a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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131Simão ouviu dizer que Trífon tinha organizado um grande exército a fim de invadir a terra de Judá e conquistá-la. 2E ao ver que o povo tremia de medo, foi até Jerusalém e reuniu o povo 3e procurou animá-lo com as seguintes palavras: «Sabem o que eu, os meus irmãos e a casa de meu pai temos feito pelas leis e pelo santuário; sabem das guerras e dos sofrimentos por que temos passado. 4Foi por causa disso que todos os meus irmãos morreram por Israel e eu fiquei só. 5Mas que agora não suceda ter eu a minha vida ocupada em momentos de tribulação, pois não sou melhor do que os meus irmãos! 6Pelo contrário, eu vou vingar o meu povo, o santuário e as vossas mulheres e os vossos filhos, pois todos os povos pagãos nos odeiam e se juntaram para nos destruir, em virtude do seu ódio para connosco.» 7E inflamou-se o espírito do povo ao ouvir estas palavras, 8e responderam em voz alta: «Tu és o nosso líder, no lugar dos teus irmãos Judas e Jónatas. 9Sê o nosso comandante na guerra, e faremos tudo o que mandares.» 10Simão reuniu todos os homens aptos para a guerra e apressou-se em terminar a construção das muralhas de Jerusalém e de fortificou-a em todo o seu redor. 11E enviou Jónatas, filho de Absalão, acompanhado de uma força considerável a Jope, expulsou os habitantes da cidade e instalou-se ele próprio nela.

A morte de Jónatas

12Trífon saiu de Ptolemaida com um grande exército para invadir a terra de Judá, levando consigo Jónatas como prisioneiro. 13Simão acampou em Adida, diante da planície. 14Trífon, ao saber que Simão tinha ocupado o lugar do seu irmão Jónatas e que estava pronto para o combater, enviou-lhe embaixadores com a seguinte mensagem: 15«Pelas dívidas que tinha com o tesouro real, em virtude das funções que desempenhava, mantemos prisioneiro o teu irmão Jónatas. 16Envia-nos agora quinhentos quilos de prata13,16 Literalmente: cem talentos. e dois dos seus filhos como reféns, de forma que, ao ser liberto, não se revolte contra nós; e pô-lo-emos em liberdade.» 17Simão percebeu que com estas palavras o pretendiam enganar, mandou preparar a prata e os dois jovens para não despertar sobre si a hostilidade do povo 18Por não ter dado o dinheiro que lhe fora pedido nem os meninos, diria o povo, Jónatas foi morto. 19Assim Simão enviou a Trífon os dois meninos e o dinheiro; mas este quebrou a sua promessa e não libertou Jónatas. 20Depois disso, Trífon marchou com o seu exército para invadir o país e arrasá-lo, cercando-o pela estrada de Adoraim. Simão e o seu exército avançavam contra ele, para onde quer que se dirigisse. 21Entretanto os ocupantes da cidadela enviaram mensageiros a Trífon, pressionando-o a marchar através do deserto ao seu encontro e a enviar-lhes mantimentos. 22Trífon preparou toda a sua cavalaria para o fazer, mas naquela noite caiu muita neve, e não pôde ir. Então foi para a região de Guilead. 23Quando chegou perto de Bascama, matou Jónatas e enterrou-o ali mesmo. 24Entretanto voltou para a sua terra. 25Simão mandou buscar o corpo do seu irmão Jónatas e enterrou-o em Modin, a cidade dos seus antepassados. 26Todo o Israel fez por ele um grande luto e chorou-o durante muitos dias. 27E Simão construiu sobre a sepultura do pai e dos irmãos um monumento alto, que podia ser visto de longe, revestido de pedras polidas de ambos os lados. 28Construiu também sete pirâmides, face a face uma com outra, para seu pai, sua mãe e seus quatro irmãos13,28 A sétima pirâmide era para ele mesmo.. 29Ao redor delas construiu um conjunto de colunas altas, em cima das quais colocou armas como recordação para a eternidade, e junto destas navios esculpidos, destinados a ser vistos de todos os que viajam pelo mar. 30Esse mausoléu, que Simão construiu em Modin, pode ser visto ainda hoje13,30 Isto é, até à data em que o texto foi escrito..

Simão torna-se aliado de Demétrio II

31Trífon traiu o jovem rei Antíoco e matou-o. 32Reinou em seu lugar, cingindo o diadema da Ásia, e trouxe grandes desgraças para o país. 33Simão reconstruiu as fortalezas da Judeia, fortificou-as de altas torres de vigia, muralhas fortes e portões com trancas; e armazenou mantimentos nessas fortalezas. 34Escolheu alguns homens e enviou-os ao rei Demétrio, a fim de pedir uma amnistia fiscal ao país, pois Trífon mais não fazia senão pilhar. 35Em resposta a esta solicitação, Demétrio escreveu esta carta a Simão: 36«O rei Demétrio envia saudações a Simão, o sumo sacerdote e Amigo13,36 Ver 1 Mb 2,18 e nota. de Reis, e também aos anciãos e ao povo judeu. 37Recebemos a coroa de ouro e o ramo de palmeira que nos mandaram e estamos prontos a estabelecer uma paz duradoura convosco e escrever aos nossos funcionários no sentido de vos concederem a amnistia fiscal. 38As decisões anteriormente tomadas a vosso respeito continuam vigentes, e podem manter em vossa posse as fortalezas que construíram. 39Perdoamos todos os erros e ofensas que cometeram até hoje, inadvertida ou intencionalmente; o imposto da coroa, além de qualquer outro que esteja por cobrar em Jerusalém, deixará de ser cobrado. 40E, se no vosso meio houver homens em condições de ser alistados como meus guarda-costas13,40 Ou: funcionários do meu palácio., que se alistem. E que entre nós haja paz.» 41Assim no ano cento e setenta da era grega13,41 Equivale ao ano 142 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota., Israel ficou livre do jugo pagão, 42e o povo começou a datar os seus documentos e acordos do primeiro ano de Simão, como sumo sacerdote e chefe militar e civil dos judeus.

Lutas de Simão

43Naquele tempo Simão acampou em frente da cidade de Guézer e fez-lhe cerco com as suas tropas; construiu maquinaria de assalto e levou-a até à cidade, atacou uma das torres de defesa e conquistou-a. 44Os soldados que estavam na torre de assalto espalharam-se pela cidade, criando uma grande confusão. 45Os habitantes da cidade, com as esposas e os filhos, subiram para a muralha, rasgaram as suas roupas e começaram a gritar para Simão que lhes estendesse a mão direita em sinal de paz. 46Disseram: «Não nos trates de acordo com as nossas maldades, mas de acordo com a tua misericórdia.» 47Simão chegou a acordo com eles e parou as hostilidades; mas expulsou-os da cidade e mandou purificar as casas em que havia ídolos. Assim entrou nela, cantando hinos e canções de louvor. 48Erradicou toda a impureza e instalou nela homens cumpridores da lei. Fortificou-a e construiu uma casa para si mesmo. 49Os ocupantes da cidadela de Jerusalém, impedidos de entrar ou sair da região, para comprar ou vender, passaram muita fome e muitos deles tinham já morrido. 50Clamaram a Simão que aceitasse a paz com um aperto de mão, e ele concordou. Expulsou todos dali e mandou purificar a fortaleza de todas as suas impurezas. 51E entrou nela no dia vinte e três do segundo mês do ano cento e setenta e um13,51 Equivale ao ano 141 a.C. Ver 1 Mb 1,10 e nota., com louvor e folhas de palmeira, ao som de liras, címbalos e harpas, acompanhados de hinos e canções, pois um inimigo terrível de Israel tinha sido derrotado. 52Ordenou que todos os anos esse dia fosse festejado com alegria, fortificou o monte do templo, no lado da cidadela, e fixou ali residência, ele e os seus homens. 53Simão viu que o seu filho João era agora um homem feito, pelo que o estabeleceu como comandante de todas as suas tropas. E João fixou residência em Guézer.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»