a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Morrer para o pecado, viver em Cristo

61Que diremos então? Vamos continuar a viver no pecado, para mais se manifestar a graça de Deus? 2De modo nenhum. Nós, que morremos para o pecado, como poderíamos viver ainda em pecado? 3Não sabem que todos nós, os que fomos batizados para estarmos unidos a Jesus Cristo, ficámos unidos com ele na sua morte? 4Pelo batismo, fomos sepultados com Cristo e tomámos parte na sua morte. Assim podemos viver também uma nova vida à semelhança dele que ressuscitou da morte pelo poder divino do Pai.

5Se estamos unidos a ele por uma morte como a sua, também havemos de estar unidos a ele na passagem da morte à vida. 6Sabemos que aquilo que nós éramos antes morreu com Cristo na cruz, para ser destruído o que em nós havia de mal e para não sermos mais escravos do pecado. 7Aquele que morreu está livre do pecado. 8Se nós morremos com Cristo, acreditamos que também viveremos com ele. 9Sabemos que Cristo, por ter passado da morte à vida, já não morrerá. A morte nunca mais terá poder sobre ele. 10Pela sua morte, Cristo morreu para o pecado duma vez para sempre e a vida nova que recebeu é vida para Deus. 11Do mesmo modo, considerem-se também como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em união com Cristo Jesus.

12Que o pecado nunca mais tenha poder sobre o vosso corpo mortal levando-o a obedecer às suas más inclinações. 13Não entreguem os membros do vosso corpo ao pecado como instrumentos de injustiça. Pelo contrário, entreguem-se a Deus como pessoas que passaram da morte à vida e façam do vosso corpo um instrumento de justiça. 14O pecado já não vos poderá dominar, pois não estão sujeitos à lei mas à graça de Deus.

Ao serviço da vontade de Deus

15Que pensar então? Vamos pecar porque já não estamos sujeitos à lei mas à graça de Deus? De maneira nenhuma. 16Sabem muito bem que se estão ao serviço de alguém têm de obedecer-lhe. É assim mesmo, quer obedeçam ao pecado para a morte; quer obedeçam a Deus para a justificação. 17Mas dou graças a Deus, porque tendo já sido escravos do pecado seguem agora de todo o coração o exemplo que está na doutrina que vos foi confiada. 18Foram libertados do pecado para ficarem ao serviço da justiça de Deus. 19Eu falo como homem por causa da dificuldade que têm em compreender estas coisas. Antigamente entregavam-se como escravos à impureza e à iniquidade para cometerem más ações. Pois agora entreguem-se ao serviço da justiça de Deus para serem santos.

20Quando eram escravos do pecado não estavam ao serviço da justiça de Deus. 21E que proveito tinham das coisas de que agora se envergonham? O resultado disso é a morte. 22Agora porém, livres do pecado, estão ao serviço de Deus. O fruto disso é uma vida consagrada a Deus e no fim a vida eterna. 23Com efeito, o pecado paga-se com a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em união com Cristo Jesus, nosso Senhor.

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A nossa lei é Cristo

71Meus irmãos, conhecem a lei e sabem que uma lei só tem poder sobre uma pessoa enquanto esta vive. 2Assim, por exemplo, uma mulher casada está ligada ao seu marido por força da lei, enquanto ele viver. Mas se o marido morre, ela fica livre dessa lei do matrimónio. 3É por isso que ela é considerada adúltera, se tem ligação com outro homem enquanto vive o seu marido. Entretanto, se este morre, ela fica livre da lei e pode casar com outro homem, sem por isso cometer adultério.

4Coisa semelhante se passa convosco, meus irmãos. Pela morte de Cristo morreram para a lei e não podem pertencer a outro. Pertencem àquele que passou da morte para a vida, a fim de praticarem obras agradáveis a Deus. 5Quando vivíamos conforme a nossa natureza humana, quem mandava em nós eram os desejos maus, despertados pela lei. E isso levava à morte. 6Mas agora estamos livres da lei e morremos para aquilo que nos tinha como escravos. Assim podemos servir a Deus duma maneira nova, segundo o Espírito, e não à maneira antiga da lei7,6 Referência à Lei de Moisés..

A lei, ocasião de pecado

7Mas que diremos então? Porventura a lei é pecado? De modo nenhum. Mas a verdade é que eu não conhecia o pecado se não fosse pela lei. De facto, eu não sabia o que é a cobiça se a lei não dissesse: «Não cobiçarás». 8O pecado aproveitou a ocasião que lhe vinha de um mandamento para despertar em mim toda a espécie de maus desejos. Sem a lei, o pecado era coisa morta. 9Houve tempo em que eu mesmo vivia sem a lei. Mas quando veio o mandamento, o pecado redobrou de vida. 10Eu morri e assim o mandamento que deveria levar-me à vida levou-me à morte. 11Com efeito, o pecado que se aproveitou da ocasião que lhe vinha do mandamento, enganou-me e deu-me a morte.

12De facto, a lei é santa e o mandamento é igualmente santo, justo e bom. 13Então aquilo que é bom foi morte para mim? De modo nenhum. Mas o pecado, mostrando bem que é pecado, provocou-me a morte servindo-se do bem. Desse modo, por meio do mandamento, o pecado tornou-se muito mais forte do que antes.

O homem, escravo do pecado

14Sabemos que a lei vem de Deus, mas eu sou um homem fraco, vendido como escravo ao pecado. 15Nem me compreendo, pois não faço aquilo que queria fazer e faço o mal que detesto. 16Ora se eu faço aquilo que não quero, estou a provar que a lei é boa. 17Não sou eu que o faço, mas é o pecado que está em mim. 18Pois eu sei que o bem não habita em mim, quer dizer, na minha natureza7,18 Literalmente: na minha carne. A palavra que se traduziria por carne serve para indicar o homem com toda a sua fraqueza, com tendência para fazer o mal, incapaz de se libertar do passado.. Embora tenha o desejo de praticar o bem, não sou capaz de o fazer. 19Não faço o bem que eu quero, mas faço o mal que não quero. 20Ora se eu faço o que não quero, é porque não sou eu quem faz isso, mas o pecado que está em mim.

21Encontro pois em mim esta regra: quando eu quero fazer o bem, faço mas é o mal. 22Cá no meu íntimo, eu quero seguir a lei de Deus, 23mas vejo que no meu corpo há uma outra lei que está contra a lei do meu entendimento. É isso que me torna prisioneiro da lei do pecado que está no meu corpo.

24Que homem infeliz eu sou! Quem me libertará deste corpo que me leva à morte? 25Sejam dados louvores a Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo! Pois eu estou ao serviço da lei de Deus com o meu entendimento, embora sujeito à lei do pecado, com a minha natureza humana.

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A vida segundo o Espírito de Deus

81Mas agora não há condenação para os que estão unidos a Jesus Cristo. 2Com efeito, a lei do Espírito que dá a vida pela união com Jesus Cristo libertou-me da lei do pecado e da morte. 3De facto, Deus fez aquilo que a Lei de Moisés não podia fazer, por causa da fraqueza humana. Deus condenou o pecado na natureza humana ao enviar o seu Filho que veio com uma natureza semelhante à do homem pecador. Deste modo condenou o pecado. 4Deus fez assim para que pudéssemos cumprir o que a lei manda, pois já não vivemos conforme as inclinações da natureza humana, mas de acordo com o Espírito.

5Os que vivem conforme as inclinações da natureza humana deixam-se arrastar por elas, mas aqueles que vivem de acordo com o Espírito preocupam-se com aquilo que o Espírito quer. 6De facto, as inclinações da natureza humana levam à morte, mas aquilo que é do Espírito leva à vida e à paz. 7Os nossos instintos são inimigos de Deus, pois não obedecem à sua lei nem o podem fazer. 8Os que estão sujeitos a esses instintos são incapazes de agradar a Deus.

9Ora vocês já não estão sujeitos a esses instintos, mas ao Espírito, se de facto possuem o Espírito de Deus. Se alguém não tem o Espírito de Cristo não é de Cristo. 10Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo esteja morto por causa do pecado, o Espírito dá-lhe vida por causa da justificação. 11Realmente, se têm o Espírito daquele que fez passar Jesus da morte para a vida, ele que o ressuscitou, também fará viver os vossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em vós. 12Portanto, meus irmãos, nós não devemos viver segundo as inclinações da natureza humana. 13Se viverem conforme tais inclinações, estão a caminhar para a morte; mas se pelo Espírito fizerem morrer as ações pecaminosas, então viverão. 14Todos os que são guiados pelo Espírito são filhos de Deus. 15E o Espírito que receberam não vos torna escravos nem medrosos, mas torna-vos filhos de Deus. É ele que nos faz exclamar: «Abba», que quer dizer «meu Pai». 16É o próprio Espírito que testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17E se nós somos seus filhos também somos seus herdeiros. Somos herdeiros de Deus juntamente com Cristo. Se sofremos com ele também tomaremos parte na sua glória.

Esperança na felicidade futura

18Julgo que os nossos sofrimentos de agora não têm comparação com a glória que depois havemos de ter. 19O mundo todo espera e deseja com ânsia essa manifestação dos filhos de Deus. 20Na verdade, o mundo ficou sujeito ao fracasso, não por sua vontade, mas porque era esse o plano de Deus8,20 O texto parece referir-se às consequências do julgamento de Deus sobre o pecado do homem.. Entretanto, Deus manteve-o sempre nesta esperança: 21Um dia, o mundo será libertado da escravidão e da destruição, para tomar parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22Bem sabemos que até agora o mundo todo geme e sofre como se fossem dores de parto. 23Não é só o Universo, mas também nós que já começámos a receber os dons do Espírito. Nós sofremos e esperamos a hora de sermos adotados como filhos de Deus, a hora da nossa total libertação. 24De facto, nós já fomos salvos, mas é na esperança. Quando se vê aquilo que se espera, então já não é esperança. Pois como é que alguém espera aquilo que já está a ver? 25Mas se nós esperamos aquilo que ainda não vemos, esperamo-lo com paciência. 26Da mesma maneira, também o Espírito nos ajuda a nós que somos fracos. Com efeito, nós não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito pede a Deus por nós com gemidos indescritíveis. 27E Deus, que vê mesmo dentro dos próprios corações, conhece o que o Espírito deseja, porque este pede conforme os desejos de Deus em favor dos que lhe pertencem.

28Nós sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu plano. 29Pois aqueles que Deus de antemão conheceu também os predestinou para serem semelhantes ao seu Filho. Desse modo, o Filho é o primeiro entre muitos irmãos. 30Deus chamou aqueles que predestinou. Aos que chamou, também justificou e aos que justificou também glorificou.

O maravilhoso amor de Deus

31Que mais diremos sobre isto? Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós? 32Ele que não nos recusou o seu próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós, não nos concederá com ele todos os dons? 33Quem poderá acusar aqueles que Deus escolheu, se Deus os declara inocentes?! 34Quem é que os pode condenar? Será porventura Cristo Jesus que morreu, e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, o qual também intercede por nós? 35Quem nos poderá separar do amor de Cristo? O sofrimento, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, os perigos, a morte? 36Como diz a Sagrada Escritura:

Por causa de ti estamos expostos à morte todos os dias.

Tratam-nos como ovelhas para o matadouro8,36 Ver Sl 44,23..

37Mas em tudo isto nós saímos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38Com efeito, eu tenho a certeza de que não há nada que nos possa separar do amor de Deus:

Nem a morte nem a vida;

nem os anjos nem outras forças ou poderes espirituais;

nem o presente nem o futuro;

39nem as forças do alto nem as do abismo.

Não há nada nem ninguém

que nos possa separar do amor

que Deus nos deu a conhecer

por nosso Senhor Jesus Cristo.