem quiser a água da vida recebe-a de graça.

Conclusão

18Eu, João, declaro a todos os que ouvirem as palavras proféticas deste livro: «Se alguém lhes acrescentar qualquer coisa, Deus há de castigá-lo com os castigos descritos neste livro. 19E se alguém retirar alguma das palavras proféticas escritas neste livro, Deus lhe retirará a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, conforme vem escrito neste livro.»

20Aquele que é testemunha de todas estas coisas diz: «Sim! Vou chegar muito em breve!»

Assim seja22,20 Literalmente: Ámen.! Vem, Senhor Jesus22,20 O pedido Vem, Senhor Jesus, que aparece em 1 Co 16,22 na sua forma aramaica marana-thá, era uma expressão cúltica e litúrgica de esperança da parusia, isto é, da manifestação da segunda vinda de Jesus.!

21Que as bênçãos do Senhor Jesus estejam com todos vós.