a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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A nossa lei é Cristo

71Meus irmãos, conhecem a lei e sabem que uma lei só tem poder sobre uma pessoa enquanto esta vive. 2Assim, por exemplo, uma mulher casada está ligada ao seu marido por força da lei, enquanto ele viver. Mas se o marido morre, ela fica livre dessa lei do matrimónio. 3É por isso que ela é considerada adúltera, se tem ligação com outro homem enquanto vive o seu marido. Entretanto, se este morre, ela fica livre da lei e pode casar com outro homem, sem por isso cometer adultério.

4Coisa semelhante se passa convosco, meus irmãos. Pela morte de Cristo morreram para a lei e não podem pertencer a outro. Pertencem àquele que passou da morte para a vida, a fim de praticarem obras agradáveis a Deus. 5Quando vivíamos conforme a nossa natureza humana, quem mandava em nós eram os desejos maus, despertados pela lei. E isso levava à morte. 6Mas agora estamos livres da lei e morremos para aquilo que nos tinha como escravos. Assim podemos servir a Deus duma maneira nova, segundo o Espírito, e não à maneira antiga da lei7,6 Referência à Lei de Moisés..

A lei, ocasião de pecado

7Mas que diremos então? Porventura a lei é pecado? De modo nenhum. Mas a verdade é que eu não conhecia o pecado se não fosse pela lei. De facto, eu não sabia o que é a cobiça se a lei não dissesse: «Não cobiçarás». 8O pecado aproveitou a ocasião que lhe vinha de um mandamento para despertar em mim toda a espécie de maus desejos. Sem a lei, o pecado era coisa morta. 9Houve tempo em que eu mesmo vivia sem a lei. Mas quando veio o mandamento, o pecado redobrou de vida. 10Eu morri e assim o mandamento que deveria levar-me à vida levou-me à morte. 11Com efeito, o pecado que se aproveitou da ocasião que lhe vinha do mandamento, enganou-me e deu-me a morte.

12De facto, a lei é santa e o mandamento é igualmente santo, justo e bom. 13Então aquilo que é bom foi morte para mim? De modo nenhum. Mas o pecado, mostrando bem que é pecado, provocou-me a morte servindo-se do bem. Desse modo, por meio do mandamento, o pecado tornou-se muito mais forte do que antes.

O homem, escravo do pecado

14Sabemos que a lei vem de Deus, mas eu sou um homem fraco, vendido como escravo ao pecado. 15Nem me compreendo, pois não faço aquilo que queria fazer e faço o mal que detesto. 16Ora se eu faço aquilo que não quero, estou a provar que a lei é boa. 17Não sou eu que o faço, mas é o pecado que está em mim. 18Pois eu sei que o bem não habita em mim, quer dizer, na minha natureza7,18 Literalmente: na minha carne. A palavra que se traduziria por carne serve para indicar o homem com toda a sua fraqueza, com tendência para fazer o mal, incapaz de se libertar do passado.. Embora tenha o desejo de praticar o bem, não sou capaz de o fazer. 19Não faço o bem que eu quero, mas faço o mal que não quero. 20Ora se eu faço o que não quero, é porque não sou eu quem faz isso, mas o pecado que está em mim.

21Encontro pois em mim esta regra: quando eu quero fazer o bem, faço mas é o mal. 22Cá no meu íntimo, eu quero seguir a lei de Deus, 23mas vejo que no meu corpo há uma outra lei que está contra a lei do meu entendimento. É isso que me torna prisioneiro da lei do pecado que está no meu corpo.

24Que homem infeliz eu sou! Quem me libertará deste corpo que me leva à morte? 25Sejam dados louvores a Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo! Pois eu estou ao serviço da lei de Deus com o meu entendimento, embora sujeito à lei do pecado, com a minha natureza humana.

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A vida segundo o Espírito de Deus

81Mas agora não há condenação para os que estão unidos a Jesus Cristo. 2Com efeito, a lei do Espírito que dá a vida pela união com Jesus Cristo libertou-me da lei do pecado e da morte. 3De facto, Deus fez aquilo que a Lei de Moisés não podia fazer, por causa da fraqueza humana. Deus condenou o pecado na natureza humana ao enviar o seu Filho que veio com uma natureza semelhante à do homem pecador. Deste modo condenou o pecado. 4Deus fez assim para que pudéssemos cumprir o que a lei manda, pois já não vivemos conforme as inclinações da natureza humana, mas de acordo com o Espírito.

5Os que vivem conforme as inclinações da natureza humana deixam-se arrastar por elas, mas aqueles que vivem de acordo com o Espírito preocupam-se com aquilo que o Espírito quer. 6De facto, as inclinações da natureza humana levam à morte, mas aquilo que é do Espírito leva à vida e à paz. 7Os nossos instintos são inimigos de Deus, pois não obedecem à sua lei nem o podem fazer. 8Os que estão sujeitos a esses instintos são incapazes de agradar a Deus.

9Ora vocês já não estão sujeitos a esses instintos, mas ao Espírito, se de facto possuem o Espírito de Deus. Se alguém não tem o Espírito de Cristo não é de Cristo. 10Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo esteja morto por causa do pecado, o Espírito dá-lhe vida por causa da justificação. 11Realmente, se têm o Espírito daquele que fez passar Jesus da morte para a vida, ele que o ressuscitou, também fará viver os vossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em vós. 12Portanto, meus irmãos, nós não devemos viver segundo as inclinações da natureza humana. 13Se viverem conforme tais inclinações, estão a caminhar para a morte; mas se pelo Espírito fizerem morrer as ações pecaminosas, então viverão. 14Todos os que são guiados pelo Espírito são filhos de Deus. 15E o Espírito que receberam não vos torna escravos nem medrosos, mas torna-vos filhos de Deus. É ele que nos faz exclamar: «Abba», que quer dizer «meu Pai». 16É o próprio Espírito que testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17E se nós somos seus filhos também somos seus herdeiros. Somos herdeiros de Deus juntamente com Cristo. Se sofremos com ele também tomaremos parte na sua glória.

Esperança na felicidade futura

18Julgo que os nossos sofrimentos de agora não têm comparação com a glória que depois havemos de ter. 19O mundo todo espera e deseja com ânsia essa manifestação dos filhos de Deus. 20Na verdade, o mundo ficou sujeito ao fracasso, não por sua vontade, mas porque era esse o plano de Deus8,20 O texto parece referir-se às consequências do julgamento de Deus sobre o pecado do homem.. Entretanto, Deus manteve-o sempre nesta esperança: 21Um dia, o mundo será libertado da escravidão e da destruição, para tomar parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22Bem sabemos que até agora o mundo todo geme e sofre como se fossem dores de parto. 23Não é só o Universo, mas também nós que já começámos a receber os dons do Espírito. Nós sofremos e esperamos a hora de sermos adotados como filhos de Deus, a hora da nossa total libertação. 24De facto, nós já fomos salvos, mas é na esperança. Quando se vê aquilo que se espera, então já não é esperança. Pois como é que alguém espera aquilo que já está a ver? 25Mas se nós esperamos aquilo que ainda não vemos, esperamo-lo com paciência. 26Da mesma maneira, também o Espírito nos ajuda a nós que somos fracos. Com efeito, nós não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito pede a Deus por nós com gemidos indescritíveis. 27E Deus, que vê mesmo dentro dos próprios corações, conhece o que o Espírito deseja, porque este pede conforme os desejos de Deus em favor dos que lhe pertencem.

28Nós sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu plano. 29Pois aqueles que Deus de antemão conheceu também os predestinou para serem semelhantes ao seu Filho. Desse modo, o Filho é o primeiro entre muitos irmãos. 30Deus chamou aqueles que predestinou. Aos que chamou, também justificou e aos que justificou também glorificou.

O maravilhoso amor de Deus

31Que mais diremos sobre isto? Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós? 32Ele que não nos recusou o seu próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós, não nos concederá com ele todos os dons? 33Quem poderá acusar aqueles que Deus escolheu, se Deus os declara inocentes?! 34Quem é que os pode condenar? Será porventura Cristo Jesus que morreu, e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, o qual também intercede por nós? 35Quem nos poderá separar do amor de Cristo? O sofrimento, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, os perigos, a morte? 36Como diz a Sagrada Escritura:

Por causa de ti estamos expostos à morte todos os dias.

Tratam-nos como ovelhas para o matadouro8,36 Ver Sl 44,23..

37Mas em tudo isto nós saímos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38Com efeito, eu tenho a certeza de que não há nada que nos possa separar do amor de Deus:

Nem a morte nem a vida;

nem os anjos nem outras forças ou poderes espirituais;

nem o presente nem o futuro;

39nem as forças do alto nem as do abismo.

Não há nada nem ninguém

que nos possa separar do amor

que Deus nos deu a conhecer

por nosso Senhor Jesus Cristo.

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A questão da eleição de Israel

91Em nome de Cristo, digo a verdade e não minto. A minha consciência, com o auxílio do Espírito Santo, dá-me a certeza do que afirmo. 2Sinto grande tristeza e um pesar contínuo no meu coração por causa dos meus irmãos, os da minha raça. 3Eu até desejaria ser amaldiçoado por Deus e separado de Cristo, se isso servisse para bem deles. 4Eles são os descendentes de Israel. Deus tomou-os como seus filhos e favoreceu-os com a sua presença gloriosa. Fez alianças com eles e deu-lhes a lei, o culto sagrado e as promessas. 5Eles são os descendentes dos patriarcas. E Cristo, como homem, pertence a essa mesma raça. Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito para sempre. Ámen.

6Não quer dizer que a promessa de Deus tenha falhado. Com efeito, nem todos os descendentes de Israel são o povo de Israel. 7Nem todos os descendentes de Abraão são seus verdadeiros filhos, pois Deus tinha dito: É de Isaac que surgirá a tua descendência. 8Quer isto dizer que não são filhos de Deus os que nascem segundo a natureza9,8 Alusão aos descendentes de Abraão, através de Ismael, o filho que teve de Agar, conforme Gl 4,22–23.. Apenas os que nascem conforme a promessa de Deus é que são considerados como seus verdadeiros filhos. 9Ora as palavras da promessa de Deus eram estas: Daqui por um ano voltarei e Sara terá um filho.

10E isto não aconteceu só com ela mas também com Rebeca, que teve dois filhos gémeos do nosso antepassado Isaac. 11Mesmo antes de os filhos terem nascido e terem feito alguma coisa de bem ou de mal — e para que prevalecesse o plano de Deus que opera por livre escolha 12e não depende das obras mas daquele que faz o chamamento — foi-lhe dito a ela: «o maior servirá o menor.» 13Como está escrito: Eu amei Jacob e odiei a Esaú.

14Vamos concluir então que Deus é injusto? De modo nenhum. 15Ele mesmo disse a Moisés:

Serei misericordioso para quem eu entender

e terei compaixão de quem eu quiser.

16Por isso não depende do que as pessoas queiram nem dos seus esforços, mas depende da misericórdia de Deus. 17Assim fala Deus na Sagrada Escritura ao rei do Egito: Eu é que te fiz rei para mostrar em ti o meu poder e para me dar a conhecer em toda a terra9,17 Citação de Ex 9,16, segundo a antiga tradução grega.. 18Por conseguinte Deus tem compaixão de quem quer e faz endurecer o coração de quem ele entende.

A ira de Deus e a sua misericórdia

19Poderão dizer-me: «Se é assim, como é que Deus pode encontrar faltas nos homens? Pois quem pode resistir à sua vontade?» 20Quem és tu, ó homem, para discutir com Deus? Porventura o vaso de barro perguntará a quem o fez: «Por que é que me fizeste assim?» 21Pois o homem que trabalha com o barro tem o direito de fazer dele o que quiser. Pode fazer louça de luxo e outra para uso vulgar.

22Que temos nós então a dizer, se Deus quer mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder?! Ele já mostrou muita paciência para com aqueles que mereciam os castigos divinos e deviam ser destruídos. 23Quis igualmente mostrar a riqueza da sua glória e da sua misericórdia para connosco, humildes vasos que de antemão preparou para a glória. 24Nós somos os que ele chamou, e não somente de entre os judeus, mas também de outros povos. 25É o que está escrito no livro de Oseias:

Chamarei meu povo àqueles que não são;

e minha nação escolhida àquela que o não é9,25 Citação de Os 2,25..

26E no lugar onde lhes tinha dito:

Vocês não são o meu povo,

aí mesmo serão chamados filhos do Deus vivo9,26 Citação de Os 2,1..

27Também Isaías diz a respeito de Israel: Ainda que os descendentes de Israel sejam tantos como as areias do mar, só um resto deles será salvo. 28Pois o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a Terra, de maneira rápida e completa9,28 Citação de Is 10,22–23, segundo a antiga tradução grega. 29O mesmo Isaías já antes tinha dito: Se o Senhor todo-poderoso não nos tivesse deixado descendência, nós teríamos sido destruídos como Sodoma e Gomorra9,29 Citação de Is 1,9 segundo a antiga tradução grega..

Israel e a boa nova

30Que queremos dizer com isto? Queremos dizer que aqueles que não são judeus nem procuravam a justiça de Deus foram justificados por ele por meio da fé. 31Ao contrário, os judeus, que procuravam seguir uma lei de justiça, não a conseguiram atingir. 32E por quê? Porque não foi por meio da fé, mas pelas obras que procuraram obtê-la. Assim tropeçaram na pedra que faz cair, 33naquela de que fala a Sagrada Escritura:

Eu ponho em Sião uma pedra que faz tropeçar e faz cair;

mas aquele que crê nela não ficará desiludido9,33 Paulo combina algumas expressões de Is 28,16 e 8,14..

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