a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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A quebra dos selos

61Na visão, quando o Cordeiro quebrou o primeiro dos sete selos, ouvi um dos quatro seres vivos dizer com voz forte, que mais parecia um trovão: «Vem!» 2Nisto vi um cavalo branco. O cavaleiro6,2 Sobre os quatro cavaleiros, ver Zc 1,8; 6,1–8; Ap 19,11. tinha um arco, entregaram-lhe uma coroa e, vitorioso, saiu para continuar a vencer.

3Depois, o Cordeiro quebrou o segundo selo e ouvi o que dizia o segundo ser vivo: «Vem!» 4Depois apareceu um cavalo vermelho. O seu cavaleiro recebeu uma grande espada e foi-lhe dado o poder de tirar da Terra a paz, para que os homens se matassem uns aos outros6,4 Sobre os quatro flagelos, ver Ez 14,21; Jr 14,12; 15,2–3; Ez 5,16–17; 16,6–7; 20,4.. 5Então o Cordeiro quebrou o terceiro selo e ouvi o que dizia o terceiro ser vivo: «Vem!»

A seguir apareceu um cavalo preto. O seu cavaleiro trazia uma balança na mão. 6E ouvi como que uma voz que vinha dos quatro seres vivos e que dizia: «Um quilo de trigo como salário de um dia e três quilos de cevada como salário de um dia. Mas não estraguem o azeite nem o vinho.» 7A seguir, o Cordeiro quebrou o quarto selo e ouvi o que o quarto ser vivo dizia: «Vem!» 8Depois apareceu um cavalo esverdeado. O seu cavaleiro chamava-se Morte e o mundo dos mortos o acompanhava. Deram-lhes o domínio sobre a quarta parte da Terra, para exterminarem os homens pela espada, pela fome, pela doença e pelas feras. 9Quando o Cordeiro quebrou o quinto selo, vi debaixo do altar do incenso aqueles que tinham sido mortos por terem proclamado a mensagem de Deus e por terem sido fiéis ao seu testemunho6,9 Referência aos mártires cristãos. Ver 7,9–17; 16,6–7; 20,4.. 10Eles exclamavam em voz alta:

«Até quando temos de esperar que faças justiça,

ó soberano Senhor, santo e verdadeiro,

pedindo contas do nosso sangue aos habitantes da Terra?»

11Cada um deles recebeu uma veste branca6,11 Veste branca. Ver Dn 7,9; Mt 17,2; 28,3; Mc 16,5; Jo 20,12; Ap 3,4.18; 4,4; 7,9.13–14; 19,14. e foi-lhes pedido que tivessem paciência por mais um pouco, até que se completasse o tempo em que os seus companheiros e irmãos deviam passar também pela morte.

12Na visão, quando o Cordeiro quebrou o sexto selo, deu-se um grande tremor de terra6,12 Sobre os sinais cósmicos do fim do mundo, ver Is 13,10–13; 34,4; Ez 32,7–8; Am 8,9; Jl 2,10; 3,3–4; Mt 24; 29; Ap 8,12; 16,20; 20,11.. O Sol tornou-se preto como um pano de luto e a Lua tornou-se vermelha como o sangue. 13As estrelas do céu caíram sobre a Terra como os figos ainda verdes caem da figueira quando a sacode um forte vendaval. 14O céu desapareceu como um pergaminho que se enrola. As montanhas e as ilhas foram arrancadas dos seus lugares. 15Os reis da Terra, os grandes, os chefes militares, os ricos, os poderosos, todos os escravos e os livres se esconderam nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. 16Eles pediam às montanhas e aos rochedos: «Caiam sobre nós6,16 Ver Is 2,19–21; Os 10,8; Lc 23,30; Ap 9,6. e escondam-nos longe do olhar daquele que está sentado sobre o trono e longe da ira do Cordeiro, 17porque chegou o dia terrível6,17 Os seis selos são o símbolo das seis etapas da história. No quinto selo aparece a grande perseguição, provavelmente a de Domiciano. Os cristãos perseguidos devem aguentar mais um pouco (6,11). Depois virá o castigo divino sobre todos os perseguidores (6,12–17), após o que se seguirá a eleição e proteção dos crentes (7,1–9). Ver Sl 110,5; Jl 2,1.11; 3,4; Sf 2,2–3; Rm 2,5. da sua ira, e quem lhes poderá resistir?»

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A multidão do povo de Deus

71Depois disto, vi quatro anjos de pé, cada um num dos quatro cantos da Terra que seguravam os quatro ventos da terra, para não soprarem sobre ela, nem sobre o mar nem sobre as árvores.

2Vi um outro anjo que apareceu do lado de onde nasce o Sol e tinha na mão o selo do Deus vivo. Ele gritou com voz muito forte para os quatro anjos a quem Deus tinha dado o poder de fazer mal à terra e ao mar: 3«Não façam mal à terra nem ao mar, nem às árvores, antes de marcarmos com um selo a fronte dos que seguem o nosso Deus.»

4E ouvi o número dos que foram marcados na fronte. Eram cento e quarenta e quatro mil7,4 Número simbólico, múltiplo de 12 x 12. Como na saída do Egito (Nm 1,20–43), também agora há um recenseamento em relação ao povo de Deus, configurado nas novas 12 tribos. Além deste número simbólico do novo Israel, há ainda a multidão impossível de contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas (v 9), que determina o universalismo da igreja., e de todas as tribos de Israel:

5doze mil da tribo de Judá,

doze mil da tribo de Rúben,

doze mil da tribo de Gad,

6doze mil da tribo de Asser,

doze mil da tribo de Neftali,

doze mil da tribo de Manassés,

7doze mil da tribo de Simeão,

doze mil da tribo de Levi,

doze mil da tribo de Issacar,

8doze mil da tribo de Zabulão,

doze mil da tribo de José,

e doze mil da tribo de Benjamim.

9Em seguida vi uma tal multidão, impossível de contar. Eram de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, vestidos de branco, diante do trono e diante do Cordeiro e tinham ramos de palmeira nas mãos. 10Diziam com voz muito forte:

«A salvação pertence ao nosso Deus,

que está sentado no trono,

e ao Cordeiro!»

11Todos os anjos que estavam de pé à volta do trono, dos anciãos e dos quatro seres vivos prostraram-se por terra diante do trono e adoravam a Deus, 12dizendo:

«Ámen! O louvor, a glória, a sabedoria,

a ação de graças, a honra, o poder e a força

pertencem ao nosso Deus por todo o sempre. Ámen!»

13Um dos anciãos perguntou-me: «Esta gente vestida de branco, quem são eles e donde vieram?» 14Eu respondi-lhe: «Senhor, tu bem sabes!» Então disse-me: «São aqueles que passaram pela grande perseguição7,14 Ver Dn 12,1; Mt 24,21; Mc 13,19. e que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro e elas ficaram brancas. 15Por isso é que estão diante do trono de Deus e servem a Deus de dia e de noite no seu templo. E aquele que está sentado no trono protegê-los-ás como uma tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede. O Sol e o calor nunca mais lhes farão mal 17porque o Cordeiro, que está no trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes das águas da vida. Deus enxugará para sempre as lágrimas dos seus olhos.»

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O sétimo selo

81Quando o Cordeiro quebrou o sétimo selo, fez-se no Céu silêncio durante cerca de meia hora.

2Depois vi os sete anjos que estão de pé diante de Deus receberem sete trombetas8,2 Trombetas. Ver Mt 24,31; 1 Co 15,20; 1 Ts 4,16.. 3Um outro anjo veio colocar-se diante do altar com um incensário de ouro. Deram-lhe muito incenso para o oferecer, juntamente com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que se encontra diante do trono. 4E pela mão do anjo subiu diante de Deus o fumo do incenso, juntamente com as orações dos santos.

5Então o anjo pegou no incensário, encheu-o de brasas que tirou do altar e lançou-o para a Terra. Nisto houve trovões e estrondos, relâmpagos e um terramoto.

As trombetas do castigo

6Os sete anjos que tinham as sete trombetas8,6 Cada trombeta corresponde a uma praga, na nova edição das pragas do Egito (Ex 7,8—10,29). Cada praga destrói apenas uma terça parte (8,7.8–9.10.11.12; 9,18), porque Deus espera sempre a conversão. Como os inimigos dos cristãos não se convertem, virá uma sétima praga (10,7) e a terrível proclamação: o tempo terminou! (10,6). Só então se completará o plano misterioso que Deus anunciou aos seus servos, os profetas (10,7). prepararam-se então para as tocar. 7O primeiro anjo tocou a sua trombeta. Nisto produziram-se granizo e fogo, à mistura com sangue, que foram lançados sobre a terra. Uma terça parte da terra e de todas as árvores ficou queimada e toda a erva desapareceu.

8Depois o segundo anjo tocou a sua trombeta e uma espécie de grande montanha de fogo abrasador foi lançada ao mar. Uma terça parte do mar transformou-se em sangue, 9uma terça parte dos animais do mar morreu e uma terça parte dos navios naufragou.

10Depois o terceiro anjo tocou a sua trombeta. Uma grande estrela, que brilhava como um archote, caiu do céu. Caiu sobre uma terça parte dos rios e sobre as fontes de água. 11Essa estrela tem o nome de «Absinto»: uma terça parte da água tornou-se amarga como absinto e muita gente morreu por causa daquela água envenenada.

12Depois foi a vez de o quarto anjo tocar a sua trombeta. Uma terça parte do Sol, da Lua e das estrelas foi atingida. A sua luz perdeu uma terça parte da claridade e, por isso, uma terça parte do dia e uma terça parte da noite não tiveram luz.

13Olhei ainda e vi uma águia que voava muito alto e dizia com voz forte: «Ai! Ai! Ai dos habitantes da Terra, quando se ouvir o som das trombetas que os outros três anjos vão tocar!»