a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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O Senhor condena o falso jejum

71No quarto ano do reinado de Dario, no quarto dia do nono mês, que é o mês de Quisleu7,1 Corresponde a novembro de 518 a.C., o Senhor dirigiu a Zacarias uma mensagem. 2Os habitantes de Betel tinham enviado Sarécer e Reguem-Melec, com os seus homens, ao templo do Senhor todo-poderoso, a fim de pedirem as bênçãos do Senhor 3e de apresentarem aos sacerdotes do templo e aos profetas a seguinte questão: «Devemos nós continuar a consagrar o quinto mês do ano, chorando como temos feito desde há tanto tempo?» 4O Senhor todo-poderoso mandou então esta mensagem: 5«Diz o seguinte aos sacerdotes e habitantes do país!

Quando vocês jejuavam e choravam no quinto e no sétimo mês,

durante estes setenta anos, era realmente para me honrarem a mim?

6E quando comiam e bebiam, não era porque vos apetecia?»

7Não foram estas mesmas palavras que o Senhor disse por meio dos antigos profetas, quando Jerusalém vivia em paz e estava repleta de gente, tal como as cidades das redondezas e as regiões do sul e da planície costeira?

A desobediência é a causa do exílio

8O Senhor todo-poderoso dirigiu-se a Zacarias 9para ele recordar o que já antes tinha dito: «Sejam retos nos julgamentos, bondosos e compreensivos uns com os outros. 10Não prejudiquem a viúva, o órfão, o estrangeiro, o pobre, nem pensem em fazer mal uns aos outros.»

11Mas o povo não quis obedecer. Voltaram as costas teimosamente e fizeram-se surdos para não ouvirem. 12Endureceram o coração como diamante, para não aceitarem os ensinamentos e os mandamentos que o Senhor todo-poderoso comunicou pelo seu espírito aos profetas de outrora. Por isso, o Senhor irritou-se profundamente e disse: 13«Já que eles não quiseram escutar-me quando eu os chamava, também eu não os ouvirei quando eles me invocarem. 14Dispersei-os por entre povos que eles não conheciam e atrás deles ficou um país deserto, onde ninguém podia viver. Tinha sido um país maravilhoso, que eles transformaram em terra abandonada.»

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Promessas do Senhor

81O Senhor todo-poderoso comunicou-me o seguinte:

2«Assim fala o Senhor:

O amor que sinto por Sião é tão grande e tão forte

que chega a causar-me ciúmes.

3Por isso, eu volto a Jerusalém para lá habitar.

Jerusalém será chamada “Cidade fiel”

e o monte do Senhor todo-poderoso que me pertence,

será chamado “Monte santo”.

4As pessoas idosas, tanto homens como mulheres,

voltarão a sentar-se nos seus lugares em Jerusalém,

tendo cada um nas suas mãos o cajado em que se apoia

por causa da muita idade.

5Rapazes e raparigas virão novamente em grande número

jogar nas praças de Jerusalém.

6Para os que restarem do meu povo,

isto parecerá impossível,

mas não o será para mim.

Palavra do Senhor, todo-poderoso!

7Vou libertar o meu povo

dos países do oriente e do ocidente.

8Vou trazê-los para habitarem em Jerusalém.

Eles serão o meu povo

e eu serei o seu Deus justo e fiel.»

9Assim fala o Senhor todo-poderoso:

«Tenham coragem! Vocês ouvem agora

as palavras que pronunciaram os profetas,

no tempo em que se começou a reconstruir o templo.

10Antes daqueles dias, não se pagavam salários

pelo trabalho dos homens nem pelo aluguer dos animais.

Não havia segurança para quem entrava ou saía,

por causa dos inimigos,

pois eu tinha posto umas pessoas contra as outras.

11Mas agora não trato os sobreviventes deste povo

como os de outrora. Palavra do Senhor todo-poderoso!

12Poderão fazer as sementeiras em paz,

as vinhas darão uvas,

a terra dará os seus frutos, dos céus cairá a chuva.

Tudo isto concederei aos sobreviventes do meu povo.

13Assim como vocês, povo de Judá e de Israel,

foram uma maldição no meio dos outros povos,

assim agora eu vos salvarei e serão uma bênção.

Não tenham medo! Encham-se de coragem!

14Assim fala o Senhor todo-poderoso!

Eu tinha decidido castigar-vos,

porque os vossos antepassados tinham-me irado.

E não me arrependi desta decisão.

15Mas agora decidi fazer bem a Jerusalém e a Judá.

Não tenham medo!

16É isto que devem fazer sempre.

Digam a verdade uns aos outros;

nos tribunais, julguem com justiça

e procurem restabelecer a paz.

17Não se prejudiquem uns aos outros

nem se deleitem em fazer juras falsas,

pois eu detesto tudo isso» — diz o Senhor.

Os dias de jejum hão de tornar-se dias de festa

18O Senhor todo-poderoso mandou-me ainda dizer:

19«Os vossos jejuns do quarto, quinto, sétimo e décimo mês

devem transformar-se em festas de alegria

e de felicidade para o povo de Judá.

E deleitem-se na verdade e na paz!

20Assim fala o Senhor todo-poderoso!

Chegará o tempo em que virão a Jerusalém

povos e habitantes de muitas cidades.

21Os habitantes de uma cidade dirão de outra:

“Vamos todos pedir a bênção do Senhor

procurar a presença do Senhor todo-poderoso.

É o que eu vou fazer!”

22Muitos povos e poderosas nações virão então a Jerusalém

prestar lealdade ao Senhor, para lhe pedir a bênção.

23Nesse tempo, dez estrangeiros, falando cada um a sua língua,

chegarão junto de um judeu para lhe pedirem:

“Nós também queremos ir, porque soubemos que Deus está convosco.”»

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Julgamento das nações vizinhas

91É esta a mensagem do Senhor contra a terra de Hadrac e contra Damasco, o seu repouso:

«Pertence ao Senhor o olhar do homem,

e de todas as tribos de Israel.

2Dele é também Hamat, que está perto de Hadrac,

e as cidades de Tiro e de Sídon, apesar da sua grande sabedoria.

3Tiro construiu as suas muralhas

e juntou tanta prata como o pó

e tanto ouro como a lama das ruas.

4Mas o Senhor há de apoderar-se dessa cidade,

deitará ao mar a sua riqueza

e queimará por completo a cidade.

5Ao ver isto, a cidade de Ascalon ficará apavorada

e Gaza tremerá de medo.

Cairão também por terra todas as esperanças de Ecron.

Gaza ficará sem rei e Ascalon sem os seus habitantes.

6O bastardo será entronizado em Asdod

e assim humilharei o orgulho dos filisteus.

7Tirarei da boca deste rei a violência

e dos seus dentes a idolatria.

Este que sobrevive também será posse do nosso Deus

e será somente como um dos chefes em Judá.

Ecron será como os jebuseus.

8Eu ficarei como guarda do meu país para o defender

contra os exércitos que passem por aqui.

Não haverá quem volte a oprimir o meu povo,

pois agora hei de vigiá-lo com os meus próprios olhos.»

O rei que estabelecerá a paz

9Canta de alegria ó cidade de Sião!

Alegra-te cidade de Jerusalém!

Olha o teu rei que chega justo e vitorioso,

humilde e montado num jumento,

no filho duma jumentinha9,9 O versículo é em parte citado em Mt 21,5; Jo 12,15..

10Ele destruirá os carros de guerra de Efraim,

os cavalos de Jerusalém e os arcos de guerra.

Estabelecerá a paz entre as nações,

dominará desde um mar até ao outro,

desde o Eufrates até ao fim do mundo.

Libertação dos prisioneiros

11Assim diz o Senhor:

«Por causa da minha aliança convosco,

confirmada pelo sangue dos sacrifícios,

eu libertarei aqueles dentre vocês

que se encontram prisioneiros,

como no fundo de um poço sem água.

12Vocês que ainda mantêm a esperança,

voltem do cativeiro.

Regressem à vossa cidade de novo fortificada

e eu vos recompensarei a dobrar.

13Hei de utilizar Judá como um arco de guerra,

Efraim como uma flecha,

Sião como se fosse a espada dum herói.

Levantarei os seus homens contra os da Grécia.»

14O Senhor há de manifestar-se ao seu povo.

Lançará as suas flechas como raios.

Fará ecoar a trombeta

e avançará desde o sul, no meio da tempestade.

15O Senhor todo-poderoso protegerá os seus

que hão de calcar as pedras

daqueles que as arremessam com as suas fundas.

Farão correr o sangue dos seus inimigos

como se fosse vinho ou como o sangue dos sacrifícios

que se coloca em vasos para aspergir os cantos do altar.

16O Senhor Deus salvará então os seus

como um pastor salva o seu rebanho.

Como pedras preciosas de uma coroa,

eles brilharão na sua própria terra

17que será fértil e bela.

Produzirá o trigo e o vinho

que darão vigor à juventude.